Xeque-Mate
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Nós voltamos para Londres no dia seguinte. Mycroft mandou um de seus agentes nos buscar no hotel e no caminho coloquei Molly a par de tudo que sabíamos até agora. Era justo que ela soubesse de tudo, portanto consegui contar pela manhã sobre a morte de Lestrade e ela ficou tão chocada quanto eu estive quando descobri. De qualquer forma, os acontecimentos anteriores a deixaram mais dura, pude perceber isso quando ela derramou apenas algumas lágrimas e logo se recompôs. A briga era tão dela quanto minha e ela queria encontrar quem fez isso tanto quanto todos nós. O desejo de vingança era claro em seus olhos.
– Quem matou todos eles foi Sebastian Moran. Ele era um membro da organização de Moriarty que não consegui encontrar e achei, erroneamente, que já estivesse morto. Foram as informações que conseguir obter e agora vimos que eram informações falsas. Um erro. Enfim, ele é especialista em armas de fogo e era muito próximo à Moriarty, então, provavelmente a motivação dele é acabar com todos que são próximos a mim também. – Seguro a mão dela nas minhas e a acaricio levemente. – Ele sabe que você é a mais importante para mim e está fazendo como em um jogo de xadrez. Como se eu fosse o rei e você a rainha. Moran sabe que se atingir você... Eu automaticamente caio.
Os olhos dela brilham com lágrimas não derramadas quando eu falo isso. É uma responsabilidade que estou colocando sobre ela, sei disso. Mas não posso deixá-la no escuro agora que ela estará ao meu lado, correndo todos os riscos junto comigo. Molly leva sua mão até meu rosto, deixando-a ternamente ali. Sim, eu desmoronaria se algo acontecesse a ela.
– Todos os que estão a minha volta são peças de um jogo que Moran montou em sua cabeça para me prejudicar. Um jogo de xadrez. Ele determinou que John e Mary eram peões, por isso foram sacrificados primeiro. Lestrade era um cavalo que se sacrificaria por mim também. Os outros provavelmente são as outras peças, que ele não conseguiu alcançar. Mycroft garantiu que todos os outros que eram próximos a mim estivessem seguros o suficiente. Não sei exatamente o porquê ele pulou direto para você, mas alguém entregou seu paradeiro e eu tenho uma suspeita de quem seja. Espero que Mycroft possa me confirmar isso, era o conteúdo da mensagem que enviei para ele ontem.
Em poucas horas nós estamos de volta à Baker Street. A Sra. Hudson foi enviada, junto de um agente, para passar uns dias com um parente distante e o prédio está terrivelmente vazio sem ela. Penso em como seria perdê-la definitivamente e afasto o pensamento. Não é hora de pensar em mais perdas.
Subimos as escadas e encontramos Mycroft nos aguardando. Um breve olhar para ele confirmar minhas suspeitas de quem teria entregado o paradeiro de Molly.
– Puta que o pariu!
– Comporte-se, Sherlock. — Meu irmão me recrimina enquanto eu ando sem rumo para a cozinha, procurando algo que eu pudesse quebrar. A raiva me corrói. — Ela já foi presa e esperamos chegar mais perto de Moran quando conseguirmos arrancar todas as informações que ela possui.
– Ela? — Molly pergunta e ouço sua voz da cozinha, lembrando-me só agora que ela também está ali.
– Sim, ela... — Mycroft começa a dizer como se estivesse com preguiça de explicar, o que era típico dele quando precisava lidar com pessoas que não eram tão inteligentes quanto ele pensava que era. — Donovan assumiu o lugar de Lestrade quando ele morreu e teve acesso aos dados de sua localização. Parece que tentar acabar com Sherlock daquela vez em que ela o queria preso não foi suficiente e isso virou uma obsessão para ela.
– Meu Deus. — Ando até a porta que divide a cozinha a sala a tempo de ver Molly cair sentada em minha poltrona, olhando-me como se não tivesse acreditado no que acabara de ouvir. Confirmo com a cabeça o que Mycroft disse e ela ainda parece descrente.
– Sherlock, deixarei dois agentes de prontidão em Baker Street porque precisarei de você o quanto antes nas ruas. Eles poderão tomar conta da Srta. Hooper enquanto você estiver fora. São os melhores homens que encontrei.
Molly revira os olhos quando ele diz "tomar conta" e eu sorrio involuntariamente para ela.
Mycroft parte logo após dizer isso, sem esperar por uma resposta, e eu puxo Molly pela mão para que ela se deite comigo no sofá enquanto eu penso sobre o que fazer. Não quero deixá-la, mas também não posso deixar as coisas como estão.
– Vá, eu ficarei bem.
Desde quando ela podia ler meus pensamentos? Acho que o tempo que passei trancado com Molly no laboratório revelou muito mais de mim do que eu esperava. Suspiro longamente pensando nas decisões difíceis que estão aparecendo à minha frente.
– Amanhã. Ficaremos por aqui hoje, tendo o que se pode chamar de vida normal.
Ela ri enquanto se acomoda melhor contra meu corpo enquanto levanta o rosto para alcançar o meu e me beijar.
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Saio quase todos os dias de Baker Street pensando na hora que voltarei e, quando volto, meu coração está disparado devido à ansiedade de vê-la bem. Até o dia em que não a encontro.
Sei que alguma coisa está errada quando encosto na maçaneta e a porta se abre sozinha. Mycroft está ao meu lado e olhamos um para o outro com desconfiança. Entramos com cautela no apartamento e seguro em minha mão a arma que tem me feito companhia desde que encontrei John morto. Desespero-me e subo as escadas correndo quando vejo o primeiro agente do meu irmão caído. Morto.
– Molly?
Entro na sala já sabendo que não vou encontrá-la e sinto náuseas ao achar outro recado, acompanhado de uma peça. A rainha.

Uma raiva que não consigo controlar sobe pelo meu corpo. Tomo consciência de Mycroft parado atrás de mim e com um movimento rápido eu o encosto na parede.
– Você me garantiu que eles eram os melhores. — Minha voz é fria e cortante. A possibilidade de perder Molly me cega.
– Sherlock... — Retiro a mão que está em seu pescoço para que ele consiga falar. — Eles eram...
A única coisa que me impede de descontar toda a raiva que sinto em cima dele é o celular que toca em meu bolso.
"Venha até mim." — Diz a mensagem. – “E então talvez eu a poupe.”
Não perco tempo dando explicações para Mycroft e nem pensando sobre o que fazer. Há um endereço na mensagem e eu apenas confiro seu minha arma está carregada uma última vez antes de sair de Baker Street porta afora, parando o primeiro táxi que encontro.
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