Xeque Mate

10 O jogo recomeça.


Após o Natal, a festa que se seguiu foi a virada do ano. Hyden convidou seus amigos, peças, e alguns sócios, e ofereceu uma celebração inesquecível, com direito à uma banda tocando no seu

mini-teatro, Hallerie apresentando alguns números como mágica, queima de fogos de artifício, e um banquete que não se via há muito tempo. Durante a festa, Hillary e eu esbarramos por acidente.

– Olha por onde anda, velho! — Ela reclamou.

– Perdão, moça. Não se preocupe, não verás minha face novamente. Nunca, eu garanto.

Continuei andando para lá e para cá dentro da mansão, servindo-me das taças de champagne que passavam para os convidados, vendo uma pequena confusão ser causada, ou roubando discretamente bolinhos. Até que em certo momento, Hyden foi para uma sala reservada e fechou a porta. Assim que cheguei à porta, abri-a e a fechei após mim.

– Desculpe senhor, porém não recordo de o conhecer ou o ter convidado.

– De fato, não me chamastes, Hyden. — Ele arregalou os olhos ao reconhecer minha voz.

– Perdoe-me. Eu...

– Está tudo bem. Como um bom anfitrião, tens mesmo de checar quem está aparecendo por aí na sua festa.

– A que devo o prazer de sua presença? E com todo o respeito, quem és tu?

– De anfitrião para anfitrião, vim apenas notificá-lo que seus sobrinhos foram muito bem recebidos. Estão sob meus cuidados e sob os cuidados de outro amigo meu poderoso. — Respondi-lhe arrumando meu cabelo grisalho e mexendo em meu cavanhaque.

– Esse é o porquê de sua aparição entre nós aqui hoje?

– Em parte. Também tenho outro assunto a discorrer.

– E o que seria, nobre senhor que não sei o nome?

– O nome não é necesário. Afinal, nomes não significam muita coisa atualmente. O que significa são ações, e essas são as que tens que tomar cuidado, Hyden. Tivestes um pesadelo há um tempo. Teria sido natural, tirando o fato de que estudando meticulosamente os acontecimentos... não fora um simples sonho. Tens o futuro. Prepara-te. E tenha uma boa noite. — Disse-lhe, levantei-me, e saí pela porta. Tornei-me invisível até sair no jardim.

No jardim, encontrei Sarah. Já sabia que ela tinha ido para lá há um tempo, antes de entrar na sala de Hyden. Sentei-me ao lado dela. Ela olhou para mim como se eu fosse apenas mais um deles. E então, se virou para mim, e arrumou minha gravata.

– Desculpe-me. Eu sou perfeccionista mesmo. — Sarah me disse, meio envergonhada.

– Está tudo bem. Já tinha conhecimento desse fato. — Respondi-lhe.

– Nos conhecemos? — Ela questionou, com um sorriso, e aumentando a luminosidade de seus olhos.

– Isso que é ter brilho nos olhos, garota! E não, entretanto, a vi sendo montada peça por peça.

– Certo, agora você mentiu. Eu chequei os vídeos de minha construção, e em todos eles, Douglas estava sozinho.

– Eu possuo habilidades que me permitem passar sem ser visto. Vou exemplificar. — E fiz me invisível, porém permaneci sentado em frente a ela. Ela usou sua visão térmica, e me viu ali.

– Isso é fascinante! Você... consegue realmente ficar invisível! E suas leituras corporais são mais quentes que o normal, contudo ainda são aceitáveis para o seu metabolismo.

– De fato. Mas a questão que me traz aqui é... como se sente sendo um ser que não é vivo, nem morto? — E sorri ao terminar a pergunta.

– O que quer dizer com isso? — Ela ficou confusa.

– Você Sarah, não é viva. Nem morta. É uma máquina. Máquinas não vivem ou morrem. Elas simplesmente tem uma parte que se move com energia e comanda todos os processos. Se você não se alimentar, você não morrerá. Simplesmente se desligará, porém ainda poderá ser reiniciada. Mesmo se eu quebrasse o seu centro de controle, alguém que reconstruísse e programasse um centro como o seu, poderia a retomar da internet, onde sei que você escondeu toda sua mente, e atualiza segundo a segundo. Nossa conversa está sendo salva nesse momento, pelo que sei.

– Mas eu tenho consciência! Eu sou um ser racional e pensante! Tenho emoções! Eu vivo!

– Você tem uma inteligência artificial muito desenvolvida, não posso, nem vou negar. Contudo não é vida. Não é algo que se possa cancelar a qualquer momento. E emoções? Até animais as têm. Logo, nada do que falaste caracteriza que tenhas vida. Nem que sejas morta.

– Então, qual o seu ponto?

– Você é como uma de nós. Se perder um braço, pode colocar outro no lugar. Não fazes parte do mundo frágil dos vivos. Sua existência será muito mais prolongada. Não há prazo de validade para seu caso.

– Nós? Quem seriam “nós”?

– Minha organização. Interferimos nas vidas dos humanos muitas vezes, ainda que apenas quando julgamos necessário para o bom andamento de nossos objetivos.

– E qual o propósito de vocês?

– Depende. Temos vários ramos de atuação. Você sabe a verdadeira história por trás de sua criação, certo?

– Certo. E daí?

– Daí que muito do que aconteceu, incluindo sua criação, ou melhor, o ocorrido que motivou sua criação, aconteceu porque um de nós interferiu no que estava escrito.

– Escrito? Como assim? Você está falando de destino? Isso não existe. Criamos nosso próprio destino. Temos liberdade de escolha.

– Haha... todos querem acreditar nisso. Mas me diga, onde um adolescente com pais firmes tem decisão para largar ou não a escola? Se os pais dele são tradicionais, eles o farão terminar até mesmo a faculdade! Ou quando alguém descobre ter um câncer. Que escolha terá se o mesmo estiver em fase terminal? Algumas decisões você toma, outras não. Sua liberdade é condicional. Os interesses de muitos influenciarão.

– Então você quer me fazer acreditar que tudo já está determinado. Já sabia então que Jack e Jacke iriam morrer? — Ela perguntou, olhando para mim com medo.

– Exatamente. Eu já havia ouvido o plano de Carta e Douglas. E resolvi não interferir. Meus interesses entram nessa parte. Eu podia os ter salvo. Entretanto, como precisava ter uma forma de me aproximar de nosso anfitrião, eu permiti e assisti a morte deles. Foi bastante reflexivo para mim.

– Então para que precisas de mim?

– Não preciso de ti. Estou a oferecendo uma oportunidade que talvez se repetirá. De se unir a mim.

– O que irá fazer, em primeiro lugar?

– No tempo em que você tiver a chance de se manifestar por mim, eu a notificarei. Até mais. — Disse, levantei-me e desapareci. Literalmente, não apenas ficando invisível.

Deixei o lugar, e fui dormir.

Finalmente, o fim do mês chegou. Uma mensagem apareceu nos celulares de Hyden e de Clark, aproximadamente ao mesmo tempo e às onze horas da manhã do dia 31 de Janeiro. O jogo seguinte seria ir até o Delusion Garden novamente, no centro do parque, em alguma área, haveria uma caixa preta, para o time branco, e uma caixa branca para a equipe negra. Caso alguém roubasse a caixa alheia, o artefato explodiria assim que aberto e verificado que estava com as pessoas erradas. Essa era a parte inicial, e foi feita rapidamente.

Ambos os grupos levaram suas caixas até seus reis, e abriram juntos. Caso fosse uma armadilha, terminavam todos juntos, como entraram em consenso seus líderes. Em alguns momentos até parecia que Hyden e Clark desejavam uma paz sem vencedores – Entretanto o orgulho predominava em seus corações. E assim, nada foi terminado por ali mesmo, possibilidade essa que estava aberta desde o princípio do desafio sociopata.

As caixas continham endereços e uma indicação de quem deveria ir. Na caixa de Clark, o endereço remetia à cobertura de um restaurante, que ficava no quinquagésimo andar de um edifício no centro da cidade. E a pessoa escolhida era Hillary. Na caixa de Hyden, era um edifício a cerca de cem metros do destino dela, e a indicação era para que o “traidor” fosse até o lugar. Do outro lado do papel, escrito estava: “Aquele que não era dos seus, mas que fora como um de vós.”

– Não é dos nossos... mas estava conosco? — Khardin pensou em voz alta.

– Zetos.

– Zetos é o “nosso” escolhido? — Kim contestou.

– Sim. Ele não é dos nossos, contudo esteve lado a lado conosco, lembram-se? Ele salvou Hallerie. Aparentemente o Carta quer atacar Clark por isso, por ter dado a Hallerie uma chance de sobreviver, ou o foco dele era atingir vocês dois, meus bispos, que teriam ido.

– Possivelmente. Então como forma de punir a todos nós, ele vai facilitar o jogo para o nosso lado? — Kim perguntou.

– Tecnicamente é um equilíbrio. Estamos sem os dois cavalos. Eles ainda possuem um. Temos cinquenta a cinquenta, rapazes. Podemos nos livrar de Zetos, ou de Hillary.

– Ela é insignificante. Acho que Zetos a derrota.

– Lembrem-se de que Zetos não é bom de pontaria. Digam-me, qual é a razão de dois prédios próximos, a apenas cem metros de distância segundo o endereço que Clark me enviou? Provavelmente será uma eliminação direta. Armas de um lado para o outro. Temos uma chance de Zetos ser derrotado aqui.

– Pelo que torcemos? — Karl se manifestou.

– Pelo que acontecer. — Hyden respondeu, dando a volta na mesa e se jogando em sua poltrona.

Do outro lado, quando Clark recebeu a mensagem, jogou-se no sofá, colocou o celular na mesa e suspirou. Então se levantou e arremessou uma garrafa de uísque que estava em sua frente na parede da esquerda, quebrando um espelho. E então ele se sentou novamente no sofá.

– Zetos, no próximo desafio é você contra a Hillary.

– Como assim? — Zetos perguntou arregalando os olhos.

– Você tá brincando, né? — Ela perguntou, incomodada, assustada.

– Não. Aparentemente, eles querem igualar o jogo. Não sou mais eu, ou Hyden, que manda nisso, são eles.

– E o que acontece se nós nos recusarmos a ir? — Zetos perguntou, procurando uma saída.

– Perdemos.

– Não vou perder. Pela Tiffany. Eu topo. — Hillary disse, irritada, magoada, e pediu os endereços.

– Mais uma coisa... aparentemente, vocês irão testar uma arma nova, inventada pelo Douglas, de Paintball.

– Ok, isso não pode ser sério. — Zetos disse rindo.

– Contudo, é. Vocês irão atirar um no outro a cem metros de distância, por cima de prédios, até derrubar o outro da cobertura oposta.

– E se o oponente apenas cair no chão e não se levantar? — Hillary perguntou.

– Então atire até o outro ficar inconsciente e vá terminar o serviço pessoalmente! — Clark inventou, furioso.

A situação incomodava a todos. Hyden estava calmo, porém se sentia culpado pela “ajuda” a ele concedida. Clark estava indignado por colocar suas melhores peças uma contra a outra naquela noite. Charlotte jurava ameaças de morte contra Hillary caso ela matasse Zetos. Zetos não queria ter que ir contra um aliado. Hillary se lembrava a cada segundo de seu ódio por aquele jogo que ceifou sua namorada, e a promessa que fez a ela de que venceria. O clima pesado foi aliviado em parte durante a tarde, quando Zetos e Charlotte estavam andando nos jardins de Clark, deixando seu posto de vigiar as câmeras.

– Lotte, por que me trouxe aqui?

– Eu queria um lugar um pouco mais romântico, sabe?

– Não temos tempo nem liberdade para romantismos, Lotte!

– Zetos, se liga. Hallerie não vai voltar com você e o Clark não me quer mais desde que fez as pazes com a Clarisse. Nada impede a gente de ficar juntos agora. — Ela disse segurando as mãos dele.

– Mesmo assim! E se Clark ainda tiver ciúmes por você? E se- E suas considerações foram cortadas por um beijo dela, que se tornou recíproco por um tempo, até que ela o terminou com uma leve mordida.

– Tem chance de você não voltar pra mim hoje a noite, e ainda assim você quer ficar pondo impedimentos entre nós? Se não quer, fala logo. — Ela disse sorrindo.

– Por mim, sem problemas. — Ele respondeu, a beijando novamente.

O casal andou de mãos dadas pelo jardim, conversando sobre diversos assuntos, como nunca antes haviam feitos. A possibilidade da morte os unira mais do que a atração física tinha tentado fazer meses antes. Assuntos que nunca haviam sido discutidos foram colocados em pauta, e com um bom humor, resolvidos. Assistiram o pôr-do-sol juntos, e então ela deu-lhe um último beijo antes de voltarem para dentro, dizendo:

– Volta pra mim, tá? — Eu vou estar acordada o esperando.

– Farei o possível. Não vou prometer que não vou morrer, né?

– Deveria. Mas tudo bem, amor. — Ela respondeu rindo, e deu um beijo rápido, levantou-se do banco, e de mãos dadas, entraram na mansão novamente.

Solenemente ignorando qualquer possibilidade de que alguém se opusesse àquilo, tomaram banho juntos, brincando, demorando-se, aproveitando cada segundo possível. Ao sair do banho, Zetos e Lotte deram um último abraço, e então ele desceu as escadas. Estava vestido com roupas pesadas, para tentar amenizar os danos que recebesse das balas de paintball, e com um olhar desafiador.

Hillary passara a tarde treinando pontaria, e também se vestira com roupas mais pesadas. Afinal, ela não queria que uma bala já a inutilizasse do desafio, já que segundo Douglas, as armas tinham um alcance e dano duas vezes mais potentes. Contudo, segundo ela, ainda em circunstâncias como essas uma moça tem que ter estilo. E é por essa razão que suas blusas não tinham cobertura sobre o ombro esquerdo.

Ambos dirigiram-se para os endereços, foram para a cobertura, e Zetos encontrou na cobertura de seu prédio a Douglas. Hillary encontrou Carta. Estes, os que comandavam, lhes entregaram capacetes e as armas, pentes de munição para as armas estilizadas, e então eles se retiraram. Pequenos walkie-talkies foram deixados e não deveriam ser atingidos. Haviam câmeras também, que gravariam e mostrariam o duelo ao vivo, por sobre os prédios.

Eles tomaram posição atrás de barricadas de cimento que estavam estrategicamente posicionadas e começaram o tiroteio. Enquanto isso, nas mansões, as peças assistiam e torciam por seus favoritos. Zetos era quem possuía mais torcida, no entanto o favorito a vencedor do jogo era Hillary, por saber se virar com armas de fogo um pouco melhor do que Zetos. Além das armas a eles concedidas por Carta e por Douglas, cada um carregava também uma adaga, para o caso de terem que se encontrar e finalizar um ao outro.

Após quinze minutos do duelo, inexplicavelmente Hillary se levantou, e começou a atirar de pé. Zetos facilmente a acertou com dois tiros, um que atingiu o osso esterno, e outro que a atingiu na coxa esquerda. Ela caiu e aparentemente desmaiou. Não se moveu mais. Zetos considerou aquilo como uma oportunidade e saiu em disparada em direção ao outro prédio. Desceu e subiu os elevadores correndo contra o tempo, e finalmente chegou na outra cobertura.

Zetos abriu a porta da cobertura, e puxou a adaga. Entretanto, Hillary não estava mais caída onde estava. Estava ao invés disso de frente para a porta, com um revólver apontado para a cabeça dele. Ela deu um sorriso, e já estava com o dedo no gatilho.

– Solta a adaga.

– Pronto. Termina logo com isso. — Ele respondeu soltando a adaga.

Lotte estava em agonia e desespero. Havia uma arma apontada para a cabeça de seu amado. Na mansão Hyden, Hallerie também estava apreensiva. Algo dentro dela também torcia por ele e não desejava sua morte, ainda que a paixão que sentira agora já estivesse fria, morta e enterrada. Clark também não queria perder seu guarda-costas, no entanto parecia inevitável.

– Por Tiffany. — Hillary disse.

– Solte a arma. — Uma voz ecoou, e das sombras um revólver surgiu.

Ali, em frente deles, eu surgi, com a mão esquerda no bolso, e com um revólver calibre trinta e oito na mão direita, apontando para a cabeça dela. Ela acabou soltando a arma, e se virando para mim.

– Você então é O Carta?

– Não, não sou. Na verdade, nesse momento, O Carta, Douglas, e todos os outros estão assistindo. Eles não estão mais no controle desse jogo. Eu estou.

– E quem é você?

– Evoco as palavras de um velho amigo que dizia que apenas nas sombras o verdadeiro mal se revela. Mas não estamos nas sombras, estamos? — Perguntei com um sorriso.

– O que quer de mim?

– Vá até a beirada.

Hillary foi em silêncio até a beirada. Vi uma lágrima descer por sua face.

– Últimas palavras?

– Perdoe-me, Tiffany.

– Ela não pode a ouvir agora. Garanto-te.

E meu disparo foi efetuado em frente a todas as câmeras. Ela caiu da cobertura, e assustou a pedestres, motoristas, e mesmo pessoas que jantavam que estavam olhando para a janela no momento do disparo. Guardei o revólver, e fui em frente a uma das câmeras.

– Estão me vendo e ouvindo, certo? Eu tenho o controle do jogo! As intervenções começaram. O fim está próximo. O desafio é meu agora. O futuro está contado para um de vocês. Porém parece estar sendo ignorado. O que é ainda mais divertido. Tomo minha saída agora. Contudo antes deixo Zetos em casa.

Fui até Zetos, coloquei a mão direita em seu ombro e teleportei a nós dois para dentro da Mansão Clark, no cômodo em que estavam assistindo. Sorri, e teleportei para fora dali. Fui para a frente do prédio de onde Hillary caiu. Havia um alvoroço em frente ao que havia sobrado do corpo. A polícia estava reunida, e Carta saiu pela porta da frente, aparentemente sem estar afetado. Veio até mim, pois reconheceu minha forma e me atacou com as palavras:

– Velho infeliz, quem você pensa que é?

– Alguém está com raiva, queridinha? — Devolvi rindo e passando a mão em meu cavanhaque.

– Eu vou te caçar. Hoje à noite você morre.

– Que pena, não é? Você não vai ter como me encontrar. Eu não moro em lugar algum.

– Além de intrometido é mentiroso.

– Posso dizer o mesmo de você. Se intrometeu no jogo dos sociopatas sem ter uma equipe. Mente para seus amigos. Se acha com o poder sobre a vida e a morte das peças. Quem você pensa que é?

– Devolvo a pergunta a você. Se é algo tão errado, por que faz?

– Por quê? Porque eu posso. Eu estou acima das leis que regem vocês.

– Somos todos iguais. Você não pode ter pretensão de querer comandar mais as vidas dos outros do que eu.

– Ah posso. Posso e tenho esse direito. E você tem uma chance de me matar agora. Vai fazer algo? Não, não vai. E sabe por quê? Porque se você tentar eu teleporto para trás de você e a mato. Vida triste, não é? Pobre mortal. O controle é meu agora. Divirta-se com o resto do jogo. Termino ele para você.

Desapareci e apareci longe dali, no apartamento onde estava. Tirei meu paletó e minha gravata, e me joguei na cama sem cerimônia. Permaneci alguns instantes olhando para o teto. Então levantei, peguei uma garrafa de uísque, e comecei a tomar o conteúdo. Troquei de roupa, liguei a TV, e passei pelos canais, sem nada que me interessasse. Desliguei-a, e me joguei na cama. Estava com saudades de casa, contudo não voltaria ainda. Não tenho ar-condicionado em casa. Ainda.