W's
26 Meu fim
Notas iniciais
A experiência dos mais velhos até que serviu de ajuda. Claro, Rufus me olhava de tempos em tempos como se eu fosse uma aberração e eu não sabia se era por eu ser uma profeta ou por ter más lembranças de seu carro.
—Tudo bem? — Cas se aproximou me tirando do transe intenso.
—Já sentiu como se fosse morrer? — perguntei fitando o chão – Odeio essa sensação.
Ele riu baixo.
—Qual o motivo desse pensamento? — senti seus olhos em mim.
—Sempre convivi com ele – ri lembrando coisas ruins. Um riso nervoso que fez um arrepio percorrer meu corpo.
—Quer saber uma coisa ruim? — Cas balançava de um lado para o outro na velha van – Ser um anjo e depois do nada ser humano – seus olhos se apertaram quando ele riu – Eu tenho toda hora que comer, dormir e ir no banheiro, é muito mais interessante assistir séries sem precisar parar para alguma coisa – seu jeito exaltado com uma mistura de revolta me fez rir – E você não sabe o pior – ele respirou fundo – Ganhei o que vocês chamam de pneuzinhos, olha isso – Cas puxou o sobretudo para o lado e apertou a pele da barriga fazendo ficar saliente.
Nós rimos alto e os pensamentos ruins foram embora. Dean me notou rindo e sorriu de volta, estava sentado ao lado de Sam e notei que ele me olhava, meus olhos foram aos dele que respirou fundo desviando.
Depois de muito pensar havia sido decidido que invadir o lugar onde o Danjo se encontrava era a única chance que tínhamos de fazer aquilo parar. A ideia inicial era de Sam, e Dean relutara um pouco, mas fora vencido quando Rufus e Bobby disseram parecer ser a única saída. Eu e Cas ficamos de fora da decisão, aparentemente não tínhamos cacique para a votação e alguns goles de cerveja na cozinha foram o suficiente para deixar o aborrecimento de sermos excluídos de lado.
A van balançava de um lado para o outro e os únicos barulhos que ouvíamos era do motor roncando alto e das conversas de Rufus, Bobby e Alanny que estavam sentados a frente falando sobre o caminho.
Rufus lutara, e muito, contra a ideia de levarmos um demônio para a viagem, e quando pedira minha opinião junto com a de Cas nós demos de ombro relembrando que não podíamos palpitar e aquilo para nós dois, foi até que gratificante. Eu também não concordava muito com a ideia, mas Dean estava convencido que sim, deveriam.
Deixei a cabeça cair sobre o ombro de Castiel, sentia cada vez mais um cansaço e um aperto no coração em relação a aquela caçada. Eu estava ciente, que aparentemente nenhuma criatura poderia me matar, mas não estava segura disso, tinha medo pelos meninos, pelos velhotes e até mesmo por Alanny, afinal, ela estava nos ajudando. Sentia a respiração de Cas em meu rosto, era leve e com intervalos grandes, era como eu ficava quando estava tensa.
—Chegamos – Bobby anunciou desligando de uma vez o motor e fazendo a van parar vagarosamente sem fazer barulho – Está a mais ou menos cento e cinquenta metros, está bom aqui? — ele se virou no banco do motorista passando os olhos por mim e parando em Sam.
—Acho que sim, corremos à qualquer imprevisto – ele sorriu forçado.
—Eu vou com Alanny – Dean levantando tendo que ficar curvado para não bater a cabeça no teto, estávamos sentados no chão por ser uma van de carga.
—A Aurie pode ir comigo – Sam me olhou – E Castiel e Rufus juntos – ele assentiu para mim.
—Sem problemas – sorri como resposta.
—Tchau querida – Bobby olhava para o volante enquanto falava – Amo você.
Eu era a última e talvez só eu tivesse escutado.
—Também amo você tio – ri fechando a porta.
Nós caminhamos o mais silenciosamente o possível em duplas com distâncias e lugares diferentes na rua. Sam estava a minha frente e eu ouvia sua respiração por conta do silêncio do lugar. Dean e Alanny entraram em um prédio mal iluminado, logo Rufus e Castiel entraram e depois foi nossa vez.
O corredor branco me fazia lembrar corredores de hospital. Minha arma estava carregada com balas de prata com ciladas para demônios e a única pessoa que tinha a arma que mataria o Danjo era Dean. A ideia conjunta tinha sido de fundir a faca que matava demônios com a que matava anjos. Cas conseguiu fogo sagrado diretamente do céu por um portal no qual Hannah o ajudara.
A loucura disso tudo era que não sabíamos se ia dar certo, mas a insistência de Sam de ir foi alta, ele dizia querer acabar com tudo aquilo e eu achava que era a única forma também.
Sam parou do nada no caminho e meu corpo bateu no dele com força. Ele atirou algumas vezes e então os barulhos começaram. Tiros, gritos e correria. Nós nos separamos e eu entrei em um corredor que não fazia ideia de onde levava.
Os barulhos de tiros ecoavam pelos andares e eu tentava ouvir se algo ou alguém estava chegando perto. Sentia medo e meu corpo gelar cada segundo mais. Não estava tão preparada quando, acho que, um anjo se aproximou. O soco que me dera no rosto me fez cair no chão enquanto minha arma escorregava pra longe ele subia em cima de mim.
—Não querida, escolha errada de lugar – ele agarrou as laterais da minha cabeça segurando em meus cabelos e eu fechei os olhos com a dor. Vi seus olhos brilharem e seu corpo caiu em cima de mim fazendo eu bater a cabeça com força no chão e ficar um pouco tonta
—Esqueceram de te dar isso – era Alanny com uma espada dos anjos – Está bem?
—Estou – joguei o corpo para o lado e saí do chão – Para onde estão indo?
—Último andar – ela me ajudava a levantar.
Nós começamos a subir as escadas devagar. Ela ia na frente e eu cuidava da retaguarda. Pareceu eterno e no meio do caminho haviam anjos e demônios apagados no chão indicando que alguém já passara por ali. Eu quase atirara em Dean quando ele apareceu em minha frente em um dos andares, a sorte dele e claro, minha, foi que o tiro ricocheteara em um extintor que vazou nos fazendo ficar brancos.
Ouvi Dean me xingar e sua irritação fez com que agarrasse meu braço forte demais me fazendo andar mais rápido, protestei tentando me soltar e ele se desculpou.
No fim da escada tinha um salão enorme, e bem no fundo havia alguém sentado em uma poltrona confortável. Fomos surpreendidos quando pessoas pularam do teto em cima de nós. Antes disso tinha notado que Cas, Sam e Rufus já estavam lá parados a pouca distância. Alanny foi empurrada escada abaixo e antes que eu pudesse ir socorrê-la, Dean me puxou fazendo meu corpo desviar de um golpe de um anjo. Eu caí no chão e escorreguei por ele por uma distância grande. O momento pareceu passar devagar, eu vi Rufus cortando a cabeça de um demônio enquanto Dean esfaqueava outro e Alanny surgia na escada. Olhei para cima e vi Sam na minha frente abri a boca para pedir que me ajudasse, mas a única coisa que recebi foi a espada do anjo que ele usava entrando em minha barriga.
—Não! – foi o que consegui dizer. Sua mão estava firme na espada e o sangue subia em minha boca fazendo eu me afogar.
Ouvi um grito ao fundo, e com ele um clarão me fez fechar os olhos. Senti a pressão na barriga diminuir enquanto Dean gritava ao meu lado e meus pensamentos ficavam confusos.
A mamãe cantava pra mim enquanto pessoas gritavam ao fundo coisas que eu não conseguia entender.
Fale com o autor