Yakusoku
50 Capítulo 50 - Namida no Regret
Notas iniciais
http://letras.mus.br/scandal/1710819/traducao.html
Nagihiko espirrou, e logo depois ouviu o espirro de Tadase fazendo coro com o seu. Limpou o nariz rapidamente, e então voltou a se aconchegar na cama, onde havia passado a maior parte da tarde dormindo, assim como o outro. Os dois estavam no quarto do loiro, ambos enrolados em cobertores, cada um de um lado da cama, com lencinhos de papel por todos os lados, alguns remédios espalhados e a TV ligada em um programa qualquer. Estavam gripados, e isso era evidente para qualquer um que olhasse o quanto Nagihiko estava pálido, ou para o nariz vermelho de Tadase, mas os sintomas da estranha doença que eles haviam contraído de Yoru não se resumiam a isso.
Em ambos, fofíssimas orelhas de gato cresceram, bem como caudas peludinhas e compridas, da mesma cor dos seus cabelos. Além disso, suas pupilas ficaram em formato de fenda, e Nagihiko podia jurar que conseguia enxergar melhor no escuro depois disso. Também ouviam ruídos ao longe e os barulhos normais pareciam mais altos, mas esse detalhe não parecia um problema para quem passou grande parte do dia a dormir.
Os sintomas pareciam se agravar um pouco mais a cada momento, e também seus dentes haviam se tornado afiados, com os caninos mais pontudos do que o resto. Tudo o que ele e Tadase ingeriram durante o dia fora alguns taiyaki, um peixe frito feito por Tsukasa, e muito, muito leite, mas supreendentemente, Nagihiko achava que a vontade de dormir durante o dia superava e muito a fome.
Bem que Tsukasa havia avisado sobre essas mudanças…
Depois de pesquisar muito sobre o assunto, o diretor da Seiyo encontrou em sua abissal biblioteca secreta alguns manuscritos antigos que poderiam conter a informação desejada. Assim que os traduziu, ele informou que o que havia acontecido não era muito grave na realidade. A doença de Yoru passara para Tadase, que por sua vez, passara ela para Nagihiko. Shugo Charas não são de fato humanos, são personificação de características ou de habilidades desejadas, e dessa forma, não apenas os sintomas da gripe como também as particularidades na natureza felina de Yoru, haviam sido transmitidas aos garotos.
Não havia remédios capazes de suprimir esses sintomas, então os garotos deveriam apenas descansar e esperar que a doença se extinguisse por si só. Tsukasa queria acompanhar a progressão do caso deles, e como também não poderiam ficar perto dos seus Charas, Nagihiko acabou tendo que ficar na casa de Tadase. Ligou para sua mãe e inventou um trabalho qualquer de guardião que deveria ser realizado, e ela acabou aceitando. A mãe de Tadase ainda estava às voltas com a prima grávida, de forma que ainda demoraria alguns dias para retornar, o que era uma sorte. Ninguém sabia ao certo se pessoas que não viam Shugo Charas também não seriam capazes de ver aquelas nekomimi, mas o melhor era não arriscar.
Tsukasa alertou aos garotos que os sintomas da doença eram muito mais profundamente psicológicos do que físicos em si. As orelhas e a cauda eram apenas a parte visível do problema… havia ainda toda a estrutura emocional com que se lidar. Ele avisou que provavelmente as personalidades de ambos poderiam ficar ligeiramente alteradas, um pouco mais felinas. O primeiro de tudo era aquele sono absurdo que eles sentiam, e que havia feito com que estivessem desmaiados pela maior parte do tempo até agora. Havia também o fato de não conseguirem ficar presos dentro de casa. Ambos queriam sair ao ar livre, indefinidamente, mas é claro que Tsukasa os prendeu, e como também não poderia se arriscar em pegar a doença, manteve-se afastado daquele quarto (embora isso fosse realmente um suplício para ele, que amava felinos em geral). Além disso, deveria haver oscilações de humor, que poderiam ser variáveis. Os garotos poderiam sentir-se mais facilmente irritáveis, com vontade de brigar. Indiferentes, competitivos, ousados, possessivos, egoístas… as possibilidades eram bem variadas e segundo as palavras do próprio Tsukasa, os garotos se tornariam “incapazes de ignorar sua natureza felina, e suas necessidades corpóreas”, o que poderia ser interpretado de inúmeras formas…
Quando o sol se pôs, escondido pelas densas nuvens, e a noite já atravessava a janela do quarto, Nagihiko acordou. Ouviu o barulho de pingos de chuva batendo no telhado, mas isso não o impressionou, havia chovido durante a noite inteira, na verdade. Esfregou o rosto com as costas da mão, e deu um longo bocejo, esticando-se de quatro sobre a cama, para se espreguiçar. E então se ergueu, em um pulo, com a cauda balançando cheio de energia.
Esgueirou-se até o lado da cama onde Tadase ainda ressonava tranquilamente, e o fitou atentamente por alguns poucos segundos. Rapidamente ficou entediado, então começou a cutucar a bochecha macia do outro com a ponta dos dedos, dando pequenos empurrõezinhos para tentar acordá-lo, mas o gatinho loiro não fez menção de que iria se mexer.
Nagihiko sorriu para si mesmo de uma maneira que lembrava, e muito, Ikuto. Teria que apelar para algo mais efetivo se queria fazer Tadase acordar. Sem hesitar nem por um único segundo, ele se inclinou na direção do rosto adormecido do namorado, erguendo a cauda para o ar com o movimento. Tocou-o com a ponta do nariz, curioso, e sentiu o cheiro doce de Tadase ainda mais intenso do que o habitual. Estremecido, tocou-o com a língua, deslizando e mordiscando o pescoço e a orelha expostas.
— Nyaaaannn, Fujisaki-kunnnn… — Sensível, Tadase não se demorou em acordar, e gemeu longamente, antes de abrir os olhos felinos para o outro, de um modo absolutamente provocador.
Lá fora, um trovão se anunciou, fazendo tremer a casa, e o volume de água que caia aumentou torrencialmente, abafando todos os outros ruídos.
Nagihiko não parou o que estava fazendo ao ver que o outro despertara, e nem ao ouvir o estrondo do trovão. Continuou a provar a pele macia com os lábios, enquanto as mãos velozes e habilidosas se ocupavam em acariciar ora a cintura, ora as orelhas de gato no alto. Tadase não parecia fazer nenhum esforço para conter os gemidos/miados, que vinham espontaneamente a cada toque de Nagi.
— Hotori-nyan… será que nós podemos terminar aquilo que começamos antes, nya? Afinal, eles nos interromperam, nya… — Nagihiko ronronou, passando levemente os dentes afiados pela pele rosada do menor, que se arrepiou.
— Eu adoraria, nyaa… — Tadase agitou-se, atrevidamente, e então deu um salto, movendo-se rapidamente para empurrar Nagihiko até que ele deitasse, e posicionando-se em cima do corpo dele – Onegai, passe dos limites dessa vez… — Tadase pediu mais uma vez, com a voz rouca e baixa arranhando sedutoramente os ouvidos de Nagihiko. Obviamente, o corpo do valete reagiu a isso, da maneira que ele esperava que fizesse.
Como era fácil de perceber, nenhum dos dois estava em seu juízo perfeito, e a febre mexia com seus sentidos de forma incompreensível, fazendo-o dar vasão aos mais secretos e desconhecidos desejos que guardavam. Havia sido um erro primordial de Tsukasa deixá-los ficar trancados no mesmo quarto nesse estado alterado.
— Nee, Hotori… — Nagihiko atendeu à provocação, sentando-se com Tadase encaixado em seu colo, e mordiscando a orelha dele – Nós deveríamos estar dormindo… afinal, já é noite, e nós estamos doentes, nya~…
— Eu não estou com sono, nya~ — Tadase esfregou a bochecha contra o rosto de Nagihiko, ronronando mais uma vez. Como um gato, ele passara o dia inteiro dormindo, e agora, durante a noite, tinha energia de sobra para gastar.
— Nem eu. – Nagihiko terminou de vez com aquele resto incômodo de razão que ainda o segurava, e jogou Tadase para trás na cama, pressionando-o com o próprio corpo. Não demorou em tomar os lábios dele para si, sendo retribuído instantaneamente em igual intensidade.
Nagihiko invadiu os lábios de Tadase com voracidade, de uma maneira que nunca antes havia feito, e o menor não demorou em corresponder, travando uma ferrenha batalha entre suas línguas, que terminaria sem vencedor. O Rei jogou os braços ao redor do pescoço dele, segurando com força os cabelos arroxeados em suas mãos, trazendo-o ainda mais perto. Sua cauda amarelada se juntou com a cauda roxa de Nagihiko, entrelaçando-se mutuamente, enquanto eles continuavam a aumentar a profundidade dos seus toques. As mãos de Nagihiko corriam livremente pelo corpo esguio, levantando gradualmente a camiseta do garoto, deixando à mostra a pele clara e delicada, sem jamais afastar seus lábios dos dele. Logo, Nagihiko perdeu o fôlego, e começou a distribuir beijos pelo pescoço já marcado de Tadase enquanto tomava tempo para respirar.
— Você definitivamente ficou melhor em beijar… – comentou, enquanto arrancava gemidos manhosos do menor, ao roçar com os caninos na pele do pescoço.
— É por que eu tive um ótimo professor, nyan~ — ele disse, jogando as pernas ao redor de Nagihiko para tomar mais uma vez os lábios dele, de uma maneira desajeitada, mas eficaz.
Nagihiko explorou a boca do menor ao máximo, entrelaçando a língua à dele à medida que invadia o pijama que Tadase vestia com as mãos ávidas e inquietas. Tadase gemeu próximo ao seu ouvido, quando o maior desviou os lábios para seu pescoço, sugando-o e mordiscando, e assim que recuperou o fôlego, voltou a beijá-lo vorazmente.
Os dois rolaram, imersos demais um no outro para perceber quando a cama acabava. Caíram sobre o futon que estava arrumado – e intocado – para Nagihiko, no chão, com Tadase por cima, mas isso não parece atrapalhar em nada o que estavam fazendo.
Em um movimento rápido, Nagihiko puxou as cobertas do futon, cobrindo-os até a cabeça. Era apenas uma medida preventiva para preservar sua privacidade, no caso de serem surpreendidos como da outra vez. O calor logo se tornou excessivo demais para que aguentassem, e Nagihiko interrompeu o beijo para começar a tirar a própria camiseta, enquanto sentia a respiração quente e pesada de Tadase bater em seu pescoço, a sensação maximizada pelo abafamento que o cobertor causava.
— Hmmm… eu queria fazer isso, nyan… — Tadase reclamou, sem se demorar em abraçar o corpo despido do garoto e trazer para perto do seu.
— Não vão faltar oportunidades, nya~- Nagihiko ronronou, abrindo um a um os botões da camisa de Tadase, retirando-a em um movimento ágil e começando a lamber sua pele exposta sem perder tempo, desde o ombro, passando pelo peito, e descendo para o abdômen esguio e macio, voltando então para cima. Durante todo o percurso, Tadase arquejava e miava desordenadamente, cobrindo o rosto com um dos braços. Nagihiko mordeu a orelha de Tadase com seus recém-adquiridos caninos, descobrindo a face dele para que pudesse apreciá-la, e fazendo-o soltar outro grito particularmente agudo.
Tadase passeava com as mãos pelo abdômen de Nagihiko, no mesmo ritmo dos beijos voluptuosos que eles trocavam, sentindo por si mesmo os resultados dos treinos de basquete nos músculos que se mostravam proeminentes no maior. Tadase amava aquilo, e antes que percebesse, já arranhava a pele do maior com vontade, enquanto o sentia enfiando a língua cada vez mais fundo em sua boca, até fazê-lo esquecer de como se respirava. Passou a cauda alaranjada por toda a extensão da coluna do valete, e percebeu que ele estremeceu com o toque. Satisfeito por poder também causar sensações desse tipo no namorado, Tadase se empolgou, descendo o rosto ate encaixá-lo no espaço da clavícula do maior, mordendo-o e beijando-o com certa urgência traçando o caminho pelo pescoço, enquanto sua mão livre deslizava até a coxa lisa e macia do outro.
— Nyaaha…. – Nagihiko deixou escapar um longo gemido, abafando-o logo depois ao esconder o rosto nos cabelos loiros de Tadase.
Como resposta para a ousadia do menor, Nagihiko deixou seu peso ceder em cima de Tadase, fazendo-o arquejar e pressionando-o contra o futon, enquanto roçava suas pernas por entre as dele. Suas mãos deslizaram sem pedir permissão pelas pernas do menor, arrancando a calça dele em um movimento único. Ele estremeceu, retorcendo-se de forma vulnerável e indefesa pelo lençol, e mordendo os lábios enquanto seus olhos de fenda fitavam Nagihiko, esperando pelo próximo movimento dele. Nagi, ainda deitado sobre Tadase, sentiu que algo se agitava na região do quadril do menor, com apenas uma peça de roupa ainda o contendo, e só então sua mente enevoada se deu conta do que fazia.
Ele também se sentia da mesma forma que o loiro estava sentindo-se agora, e sabia muito bem que seu corpo deveria estar em uma situação semelhante, e o que isso significava. Experimentou um desejo impulsivo, quase selvagem, de possuir Tadase ali mesmo, e aplacar aquele fogo que ele sentia queimar dentro de si, e sabia que também ardia dentro de Tadase. Instintivamente, sentia que saberia exatamente o que fazer, e como fazer. Os olhos de Tadase chisparam, mesmo no escuro, brilhando de desejo, e ele sabia que nesse momento, o menor não iria se opor.
Mas você não pode fazer isso com ele nesse estado alterado, não é mesmo? Você quer que Tadase esteja consciente quando fizerem essas coisas, que saiba exatamente o que está acontecendo, que consinta, e que sinta você da mesma forma que você o sente. Você não vai conseguir continuar agora.
Nagihiko caiu, derrotado, ao lado de Tadase. Pelo jeito, os sintomas da doença de Yoru começavam a se dissipar, pois a cauda que antes se balançava embaixo das cobertas havia sumido completamente, como se nunca houvesse existido. E a voz sensata e racional que lembrava Nadeshiko ecoava em sua mente, insistentemente.
— Por que você parou, nyan? – Tadase sussurrou, sibilando. Seus olhos felinos não pareciam nem um pouco conformados com aquela mudança súbita de atmosfera.
— Porque eu fui muito além dos limites – Nagihiko disse apenas, incomodado, erguendo-se e saindo do quarto sem olhar para trás.
Entrou no banheiro dos Hotori, imaginando o que deveria dizer caso alguém o visse ali, e tomou uma longa ducha gelada, que durou muito mais do que um banho normalmente duraria. Durante esse tempo, deixou apenas a água gelada passar pelo seu corpo, que ainda sentia o recente e cálido toque de Tadase queimando na superfície da sua pele. Havia ainda as marcas dos toques mais ousados do loiro. Arranhões se mostravam evidentes nas suas costelas, e seu pescoço estava com um sinal arredondado e vermelho proeminente. Nagihiko passou os dedos pelo local, tremendo tanto de frio pelo banho gelado, quanto pelo arrependimento. Não deveria, jamais, ter feito aquelas coisas com Tadase, sendo que o mesmo estava delirante e fora de si pela febre. Aproveitou-se da inocência do menor, e o fez fazer e dizer coisas que certamente não teriam ocorrido se ele estivesse no seu estado normal. Sentia-se um aproveitador, que seduzira e coagira o ingênuo Tadase a agir daquela forma. Ele era o pior.
O banho pareceu reduzir os efeitos da febre, pois ao se mirar novamente no espelho do banheiro, o valete pode perceber que já não tinha mais as orelhas pontudas sobre a cabeça, e seus dentes já haviam voltado ao tamanho normal. Apesar disso, Nagihiko só saiu do banheiro quando teve certeza de que Tadase já deveria estar dormindo. . E ainda assim, escutou atrás da porta o suave ressonar do pequeno, antes de adentrar no quarto. A essa altura, a chuva já havia amansado, e não havia qualquer barulho se sobrepondo aos seus passos cautelosos pelo corredor.
Tadase dormia, assim como o maior tinha deduzido, enrolado em uma pequena bolinha sobre o futon, com a cauda repousando ao seu redor. Nagihiko suspirou, sentindo-se ainda mais sujo e imoral ao ver o semblante tranquilo e angelical do garotinho adormecido. Pegou-o no colo, apenas para colocá-lo em sua própria cama, cobrindo-o com um edredon.
— F-fujisaki-kun… no… b-baka… nya~ — ele resmungou em meio ao sono, sem que o valete pudesse ouvi-lo, pois já se afastara e se acomodara no futon, agora frio e solitário sem a presença do outro.
~
A manhã se mostrou finalmente, emburrada, cinzenta e sem graça. Nagihiko acordou primeiro, e preparava-se para sair sem ser visto, aproveitando o tempo em que Tadase dormia para trocar de roupa. Ainda sentia seus músculos letárgicos por causa da gripe, que não havia sido curada completamente mesmo que os sintomas aparentes estivessem desaparecendo aos poucos. Por causa disso, despia-se muito mais vagarosamente do que o habitual, tirando a camisa para então começar a despir as calças.
— Nyaan… Fujisaki-kunnn… — ouviu a voz manhosa de Tadase miar de repente. Ele se espreguiçava na beira da cama, parecendo satisfeito em se deparar com a bela imagem do peitoral do jogador de basquete logo ao despertar – Ohayo… Você está bem? – ele abriu os olhos, que brilharam com sua pupila vertical se evidenciando.
— Estou. – Nagihiko respondeu rapidamente, escondendo o corpo despido, pegando suas roupas que estava por ali e correndo para fora do quarto, na direção do banheiro.
— Ahn… ele… ele fugiu de mim… — Tadase murmurou para si mesmo, num tom magoado. Queria perguntar ao outro por que ele estava se esquivando desde a noite anterior, e por que parara tão repentinamente o que eles faziam… sua nova condição de felino dava a ele coragem para ser incisivo, então esperou pacientemente até que Nagi retornou, inteiramente vestido e com um olhar evasivo, como se estivesse fugindo de Tadase.
— E-eu já vou indo para casa, Hotori-kun. – Ele disse num tom de voz gélido, sem olhar para Tadase, enquanto terminava de juntar as suas coisas que estavam espalhadas pelo local, e dobrava o futon onde havia dormido – As minhas orelhas sumiram, a cauda também, então acho que já posso ir. Você ainda deve repousar, é melhor voltar para cama.
— Ei! Por que está agindo assim, nya~? – Tadase resmungou, incomodado. Levantou-se da cama em um salto, postando-se bem na frente de Nagihiko. Ele desviou o rosto para o lado, incapaz de encará-lo de frente, e o menor segurou bem firme nas mãos o rosto dele, trazendo-o de volta na sua direção – Você está estranho! Nya. É por causa do que aconteceu ontem?
— Não, eu estou bem – Nagihiko se desvencilhou das mãos de Tadase, virando as costas para ele enquanto aproveitava para guardar no lugar o futon.
— Não está não! – Tadase bateu o pé, e ia começar a falar outras coisas, quando ouviu a campainha tocar, e Hotosaki latir na entrada. Tsukasa já havia saído para a escola há muito tempo, e como todos deveriam estar na aula há essa hora, não conseguiam imaginar quem devesse ser. Ainda mais irritado pela súbita interrupção, Tadase marchou até a entrada.
Utau e Rima estavam ali. A cantora usava a fantasia de enfermeira, embora não estivesse com um semblante muito cordial hoje, e Rima trazia uma pequena sacola nas mãos.
— Shitsureishimasu – Utau disse rapidamente, entrando e sendo seguida por Rima, indo direto para o quarto de Tadase.
— Então, como passaram a noite? – Rima indagou primeiro, vendo que a mais velha não parecia propensa nem mesmo à piadinhas de duplo sentido com o fato dos dois garotos terem ficado de quarentena juntos.
— Vocês não deveriam estar na aula não? – Nagihiko desconversou, ao ver as duas adentrando o recinto.
— Utau foi até a nossa escola hoje de manhã, para saber como o Yoru estava. Na verdade, ela estava fugindo do Kyouharu-san – Rima confidenciou, no mesmo tom de voz parado de sempre, e Utau bufou, desdenhando da afirmação, mesmo que ela fosse verdadeira.
— Tsukasa pediu para virmos aqui durante o intervalo ver como vocês estavam. – Utau resolveu mudar o rumo da conversa logo – E também, ele pediu que Rhythm e Temari trouxessem roupas suas para que você pudesse se trocar, Nagi-kun.
— Ah, ótimo! Eu estou com essas roupas desde ontem – Nagihiko reclamou, pegando a sacola que era estendida e correndo para fora do quarto.
— Aconteceu alguma coisa com vocês? – Utau indagou à Tadase, assim que o valete sumiu pelo corredor.
— Nada – Tadase respondeu secamente, suspirando. Era a mais pura verdade.
— Ah, ele se esqueceu de levar a camiseta – Rima mostrou a peça que caíra no chão, e sem pensar duas vezes, rumou na direção do banheiro. Tadase se mostrou interessando, seguindo-a silenciosamente com seus passos suaves, e deixando Utau falando sozinha para trás.
Rima entrou no banheiro sem nem pedir licença, e Tadase esperou que Nagihiko gritasse com ela, ou a expulsasse, mas nada aconteceu. Ele pegou a camisa que ela trouxe, tirou a sua própria e colocou a outra, sem nem fechar a porta. Tadase eriçou-se, irritado, e cerrou os dentes. Logo depois, retornou ao quarto, sentando na cama como se nada tivesse acontecido. Utau o acompanhou com os olhos, intrigada com o estranho comportamento dos dois garotos, principalmente de Tadase.
Sentindo que o clima naquele lugar não estava nada bom, Utau resolveu ir logo embora com Rima. Disse que ligaria mais tarde, e as duas saíram sem nem se despedir. Nagihiko saiu do banheiro, ainda com o mesmo semblante carregado, e ia direto para a saída se Tadase não tivesse se colocado à sua frente no corredor, em posição de guarda.
— O que está acontecendo com você, nya? – ele inquiriu, desafiador – Você está assim desde ontem a noite! Diga logo, o que aconteceu! Você… se arrepende de estar comigo, é isso? – ele entoou, em um tom temeroso.
Nagihiko teve mais uma vez a certeza de que aquela doença afetara seriamente a personalidade de Tadase. Ele jamais falaria aquelas coisas de forma tão direta, olhando em seus olhos, como estava fazendo agora, se não estivesse sob efeito do Chara Change ou de qualquer outra coisa. E isso só fez com que ele se sentisse ainda mais culpado pelo seu comportamento.
— Não é isso, Hotori-kun… é só… complicado – ele respondeu evasivamente, apertando com os dedos a fonte acima do nariz.
— Então me explique – ele ordenou, cruzando os braços. Apesar disso, havia certo ressentimento mascarado na voz rouca. Ele estava com medo de perder a coisa que mais valorizava no mundo, mas esse medo não era maior do que a irritação que a falta de resposta causava.
— Hotori-kun… olhe só para você! Você não está agindo normalmente… não está com a cabeça no lugar. Essa febre bagunça seus pensamentos, assim como bagunçou os meus… nenhum de nós está em condições de pensar com clareza agora. Foi só por isso… que aquilo aconteceu ontem! – ele bradou, e Tadase recuou um passo, assustado com as palavras duras proferidas pelo outro, e irritando-se ainda mais. – Não vou fazer nada com você sendo que você nem mesmo tem controle sobre os seus atos, não seria certo. Não quero fazer com você qualquer coisa que possa fazê-lo se arrepender mais tarde. E eu também não quero me arrepender… então, foi só por isso que eu parei. Eu errei, e me deixei levar por um impulso, mas… eu prometo que isso não vai mais acontecer, está bem?
— NÃO, NÃO ESTÁ TUDO BEM! – Tadase gritou, pulando e agarrando-se à gola do casaco de Nagihiko, impedindo-o de andar – Você está errado, Fujisaki-kun! Eu não fiz nada daquilo por causa da gripe! Concordo que essa febre pode ter ajudado um pouquinho quanto à desinibição… mas ela foi só um degrau, que eu usei para conseguir dizer a você o que eu queria! NÃO SE SINTA CULPADO POR ISSO!! – ele gritou ainda mais alto, com os olhos brilhando como dois rubis redondos, e as bochechas coradas pela agitação – Eu também quero você Fujisaki-kun!
— Não, Hotori-kun. Você não tem nenhuma noção do que está dizendo, nem do que nós estávamos para fazer ontem. Você não compreende, não é? O que aconteceria se eu continuasse até o fim? – Nagihiko replicou, tentando tirar as mãos de Tadase do seu peito.
— E-eu… eu entendo sim… — Tadase vacilou, baixando os olhos para o chão. Ele sabia em teoria, tinha uma breve noção do que poderia acontecer… mas compreender a fundo, os detalhes, ele realmente não fazia ideia.
— Viu? É disso que eu estou falando. Você só está agindo assim por que está febril e doente. Por dentro, você continua sendo o ingênuo e puro Tadase que eu conheci. E eu jamais me perdoaria por fazer algo com você nesse estado. – ele finalmente soltou o aperto de Tadase do seu casaco, e começava a baixar as mãos dele – Nós conversamos quando você estiver melhor. Eu tenho que ir agora.
— NÃO! NÃO, NÃO VAI EMBORA!!! – Tadase gritou, parecendo uma criancinha mimada que não ganhou o brinquedo que queria. Segurou Nagihiko com ainda mais força, empurrando-o contra a parede – EU QUERO VOCÊ AQUI! FICA AQUI COMIGO!! Para de agir assim, como se fosse muito mais experiente do que eu! Você é mais novo, lembra? Fui eu quem começou, eu que provoquei você ontem à noite, e antes disso também! Então, não se sinta culpado por isso, eu também queria, ninguém me obrigou a fazer nada!! – ele tremia, de raiva, de culpa, de inconformidade. Nunca antes havia se sentido assim, com essa fúria borbulhante que fazia seu sangue correr mais rápido. Mas parece que Nagihiko estava destinado a ser sempre aquele a proporcionar a ele as mais intensas sensações, fossem quais fossem – EU PENSEI QUE VOCÊ ME AMASSE, E ME CONSIDERASSE COMO SEU NAMORADO! PENSEI QUE SENTIA POR MIM O MESMO QUE EU SINTO POR VOCÊ!! – Tadase continuou, sem notar que a expressão do maior havia passado de surpresa para irritação em um piscar de olhos. – MAS PARECE QUE PARA VOCÊ… para você eu ainda sou aquele mesmo garotinho que você conheceu um dia. Parece que você ainda nos vê como amigos de infância.
As palavras de Tadase atingiram Nagihiko como um soco. Era verdade que ele ainda via Tadase como alguém a ser protegido, inocente, passivo e valioso. Tadase não mudara muita coisa desde que se conheceram, no primeiro ano do elementar… e ele se recusava a admitir, mas para ele, Tadase sempre seria o garotinho fofo com quem fizera yubikiri, com quem trocara promessas. Naquele dia, Nagihiko jurou a si mesmo que jamais iria deixá-lo sofrer ou chorar, e iria cuidar dele para sempre. Tadase era aquilo que ele tinha de mais precioso, e ele não queria perder isso por nada. Nem mesmo para os seus desejos imorais absurdos.
— Você está com febre, Hotori, volte para a cama – Nagihiko se esforçou em manter um tom neutro, que acabou soando frio e indiferente, tentando tirar o corpo do menor da frente do seu.
— Só se você vir comigo! – Tadase teimou, encarando-o com furor.
— Pare com isso, Tadase, eu tenho que ir para casa agora! – Nagihiko aumentou o tom de voz, empurrando Tadase para o lado e impelindo-se a continuar.
— Não! Eu já disse que não!! –rosnou Tadase, empurrando Nagihiko com ainda mais força, fazendo-o cair sentado no chão – Você vai ficar aqui comigo!! Como sempre!!! VAMOS, TIRE ISSO DAQUI! – ele berrou descontrolado, começando a erguer a camiseta do outro à força.
— HOTORI, O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?!?! – Nagihiko chocou-se. Parou as mãos de Tadase, erguendo-as no ar. Surpreendeu-se ao ver a face do menor, febrilmente corada, com lágrimas brilhantes escorrendo dos lados. Tadase soluçou, inconformado, parecendo ainda menor, e mais desolado.
— QUER DIZER QUE A MASHIRO PODE VER VOCÊ ASSIM, MAS EU NÃO?? – berrou ainda mais alto do que das outras vezes, engasgando-se com o choro. Mas, apesar de estar chocado, Nagihiko sentiu algo ferver dentro de si. Tadase achava realmente que podia gritar com ele daquela maneira, dar ordens, fazê-lo sentir-se a pior das escórias, e ainda exigir satisfações, com esse ciúme infundado?? Ele realmente estava sendo muito pretencioso! – Você… você disse que me amava… mas agora está me rejeitando! – Tadase acusou, enquanto o maior levantava-se novamente em pé.
— Eu disse que te amo – Nagihiko afirmou, de uma maneira indiferente que não pertencia a ele mesmo –… mas não me lembro de ter dito que aturaria surtos neuróticos de ciúmes de uma garotinha mimada. – encerrou, no mesmo tom gélido, que fez Tadase se arrepiar. Ele se ergueu, enxugando as lágrimas com as costas da mão. Sua pulsação acelerara mais uma vez, e ele parecia prestes a pular no pescoço do namorado, nesse momento.
—Eu não sou uma garotinha! – bradou Tadase, firmemente – Que eu lembre, é outra pessoa aqui que usa saia! – escapou de seus lábios. Se havia se arrependido de proferir aquelas palavras, não demonstrou, e sustentou o olhar pesado do valete até o fim.
Mas Nagihiko já estava saturado daquilo. Deu as costas à Tadase, sem ouvir os gritos ensandecidos dele ordenando que retornasse, e bateu a porta ao sair.
Claro que Nagihiko havia se arrependido de agir daquela forma no mesmo minuto em que deixou a casa dos Hotori. Assim que colocou o pé para fora da casa, quis voltar lá e pedir perdão à Tadase por tratá-lo daquela forma. Queria dizer que não sabia por que raios fora tão estúpido, que não tinha noção do por que agira daquela forma. Queria beijá-lo até que o ar em seu pulmão se extinguisse. Queria apenas dizer que o amava…
Porém, era tarde demais, pois ele já cruzara o portão da frente, sem dar atenção à Hotosaki, que ouvira toda a briga e correra na sua direção, preocupado. O ar frio de novembro o abraço, fazendo regelar sua pele, e ele se encolheu, lembrando que havia deixado o seu casaco na casa de Tadase.
Mas ainda havia um resto de orgulho ferido, misturado aos egoístas e altivos genes de felino, que o impediam de tomar uma atitude mais sentimental, e ele não se deixou voltar atrás.
Ele continuou andando em frente, por mais que todas as células do seu corpo implorassem para que ele retornasse e tomasse Tadase em seus braços mais uma vez. Estava focado na certeza de que o que fizera à Tadase era errado, e só tornaria a conversar com ele quando ele voltasse ao normal. Essa era uma decisão difícil, mas ele convenceu-se de que era o melhor a fazer agora.
Enquanto andava distraído, ouviu seu nome chamado sendo chamado ao longe. Seria Tadase, que tinha vindo atrás dele? No mesmo segundo, Nagihiko esqueceu todas as preocupações, todas as suas convicções, e o que havia decidido. Virou-se de costas, pronto para amparar nos braços o corpo do menor, e nunca mais soltá-lo.
No entanto, não foi o seu pequeno loirinho quem ele encontrou.
— Oi, Nagihiko-kun, não é? Você se lembra de mim? – uma garota de cabelos negros presos em dois coques acenou, correndo na direção do valete. Era aquela garota que ele e Tadase conheceram na praia, não era? Qual era o nome dela mesmo…
— Ah, sim… Tsumiki-san? – ele arriscou, franzindo os olhos.
— Tsukimi! – ela corrigiu, rindo – Tsukimi Haruka. Pode me chamar de Haruka se quiser. Como vai o seu amigo loiro? – ela indagou, interessada.
— Vai muito bem – Nagihiko respondeu, sem querer deixar transparecer nenhum ressentimento na voz.
— Claro… etto… vocês ainda estão… juntos? – ela relutou em dizer a palavra, e desviou o olhar para o chão, incomodada.
— Sim, acho que ainda posso dizer isso – Nagihiko respondeu, mais para si mesmo, sentindo-se patético. Mais uma vez, teve vontade de largar tudo e voltar para o abraço cálido de Tadase, o quanto antes.
— Você parece meio mal… — ela ponderou, voltando os olhos para Nagihiko novamente – Está tão pálido… está doente? Ou… você brigou com ele…?
— Estava gripado… – Nagihiko ia responder “as duas coisas”, mas não queria compartilhar da sua privacidade com uma desconhecida, de modo que preferiu esclarecer apenas parte da questão.
— Hmm, que pena… – ela disse, e Nagihiko teve a sensação de que ela se referia exclusivamente à Tadase – Eu vou indo então, a gente se vê – ela sorriu novamente, e se preparou para sair correndo.
Antes que Nagihiko pudesse tomar seu caminho, no entanto, viu que a garota escorregara em uma poça d’agua remanescente da noite anterior. Correu para ajuda-la, e ofereceu uma mão para que se reerguesse.
— Você está bem? – ele indagou, atencioso.
— Estou… só dói um pouco meu tornozelo – ela informou, equilibrando-se em apenas um pé. Nagihiko se agachou, pressionando o local, e ela reclamou de dor.
— Está mesmo meio inchado. Você mora aqui por perto?
— Eu moro em Ikebukuro… posso pegar o trem até lá, e então…
— Não, você pode ir para a minha casa. Não vai conseguir chegar até lá com esse pé, e pode ser que ele piore se você insistir. Eu moro aqui perto, vamos? – ele ofereceu o braço, para que a garota se apoiasse nele.
— J-já que você insiste… — ela não relutou nem um pouco, ao aceitar o braço que era oferecido, e apertá-lo bem forte, ao caminhar.
Tsukimi não se impressionou nem um pouco ao ver o tamanho da casa dos Fujisaki. Ela havia deduzido por si só que ele era alguém de família importante, apenas pelo seu porte elegante e educado. Ao entrarem, foram saudados pela mãe de Nagi, que se mostrou bastante amistosa com a garota, embora a analisasse dos pés à cabeça, avaliando-a.
Depois de entregar à Nagihiko o kit de primeiros socorros, e oferecer chá verde recém-preparado aos dois, ela saiu da sala, deixando-os à sós. Tsukimi deixou escapar um suspiro de alivio ao ver a mãe de Nagihiko se afastando… a presença daquela mulher era esmagadora, até mesmo quando ela não parecia aborrecida.
— Sua mãe é bem rígida, não é? – comentou, enquanto Nagihiko se ocupava em subir a barra das suas calças, deixando livre a região dos tornozelos.
— Ela está de bom humor hoje… — ele disse, concentrado na tarefa de preparar uma compressa para o tornozelo torcido da garota, que parecia bastante inchado.
— E… ela sabe sobre você e…
— Não. É melhor que você não fale sobre isso, por favor – ele pediu, encarando a garota com tanta seriedade que ela não conseguiu responder – Agora, erga um pouco seu pé, para que eu possa enrolar a faixa.
— Ah, sim. Obrigada – ela agradeceu prematuramente, com um sorriso fraco – Nee… você tem muito jeito para isso! Já pensou em ser… sei lá, enfermeiro?
— Enfermeiro? – Nagihiko teve uma visão de Utau com a sua fantasia de enfermeira, e então visualizou a si mesmo naquele tipo de roupa. Deixou escapar uma risada rouca com aquela imagem inconcebível – Acho que eu não combino muito com essas coisas.
— É…. – ela murmurou, tentando pensar em outro assunto para puxar – Posso fazer uma pergunta? – ela indagou, nervosa.
— Acho que pode… — Nagihiko consentiu, absorto na tarefa de terminar de amarrar as faixas bem apertadas no pé da garota. Assim que terminou, ergueu-se e sentou ao lado dela no sofá, pegando o chá que sua mãe deixara ali anteriormente.
— Por que… por que você gosta de garotos? – ela sussurrou, de modo que apenas Nagihiko pudesse ouvir.
Em outra ocasião, Nagihiko teria engasgado com o próprio chá, e corado furiosamente com aquele tipo de pergunta. Mas agora, ainda anestesiado pela briga com Tadase, e talvez, ainda sob o efeito da personalidade felina, ele apenas tomou um longo gole do líquido quente antes de prosseguir.
— Eu não me sinto atraído por garotos no geral. É apenas o Hotori-kun. Eu amo ele, é só isso. – disse, com tanta segurança, que a garota não ousou duvidar de nenhuma palavra.
— Então… isso quer dizer que você não sente atração… p-pelo corpo dele, e sim pela sua pessoa, apenas? – ela argumentou, tentando entender aquele estranho relacionamento.
Novamente, Nagihiko reagiu muito mais tranquilamente do que o usual com aquela pergunta, o que só fez a garota ficar ainda mais admirada com sua atitude segura e fria.
— É claro que eu sinto atração por ele, afinal, somos namorados – seu tom de voz era baixo e cauteloso, apesar disso, afinal, sua mãe poderia ouvir caso ele fosse eloquente demais – Mas eu respeito o tempo dele, e não faria nada que manchasse sua pureza… — ele murmurou, culpado, falando mais para si mesmo.
— Você está dizendo que… se esse Hotori não existisse, então você se interessaria por garotas? – ela ponderou, contendo a faísca de animação que fazia tremer sua voz.
— Não sei – Nagihiko respondeu. Não conseguia sequer cogitar a hipótese – Eu provavelmente também não existiria em um mundo sem o Hotori-kun… — disse, com um sorriso fraco, enquanto fitava pensativamente o líquido fumegante e esverdeado da sua xícara.
A garota sentiu seu coração falhar algumas batidas. Aquele garoto… como ele poderia ser tão lindo, sentimental e gentil…! Ele era apenas perfeito demais para ser desperdiçado.Sem conseguir mais se conter, ela empurrou Nagihiko para trás, derrubando a xícara de chá no assoalho, e pressionando seu peito contra ele.
— Nagihiko-kun… – ela sussurrou, enquanto aproximava cada vez mais se rosto do dele.
— O q-que v-você está…. S-saia de cima de mim, garota!
Antes que pudesse empurrá-la para longe, porém, os olhos de Nagihiko chisparam para a porta de entrada da sala. E, parado em frente a ela, com o rosto branco, paralisado em uma expressão de puro choque, estava Hotori Tadase.
Notas finais
Certo, certo... quem quer matar aquela garota, Haruka, por favor, formem uma fila ordenadamente!!! Simm, por que eu tbm quero matar essa bitch Ò-Ó!!
Aaaa~ deixando de lado a bitch que se intromete em casais yaois alheios, deixem suas opiniõess sobre o capítulo, fazendo a semana minha e da senpai mais feliz e alegre o//
Muitos unicórnios cor de arco-íris pra voces, leitoras lindass [??????] Tá, parei~
Até a próxima, otanoshimini o//
Kisu♥
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