XadreZ
5 Capítulo 4
Notas iniciais
4
Estávamos na quadra dos fundos quando 5 caras chegaram. Marrentos, todos vestidos com um sobretudo preto já que fazia frio naquela época do ano. Vieram em um grupo organizado todos seguindo um homem que vinha mais à frente. O símbolo dos rebeldes aparecia destacado em branco do lado direito do peito. Diferente dos outros que nos visitaram antes, estes não traziam uma expressão de segurança mas um rosto sério. Não consegui imaginar alguma expressão naqueles rostos.
– Vocês são a Guarda deste distrito? — O que vinha na frente, um homem alto de cabelos escuros e olhos claros perguntou em um fala mansa mas séria.
– Somos. O que querem aqui? — Eu tomei a dianteira antes de Erick que estava mais atrás de mim.
– Queremos uma disputa por todo esse território. A área limpa.
– O que quer dizer?
– Nós queremos esse distrito para nossa causa, limpo. Sem nenhum morador original ou não.
– Não... — Eu me impus e Erick pôs a mão em meu ombro como que pedindo calma e passando a minha frente.
– E se não aceitarmos? — Ele falava sério.
– Vamos tomá-la a nossa maneira e acredito que não queiram assim. — Erick abaixa a respirando fundo e se volta para nós sem dizer nada mas entendemos sua calada pergunta.
– Não temos escolha e também, foi pra isso que treinamos tantos anos, não foi? Vamos encarar.
– Estamos dentro. — Andy fala e Thomás concordam com a cabeça.
– Ian? — Nós viramos para ele que permanecia em silêncio mais ao fundo.
– Podem vir.
– Muito bem. — Ele retira um papel do bolso e o entrega a Erick. — Aquei estão o dia e o horário bem como o local.
– Dia? Por que...
– Queremos lhes dar uma chance para que se preparem. Nossa disputa será daqui a dois meses. Os outros membros já estão cientes e não lhes virão incomodar.
– O QUE É ISSO? ESTÁ BRINCANDO COM A GENTE?! Nós somos da guarda, não somos nenhum jogador amador que faz isso por diversão. Estamos prontos, podem vir. — Falei.
– Tudo bem, se querem uma demonstração de forças, então que seja. Escolham um membro.
– Tudo bem. Andy, você vai. — Ele se colocou à frente.
– Nick, pode ir. — Um dos caras do lado direito mais ao fundo do grupo veio à frente do chefe ficando cara a cara com Andy. Seus cabelos eram quase um tom de ouro e seus olhos marrons acastanhados demonstravam uma calma assustadora.
Arrumamos o galpão e Ian ficou como juíz.
– Podem começar. — Eles colocaram os capacetes e suas peças foram escolhidas.
– Andy: Torre; Nick: Cavalo. — Saímos em vantagem. E o jogo começou. Ficamos ansiosos na silenciosa disputa lógica. Estádios e academias de grande porte tinham aparelhos conectados aos capacetes que permitiam ver as jogadas mas em aparelhos mais simples como os nossos, apenas podíamos ver as peças no visor do capacete e o vencedor. O resto dependia de uma boa história do jogador.
Desde que eles começaram, talvez tenham se passados dois minutos para que o impensável acontecesse. No visor de Nick, a palavra vencedor apareceu. E eles saíram do jogo. Em disputas normais, uma partida pode levar de 15 minutos a mais de uma hora é o máximo já registrado mas nunca havia ouvido ou visto alguém terminar tão rápido. Ficamos sem reação.
– Vitória de Nick. — Ian diz mantendo a postura embora estivesse tão chocado quanto nós.
Quando Andy tirou o capacete sua cara de espanto era inegável. Ele tremia um pouco.
– Agora que viram nossa diferença,espero que aproveitem bem o generoso tempo que lhes demos. — Eles se retiram quando Nick se junta aos outros. — Ah, e boa sorte.
– Andy, o que houve? — Erick se apressou a todos. Sua voz era de preocupação com o companheiro e amigo.
– Ele... — Andy se virou para nós ainda chocado. — Ele é um gênio.
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