Xeque-Mate
5 Capítulo 5
– Sherlock
Estou no terraço da casa de Mycroft. Ele está no escritório com Molly, repassando como ela entrará em uma espécie de proteção do governo ganhando uma nova vida. Uma nova vida onde eu não esteja. Onde ela não corra riscos por estar envolvida com alguém como eu. Não quis ficar lá embaixo, eu já havia perdido muitas coisas para ouvir que perderia mais uma. A mais importante. E também não poderia ouvir os planos de Mycroft, ele sabia que não iria passar uma semana antes que eu fosse procurá-la.
A noite começava a cair, fria e triste. Dou a última tragada em meu cigarro, vendo ele se acender na noite escura, e ouço os passos dela atrás de mim se aproximando de onde eu estou. Sei que é Molly por causa dos passos vacilantes e até mesmo tímidos.
Ela para ao meu lado e passa os braços em torno do seu corpo, tentando se esquentar. Eu solto a fumaça de minha última tragada e nós a observamos dissipar no ar. É uma metáfora com a nossa vida, com o que planejávamos.
– Parto amanhã. — Ela quebra o silêncio e também meu coração. Balanço a cabeça concordando e meus punhos se fecham. Não quero deixá-la ir, mas não posso arriscar perdê-la para sempre.
– É o melhor a ser feito. – Eu respondo.
Molly olha fixamente para frente e a resposta demora a vir dela, como se estivesse com problemas em achar uma adequada.
– Sim... Mas também não é o melhor a ser feito.
Entendo o que ela quer dizer. Nós tínhamos planos. Nós estávamos tentando ser feliz. Tentando começar um relacionamento. E tudo tinha sido tirado de nós. Eu tinha que protegê-la, precisava saber que ela estava segura para poder continuar minha investigação. Nunca teria concentração o suficiente sabendo que ela poderia ser morta a qualquer momento, quebrando-me.
Sou surpreendido quando Molly passa os braços pela minha cintura e me abraça. Fico sem reação por algum tempo, mas acabo abraçando-a de volta. Acho que nunca tivemos um contato assim antes, exceto no hospital quando ela estava fragilizada, e me entristeço ainda mais pelo o que estou perdendo. Queria poder abraçá-la todos os dias, em todos os momentos.
– Não vou deixar nada acontecer a você, Molls.
– Eu sei. — Essas duas palavras contém muito mais significado do que o que é expresso. Ela sabe, mas não quer me deixar. Assim como eu não quero deixá-la ir. Molly ergue a cabeça e me encara com os olhos suplicantes, sua voz é baixa quando ela continua falando. — Me faça esquecer de tudo isso essa noite, Sherlock. Só você pode fazer isso. Por favor.
Eu sei que não devo. Sei que isso vai complicar tudo ainda mais. Sei que não posso beijá-la e muito menos levar isso para algo mais profundo. Mas não posso e não consigo resistir quando ela se aproxima para me beijar, com seus olhos brilhantes por lágrimas não derramadas, a palidez e olheiras por noites mal dormidas. Sei que estou igual a ela e que juntos podemos esquecer, por algum tempo, tudo o que nos rodeia. Então ela encosta os lábios nos meus e todo o resto se perde.
Não era assim que eu esperava nosso primeiro beijo e, no entanto, ele é tudo que eu esperava que fosse. Intenso. Doce. Inesquecível. Fazendo com que me corpo se aqueça.
Sinto as mãos dela em minhas costas, enquanto as minhas seguram sua nuca. Molly era tudo que eu não poderia perder agora. Ela significava minha própria vida.
Molly estava hospedada na casa de Mycroft desde que saíra do hospital, para que sua segurança fosse garantida, e é para seu quarto que ela me leva, puxando-me pela mão e fechando a porta atrás de nossas costas. Molly não espera que eu diga nada e começa a retirar as peças de sua roupa. Nós nos olhamos com desejo, tentando nos focar no mundo onde só exista nós dois. Não nos tocamos ainda, eu apenas assisto enquanto se livra de suas blusas.
Quando ela se livra do sutiã, deixando os seios desnudos e continua a me olhar de um modo desesperado, eu me aproximo beijando-a com a mesma angústia que ela demonstra sentir. Ajudo-a se livrar do restante de nossas e a levo para a cama. Eu não tinha percebido o quanto tinha necessidade dela — desse tipo contato — até agora. E com tudo que aconteceu, nós tínhamos urgência em preencher os vazios que ficaram dentro de nós. Só tínhamos um ao outro agora. E por pouco tempo.
Não era minha intenção fazer isso, deixar que nós nos entregássemos ao sentimento agora. Sabia que isso pioraria o momento em que teria que deixá-la partir, mas não pude evitar. Cada parte de mim clamava por ela, como se ela fosse a cura para todas as minhas dores. E pela forma como ela se agarrava em mim, chegando a ferir minhas costas, posso deduzir que ela se sentia da mesma forma. Estávamos à deriva, tentando ancorar um ao outro.
Toquei cada parte do seu corpo, beijando-a com carinho e sentindo-a estremecer embaixo de mim. Meus sonhos com Molly não chegaram ao menos perto da realidade. Nunca imaginei algo tão grandioso ou tão perfeito. Meu corpo parecia estar envolvido por brasas e quando olhava para os olhos dela, eu me esquecia de tudo que não se referisse a nós.
Fizemos amor de uma forma intensa e entregue, expondo todos os sentimentos com os quais estávamos envolvidos e nos envolvendo ainda mais com eles.
– Espere por mim, Molly... — Me vejo dizendo a ela quando estamos abraçados, com a cabeça dela apoiada em meu peito. Minha voz sai de tal forma que eu quase imploro. Sei que é egoísta pedir isso a ela. Molly tem a chance de viver uma vida longe de mim. Mas não posso evitar, eu a amo. Vejo-a vira a cabeça para encontrar meus olhos.
– Você acha que eu faria qualquer outra coisa? — Deixo minha mão deslizar pelos cabelos dela. Não sei o que responder diante do que ela demonstra sentir por mim. Era o que eu mais desejava ouvir dela, saber que ela me esperaria. Nós nos olhamos apaixonados e a tristeza de saber que vou perdê-la me abala. — Você promete que vai me procurar quando isso tudo acabar?
Sorrio diante da pergunta que ela me faz, como se fosse possível eu me manter longe. Como se eu pudesse fazer qualquer coisa que não ir atrás dela no mesmo minuto em que colocasse minhas mãos em Sebastian Moran.
– Será a primeira coisa que eu farei, Molly. Eu prometo.
A única coisa pela qual torço é que isso seja rápido. Ela sorri tímida e me beija.
– Como você está... De verdade? — Molly completa a frase antes que eu possa pensar em mentir. Não era algo que eu queria falar sobre, mas falar com ela não me parece tão angustiante quanto com os demais. Talvez porque eu saiba que ela me entende e viveu horrores piores que os meus. Suspiro longamente antes de responder.
– Quebrado. Com raiva. Vazio. Entre muitas outras coisas.
Ela faz carinhos em meu rosto enquanto seus olhos se enchem de lágrima de novo.
– Me sinto igual, e não posso fazer nada quanto a isso... Terei que me esconder. Me sinto impotente diante disso, como se eu estivesse fugindo com medo.
– Não posso arriscar perder você também, Molls. Eu não suportaria.
Eu a beijo quando a primeira lágrima dela escorre. Nós não dormimos nessa noite, passamos ela em claro tentando fazer com que dure para sempre, mas isso não acontece e a manhã chega para nos lembrar que em breve nós iremos nos separar.
I will be watching over you
I am gonna help to see it through
I will protect you in the night
I am smiling next to you....
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