X
1 Capítulo 1
Sentada na cama de cima do beliche eu observava as minhas mãos que estavam vermelhas sem nenhum motivo aparente. Descendo as escadas de madeira, bem devagar para não acordar Clara, a minha colega de dormitório. Chego ao chão, arrasto meus pés pelo piso gelado a procura dos meus chinelos. Encontro-os de baixo da cama de Clara e o puxo com os pés e calço. Viro a maçaneta da porta e saio do dormitório em direção ao vestiário. Olho de um lado para o outro no extenso corredor e está como eu havia imaginado assim que coloquei minhas mãos na maçaneta da porta alguns segundos atrás, vazio. Não sei por que, mas sempre acordo antes de todo mundo. Não tenho despertador ou coisa parecida, algo dentro de mim sempre diz que eu devo acordar antes de todo mundo, sempre. Pego a direita e vou andando em linha reta até o segundo corredor a esquerda que leva ao vestiário. A grande porta de madeira terrivelmente pintada de um azul caneta, escrito com letras garrafais “Feminino” bem a cima de minha cabeça estava aberta. Geralmente tenho que esperar a Zeladora, a baixinha e gorducha quarentona que toma conta das chaves de todas as portas deste lugar. Viro a maçaneta e entro no vestiário. O nosso vestiário das meninas é idêntico ao vestiário dos meninos, a única diferença é que temos alguns chuveiros a mais e obviamente o espaço é maior, tirando isso, nada é diferente. Sei disso por que Clara, minha colega de dormitório, já deu uns pegas com Dimitri, seu namorado, no vestiário masculino. Continuo me movendo até o meu armário cujo numero é o 54 e então o destranco. Pego minha toalha, o sabonete e meu shampoo e condicionador de cabelo. Dobro o corredor de armários e entro no primeiro chuveiro que vejo pela frente. Abro a água, gelada como sempre. Fico completamente arrepiada dos pés a cabeça. A única vez, que eu me lembre, que teve agua quente foi no natal do ano retrasado, quando todas as meninas de uma vez só vieram tomar banho todas juntas, com medo de que a água quente acabasse. Lavo meu corpo, meus cabelos e principalmente meu rosto. Fecho o chuveiro, me enxugo e logo depois envolvo minha toalha no meu corpo. Volto para o meu armário torcendo para que ontem eu tenha deixado algumas roupas aqui. Felizmente eu lembrei, coloco minha toalha apoiada na porta do armário e fico completamente nua. Pego minha calcinha e a visto, em seguida pego meu short jeans. Visto tudo e pego minha escova de dente junto com a pasta e o pente e vou para a área dos espelhos. Após escovar os dentes começo a pentear meus longos cabelos negros e me recordo que hoje é meu aniversário. Faz 15 anos que vivo aqui, neste orfanato. Faz tempo que já desisti de perguntar para a Assistente Social quem são meus pais, eles dizem que não podem dar essa informação, pois fizeram um juramento.
Nós, órfãos aqui do Sant Clair quando chegamos á faixa etária dos 15 anos dizemos que é nosso ultimo ano, nossa ultima chance de sermos adotados. Como sempre, as pessoas que estão a procura de crianças para adotarem são aquelas que sempre querem um bebe ou uma criança de 13 ou 14 anos de idade. A poucos casos de que crianças como eu, agora com 15 anos foram adotadas, mas as que foram nunca voltaram. Geralmente, quando estamos com 16, 17 ou 18 anos sempre voltamos pro Sant Clair. Os “Pais” que nos adotam sempre inventam uma desculpa para que possa nos devolver. Então, com 15 anos, estou mais desesperançada do que quando eu tinha 13 anos. As pessoas que vem nos adotar se não procuram por bebês, procuram por crianças que sejam bonitas. Por esse motivo acredito que ainda continuo aqui. Eu não sou uma menina completamente feia, mas também não sou uma menina linda e maravilhosa. Sou baixa, tenho os olhos grandes e esverdeados. O único defeito é que meu nariz é um pouco avantajado, me culpo sempre por isso, sempre acho que os “Pais” que me avaliam se perdem nos meus olhos, mas quando eles olham para o meu nariz, eles distem logo.
Volto para o meu armário para guardar o pente, a escova de dente e a pasta. Fecho o armário e o tranco. Saindo do vestiário encontro Clara, coçando os olhos e com os cabelos loiros bagunçados em um coque. Ela abre um grande sorriso quando me vê e me da um abraço de bom dia que só ela consegue me dar. Não sou muito de contato físico, só deixo Clara me tocar.
-Como você faz isso? Acordar sempre primeiro que todo mundo. –Disse Clara, bocejando e tentando arrumar a bagunça que é o seu cabelo.
-Eu já te contei... — Eu comecei a dizer, mas Clara me interrompeu.
-É eu sei, não importa. Eu nunca vou entender esse seu despertador interno. -Ela disse entre risos e alguns outros bocejos passando por mim e indo para o seu armário.
-Nos encontramos no refeitório mais tarde? -Gritei para que clara ouvisse, ela já estava perto dos chuveiros.
-É...sim, isso ai. A gente se vê. -Clara gritou para que eu também pudesse escutar e logo entrou pra debaixo do chuveiro.
Sai do vestiário e vi que algumas meninas já estavam saindo dos seus dormitórios, fui andando pelo corredor no caminho contrário do vestiário até chegar a um pequeno corredor que dava no refeitório. Chegando vi que a Zeladora estava ao lado da porta, deveria estar ali esperando a hora certa para abrir as portas do refeitório.
-A Diretora do Saint Clair quer falar com você mocinha. -Disse a zeladora em um tom amargo e com um sorriso sarcástico no rosto.
Lancei um olhar gélido para a Zeladora e não disse se quer uma palavra. Ela praticamente me odeia. Por causa do meu despertador interno. -Como diria Clara.- Sempre acordando primeiro que todo mundo e por esse motivo ela acha que fico rondando todo o Saint Clair e também das outras vezes que me acusou de migrar para a Ala dos Meninos.
Dei meia volta e fui andando até a sala da Diretora do Saint Clair. Peguei o corredor de volta e subi os dois lanças de escada que davam no escritório da Diretora. Dei três batidas na porta e ouvi a sua voz me mandando entrar, não sei por que, mas de repente eu fiquei nervosa. Minhas mãos começaram a soar, comecei a tremer e sentir uns estranhos calafrios pelo corpo. Assim que entrei mordi os lábios com força de mais e senti o gosto de sangue na minha língua. Tentei controlar o nervosismo repentino e coloquei uma mecha do meu cabelo que tinha caído nos meus olhos atrás da minha orelha.
-Você é que mesmo? Hum...Agne....Não, é..... -Disse a Diretora abaixando seus óculos para me observar melhor.
-Ana, sou a Ana. -Eu disse com uma voz que não era minha, uma voz fraca e rouca. Alisei meus braços e continuei falando.
-A Zeladora disse que você queria conversar comigo, bom, aqui estou. -Tentei esboçar um sorriso, mas tudo que consegui vou elevar um pouco o canto dos meus lábios.
-Sim é.....Ana, isso, Ana. Bom, Ana, aqui na sua ficha consta que hoje é seu aniversário correto? Você está....deixa eu ver....aqui, você está fazendo 15 anos? -Ela disse me lançando aquele olhar julgador por de cima dos óculos de armação grossa que ela usava.
Sim, isso mesmo. Hoje faço 15 anos. -Dei uma pigarreada no final pois minha voz resolveu falhar. Não conseguia compreender por que de estar tão nervosa daquela maneira. Alisei meu braço novamente e olhei para a Diretora que tirou os óculos do rosto e os colocou em cima de sua mesa.
-Bom, Ana, você sabe o que isso significa certo? -Ela fez uma pausa e olhou diretamente dentro dos meus olhos. E então como não disse nada ela continuou falando.
-Com essa idade, e nenhuma procura de adoção você corre seriamente o risco de permanecer no Saint Clair até a sua maior idade, para que então você possa decidir o que fará de sua vida dai por diante.
-Sim, Diretora eu já estava ciente disso e...-O telefone começou a tocar e ela fez um sinal de espera em minha direção com a mão.
Ela começou a falar no telefone, a Diretora não tinha mais que 50 anos de idade. Com seu rosto longo, de traços finos. Cabelo estilo cortado rente ao maxilar e loiro, um loiro que estava começando a ficar desbotado por causa das mechas pretas que estavam começando a surgir de sua raiz.
-É realmente...Sim claro, assim que estiver disponível... -E então ela olhou pra mim, deu um sorriso falso e azedo e continuou a falar com a pessoa que estava do outro lado da linha.
-Será que podemos discutir isso mais tarde...Sim isso mesmo...Não, você não vai se arrepender...É perfeita para o seu tipo de uso...-Ela riu, se despediu e colocou o telefone no gancho.
-Bom, querida Ana, era isso que eu tinha para conversar com você. Agora você pode voltar para o refeitório. -Ela disse enquanto se levantava de sua cadeira e andava em direção á porta de sua sala.
Levantei sem dizer nenhuma palavra, o “Querida Ana” que saiu de sua boca me soou muito estranho. Pelo o que eu saiba, ela nunca tratou nenhum de nós com afeto ou atenção. Ela esfregou meu ombro com sua mão esquerda, pude sentir suas unhas falsas roçando em por cima da minha camisa e fiquei arrepiada. Ela sorriu novamente para mim, dessa vez com mais empenho para tentar parecer um sorriso real e amigável. Fiz o mesmo e sai da sala da Diretora completamente sem entender o que tinha acontecido lá dentro.
Adentrando no refeitório logo vi Clara passando o olhar em todos os cantos para ver se me achava. Quando ela achou deu um sorriso e fez um gesto com a mão para que eu me juntasse a ela. O refeitório era imenso, tinha o piso quadriculado preto no branco, as paredes eram de uma cor pastel e com alguns detalhes em marrom. Aqui todos ficavam juntos, era o único refeitório em todo o Saint Clair, então aqui almoçávamos nós, meninas juntos com os meninos. Digamos que o refeitório fica no meio do orfanato, ele divide as duas áreas que existem. Cruzei os braços e fui ao encontro de Clara, sentei junto dela na mesa que compartilhávamos com outras meninas. Algumas eu conhecia e outras eu nem me importava de me socializar. Era Clara quem conhecia praticamente todas elas.
-Nossa, Ana, por que você demorou tanto? Onde você estava?-Clara disse segurando em meu ombro e olhando nos meus olhos.
-Ah, a Diretora me chamou na sala dela para conversamos sobre o meu aniversário. Afinal, Clara, hoje faço 15 anos e você sabe muito bem o que isso significa. -Disse acariciando a sua mão que ainda continuava no meu ombro.
Clara ficou triste de repente, como se do nada virasse uma pessoa completamente diferente do que a era a cerca de 1 segundo atrás.
-Eu sei muito bem, Ana. Você não precisa me lembrar. -Ela disse desviando o olhar e tirando a sua mão de baixo da minha.
-Clara, olha pra mim. -Disse pegando em seu rosto e fazendo ela olhar pra mim de novo. -Eu não quis dizer por mal, essa não foi a minha intenção. Me desculpa.
Peguei na mão dela novamente e consegui com que ela esboçasse um sorriso para mim.
-É, eu sei Ana, tudo bem. É que esse assunto de aniversário, de envelhecer sempre meche comigo. Sempre fico pensando que já passei da idade de ser adotada e que ficarei presa aqui no Saint Clair até a minha maior idade, mas e depois disso oque? Como vou me virar sem ninguém a quem recorrer?
-Clara, não diga uma coisa dessas! Você esta maluca ou o que? Você tem a mim sua boba. -Disse sorrindo e puxando Claire para um abraço apertado.
Nós nos abraçamos sentadas na cadeira do refeitório. Um abraço apertado que eu realmente estava precisando, depois da estranha conversa que eu tive com a Diretora nessa manhã. Clara se largou de mim e pude ver que ela abaixou a cabeça e limpou uma ligeira lagrima que começara a brotar nos seus olhos. Odeio quando Claire fica assim, sei que para ela e para as meninas que tem a mesma faixa etária de idade que Claire tem é impossível que alguém queira adota-las. Clara faria 17 anos daqui a 3 meses. Pra ela a sua chance de ser adotada era tão pouco provável quanto as minhas chances.
-Bom, como hoje é seu dia tenho uma grande surpresa pra você. E não adianta você fazer essa cara, eu sei que você não gosta nada de surpresas mas essa eu tenho certeza que você vai adorar.
Tentei sorrir, mas eu realmente odiava surpresas, não sei o por que disso, eu simplesmente detestava surpresas. Clara pegou na minha mão e saímos de mãos dadas pelo refeitório que agora já estava uma bagunça com a chegada de quase todos os meninos e meninas da Saint Clair. Andando pelos corredores dei uma parada e olhei pra ela.
-Clara, eu estou morrendo de fome. Será que não daria pra você me mostrar essa “surpresa” mais tarde? Meu estomago está pedindo socorro.
-Nada disso Ana, e afinal de contas você não vai precisar comer no refeitório hoje. -Ela sorriu de orelha a orelha e voltou a pegar na minha mão outra vez.
Continuamos a andar até chegar na porta do nosso dormitório. Ela largou da minha mão, fez eu me afastar da porta e então finalmente a abriu. Quando entrei em nosso dormitório ele estava repleto de balões com todas as cores que você possa imaginar, com cores que até eu mesma não imaginava que poderiam existir em balões. Pela pequena escrivaninha que ficava perto da porta estavam espalhados confetes de todas as cores que ficavam em contraste com o branco da madeira. E o que eu menos esperava estava lá, um bolo de aniversário de chocolate. Não era um bolo grande, mas era um bolo. Um bolo de aniversário, para o meu aniversário. A última vez em que eu ganhei um bolo de aniversário como esse foi quando fiz 10 anos. Acho que ganhei, pois ainda continuava na faixa etária para a adoção. Hoje em dia, eles nem ligam mais
-Clara, você não...-Coloquei minhas duas mãos sobre minha boca. -Você não precisava fazer isso.
-É claro que eu precisava, Ana. Eu quero que você se lembre desse dia como um dia feliz, e não como o dia da sua condenação á guilhotina.
Andei até onde ela estava. Encostada na portada fechada atrás de si e dei um grande abraço nela. Estava me controlando para não chorar. Foi então que ela se afastou de mim, olhou nos meus olhos e levou uma de suas mãos ao meu rosto. Logo depois foi aproximando o seu rosto do meu e encostou os seus lábios nos meus. Seus lábios eram macios, tão delicados. Ainda entorpecida abri os olhos e pude ver os grandes olhos azuis de Clara olhando pra mim.
-Parabéns. -Ela disse mordendo seu lábio inferior.
Não sei o que aconteceu nas horas seguintes comigo, com meu corpo. Só sei que fui pra cima de Clara e a beijei com toda a minha vontade. Senti seus lábios juntos ao meu, sua língua se enroscando na minha, sua mão acariciando meus braços e tocando a minha nuca. Eu nunca me senti tão confortável, nunca me senti tão em casa como estou me sentindo agora, nos braços de Clara. Nunca pensei que nós nos beijaríamos, nunca pensei que isso que esta acontecendo poderia acontecer, mas agora tudo o que eu menos fazia era pensar. Nós não falamos, mas nada, apenas continuamos a nos beijar. Nós nos afastamos lentamente, fui respirando para tentar recuperar meu folego. Senti minhas bochechas arderem quando olhei para Clara. Seu cabelo loiro estava bagunçado, mordi meu lábio inferior e sorri quando também percebi que ela sorriu pra mim.
-O que...O que aconteceu aqui? -Tentei começar, meio gaguejante e com a voz falha e rouca.
-Eu já estava querendo fazer isso tem um tempo, estava começando a descobrir sentimentos por você, Ana que antes eu não sabia que eles existiam dentro de mim. -Ela disse colocando uma mecha de cabelo que escapou do seu rabo de cavalo atrás da orelha.
-Eu...Eu estou bem confusa sobre isso, seria muito pedir para que não falássemos disso agora?
Ela olhou pra mim com um olhar enigmático. Não sabia se ela estava irritada comigo ou se estava aliviada. Mas ela finalmente então falou.
-Eu entendo, nem eu mesma as vezes entendo os meus sentimentos.
Os momentos seguintes foram bem frustrantes para nós duas, não sabíamos se deveríamos falar alguma coisa, se deveríamos fazer alguma coisa e então o que aconteceu foi que comemos o bolo inteiro de chocolate sem dizer nenhuma palavra uma pra outra. Clara se levantou da cama e foi em direção a porta, chegando lá ela disse que tinha que ir para o banheiro. O clima entre nós estava completamente tenso. Ela não conseguia me olhar nos olhos e nem eu nos dela. Quando ela saiu levantei da cama e fiquei andando de um lado para o outro, pensando no que tinha acontecido anteriormente. O beijo, o beijo que Clara me deu. Alisei meus lábios e fechei meus olhos, ainda podia sentir o suave toque de seus lábios delicados nos meus. Eu gostava daquilo? Eu gostava de ser beijada por Clara? Eu nunca tive um namorado, nunca me interessei por ninguém da Saint Clair. Clara é a única pessoa do orfanato inteiro em que eu confio cegamente. Volto a passar minha mão em meus lábios e a relembrar do nosso beijo e do modo egoísta como agi depois de tudo. Fui despertada pelo barulho da maçaneta da por do nosso dormitório, ela havia entrado novamente.
-Clara eu preciso ...-Ela passou por mim e deitou na cama de baixo. Fiquei olhando pra ela deitada, sua expressão era vazia, não conseguia ler o que estava acontecendo com ela.
-Ana, vamos discutir isso amanha. Estou cansada e amanha temos que acordar cedo pra ir para as aulas. -Ela disse virando para o lado da parede.
Fiquei furiosa com Clara, mas também pensei que ela pudesse estar furiosa comigo também. Olhei no relógio e já eram 9 horas da noite, faltando uma hora para que a Zeladora da ala das meninas passasse de quarto em quarto para ver se nós estávamos dormindo. Bufei enquanto colocava o meu pijama, pendurei minha roupa no cabide azul que ficava no canto do quarto e subi as escadas. Deitei minha cabeça no travesseiro e puxei o lençol pra cima da minha cabeça, de forma que eu ficasse completamente coberta. Dormir hoje não seria nada fácil, tudo o que eu pensava era no beijo que Clara me dera e sobre os meus sentimentos sobre a mesma. Estava tão confusa comigo mesma, mas enfim, quando eu menos esperava o sono chegou.
Como sempre, acordei primeiro que Clara. Fiz a minha rotina de sempre, descer as escadas delicadamente para não acorda-la, abrir a porta girando a maçaneta devagar para não fazer barulho, pegar minhas coisas no armário do vestiário, tomar meu banho frio, vestir minhas roupas, pentear os cabelos, escovar os dentes, guardar minhas coisas novamente no armário e voltar para o dormitório. Assim que estava tocando na maçaneta para abrir a porta dei de cara com Clara, com a sua cara matinal inchada e seu cabelo bagunçado. Ela me deu bom dia e tudo o que eu consegui dar em troca foi um sorriso desajeitado, e então ela seguiu para o vestiário. Entrei no quarto e sentei na cama de Clara, para esperar a hora da Zeladora entrar em nosso quarto e se certificar de que estávamos acordadas. Ouvi a maçaneta da porta girar e vi que Clara não entrava sozinha no quarto, e sim junto com a Zeladora.
-A Diretora quer falar com vocês urgente. Não e nem adianta me perguntar, pois eu não sei o motivo. Vamos rápido! -Ela disse fechando com força a porta.
Eu e Claro nos entre olhamos, mas não dissemos nada. Clara deu mais uma ajeitada no cabelo e saímos do dormitório. A Zeladora continuava esperando por nós do lado de fora e nos acompanhou todo o caminho até onde a Diretora se encontrava.
-Olá meninas. -Disse a Diretora com um sorriso sarcástico.
Nenhuma de nós disse e nem fez nada. Clara estava tensa, podia sentir isso, pois eu também estava. Alguma coisa nessa mulher quando ela nos olha ou quando lança esse sorriso venenoso sinto arrepios.
-Venham, tem alguém que esta querendo fazer adoções e sei que vocês estão desesperadas para serem adotadas.
Novamente eu e Clara nos entre olhamos e não dizemos nenhuma palavra, apenas seguimos a Diretora para onde ela queria que nós fossemos. Acabamos entrando em uma sala ampla, totalmente branca. Estava vazia, completamente sem cômodos. Dentro da ampla sala se via uma fileira, com algumas meninas do Saint Clair, umas 10 mais ou menos, lado a lado. Como num impulso peguei na mão de Clara e a apertei fortemente.
Fale com o autor