Y Tu Te Vás
1 Nunca imaginé, la vida sin ti
Notas iniciais
Ele não estava mais lá. Restava apenas um espaço vazio ao seu lado e em seu coração despedaçado. Destruído.
Oliver havia partido.
Pra sempre!
As lágrimas embaçavam suas vistas, mas era a dor em sua alma que embaçava a claridade de seus dias.
Escuridão.
Sua vida tornara-se escuridão desde aquela flechada que calou pra sempre um coração.
O coração dele.
O coração dela.
Dois corações que emudeceram no sofrimento.
Um calado pra sempre e o outro num silêncio resignado.
Um coração arrancado.
Frio e sombrio.
Calado.
Ela havia dito... que ele não estava sozinho. E agora? Ela estava sozinha, vulnerável em sua dor.
Ele não ia voltar.
Nunca mais.
Jamais.
Nunca imaginé, la vida sin ti
en todo lo que me plantié siempre estabas tu
solo tu sabes bien quién soy
de dónde vengo y a dónde voy.
Nunca te he mentido nunca te he escondido naaaada,
siempre me tuviste cuando me necesitabas, nadie mejor que tu sabrá,
que di todo lo que pude dar...
Nunca imaginei, a vida sem você
Em tudo o que eu pensei sempre estava você
Só você sabe bem quem sou
De onde venho e para onde vou
Nunca menti pra você, nunca te escondi nada
Sempre me teve quando precisava
Ninguém melhor que você saberá que dei tudo o que pude dar
Felicity sentia uma sensação de vazio, antes tão cheia de amor, agora simplesmente oca, apenas a dor transbordava em rios de lágrimas, inundando sua alma, submergindo sua vida.
Triste vida! Vida acabada.
Submersa.
Estilhaçada.
Arrasada.
Ohhh y ahora tu te vas, asi como si nada
acortándome la vida, agachando la mirada, y tu te vas
y yo... que me pierdo entre la nada (y tu te vas)
dónde quedan las palabras y el amor que me jurabas
y tu te vas oh...
Oh! E agora você se vai, assim como se nada
Encurtando-me a vida, inclinando o olhar
E você se vai
E eu que me perco entre o nada (e você se vai)
Onde ficam as palavras e o amor que me jurava
E você se vai oh...
Ele se foi... Deixando apenas uma declaração, apenas uma frase saiu de seus lábios, foram palavras sussurradas em meio ao caos, foram palavras sopradas com amor.
— Eu te amo, você entende? Sim, ela entendia.
Sim, ela sentia.
E agora? Ele estava morto. O seu amor manchado pelo sangue de seu amado.
E ela perdida. No abismo entre o tudo e o nada.
Nada de amor.
Tudo de dor.
Estremecimento sofredor.
Por más que busco no encuentro razón,
por más que intento no puedo olvidar
eres como una llama que arde en el fondo de mi corazóonn...
(y tu te vas)... y tu te vas
(y tu te vas)... acortándome la vida, agachando la mirada
(y tu te vas)... y tu te vas
(y tu te vas)... acortándome la vida, agachando la mirada
Por mais que busco não encontro razão
Por mas que tento não posso esquecer
É como uma chama que arde no fundo do meu coração
E você se vai...
Encurtando-me a vida, inclinando o olhar
E você se vai...
Encurtando-me a vida, inclinando o olhar
Ela estava desmoronando em camadas de dor, ela estava esfriando a chama que um dia ardeu explosivamente em seu coração.
No calor de seu corpo, agora tão frio.
Hoje, nem uma faísca, apenas dor! Rancor. Amargor.
DOR.
Ela ainda podia ver todo aquele vermelho cada vez que fechava os olhos, ela ainda podia sentir o seu grito e o seu desespero ao vê-lo entrar na sua frente, ao vê-lo atingido, salvando-lhe a vida e perdendo a sua.
Por amor.
E hoje, ela vivia pela dor.
— Não fale, não diga uma palavra. — Ela insistia suplicante pra ele, as mãos pequenas em seu ferimento, ensopando pelo vermelho quente de seu sangue.
Mas ele não a ouvia e balbuciava insistentemente.
Ela inclinou a cabeça até que estivesse a centímetros de sua boca, o sopro da morte esfriando sua respiração. O sopro da morte levando o seu amor.
Não foram apenas murmúrios, foram palavras de adeus.
— Agora você entende o quanto te amo! — Não era uma pergunta, era apenas mais uma declaração. Uma última declaração de amor. — Fica comigo! — Ela dissera num rasgo estridente em clamor. Mas já o havia perdido.
Seu amigo. Seu amor.
Um suspiro mais longo, mais doloroso, lágrimas desciam de seus olhos e morriam de encontro ao lábios de Oliver. Um beijo sofrido e molhado. O último beijo. Não dado.
Ele fechou os olhos tão lentamente, como se precisasse vê-la até o último segundo, marcando em suas retinas a imagem do seu amor aos prantos.
Sentindo sobre sua boca as suas lágrimas, lágrimas de adeus. Beijo de adeus.
Ela nada disse, não conseguiria, apenas um grito cortou o silêncio e depois... Nada.
Um coração apenas batia, um coração que chorava o amor perdido.
O amor morto. Seu amor.
Ela o abraçou forte em seus braços trêmulos, o corpo musculoso inerte em seu abraço. Um corpo sem vida. E chorou.
A face úmida por suas lágrimas, a expressão desolada, os ombros caídos, a tristeza a abraçando com braços gelados.
O vento soprando e soprando e nunca varrendo a sua dor.
Nunca!
Inclinando o olhar consternado ao túmulo frio, gaguejou palavras no imenso vazio.
Não disse adeus, apenas um até logo.
E partiu.
Na lápide, o epitáfio:
"Nasceu playboy, viveu herói...
morreu amando."
*Fim
Fale com o autor