A convivência com Logan me mostrara o quão rude ele pode ser, e o quão fofo também, mas sua mente, “local proibido” como ele mesmo disse outro dia, me mostrava coisas mais fascinantes ainda sobre ele. Tirando o fato dele ser completamente apaixonado pela ruiva azeda.

– Por que todos aqui gostam tanto da ru... Jean? – perguntei ao Anjo, em mais uma tarde no sótão.

– Por que não gostariam? – ele respondeu me analisando – Ela é legal e ajuda todo mundo, além de ser inteligente e bonita... Você sabe. – seus pensamentos lembraram dela com doçura, diferente de Logan, que lembra com... fogo.

“Ele também gosta dela? Ah, cara...”

– Não vejo nada disso. – bufei – Desde que eu cheguei aqui, ela me olha torto e vive tentando invadir minha mente. Tirando o fato de Scott ter admitido que ela não vai nem um pouco com a minha cara. – revirei os olhos.

– Ele disse isso mesmo? – ele perguntou e eu assenti – Nossa, que estranho. É que vocês não se conhecem bem e...

– Nem vamos nos conhecer, se depender de mim. – encarei a vista maravilhosa, tentando não me estressar – Scott não fala comigo porque ela não quer, e ele foi um doce comigo nas raras vezes que pudemos conversar. – o encarei – Isso é uma coisa bem legal, né?

– Não seja irredutível, Didah. – ele falou sem me olhar – Ela só tem ciúmes de você. Você é psíquica como ela. Talvez até mais forte...

– Eu sou mais forte. – o cortei – Eu sei disso, se não ela conseguiria ver meus pensamentos mesmo através de minhas barreiras. – parei por um instante – Você me chamou do que?

– E como tem tanta certeza? – ele falou me olhando pelo canto do olho, com um sorriso leve no rosto – Di-dah. – ele riu da minha expressão confusa – Achei fofo. Combina com você.

– Eu sou uma mutante ômega. – falei baixo para não se espalhar — Seria impossível eu ser menos que isso sendo filha de quem sou. – ignorei a segunda parte por vergonha.

– Então fica difícil. – ele me olhou, enfim. Fiquei confusa – Empatou.

– C-Como assim? – li sua mente, que gritava “Ela também é ômega.”. Ótimo. Ele entendeu por minha expressão que eu tinha entendido.

– Tente não arrumar confusão com ela, não quero ter que voltar pra casa do meus pais adotivos porque duas malucas explodiram o instituto. – ele falou tentando me fazer rir, mas me fez ter um calafrio. Paralisei. Senti que mais uma memória de minha mãe ia se revelar, mas foi diferente.

Todo o instituto estava nos ares. Jean olhava para mim, eu acho que era eu, e o combate interno era mais forte do que o externo. Estávamos em uma esfera na qual ninguém conseguia entrar.

Tudo vai pelos ares se você não desistir dessa birra boba, Jean!” – disse por pensamento.
Então a culpa é minha?” – ela falou de uma maneira sarcástica.

Ouvi as vozes de Anjo e Logan dizendo algo. Prestei o máximo de minha atenção e ouvi eles falarem para eu parar e não machuca-la.

Aproveitando meu descuido, ela me atacou e eu não pude me defender. Nossa esfera se quebrou e eu cai. Vi tudo a minha volta caindo junto comigo. Ela havia ganhado. Ela era mais forte que eu.

Cai na grama — que não foi nada confortável — e não conseguia me mexer. Ouvi Kurt chamando por mim e chorando, mas não entendi o porquê até ver Anjo me olhando espantado.

– Didah! – ele gritava e me sacodia – Diah, acorde! Pelo amor de Deus! — senti outro calafrio e não sabia mais o que era real.

Aos poucos a escuridão que havia me tomado deu lugar à claridade sob minhas pálpebras. Senti braços me aconchegando junto a si, trêmulos. Talvez eu estivesse sonhando, minha mente pode ter surtado. Ou...

– Diah? – Anjo sussurrou. “Sim?” respondi mentalmente – Graças aos céus! O que houve?!

Vi em sua mente que eu fiquei igual quando uma memória de minha mãe se solta: paralisada, olhos longe e embaçados, tremendo. Mas dessa vez, a diferença foi que não era uma memória. Nem minha, nem de Emma. Eu estava começando a...? Impossível.

– Eu não sei. – falei quase sem voz – Dessa vez eu não sei. – me encolhi em seus braços agora relaxados em minha volta. Ele estava preocupado e assustado, mesmo sabendo das memórias, não estava habituado a isso.

Ele me levou até a enfermaria-futurística e Charles já estava lá. Ele foi gritando mentalmente, o chamando até lá. Falou o que ele tinha presenciado, pois eu estava imersa em pensamentos.

– O que você viu dessa vez? – Charles perguntou, ao se aproximar de mim. Estava na maca, com Anjo sentado aos meus pés.

– Não foi uma memória. – coloquei as mãos na cabeça – Não sei ao certo o que foi, mas não foi uma memória. – filtrei minha visão, para que Charles não soubesse do “embate” com a ruiva.

– Você já... Teve visões do futuro? – ele perguntou segurando minha mão. Balancei a cabeça negativamente – Você pode estar começando a desenvolver ainda mais seus poderes, querida Diah.

Anjo percebeu meu olhar assustado, pensando que falaríamos disso depois. Fiquei ali por pouco tempo, indo para meu quarto em seguida. Necessitava descansar e colocar minha mente em ordem antes de tudo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.