Xeque Mate
2 Verdades aparecem. Acidentes acontecem
Notas iniciais

Lily estava sentada no sofá, o vestido longo vermelho estava todo amarrotado, Elena estava descalça encolhida em uma poltrona, Bonnie estava sentava no chão abraçando seus joelhos.
— Não o encontrei — Stefan entrou segurando o capacete, estava todo molhado, chovia forte naquela madrugada.
Bonnie olhou para o relógio que já marcava três e quarenta e dois da madrugada, a lareira já estava quase apagando, os empregados já haviam se recolhido. Stefan caminhou até a poltrona e pegou Elena no colo levando para a cama.
— Qualquer coisa estou lá em cima — disse para Bonnie e subiu.
Lily não havia trocado uma palavra com a nora, nem mesmo a olhava no rosto mais, Elizabeth começou a chorar no quarto e Bonnie se preparou para subir.
— Deixe a menina comigo — Lily passou pela nora e subiu as escadas.
A grande porta de madeira se abriu revelando um Damon encharcado e segurando uma garrafa de uísque, ele cambaleou até a esposa e sorriu desnorteado, havia uma chama de ódio em seus olhos, mas havia lágrimas de um coração partido escorrendo por suas bochechas.
— Você mentiu.
— Me deixe explicar — Bonnie segurou a mão livre do marido.
— Qual parte você quer explicar? — puxou a mão — A parte que você dormiu com um otário que acabara de conhecer? Ou a parte que a minha filha é filha dele? Ou você quer resumir tudo dizendo que tudo é só um golpe do baú? — gritou.
Bonnie em um ato de proteção a sua honra deu um tapa no rosto de Damon que sorriu irônico. Ela caminhou até a estante e se apoiou de costas para ele, Damon tomou o último gole e jogou a garrafa na parede.
Os cacos de vidro no chão eram apenas o anúncio da tempestade que viria para destruir suas vidas. Bonnie estava sentindo seu mundo partindo ao meio, Damon estava convertendo toda sua dor em gasolina para queimar todo o amor que sentia por Bonnie.
— Tudo sempre foi uma mentira? — perguntou irado.
— Claro que não, quando me casei com você naquela noite eu nem sabia que estava grávida.
— E por que não me disse depois?
— Porque eu fiquei com medo.
— Medo? Você teve medo? — Damon caminhou até ela e a segurou pelo braço — Então você acha que eu sou assustador? — balançou-a e depois a jogou no chão.
Bonnie encarou assustada, nunca havia pensado em ver Damon daquela maneira, ele realmente estava a assustando naquele momento.
Ele a encarava com ódio, as lágrimas cessaram de repente, ele estava frio, caminhou até um pequeno balcão e despejou uma bebida no copo.
— Pare de beber — Bonnie pediu.
— Pare de fingir que se importa — com o braço Damon derrubou todas as garrafas e copos.
O rapaz caminhou até a esposa e deu um tapa no rosto da morena que fez com ela caísse sentada no chão, ele não expressou arrependimento, as lágrimas escorreram pelo rosto delicado da moça que se levantou e subiu as escadas correndo.
— Você pensa que vai fazer o que? — Damon subiu as escadas cambaleando.
Bonnie trancou a porta do quarto, colocou uma mala na cama e jogou o máximo que roupas que pôde lá dentro e a fechou, correu até a gaveta e pegou seus documentos e colocou em uma bolsa, procurou na gaveta do marido a chave do Camaro SS 1969 azul, saiu correndo do quarto e tentou chegar até o quarto de Elizabeth.
— Você não vai levar a menina — Lily fechou a porta por dentro.
— Por favor, abre a porta — Bonnie esmurrou a porta.
— Não vou deixar que você a tire de nós por um erro é que seu — a sogra gritou segurando a menina nos braços, ambas trancadas.
Bonnie ficou em uma linha tênue entre ficar e sofrer com as acusações de Damon ou fugir para a casa da mãe e no outro dia voltar para buscar a filha. Então ela escolheu a última opção.
Damon não estava nos corredores, nem na escada, Bonnie aproveitou para correr para a garagem. Chegando lá ela jogou a mala pesada no banco de detrás e entrou do lado do motorista.
— Bonnie — Stefan entrou na garagem gritando.
Damon atravessou na frente do carro impedindo que Bonnie saísse, a mulher se assustou com ato e colocou a mão na cabeça, foi o tempo que Damon precisou para entrar no carro.
— Você não vai embora — Damon gritou com ela.
Bonnie acelerou o carro e saiu dirigindo louca pela cidade, Damon ainda gritava com ela, estava bêbado demais, seus hálito só fedia a álcool.
Ela atravessou todos os semáforos, bateu em dois ou três meio fios, dirigiu sem pensar para fora da cidade, fez a primeira curva fechada demais.
— Você vai matar nós dois — Damon colocou a mão na cabeça.
Em um ato desesperado Bonnie pisou no pedal do acelerador e acabou passando direto em uma curva, o carro bateu em uma mureta do lado da pista e capotou diversas vezes, Damon havia colocado o cinto de segurança e ficou pendurado de cabeça para baixo, já Bonnie voou para fora do carro, seu corpo estava jogado no acostamento.
Damon tirou o cinto e rastejou para fora do carro, ele chegou perto de Bonnie e ela chorava de dor, o vestido azul longo estava todo manchado de líquido carmesim, o rosto dela estava coberto de sangue.
— Dam...
— Sinto muito, vai ser melhor assim — Damon depositou um beijo na testa dela — Desculpa.
Ele conseguiu se levantar mesmo que ainda cambaleasse ainda mais e caindo aqui e ali conseguiu andar um pouco até cair de joelhos.
Damon procurou o celular no bolso e verificou se ainda tinha bateria e sinal. Tocou no nome do irmão, tocou, tocou, e ninguém atendia.
— Damon onde você está?
— Eu não sei, estou em algum lugar no meio da estrada e o carro capotou e eu a deixei morrendo.
— O que? Espere aí nós vamos levar uma ambulância.
*
Quase meia hora depois Stefan, a polícia e a ambulância chegaram até o local do acidente, Damon ainda embriagado chorava dizendo a Stefan que havia matado Bonnie.
A mulher fora colocada na maca inconsciente, os enfermeiros passaram com feições de preocupação e Stefan entrou na ambulância para acompanhar Bonnie enquanto Damon foi para hospital na viatura.
*
Alguns dias depois...
Bonnie estava encubada, seu estado de saúde só piorava com o tempo assim como a culpa de Damon, ele não saía do lado dela, não comia há dias.
— Você ficar aí se culpando não vai adiantar nada — Stefan tirou o jaleco branco — Vá para casa, eu fico de olho nela.
— Hoje não é dia de plantão? — Damon continuou sentado.
— Era, mas a doutora Meredith resolveu trocar comigo para que você pudesse ir para casa — colocou a mão no ombro do irmão.
— Eu não vou, permanecei aqui.
— Há quantos dias você não vê sua filha? — questionou e Damon abaixou a cabeça — Você ao menos sabe que ela passou a noite com febre ontem? Ou que ela está com uma pequena hérnia no umbigo?
— Sério? Mamãe não me disse.
— Porque você deveria estar lá para descobrir por si só.
— E se Bonnie passar mal enquanto eu estiver fora?
— Aí eu estarei aqui para socorrê-la — Stefan sorriu amigável — Eu sou o médico, lembra? Você é o empresário.
— Ok, fui vencido pelo cansaço — Damon se levantou e caminhou até a cama — Fica bem — beijou a testa da esposa.
— Procure descansar — Stefan aconselhou.
— Vou tentar — Damon passou pelo irmão e saiu do quarto.
*
Damon chegou em casa tomou um banho e passou direto para o quarto da filha, ele tomou a pequena garota nos braços e embalou por alguns segundos, as lágrimas começaram a escorrer por suas bochechas.
Não era possível que ela não fosse sua filha.
Só aí ele parou para pensar e entender que acusara Bonnie de traição, e ela havia dito que Kai era o pai da menina, mas talvez ela nem tivesse essa certeza.
Como Bonnie teria certeza de que Elizabeth era filha de Kai, quando ela e Damon se casaram na mesma semana em que ela dormira com Kai? Ainda havia uma pequena chance de Damon ser o pai de Elizabeth, ainda havia uma pequena chance de salvarem seu matrimônio.
— Ela é linda, não é? — Lily entrou no quarto rosa.
— É sim — Damon sorriu abobalhado.
— Pena que não é sua — colocou a mão no ombro do filho.
— Ainda há chances de que eu tenha a paternidade dela.
— Não, não há.
— Como? — Damon colocou a menina no berço.
— Eu mandei fazer o DNA e ela não é sua filha — garantiu.
Damon se sentiu tão fraco naquele momento que caiu sob seus joelhos ao lado do berço da filha, ele chorou como uma criança desmamada.
— Senhor Salvatore — a empregada entrou afobada.
— Se retire — Lily vociferou.
— Mas é do hospital — insistiu.
— Saia — Lily vociferou novamente dessa vez com mais raiva.
— Espere — Damon limpou as lágrimas — O que aconteceu?
— A senhora Bonnie teve uma parada cardíaca e está na mesa de cirurgia, o senhor Stefan pediu para que o senhor vá até lá e se prepare para o pior — deu a notícia de saiu.
*
Lily fora dirigindo, temia pela vida do filho, ela sabia que Damon poderia causar um novo acidente no estado de nervos que se encontrava e a parada cardíaca de Bonnie viera na hora certa. Lily e Elena haviam combinado de arquitetar um plano para tirar Bonnie para sempre da vida de Damon e precisariam da ajuda dele para fazê-lo.
Damon entrou desesperado e assim ficou pelas quatro horas que se seguiram. Bonnie não saía do centro cirúrgico, os enfermeiros andavam de um lado para outro correndo assustados, Stefan ainda não havia dado notícias e Damon estava enlouquecendo de preocupação.
O relógio marcava onze e seis da noite quando Bonnie saiu na maca, ainda encubada e ainda mais pálida. Stefan saiu cabisbaixo e caminhou até o irmão.
— E aí? Ela vai ficar bem? — Damon tremia.
Stefan apenas puxou Damon para um abraço longo de consolo.
— Se prepare meu irmão — aconselhou antes de o soltar.
Damon chorou até soluçar sentado no chão do hospital do lado de fora do quarto da esposa.
Bonnie começou a convulsionar de repente, seus corpo subia e batia de volta na cama, Stefan e alguns outros profissionais correram para dentro do quarto, pelo canto da boca de Bonnie saía um líquido branco, seus olhos abriram e começaram a revirar, Lily segurou Damon para que ele não entrasse no quarto, o corpo de Bonnie subiu e bateu com voracidade na cama e lá ficou, Stefan segurou os braços dela , sua respiração ficou cada vez mais fraca e de repente o peito da morena ficou inerte.
— Não... Não... — Damon abraçou a mãe — Ela não pode estar morta.
Do lado de dentro do quarto Stefan gritava para que trouxessem o desfibrilador, a primeira tentativa fora em vão, assim como a segunda, mas a terceira e última fizera com que o polar voltasse a dar sinal de vida, o coração da morena voltara a bater.
— Damon eu preciso falar com você — Lily fez com que o filho sentasse na cadeira — Stefan tire todos daqui — ordenou e o filho o fez, ficaram apenas os três — Eu vou precisar da ajuda dos dois e é pelo bem de Elizabeth — Damon encarou a mãe — Apenas me escute — pediu — Eu e Elena estivemos conversando e achamos melhor que nós deveríamos forjar a morte de Bonnie e interna-la em uma clínica longe de tudo e de todos, Bonnie destruiu a vida dela, a sua e a vida da pequena Liz, é pelo bem dela — insistiu na ideia — Nós devemos criar essa menina longe das más influências da mãe e se Bonnie voltar a ver essa menina ela vai querer a guarda e nós vamos a perder para sempre.
Damon pareceu confuso e Stefan pareceu não concordar, mas permaneceu em silêncio.
— Lembre-se Damon que é pelo bem da sua filha — Lily segurou as mãos do filho — Aquela mulher pode estar morrendo, mas ela sempre ressurgirá como uma fênix e destruirá cada coisa que tocar.
— Elena concordou com tudo isso? — Stefan perguntou indignado.
— Ela concordou e até se ofereceu para criar Elizabeth como se fosse sua — Lily contou.
— E eu como pai? — Stefan questionou.
— É claro que não, Damon e ela serão um casal e você apenas o tio.
— Mas ela é minha noiva — Stefan sentiu os olhos marejarem.
— Mas ela não te ama, ela ama a seu irmão e tem muito carinho por Liz — Lily se levantou — Não estou nem aí para o seu sofrimento Stefan e Damon está quase fora de si, não sabe nem tomar uma decisão — deu de ombros — Então eu tomarei as rédeas da situação, não perderei minha neta para essa criatura — apontou para Bonnie — Trate de “mata-la” e depois faça o que quiser — falou para Stefan — E você Damon vá para casa e tome um calmante, você está quase um vegetal ambulante, não é bom para a empresa. Volte a ser quem você é — ordenou — Estamos combinados?
— Faça o que quiser, eu não participarei disso — Stefan foi saindo.
— Elena te odiará — Lily fez com ele parasse antes de chegar a porta — Ainda há chances de conquistar o amor dela e fazê-la desistir de ser a “esposa” de seu irmão, faça isso por nós, meu filho.
Lily sabia chegar onde queria e sabia que o amor de Stefan por Elena o tornava fraco, ele faria tudo por ela, mataria, morreria e forjaria a morte da cunhada.
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