Notas iniciais
*Countryhumans não me pertence, somente está na categoria "original" pois não possui categoria própria.

O céu anoitecido, escuro e brilhante, leves gotas caiam do céu limpo, provavelmente carregadas pela brisa que afastava qualquer nuvem afim de ofuscar a visão bela das estrelas em seu auge. A nuvem de fumaça se desfazia ao entrar em contato com o vento, findando o cheiro tóxico dos cigarros que ele tanto odiava. Assim como odiava as infinitas garrafas de vodka pela casa, e as faixas avermelhadas no banheiro. Mas nunca deu importância àquilo que ele odiava, talvez por isso não se importava consigo mesmo.

Quando o cilindro de folhas terminou de se desintegrar, também sendo carregado pelo vento, pegou mais um de seu maço e o levou até o isqueiro. A pequena chama rapidamente acendeu o fumo e levantou sua fumaça, mas não foi apagada. Era quente, como qualquer outra, a olhar lhe trazia uma sensação desesperadamente calma, sentia o calor aos poucos passar para sua mão em ponto fixo e a dor da queimadura lentamente o abater, somente neste momento largou o instrumento, deixando-o cair e deslizar pelo telhado até seu destino no chão.

Seu destino.

Havia perdido seu isqueiro, agora não podia aproveitar o resto do maço de cilindros altamente tóxicos e suicidas. Havia perdido-o da mesma forma que o perdeu. As gotas ainda caiam do céu, lentas e distantes, como se não devessem estar ali. Talvez ele não devesse estar ali. A onda de pensamentos auto-depreciativos que o inundou fez parecer a calmaria da chuva se tornar o escarcéu de uma tempestade. Sentiu-se atordoado, como se realmente tivesse sido alvejado. Em um impulso, tentou se levantar, cambaleando algumas vezes antes de ficar em pé em cima das telhas de cerâmica. Ah, como se arrependeria disto.

A tontura demorou a parar, e somente após alguns minutos finalmente pode abrir os olhos -fechados pela intensidade da tontura-, e o viu. O ar em seus pulmões desapareceu tão rápido quanto sua lucidez já inexistente. Ele estava ali, a sua frente, tão belo. A cor pálida de sua pele amarelada se realçava ao brilho do luar. Os olhos, Deus, aqueles olhos. Lhe encaravam com tamanha intensidade, como se estivessem o fuzilando, o convidando para a própria chacina. Abriu a boca para algo dizer, mas a voz havia o traído.

Seus olhares mantiveram-se fixos por um indeterminado tempo, não parecia haver pressa, nem mesmo na respiração falha quando os pulmões exigiam desesperadamente que o ar entrasse. Um passo. Deu um passo para frente, e ele deu um para trás. Novamente um para frente, um para trás. Parou de andar, percebendo a proximidade do fim do telhado. Ele deu mais um passo para trás, estendendo sua mão. Foi o suficiente para sua mente ficar no mais completo diáfano, não controlava seu corpo.

Estendeu sua mão, querendo o alcançar, estar novamente junto a ele. E, sem perceber, o telhado acabou. Mas isso não importava, pois ele estaria ali quando chegasse ao chão. E chegou.

E de repente eles não estavam ali.

Notas finais
*Countryhumans não me pertence, somente está na categoria "original" pois não possui categoria própria.
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