Xylos-4: Protocolo de Sobrevivência
3 Sinal de Desespero

Com as luzes de emergência pulsando fracamente em carmesim, a equipe se espalhou pelo saguão. Kael procurou nos armários de manutenção, Miller verificou as estações médicas abandonadas e Sanchez concentrou-se nos terminais secundários e paredes usando a luz do seu traje procurando algo.
Foi Sanchez quem teve sorte. Em um terminal auxiliar, encostado na parede havia um mapa caído impresso da área. Ele o pegou e escanceou com seu equipamento no pulso, segundos depois o HUD de seu capacete piscou e um Mapa de Layout da Colônia Esperanza se projetou em sua visão. Ele compartilhou via conexão de proximidade com os outros dois.
— Sargento! Achei um mapa! — ele exclamou, fazendo um gesto. — O gerador principal fica no Setor de Engenharia, no nível inferior.
Miller examinou o mapa digitalizado com um olhar severo. Ortega, embora estabilizado pelo trauma-kit de Sanchez, ainda estava inconsciente e pálido sobre o balcão.
— Certo. Sanchez, Kael, vocês vão para a engenharia. Ativem o gerador principal. Eu fico aqui com Ortega e mantenho esta posição. Não temos reforços e nem tempo para discussões. Se a antena não estiver lá, ou se não conseguirmos energia, estamos mortos. Entendido?
— Entendido, Sargento! — responderam Sanchez e Kael em uníssono, a voz firme apesar da adrenalina.
Miller acenou com a cabeça e apontou para a direção que eles deveriam seguir no mapa. — Vão. E tomem cuidado. Mas antes me ajudem a proteger o perímetro com essas mesas.
Eles ajudaram a armar uma barricada com as mesas viras para proteger o sargento e o Ortega, e partiram a engenharia.
Sanchez e Kael se moveram rapidamente pelos corredores escuros, o mapa guiando-os por labirintos de tubulações e fiação exposta. A lanterna iluminando uma parte limitada deixa tudo aquilo com um clima de terror.
Caminharam com cautela, um cobrindo a retaguarda do outro. O coração injetando adrenalina a cada passo. Ao chegarem à entrada do Setor de Engenharia, um painel principal de controle do gerador estava em uma plataforma elevada. Apenas alguns segundos foram necessários para Sanchez, usando suas habilidades em sistemas, conseguir entender como restaurar a energia.
— Ligando! — ele gritou para Kael.
Com um zumbido grave, as luzes se acenderam na colônia. Lâmpadas fluorescentes começaram a piscar por todos os lados, iluminando o cenário de destruição. O som da chuva lá fora pareceu diminuir, abafado pelo rugido do gerador principal.
Mas junto com a luz, veio algo mais.
Um alarme estridente começou a soar, e uma voz automatizada ecoou pelos alto-falantes:
— AVISO. SUSPENDENDO PROTOCOLO DE ISOLAMENTO.
As luzes vermelhas no painel começaram a ficar verdes. Ao mesmo tempo, no saguão principal, onde Miller estava sozinho com o ferido Ortega, todas as portas que estavam trancadas por falta de energia se abriram com um chiado sinistro.
Das sombras de cada uma dessas portas, silhuetas esguias e bioluminescentes começaram a emergir. As criaturas de Xylos-4, que pareciam ter estado em hibernação ou contidas pelo "apagão", agora estavam livres. Seus olhos sem pálpebras brilhavam com uma luz pálida no escuro que restava em algumas partes da colônia.
— Sanchez! Kael! Algum problema aí?! — a voz de Miller soou tensa no rádio.
— As portas todas estão abrindo, Sargento! Estação estava toda em isolamento! — Respondeu Sanchez, já erguendo o fuzil. As criaturas podiam ser ouvidas raspando e guinchando nas paredes de metal ao redor deles.
No saguão principal, Miller ouviu os passos se aproximando. A porta de despressurização que estava aberta, agora com a energia se fechou, começando a limpar o ar do ambiente. Ele empurrou Ortega ainda mais para trás do balcão, que serviria como uma barricada precária, e levantou o fuzil. Ele estava sozinho.
— Entendido! Voltem para cá AGORA! Estou sob ataque pesado! — O som de tiros começou a ecoar do lado de Miller, um prenúncio do que Sanchez e Kael enfrentariam.
— Temos que voltar, Kael! — gritou Sanchez, já correndo em direção às portas blindadas do Setor de Engenharia. O problema era que, com as portas abertas pela energia, as criaturas também podiam estar em qualquer lugar no caminho de volta. Tinham que avançar rápido, mas também ter cuidado.
A corrida de volta pelo Setor de Engenharia foi um mergulho em um pesadelo agora bem iluminado. As lâmpadas fluorescentes, recuperadas pela energia, piscavam com um zumbido elétrico irritante, revelando o que a escuridão antes escondia: o corredor de acesso estava pintado de sangue antigo e marcas de garras que pareciam ter tentado abrir o metal como se fosse papel.
— Movimentação no teto! — gritou Kael, sua voz subindo uma oitava pelo rádio.
Sanchez ergueu o fuzil a tempo de ver uma das criaturas se soltar de uma tubulação de ventilação. Ela caiu com um baque úmido e, antes que pudesse saltar, Sanchez disparou três vezes. As balas perfuraram a pele bioluminescente, liberando um fluido viscoso e brilhante que ferveu ao tocar o chão metálico.
— Não para Kael! — ordenou Sanchez. — Fogo em movimento!
Eles avançaram em formação tática. A agilidade das criaturas era antinatural; elas corriam pelas paredes, usando os ângulos mortos criados pelas máquinas da colônia. Kael soltou uma rajada curta, derrubando um predador que tentava flanqueá-los por trás de um gerador auxiliar.
O som dos disparos era ensurdecedor nos corredores estreitos. Eles não se importavam se estavam matando, queriam apenas avançar. Cada porta que cruzavam era um risco; com o protocolo de isolamento suspenso, a colônia Esperanza havia se tornado um labirinto aberto para os caçadores de Xylos-4.
Ao chegarem ao corredor principal que dava para o saguão, o som dos tiros de Miller ficou mais nítido, mas também mais espaçado. Um sinal perigoso de que o sargento estava escolhendo alvos por falta de munição ou tempo.
Correram o mais rápido que conseguiram e derraparam próximo a porta.
— No três! — gritou Sanchez, preparando-se para entrar na porta final de acesso ao saguão. — Um... dois... TRÊS!
Eles irromperam no saguão e a cena era de puro caos tático. O sistema de purificação de ar da eclusa rugia ao fundo, tentando limpar a atmosfera tóxica, mas o centro da sala era um campo de batalha. Miller estava agachado atrás da barricada de mesas, o rosto suado sob o visor, disparando contra três criaturas que tentavam saltar sobre o balcão onde Ortega jazia imóvel.
— PELO FLANCO! — Sanchez berrou, abrindo fogo contra a criatura mais próxima de Miller. – MAS ANTES FECHE A PORTA!
Ele atirou com apenas uma mão, contado com a calibração da mira automática da arma. Com a outra mão puxou uma granada da cintura e jogou para trás sem nem olhar. Escutou o barulho de Kael esmurrando o botão de fechar a porta. Então voltou a segurar arma e avançaram. Um estrondo abafado pode ser ouvido atras deles.
O predador foi atingido no meio de um salto, seu corpo sendo arremessado para trás pela força dos impactos. Kael cobriu o outro lado, forçando as outras duas feras a recuarem para as sombras das salas laterais que agora estavam escancaradas.
Sua munição acabou, ele abaixou o rifle e pegou a pistola da cintura continuando atirar matando a segunda criatura que recuava com a ajuda de Kael. Quando o clique que indicava que a pistola ficara sem munição soou. Miller já tinha recarregado e deu cobertura. Ele avançou recarregando. Kael agora usando a pistola. Quando conseguiu, avançou atirando. Matando a última criatura.
Sons podiam ser ouvidos nas portas abertas, mesmo que os corredores não mostrassem criaturas.
Kael apareceu com algo nas mãos.
-Minas de aproximação.
Sanchez sorriu ao vê-las quase podia beijar o colega por aquilo.
-Você devia ganhar uma medalha por isso soldado.!
Jogaram as minas no corredor e trancaram as portas. Estavam seguros por enquanto.
Sanchez e Kael correram até a barricada, deslizando sobre os cartuchos vazios que cobriam o chão.
— Relatório! — Miller gritou sobre o som do alarme e da ventilação, conferindo seus pentes de munição.
— Energia restaurada, senhor! — Sanchez respondeu, ofegante, posicionando-se ombro a ombro com o sargento. — Mas a suspensão do isolamento abriu todas as celas e dormitórios. O complexo está infestado.
Miller olhou para o painel da porta da eclusa, que agora brilhava com uma luz azul suave, indicando que o ar estava sendo filtrado.
— Pelo menos podemos respirar sem esses trajes em breve se selarmos o setor — disse o sargento, mas seu olhar rapidamente voltou para o corredor escuro de onde mais guinchos ecoavam. — Mas primeiro, temos que garantir que nada mais entre. Kael, cubra a ventilação! Sanchez, a antena! Use esse terminal agora que tem energia! Se o resgate não souber que estamos vivos em dez minutos, não vai sobrar ninguém para contar a história.
Sanchez se virou para o console de segurança, seus dedos voando sobre as teclas enquanto o som de garras raspando no metal indicava que o segundo grupo de criaturas estava os cercando, o som de estouro indiciou que alguma alcançara uma das minas.
O sinal no terminal indicou conexão mínima ele digitou a mensagem e a mandou indicando que estavam sobre ataque. O silencio que seguiu era quebrado apenas por Kael fechando a ventilação e suas respirações. Um bipe soou.
MENSAGEM RECEBIDA! PREPARANDO EQUIPE DE RESGATE. AGUARDANDO MELHORA DO TEMPO PARA DECOLAGEM. MANTENHAM A LOCALIZAÇÃO ESQUADRÃO R7!
-Merda! -Deixou escapar Sanchez se virando para o comandante. -Eles só podem vir quando o tempo melhorar.
A resposta do sargento foi um xingamento bem pior do que ‘merda’.
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