Notas iniciais
Oh oh. Pessoas tiveram ataque histéricos lendo este capítulo. Se você tiver algum problema cardíaco (ou problema com sangramentos nasais excessivos), por favor, tenha cuidado ao lê-lo. XD

Yabai De!

Capítulo 6 —

Estavam caminhando juntos pelas ruas do shopping, Yuu olhando vitrines com Natsurou no encalço.

- E aí, que vamos comprar? – perguntava, hiperativo.

- Um laptop novo. – Yuu respondeu parando em frente a uma loja.

- Mas eu disse que a gente não precisava. – disse um Natsurou confuso.

E ignorando completamente Natsurou, deixou-o parado na frente da loja. Entrou e foi olhando os computadores. Só reparou na ausência do menino quando já estava ouvindo informações do vendedor sobre um modelo da DELL.

Kohatsu ficou para trás e resolveu que era melhor não entrar no meio de tanta tecnologia. Só via muitas televisões LCD gigantescas em cada canto da loja, e pensou que se entrasse ficaria vendo bolinhas brilhantes quando saísse.

Achou um banco por perto e foi se esparramar por lá, com uma face um tanto emburrada por ter sido contrariado.

Foi uma surpresa enorme quando viu Misaki vindo em sua direção

- Konnichiwa(1), Natsurou-kun! – cumprimento-o, sentando-se ao lado dele.

- E aí, Misaki! Que tá fazendo aqui essas horas? –perguntou, confuso.

- Meus pais pediram pra eu vir comprar mais gaze aqui na farmácia. Está faltando lá no consultório e a próxima remessa que eles encomendaram só chega semana que vem. – apontou sutilmente para uma loja ao leste deles. – E você, Natsurou-kun? Está esperando alguém? – perguntou, olhando em volta.

- Ah, mais ou menos. Me trouxeram até aqui. – ele deu os ombros. – Tô esperando o Yuu voltar. Ele disse algo sobre comprar um computador.

- Sou ka...

Eda Misaki olhou interessada para dentro da loja de eletrônicos. Então eles estavam se encontrando desde manhã mesmo... Voltou-se sorridente ao amigo:

- Já almoçou?

- Aahh... Verdade! Ainda não. – ele respondeu, como se tivesse esquecido.

- Ah, então vamos juntos! Eu ia almoçar aqui mesmo, e com compania é melhor né. – Misaki convidou.

Quando Yuu saiu da loja carregando uma sacola e avistou os dois adolescentes conversando alegremente quis passar reto e deixar os dois lá mesmo. Só sentiu culpa por que deveria levar Natsurou de volta para casa, então foi lá falar com eles.

- Konnichiwa, Yuu-san!

- Yo.

Misaki já sabia que tinha algo de estranho com aquele rapaz, então nem ligou. Virou para o Kohatsu e perguntou:

- Vamos?

- Yep! A gente tá indo almoçar, você vai querer ir?

O garoto estava recuperado de tudo o que o incomodava em Yuu, e perguntou alegre.

Sem responder nem nada, Yuu tomou partido e saiu em direção a praça de alimentação do shopping.

- Como se eu tivesse escolha... – mexeu os lábios sem soltar som algum, pendendo a cabeça para trás.

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- Ei, Natsurou. Você tem o celular daquela mulher que trabalha na Kudamono-ya?

Yuu estava com o seu celular aberto, encostado no carro. Ainda estavam no estacionamento do shopping, e ele resolveu esperar até que os dois se despedissem — de forma exaltada demais pro gosto dele.

- Anh... Devo ter aqui. – achando estranho a pergunta por sua Bucchou, abriu seu celular e começou a procurar na lista de contatos. Quando achou, passou o telefone para a mão do outro.

- Valeu. – agradeçou, depois de anotar e devolver o telefone. Apertou o botão verde de ligar.

Com uma cara de quem não estava entendendo nada, Natsurou retorceu a boca.

- Que você quer com a Arashi-buchou?

Yuu levou o dedo indicador aos lábios, indicando para que o outro fizesse silêncio.

- Yo, Arashi-san? É, sou eu de ontem... É, Hanashiro Yuu... Sim, o dos olhos verdes...

Ele confirmava cada coisa, e sua expressão de quem não estava nada a vontade com aquilo lhe caía obviamente. Fez propositalmente uma cara engraçada de que queria se livrar daquilo, e Natsurou desatava a rir a cada boca torta que Yuu fazia.

- Anm, eu to ligando pra marcar um lugar para a gente se ver sábado. Aonde minha guia acha que devemos ir neste final de semana? Oh, claro... O aquário! Seria ótimo... Lógico, só a sua companhia já seria ao suficiente para um dia inteiro... Que horas é bom para você? As 10, na porta da Kudamono-ya?

O loiro acompanhava a conversa com um sorriso divertido. Yuu e Buchou? Sem chance...

Yuu desligou soltando um suspiro de alívio.

- Sorte que ela é bonita. – deixou escapar MUITO sem querer.

- Aaaah, qual é Yuu. A Arashi-buchou? – num tom zombeteiro, o garoto perguntou, quase nem acreditando.

- Isso é uma longa história, não queira perguntar. Eu apenas prometi um encontro com ela, e não gosto de descumprir promessas.

Yuu relaxou ao ver que seu comentário sobre Higa Arashi coube perfeitamente na situação, pois parecia que o Kohatsu não gostava muito da chefe.

Enquanto estavam voltando, Yuu ligou o rádio. A música que começou a tocar pertencia a um cd; era cheia de violinos. Uma melodia totalmente trabalhada a casa segundo, com um ritmo perfeitamente calculado. Uma música perfeita.

Natsurou, que nunca havia escutado esse tipo de música antes – e tinha um gosto completamente diferente, já que a única coisa em que tinha no seu mp3 eram coisas como Gackt, DA PUMP, HOME MADE Kazoku e ORANGE RANGE – parou de falar sobre como filhotes de pastores alemães eram mordíveis instantaneamente.

- Gosta desse tipo de música...? – Yuu que não estava prestando a mínima atenção na conversa sobre puppies perguntou curioso, vendo que Natsurou parara de tagarelar.

- Não, é...

- Eu sei, dá uma coisa dentro, né? Como se...

- ... Algo entalasse na garganta...

- ... Ao mesmo tempo de uma sensação de euforia.

O único som que prevaleceu no carro foi o dos violinos seno arranhados.

Hanashiro Yuu ficou intrigado ao perceber que o menino sentia a mesma coisa quando escutava aquela música... EXATAMENTE o mesmo sentimento.

E era ainda mais estranho que a música o sentimento de atordoamento que possuiu Natsurou. Nunca tinha falado sobre o sentia exatamente com ninguém, e agora o homem ao seu lado acabara de completar o que tinha dentro de si como se fosse a mesma coisa dentro dele. Sentiu alguma coisa se acendendo aonde suspeitava que fosse o lugar onde seu coração ficava. Passou a perceber então... Que precisava de alguém em quem confiar, e compartilhar tudo... E talvez Yuu fosse a pessoa certa para isso.

- Então... Você curte esse tipo de música? – perguntou Natsurou, envergonhado por ter cortado o silêncio.

- Mais ou menos. Só as que me fazem sentir desse jeito. – Yuu respondeu calmamente, com um sorriso igualmente relaxado. Parecia estar divagando no passado...

- Euforia...?

- Eu andei pensando... Acho que não é exatamente essa a palavra. – parecia estar pensando com os próprios botões enquanto mordia o lábio inferior com o canino direito.

E depois de um longo passeio por sua própria mente (que Natsurou não se atreveu a interromper)a palavra lhe ocorreu:

- Nostalgia.

Natsurou concordou mentalmente. Nunca que tinha ouvido nenhuma música parecida com aquela que tocava, mas era um sentimento tão... Bizarro. Encostou a cabeça na janela.

- São 2 da tarde... – informou olhando para o céu azul.

- Que é isso, você sabe ver as horas pela posição solar?? – Yuu perguntou indignado. ISSO era estranho.

- Não... Eu só vi um relógio em cima de um prédio...

Dizendo isso, fechou os olhos. Queria absorver a melodia...

Foi quando tudo ficou em silêncio.

Ah, pensou o Hanashiro, parece que ele dormiu...

Já haviam chegado na casa dos Hanashiro. Tirou o cinto de segurança e se curvou para ver o rosto dele. Estava num sono tão profundo que sentiu pena de ter que acordá-lo. E estava tão absorto no rosto do garoto adormecido que até esqueceu-se de ficar assustado com o fato de ter sentido algum tipo de compaixão por alguém.

- Ei... Kohatsu... – chamou baixinho.

Nem sinal de que estava despertando.

- Oe, Natsurou... – repetiu

Como não funcionou, levou a boca até o ouvido do menino. Afastou uma mecha de cabelos loiros e assoprou de leve.

Um ótimo modo de acordar pessoas. Sorriu, esperando a reação do garoto.

- AH! O QUÊ!?

Acordou num sobressalto; sorte que o despertador já havia se afastado, rindo prazerosamente.

- Bom dia, dorminhoco.

- Quê, eu não dormi. – negou Natsurou com veemência.

- Então porque estava roncando de olhos fechados com a boca toda vazando baba no vidro do meu carro? – perguntou Yuu ainda rindo, como se aquilo não fosse a mentira mais mentirosa de todo o mundo.

Se não fosse tão moreno, Natsurou poderia jurar que as pontas de suas orelhas estariam vermelhas que nem dois morangos – estavam extremamente quentes, assim como suas bochechas. Ainda podia sentir um formigamento no ouvido onde fora soprado.

- E-eu...

- Don’t worry, você não estava babando. Relaxa. – e rindo mais um pouco, Yuu saiu do carro.

Enfezado, porém com um “q” de divertimento no rosto, Natsurou saiu também e o seguiu até o quarto dele.

- Isso nem foi engraçado.

- Mas foi irresistível... Desculpe, Sr.Resmungão. – era a primeira vez que falava alguma piadinha infame do tipo.

Yuu fechou a porta e quando se virou viu Natsurou sentado na cama, com a cara mais curiosa do mundo. De certo já esquecera todo o incidente do carro e estava se remoendo para ver o que tinha dentro da caixa pousada sobre a colcha vinho.

Revirando a gaveta da escrivaninha, o Hanashiro achou um estilete e cortou a fita adesiva que mantinha a caixa lacrada. Sentou-se na cama e retirou a máquina da caixa.

Mesmo sendo contra a compra daquele computador, os olhos do loiro não puderam deixar de se iluminar.

O resto da tarde se passou com Yuu instalando coisas e Natsurou idolatrando silenciosamente o novo computador.

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Era sábado. Yuu esperava embaixo do sol, sentado em um muro de pedra que separava a loja de frutas da praia. Arrumou seus óculos escuros com o dedo indicador. Olhava para o mar quase sem ondas. Era quase tão azul quanto uma safira...

Odiava aquela ilha, mas não podia negar que ela possuía uma das vistas mais bonitas de todo o Japão.

Ficou mais um bom tempo esperando, e se perguntou que horas eram. Olhou no relógio do celular e constatou que já haviam se passado mais de vinte minutos da hora marcada. Ora essa, não tinha todo o tempo do mundo para esperar a moça.

Deu um ultimo suspiro de impaciência e saltou do muro para o chão. Quando se virou para a rua, avistou uma pessoa correndo em sua direção. Pelas madeixas serem loiro canário, logo percebeu de quem se tratava... O que tinha acontecido dessa vez? Quer dizer, não que estivesse de fato preocupado, mas...

- Yuu... e-eu... a Ara...Ara...Arashi...

Sem nem ao menos conseguir respirar, ele parou ofegante. Apoiava-se nos joelhos.

- O que foi, menino?

- A Arashi-bu...chou.

- Aconteceu alguma coisa com ela...?

- Não... é que...

Yuu pediu para que ele se recuperasse e passasse a notícia completa.

- Ela pediu para eu avisar que não vai poder vir hoje...

Hanashiro Yuu devia ter feito uma cara realmente maligna estreitando os olhos do jeito que estreitou, pois Natsurou desatou logo a completar o resto da mensagem.

- A avó dela passou mal e elas estão no hospital... Cara, ela parecia arrasada, nunca vi a tia daquele jeito...

Sem responder nada para o mensageiro, recostou-se na parede da Kudamono-ya e cruzou os braços. Fechou os olhos e pensou no que iria fazer... Já tinha até comprado os ingressos...

- Ok, let’s go.

O mais velho saiu andando em direção ao carro estacionado. Deixou Natsurou para trás, com uma cara de “Q-?”.

- Ow, o que você quer dizer com isso? – quando percebeu que era para seguir Yuu, perguntou correndo para alcançá-lo.

- Você tem algo marcado para hoje?

- Não, mas...

- Ótimo, quer ir ao Aquário comigo?

Yuu havia parado de andar e se virado para encarar o Kohatsu – que foi obrigado a frear bruscamente para não trombar com ele.

Ficou sem reação diante do convite. Olhou para o par de esmeraldas que se encontravam no lugar onde os olhos deveriam estar no rosto de Yuu. Era como um... encontro...?

Abriu a boca, mas nenhum som saiu.

- Vamos, só como amigos. Tanoshi yo, yakusoku desu.(2)

Hanashiro se curvou um tanto para ficar face a face com o garoto, no máximo uns cinco centímetros separavam seus narizes. Falou como se estivesse tratando de uma criança pequena.

E com uma promessa daquelas, Natsurou nem teve como resistir.

- Tá... Vamos. – aceitou o convite, com um sorriso.

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Chegaram ao Okinawa Churaumi Aquarium quando o sol já estava quase em seu ápice. Natsurou saltou do carro e foi correndo para a entrada como se fosse uma criança.

- Oe, espera aí, criança! Tem que ficar a pelo menos 3 passos de um adulto conhecido, viu?

Hanashiro Yuu apertou o passo para alcançar o garoto animado.

- Mas é que aqui é tão legal! É tudo colorido, e tem um tubarão baleia ENOOORME! – disse gesticulando, com um sorriso maior que a cara.

Yuu achou graça. Até bonitinho, se fosse permitido dizer; um garoto daquele tamanho animado com peixinhos coloridos de um aquário.

- Qual é, nunca veio aqui antes? Você MORA aqui, Kohatsu.

- Eu sei, eu venho uma vez por ano. – respondeu enquanto olhava a enorme construção cinza de pedra com os olhinhos brilhando.

E ainda fica animado desse jeito... poxa vida, pensou Yuu.

Arrastou o loirinho eufórico para a escada rolante e entrelaçou os braços dos dois.

- Cuidado para não cair, seu sem noção. – advertiu com um sorriso divertido no rosto e ficou olhando para o outro lado, ignorando completamente a face rubra do outro.

Chegaram ao piso firme, e Yuu “escorregou” sua mão pelo braço do loiro. Quando seus dedos se tocaram, o Hanashiro fez questão de entrelaçá-los. Foi levando então o menino Kohatsu de mãos dadas, como se fosse normal. E o garoto nem reclamou.

- E aí, o que quer ver primeiro? – perguntou Yuu.

- O que aparecer primeiro, ué!

Os dois passaram mais de 3 horas dentro do aquário. Visitaram o tanque dos tubarões — assassinos, martelos e até albinos –, os pequenos aquários de minúsculos peixinhos coloridos – onde Yuu teve que literalmente arrastar a força Natsurou, porque ele permaneceumais de 10 minutos só acompanhando com os olhos um peixe bobo que ficava nadando em círculos em volta dele mesmo — , e em um tanque com lagostas maiores que o próprio Hanashiro.

- AAH, SUGOI!

Com os olhos arregalados, repletos de veneração, Natsurou se pendurou em um corrimão de metal azul-marinho que dava de frente com o tubarão baleia gigante. Ele era todo azul, e todo cheio de bolinhas brancas. Até Yuu achou aquele animal digno de admiração.

Quando o gigantesco mamífero passava pelo vidro, todos soltavam exclamações. E não era só ele: inúmeras mantas gigantes nadavam em volta, trazendo consigo peixes e peixinhos. Era realmente incrível.

- Vendo esse aquário parece que a gente é tão pequenininhoo... – comentou Natsurou, ainda com os olhos vidrados no gigante azul.

- Anh, a gente quem? Só se for você, com esse seu 1,50m aí... – zombou Yuu, virando-se de costas para o corrimão e se recostando nele.

- 1,50 nada! Tenho 1,70, viu! Você que é alto demais...!

- Lógico, lógico. Ok, chega da baleia. Vamos ver os peixes brilhantes lá naquela sala escura. Olha, eles são azuis e ficam piscando que nem vagalumes, não são legais?

E de fato, eram. Natsurou se certificou disso quando entrou na sala que era uma penumbra só e viu um aquário cheio de luzinhas azuis elétrico piscando. De primeira, achou que eram simples luzinhas, e se perguntou ‘Cadê os peixes mesmo?’ aí lembrou que eram peixes VAGALUMES.

Saíram rindo de algo de que Yuu fizera piada (provavelmente sobre uma tiazona que passara por eles instantes antes) e sentaram-se em um banquinho de pedra.

- E o melhor foi aquela criancinha sem noção subindo em cima daquele osso de boca de tubarão! Pensei que ela ia cair de lá de cima e se espatifar no chão. – comentou Yuu rindo.

- Tadinha da criança! Ela nem tem noção do que tava fazendo... – retrucou um Natsurou; mas era óbvio que também achara graça em tudo aquilo.

Eles pararam por um momento e ficaram apenas olhando para o mar suntuoso à frente deles. Era completamente azul. Demoraram-se ao contemplar todo aquele fundo repleto de azuis de todos os tons.

- Huh... Sabia que... Você se parece com o verão?

A voz rouca de Yuu ressoou causando arrepios em todo o interior de Natsurou. Quase se esqueceu de que tinha que responder.

- E por que... Você acha isso?

- Você é hiperativo, sorridente... Alguém do tipo de aquece as pessoas. Além disso, seu cabelo pode ser comparado ao amarelo do sol; onde você entra todo mundo presta atenção em você.

Verão era a estação do ano preferida para o loiro, então ficou contente por ter sido comparado com ela.

- Alguém irritante que nem o verão.– fez a comparação olhando para o horizonte, com um leve sorriso no rosto.

Houve um breve momento para que Natsurou revidasse:

- Se eu sou o verão, você é o inverno. Frio e chatinho que nem. – dito isso, mostrou a língua para o Hanashiro.

- You don’t have foundations to say it. – Yuu retrucou como se estivesse achando graça.

- É lógico que eu tenho. E para de falar inglês comigo~

- Tá, tá. Se isso te faz feliz, você tem.

Hanashiro deu os ombros, rindo.

- Vou te chamar de Natsu(3) agora, ok? Faz parte do seu nome, anyway.

- Cê que sabe, FuYUU(4). Bakayaro. Vou comprar alguma bebida pra mim, você quer?

- Compra uma Coca pra mim então. – disse tirando uma moedinha de 500 yen do bolso e jogando para o loiro que já se levantara. Não se importou realmente com o apelido... O inverno era sua época predileta; tudo o que mais odiava era o calor, e se esquentar no frio congelante não era uma tarefa realmente difícil. A neve era realmente linda, não podia deixar de ressaltar. O verão que era insuportável: todo aquele calor, tudo grudento de suor... tinha horror só de pensar.

Natsu saiu para uma daquelas máquinas de “coloque sua moedinha e pegue seu refrigerante” e voltou correndo com duas latinhas na mão. Entregou a vermelha à Yuu e ficou com uma roxa, facilmente reconhecível: era a Fanta FuruFuru(5).

- Você não vai... Realmente... Beber isso, vai...?

- Se funcionar; Sim, acho que vou.

Dizendo isso, ele chacoalhou a latinha com a maior força de vontade que Yuu já vira em toda sua vida. Esse era o espírito: Chacoalhar a latinha da Fanta para a meleca virar refrigerante... Quem era o doido que inventou aquilo, meu deus? (Porém, não podia negar que fizeram um bom trabalho com a embalagem. Se não soubesse o que tinha dentro, até ele compraria!).

- Boa sorte. – desejou, virando a própria coca em um longo gole. Não tirou os olhos do menino que agora abria a latinha.

Observou cada movimento dele, desde o levar da fanta à boca, até a cara de quem acabara de chupar um limão. Riu.

- Que foi?

- Não desmanchou tudo... – respondeu ainda com uma cara horrível, engolindo. – Kimochi warui(6)...

- Que vai fazer agora então, inteligência?

- Beber, é óbvio. Não vou desperdiçar.

Dito isso, Natsu virou a lata de novo. Desta vez não fez cara feia, mas uma bem divertida.

- É legal, tem melequinhas. Dá pra ficar brincando com elas...!

- Ah, que nojo. – Yuu revirou os olhos, e continuou bebendo sua coca.

- Ao é ao, óa ahi. – e, mostrando a língua com um naco relativamente grande de geleca roxa.

- Ah... – Yuu ergueu uma sobrancelha. – Ceeerto...

Enxergou uma oportunidade mais que única. Pensou na desculpa para usar consigo mesmo de que aquilo era apenas um teste (para constatar o que exatamente poderia pensar depois)... Quer dizer, não exatamente achava sensato fazer aquilo, mas... Foi literalmente possuído por alguma coisa que não conseguia controlar; como se todos os sentidos tivessem sido direcionados para aquela situação, para a língua postada à sua frente... Com gosto artificial de uvas...

- Posso...? – perguntou Yuu, referindo-se à melequinha. Não sabia ao certo o que o loiro entendera a idéia do seu pedido, mas ele fez que sim com a cabeça e permaneceu com a língua estirada.

Com certeza Yuu queria pegar a fanta para ver como era aquela coisinha estranha, pensou Natsurou. Porém, antes que pudesse oferecer a latinha roxa — aliás, antes que pudesse pensar em qualquer coisa – viu Yuu fechando os olhos.

Ele se aproximou tanto, que a única coisa que sentiu foi algo que identificou com a língua dele encostando-se à sua.

A sensação foi inexplicável.

Era como se a língua de Hanashiro Yuu estivesse causando descargas elétricas em contato com a sua. Fechou os olhos. Sentiu com cada átomo que lhe formava sentisse ao extremo todos os arrepios, que foram evoluindo a medida que Yuu recolhia a fanta; tantos arrepios que não conseguia sentir nem a brisa abafada que balançava sua mechas loiras, e duvidava que era realmente possível se sentir daquela maneira. Por um instante pensou estar alucinando.

A língua de Yuu passeava livremente pela a do garoto. Foi aí que seus instintos resolveram, sem consulta alguma, se aprofundar completamente; não conseguia continuar só ali.

Os dois aceitaram o fato de que não conseguiam mais se controlar e passaram para um beijo – mas não antes de trocar olhares. O menino Kohatsu estava com os olhos perdidos, e procurou os orbes esmeraldas de Yuu. Não tinha forçar nem para puxar o oxigênio para seus pulmões. Quandos seus lábios se tocaram, ambos esqueceram-se de onde estavam, e não sabiam nem ao menos quem eram.

A forte ventania não foi a causadora da interrupção, e muito menos os olhares curiosos dos raros passantes, mas sim uma grossa gota de água que caiu bem na ponta do nariz de Yuu – que no momento explorava gentilmente a boca de Natsurou. Na verdade, ele não ligou muito, e continuou brincando com a língua do garoto que agora tinha os braços entrelaçados ao pescoço dele. Ainda segurava a lata de refrigerante.

Foi quando mais gotas começaram a cair, gotas grossas e pesadas, que os dois repararam que tinha algo de errado. Ainda não tinha começado a chover realmente, mas algo naquela água fez o casal despertar de um tipo de transe.

Afastaram-se contra vontade.

Natsu estava ofegante, mas não tiveram tempo para falar nada. Yuu apenas lançou um olhar sem possível interpretação – mas que caiu como uma pedra dentro do estômago do mais novo –, segurou sua mão e o puxou para um lugar coberto.

Notas finais
Glossário
1. Konnichiwa: Do japonês, "Boa tarde"
2. Tanoshi yo, yakusoku desu: Do japonês, algo como "Vai ser divertivo, eu prometo".
3. Natsu: Do japonês, "Verão". O nome de Natsurou é escrito com esse kanji.
4. Fuyu: Do japonês, "Inverno".
5. Fanta FuruFuru: Uma fanta que você tem que chacoalhar para virar líquida.
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6. Kimochi warui: Do japonês, sentido literal "Sentimento Ruim". Algo como "Que nojo".

Nona da Autora: O beijo causou arrepios até em mim – passei uns 3 dias enrolando com medo de escrever essa cena, fato. Gamey 3 (e por falar nisso, esse capítulo saiu bem grandinho. Não sei se tô totalmente feliz com a divisão que eu fiz com ele... mas... vamos lá! XD)

Yuu: http://maria--chan.deviantart.com/art/I-am-what-I-am-131912586 Yuu to Natsu: http://maria--chan.deviantart.com/art/Like-Friends-132166473