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9 009 — Inferno Pt. 1
Notas iniciais

*
Moscou, Rússia.
Jasper nunca fora o tipo de homem que desistia de alguma coisa facilmente, e essa era uma das características de si próprio que o alemão de vinte e três anos mais se orgulhava. Ele não largava o osso quando sabia que poderia arrancá-lo das mãos de seu maior e mais terrível adversário: o tempo. Tempo para se reencontrar com a irmã, tempo para dizer à Valentina que a amava, tempo para pensar... E tudo isso antes de morrer. A morte se tornara uma vizinha muito íntima e bisbilhoteira na vida de Jasper ultimamente, mas não era algo que o importasse cem por cento. Ele só se inquietava com a possibilidade de levar todos aqueles desejos e segredos para o túmulo cedo demais, antes de que pudesse revelá-los com toda a pompa e circunstância que mereciam; afinal, Jasper também se orgulhava de ser um dramaturgo sem igual e aquelas revelações que lhe tiravam o sono seriam o clímax perfeito de uma trama muitíssimo bem orquestrada. Isto é, antes do decair (a morte) do anti herói fracassado que ele era.
Ele houvera conseguido se esgueirar para fora dos olhares atentos de Caleb e dos não tão atentos de sua pseudo-companheira amorosa, vulgo "namorada", Valentina. Há uma semana, após futricar com a mulher após correr por várias quadras das ruas de Peters até reencontrá-la, logo depois passando horas e mais horas para conseguir manter a calma diante do esclarecimento dela, de que quase fora estuprada e quase morta pelo cadáver diante do casal, Jasper Wagner passara a noite toda escondendo um corpo e lendo quadrinhos de super herói para passar o tempo. Tudo ao mesmo tempo, mas nada que, de fato, fosse surpreendente vindo dele. Supervelocidade servia para essas coisas, afinal.
Não era a primeira vez que escondia um corpo, mas era admirável que ele houvesse conseguido o fazer sem mais perguntas. Aparentemente, a falta de questionamentos, diante dos detalhes do ocorrido, vinda de Jasper era algo que agradava Valentina; e, bem, ele se tornaria o maior pecador do mundo se isso significasse a felicidade e o agrado da russa. Ele fará tudo por ela, era o que Caleb fuxicava aos ouvidos de sua ex-esposa quando esta vinha, muitas raras vezes, ao encontro deles na casa. E Jasper não ludibriava a si mesmo; ele realmente faria aquilo e não haveriam arrependimentos.
Estava em Moscou há possivelmente 120 horas, atravessando a Avenida Andronievskaya às 17:35. Precisava mudar os ares, portanto conseguiu pegar um ônibus de São Petersburgo até Moscou, pagando não muito mais do que cem rublos. Ninguém sentira falta dele, senão já teriam vindo buscá-lo. Ou talvez Caleb tenha encontrado algo em Valentina e agora eles estavam indo para uma bela lua-de-mel em Paris, mesmo que houvessem quinze anos de diferença; bah, não era como se aquele ciúme e apreensão estivessem o consumindo pouco a pouco. O pensamento apenas o incomodava, afinal, mesmo apaixonado, ele não era o tipo de homem que fantasiava com aquelas horrorosas possibilidades. Não, Jasper era muito centrado quanto a isso.
— Porcaria! — Exclamou, ao ver que um chiclete havia colado em seu sapato e estava puxando-o para trás. Tentou, em vão, puxar o sapato várias e várias vezes até desistir. Olhou para todos os lados, procurando possíveis testemunhas e, dando-se por satisfeito ao notar ninguém, utilizou toda a velocidade que podia para correr. No entanto, a força foi tamanha que ele acabou tirando o concreto do chão junto com aquele chiclete "supercolável". Soltou mais alguns palavrões, chutou o "pedaço" diversas vezes e talvez tenha arrancado alguns fios do próprio cabelo louro enquanto tinha um ataque de ira. E, quando se acalmou, sentou na calçada e começou a observar a vida alheia.
Uma garota se arrumando no prédio ao norte, um homem fumando ao leste, uma mãe e seu bebê ao oeste... Nada fora do comum, nada preocupante. Jasper suspirou e, ainda distraído, conseguiu arrancar facilmente o chiclete em sua bota. Mas aquilo não provocou um estardalhaço vindo dele; o alemão estava mais absorto com outra coisa.
Uma mulher de cabelos escuros passando pela avenida, com um andar apreensivo, parecendo estar buscando por algo. Rapidamente, ele viu as feições dela, mas Jasper não necessitava daquilo para discernir quem aquela pessoa era; ele a reconheceria em uma multidão. Os olhos azuis, a estatura exageradamente baixa, a pele pálida como papel... Valentina era como uma musa, uma deusa grega aos olhos profanados e tão complexos quanto o labirinto de um fauno do rapaz. Ele estava estático, encantado pelo vislumbre dela, sem se inquietar em ir atrás dela e perguntá-la sobre a razão pela qual estava ali.
E nem mesmo precisava.
— Onde você esteve? — Foi a primeira coisa que ela direcionou a ele, mas Jasper continuava abobado com a visão dela. Ele sempre ficava assim diante da russa, mas, naquela ocasião, era como se ele estivesse na presença de uma divindade; cinco dias para vê-la novamente e o alemão já sentia como se houvesse reencontrado um motivo para viver. Demorou alguns minutos para parar de gaguejar e encontrar as palavras corretas, constantemente desviando o olhar e iniciando uma série de tiques que eram uma verdadeira novidade para ele.
— Eu... Eu.... Eu só precisava, sei lá... De um tempo? — Levantou uma das sobrancelhas com uma expressão de "isso é o suficiente para você não me matar?". Ela revirou os olhos, cruzando os braços e olhando para os lados diversas vezes, como se estivesse realmente considerando a ideia de esganá-lo até a morte. Valentina não fazia o tipo de mulher que se zangava com tão pouco, mas ela parecia estar com raiva de verdade desta vez.
— Você sumiu por cinco dias.
— Olha, eu...
— Cinco dias, Jasper. Pensei que tivessem te matado. Saiu no jornal que eles encontraram um mutante vagando pelas ruas e o levaram para um desses malditos laboratórios, tudo porque o Worthington está passando dias aqui e as rédias ficaram mais duras. Caleb quase enlouquece por causa disso; você é uma "peça valiosa" para ele e para Ravena. — A forma que ela falava e falava apenas o faziam se sentir mais culpado, portanto o alemão começara a desviar os olhos com mais frequência. Ele sabia, é claro, daquela história; houvera um escarcéu nos noticiários, várias teorias conspiratórias e um milhão de calúnias vindas da imprensa, nada realmente diferente do comum. — Eu procurei por você por oito cidades até chegar aqui porque eu achava que você não iria para Moscou depois daquela situação. Mas pelo visto me enganei.
— Desculpe, está bem?! — Ele acabou por explodir, calando a boca de Valentina. — Eu precisava de um tempo para repôr meus pensamentos. Acorda, Alice, só você é de ferro aqui. — Jasper se levantou, deixando-a sozinha enquanto atravessava a rua na direção do hotel onde se hospedara. Estava obviamente irritado, mas a razão tinha nome e sobrenome: Lisbeth Wagner, sua irmã gêmea. Ele recebera notícias dela da pior forma possível; na televisão, a mulher passando por trás de um repórter após o roubo de um banco, olhando para a câmera com preocupação. É claro que fora ela quem furtara o lugar, Jasper reconheceria aquele "crime simples e perfeito" de olhos fechados, mas por que ela fizera aquilo? E pior: quanto tempo ela tinha até descobrirem seu envolvimento e, consequentemente, sua genética mutante? Elise vacilou e era tudo apenas uma questão de tempo.
Abriu a porta do hotel e cumprimentou a contra-gosto a mulher da recepção, sem olhá-la, e indo direto até o elevador. Esperou, cruzando as mãos sobre o corpo com um olhar tão raivoso que parecia que um demônio havia o possuído, tanto que várias pessoas o olharam assustadas e se afastavam toda vez que ele virava seu rosto na direção delas. Sabia que estavam fofocando a seu respeito, mas não se importou nem por um segundo, simplesmente porque não sentia necessidade para aquilo. Entretanto, tomou um rápido susto ao ver Valentina prostrada ao seu lado olhando para o elevador com um interesse absurdo enquanto segurava uma mala prateada. Deu um suspiro irritado e apertou o botão do elevador mais três vezes, impaciente, para se separar dela o mais rápido possível.
A viagem silenciosa pelo elevador foi no mínimo estranha e constrangedora. Valentina permanecia com um olhar que beirava a petulância e Jasper continuava com os braços cruzados e o olhar carrancudo. Oitavo andar. As portas se abriram e ele foi o primeiro a sair, ignorando o fato da russa estar o seguindo, e percorreu os corredores até chegar ao quarto 817. Ao mesmo tempo que destrancava a porta, ele pôs-se a observar, pelo canto do olho, o olhar de Valentina enquanto ela o aguardava. Franziu o cenho.
— Vai me perseguir o dia inteiro? — A russa não o responde, na verdade, ela mal parece tê-lo ouvido. Jasper solta uma risada sarcástica e forçada, nada natural vindo dele; quando ria, geralmente vinha naturalmente, mas não daquela maneira. — Você quer me ver tomando banho, então? Poderia ter me dito antes, assim nós poderíamos ir juntos!
— Vá se ferrar, Jasper Wagner. — Ela simplesmente diz, atropelando-o ao notar a porta aberta. O sorriso do alemão sumiu e ele deu outro suspiro, passando a mão pelo cabelo enquanto adentrava no quarto. Trancou a porta e foi na direção do banheiro, lavar as mãos enquanto a olhava de esguelha pelo espelho. Estava sentada ereta na cama, com um olhar superior e com a mala no colo. Desistiu e foi até ela, se sentando ao lado da mulher, sem encará-la.
— O que aconteceu para você estar tão preocupada assim?
— Caleb acha que alguém morreu. A... A sua irmã, Elise, apareceu rapidamente da televisão nesses últimos dias. Ela parecia estar preocupada, como se um plano tivesse dado errado ou como se tivesse recebido uma notícia ruim. Eu... Eu não faço a melhor ideia do que pode ser, mas, pelo o que me disseram, isso pode significar algo que afetará não só à ela, mas a nós- à mim também.
— Bem, isso explica o porquê de você estar tão estressada assim. — Ele disse, com um pequeno sorriso no rosto. Jasper nota que Val estava prestes a sorrir, antes de controlar a si mesma para não o fazê-lo. Ele se decepcionou por um segundo, antes de balançar a cabeça discretamente e coçar a barba inexistente em seu rosto.
— E explica o porquê de você estar tão irritado assim. Pensei até que estivesse de TPM. — Ela deu de ombros e o alemão deixou um riso escapar, o que fez a russa encará-lo com um daqueles olhares avaliadores. Jasper acabou por se permitir a olhá-la, extremamente consciente de que mergulharia naqueles olhos por horas sem fim, mas ele não era culpado; no final, a maior razão era a dona daqueles orbes. E, então, ela sorriu. Um daqueles típicos sorrisos da russa, que podem significar tudo ou nada, que faziam o alemão se derreter e seu estômago descer; o sorriso que dava sentido a vida dele. — O que foi? Se apaixonou por mim, Jasper Wagner?
— Completamente, Valentina Dewitt. — E, contra todas as barreiras invisíveis que os impediam, contra todas as coisas que ele acreditava e contra tudo o que ela tentava, a todo custo, ignorar, Jasper a beijou como se não houvesse mais ninguém importante naquele mundo. Delicadamente, da forma que uma pétala de rosa cai de um alto roseiro. Pela primeira vez em sua vida, o alemão sentiu como se tudo fizesse perfeito sentido, como se nada de ruim houvesse acontecido, como se existisse apenas aquele momento. Sentiu-se... Completo, aquele típico clichê de "ter achado a outra metade de sua laranja". Queria rir e dançar o dia inteiro, assistindo toda aquela infelicidade e raiva se esvair com o vento.
Durou quase um minuto antes de tudo aquilo ser substituído por dor. A vitalidade parecia estar sendo consumida para fora de seu corpo e ele sentia como se estivesse prestes a morrer naquele momento, tudo isto em meio a uma dor excruciante. O alemão não notou quando se afastara do rosto da mulher, e nem mesmo podia. A última coisa que sentiu foi o baque de seu crânio no chão depois de cair para trás, sem saber se houvera desmaiado ou morrido.
E a última coisa que ouviu foi um grito, tão longe que parecia ter vindo do além-vida, mas dolorosamente familiar. Era o grito de sua própria mãe sendo torturada.
*
Centro de Neurologia de Moscou, Rússia.
Quando abriu os olhos, Jasper se sentiu cego. Tudo estava escuro e confuso, e sua visão estava estranha, como se houvesse algo impedindo a luz de chegar a sua retina. Já ouvira os relatos de Uriah, um falecido mutante do MIT, sobre a cegueira; ao mesmo tempo que lhe era estranha, era assustadora como o inferno. Ele sabia que o britânico demorara anos para se acostumar com sua nova condição ao mesmo tempo que estudava cada vez mais sobre ela, portanto era praticamente um PhD naquilo. Piscou várias vezes, notando que a névoa escura e leitosa que impedia sua visão estava se esvaindo lentamente, na velocidade de uma tartaruga; mas, sem precisar de seus olhos, Jasper já notara que estava em um quarto de hospital, devido aos barulhos de bip, o cheiro de soro e a intravenosa em seu pulso.
— ... Ona byla zakhvachena? — Uma voz feminina cochichou, em russo, chamando a atenção do alemão. Uma enfermeira, possivelmente. O tom de voz era esganiçado, alerta e nervoso; "Ah, ela deve saber que eu sou mutante", pensou para si mesmo. As pessoas geralmente ficavam assim quando descobriam sobre sua identidade. "Ela foi capturada?", fora o que a mulher havia dito, o que intrigou o enfermo.
— Da. Ona byla dostavlena v politseyskiy uchastok. — Jasper franziu o cenho. Não tinha certeza se eles estavam se referindo à Valentina, simplesmente porque já teria recebido a notícia de que ela estaria morta; obviamente, não levariam uma mutante que quase matara alguém, perigosa do jeito que ela era, para uma delegacia como se fosse alguém normal. Não, algo estava errado. "Ela foi levada para a delegacia de polícia." A voz masculina dissera, causando um arquejo vindo da possível enfermeira.
— Pravo. Teper', pozhaluysta, ostav'te menya v pokoye s nim. — A mulher disse e o homem fez um barulho de afirmação, abrindo a porta do quarto e indo embora. A voz feminina soltou um suspiro profundo, se sentando na beirada da cama do enfermo e possivelmente o olhando; ela sabia que ele estava acordado, portanto, quando falou, estava se direcionando a ele. — Você foi encontrado com ela, não foi? — A voz não tinha um pingo de sotaque, mas aquilo não o inquietou.
— Foi. — Respondeu, após alguns segundos em completo silêncio.
— O que aconteceu?
— Quem é você? — Ele a interrompeu, levemente petulante.
— Cécile. Isso é tudo que você pode e deve saber sobre mim. Creio que o seu nome não seja Mikhail, também, certo? Não me parece ser um moscovita; não parece nem mesmo russo. — A voz dela é séria, nada parecida com a de desespero anterior. Mas, de certa forma, ela lhe é vagamente familiar. Ele não sabe o porquê de conhecê-la e não se recorda de nenhuma "Cécile", além disso, a tal mulher lhe parece ser vários anos mais velha. Na escala de trinta e cinco até quarenta e cinco anos, possivelmente ela tinha quarenta e dois ou quarenta e três.
— Meu nome é Jasper.
— ... Zsigmond Wagner, creio eu. — Ela completou, o que fez o alemão ficar ainda mais abobado. — Belo sobrenome. Húngaro e alemão, pelo visto. Isso explica o porquê de você ter características tão europeias, embora mais puxadas para o lado francês. Você tem algum parente francês, sr. Zsigmond?
— Não faço a menor ideia. Tenho amnésia desde os catorze anos. — "Minha irmã também", ele completa silenciosamente. Não conhecia a tal mulher, mesmo que ela, de alguma forma, lhe trouxesse confiança; e se fosse alguém do governo? Ele não podia meter Elise em mais encrenca do que ela já estava, visto que era fácil conectá-los um ao outro.
— E você não se lembra de absolutamente nada desde aí?
— Não, e não tenho interesse. — Mentiu, mas soube que a mulher não acreditou nisso no momento em que ela riu. Notou que sua visão estava retornando, aos poucos, quando conseguiu ver um tufo de cabelos muitíssimo escuros contrastando com uma pele branca quando direcionou seu olhar para ela.
— Intrigante. E, bem, você deve estar querendo saber onde a sua namorada está e o que aconteceu. Pois bem, começaremos desde o início. Você quase morreu e a srta. Dewitt, em desespero, acabou por gritar alto o suficiente para chamar a atenção do vizinho do quarto onde o senhor se encontrava. Ele ligou para a recepção do hotel que, por fim, em um estardalhaço, acabou por contatar a delegacia mais próxima depois que a ambulância o levou para o hospital. A srta. Dewitt foi detida e, em um rápido teste da polícia, eles a reconheceram como uma mutante classe B4-A. Um dos tipos mais perigosos, apresentando uma raríssima habilidade de consumir a vitalidade, as memórias e, consequentemente, os poderes de quem quer que a alcançasse. Ela perdeu o controle e, visto que vocês se tocaram por uma grande quantidade de tempo, o senhor teve quase que todo o seu ser esvaído. Esta é a razão de estar apresentando cegueira, cansaço, febre e um chiado no peito até agora, mas não se preocupe; o pior já passou, visto que o senhor entrou em um coma profundo tipo 5 por uma semana. Suas chances de sobrevivência eram de 15% e, caso sobrevivesse, haveria uma chance de 60% de estado vegetativo e 30% de possíveis sequelas. Mas, pelo visto, o senhor está muitíssimo bem e não apresenta nenhuma anomalia.
— Onde ela está? — O alemão a interrompeu, com uma voz carregada de desprezo e uma leve preocupação. Não se importava se houvesse quase morrido; ele precisava saber onde Valentina estava.
— Ela... Foi julgada em uma côrte formal ontem à noite. Será levada para um laboratório na Noruega amanhã de manhã. — A voz de Cécile soa superficial, triste. Jasper não demonstra nenhuma reação, sem acreditar em seus próprios ouvidos. Os laboratórios eram os locais aonde mutantes eram levados para serem torturados e, consequentemente, mortos, em nome de pesquisas. O próprio Instituto de Tecnologia de Massachusetts era um desses laboratórios, mas, diferente dos outros, eles não necessitavam assassinar as cobaias para conseguir o que queriam e precisavam. No momento que Valentina colocasse os pés num local daqueles, estaria assinando seu atestado de óbito. — Essas pessoas são monstros...
— Você não sabia? — Ele a questiona, apático, virando seu rosto na direção dela. Sua visão retorna e ele nota que a mulher se parece com Elise; o cabelo muito escuro e os olhos muito azuis, além da pele tão branca quanto a de um cadáver. Ele a reconheceu quase imediatamente, pelas mesmas características que tinha não só no corpo da irmã, mas como no dele também. O formato do rosto, o olhar, o nariz... Em outro momento, Jasper não acreditaria que estava na presença dela, viva daquele jeito, tão parecida consigo nos trejeitos e expressões, mas ainda assim tão diferente. E ele não precisava de memórias completas para distingui-la. — Todos os monstros são humanos, mãe.
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