W's
23 Lúcifer
Notas iniciais
Dean’s POVs
Revirei os olhos vendo Aurora subir as escadas parecendo uma adolescente mimada que brigava com os pais e saía batendo os pés. Era óbvio que aquilo era o melhor a ser feito ou nós íamos ter que virar babá de um bombadão estudante de filosofia, ou pior, matá-lo.
Me virei para Sam que acompanhou a garota com os olhos até que sumisse no corredor e depois me olhou soltando um ‘’Ela está brava’’. Fingi não me importar com aquilo e sentei fazendo uma careta para o computador rosa que estava em cima da mesa
—E o que Crowley disse? — Sam sentou do outro lado da mesa a minha frente.
—Que o tal ser quer tomar o céu e o inferno e destruir boa parte da humanidade – fechei umas guias no navegador que ninguém precisava ver.
—E você está calmo assim? — ele me olhou incrédulo.
—Você e a Aurora devem ter pesquisado algo – o olhei – Ou só sei lá – ergui os ombros – Fizeram algo.
—Muito engraçado Dean – ele sorriu forçado – Pesquisamos sim, está aqui – ele jogou para mim um bloco de anotações – Ela mexe até na DeepWeb.
—Ela? — estranhei – Eu hein a garota é cheia de surpresinhas.
—Surpresinhas? — ele olhava a tela do computador.
—Crowley disse que é um demônio que se alimenta da graça dos anjos – ao falar anjo eu lembrei de Castiel e de não vê-lo desde que voltara da garagem.
—Acha que a graça de Castiel pode estar lá? — ele perguntou enquanto eu lia as anotações.
—Não sei – fiz negativo com a cabeça – Como será que a gente mata isso?
—Não faço a mínima ideia – Sam estalou os dedos – Acho que ela ficou triste – ele emendou depois de um pigarro.
—Acha? — ironizei – Tenho certeza.
—Você podia ir falar com ela – senti um tom irônico em sua voz, mas preferi ignorá-lo – Vocês vivem conversando sobre essas coisas.
—Ciúmes é? — o olhei.
—Não, realidade – Sam forçou novamente um sorriso.
—Castiel – chamei alto e olhei em volta para ver de onde ele aparecia.
—Estou aqui – ele saiu da cozinha com um avental e uma colher de pau na mão, junto com ele cheiro de comida.
—O que você está fazendo? — eu e Sam falamos em coro.
—O jantar hoje é por minha conta – ele sorria – Está quase pronto – Cas se virou e voltou para a cozinha.
—Onde ele arrumou aquele avental? — perguntei olhando Sam.
—Na segunda gaveta do armário – ele respondeu sem me olhar – E a comida?
—Passamos no mercado antes de voltar pra casa – mordi o canto interno da boca – Acho melhor ir mesmo falar com a Aurora – levantei empurrando com o pé a cadeira para trás.
—É – foi a única coisa que Sam respondeu.
Aurora’s POV
Ele arrancou a camisa sem abrir todos os botões e eu sentei tirando a camiseta que usava. Na hora que estava me despindo pensei que meu corpo não deveria ser nada perto das mulheres que ele costumava dormir, mas apesar de estar envergonhada já era tarde demais para desistir então eu fiquei só de sutiã. Dean sorriu para mim e me puxou pelo ombro me dando mais um beijo. Seu corpo queimava e o toque delicado que eu não esperava fazia meus pelos eriçarem.
Me pegando pela cintura ele me colocou mais uma vez no seu colo e me apertou junto ao seu corpo descendo uma mão pelo meu bumbum enquanto a outra invadia meu sutiã apalpando meu seio esquerdo me fazendo querer aquilo ainda mais.
—Aurora? — Castiel chamou na porta do quarto.
Dean tirou a boca da minha e me olhou com um meio sorriso sussurrando para que eu respondesse.
—Oi Cas – minha voz saiu trêmula.
—Eu acabei de terminar o jantar, você não quer vir comer conosco? — enquanto ele falava Dean corria os lábios em meu pescoço.
—Vou – respondi sem muita certeza – Estou de pijama, vou só colocar uma roupa – menti e torci para ser convincente.
—Dean está aí? Fui ao quarto dele e não o encontrei.
—Ele disse que ia tomar banho – quase que um gemido acompanhou a frase.
—Tudo bem, estou esperando você – Cas falou igual minha mãe e eu acabei rindo daquilo.
—Para – reclamei rindo enquanto Dean tentava abrir o sutiã – A gente tem que descer.
—Você tem que descer eu estou tomando banho – ele continuava, o problema é que a peça abria na frente.
—Dean – segurei em seus ombros e o puxei para minha frente – Para – sorri enquanto ele achava o fecho.
Ele ameaçou abrir, mas depois me soltou fazendo com que eu escorregasse por suas coxas e sentasse na cama. Ele pegou a camisa do chão e jogou para mim a minha e eu a coloquei e ajeitei meu cabelo. Antes que eu abrisse a porta do quarto ele me puxou pelo cós da calça fazendo meu bumbum bater em sua parte íntima e gemeu, mas parecia mais dor pelo fato de ter puxado tão forte.
—Ei – o chamei antes de chegarmos onde podíamos ser vistos – Não esqueça do que fez hoje como seu irmão fez.
—Não toque nesse assunto – ele me olhou – É desestimulante.
—Não me importo – dei de ombros – Mas eu não sou um brinquedo seu.
—Vou te olhar todos os dias – ele parou de andar e segurou meu braço – Acha que vou te tratar como um brinquedo?
—Você é Dean Winchester, sua reputação não é boa – sorri enquanto ele fingia um espanto.
—Sou um amor – ele voltou a caminhar.
Nós descemos as escadas quietos. A mesa do mapa estava coberta com uma toalha de mesa de natal, algumas renas e papais noéis voavam felizes pelo céu da toalha, em cima dela alguns pirex continham comida, e meu estômago roncou quando o cheiro atingiu minhas narinas me deixando quase tonta com tantos sabores.
—Foi Castiel? — perguntei para Sam sentando em uma cadeira em frente a ele.
—Foi – ele olhava o prato vazio.
—Tudo bem? — perguntei enquanto Dean ia para a garagem.
—Estou – ele forçou um sorriso – Tudo bem – aquilo era mentira.
—Vamos comer – Castiel saiu da cozinha com uma travessa com folhas de alface e tomates.
—Você sabe cozinhar? — perguntei com um pouco de medo daquela experiência.
—É minha primeira vez – ele sorriu – Mas já vi muitos programas culinários e comprei tudo o que precisava.
—Tá bom – olhei para Sam que também parecia amedrontado.
—Dean não veio? — ele olhou a mesa um tanto decepcionado.
—Estou aqui – Dean respondeu voltando para a sala.
Nosso jantar foi regado a boas risadas e palpites dos meninos na comida de Castiel, que recebeu as críticas deles e os meus elogios tranquilamente dizendo que podia melhorar na próxima. Ele nos deu mais algumas informações sobre o céu estar em alerta, mas disse que agora não sabia como se comunicar, com seus irmãos, como ele mesmo dizia, mas que achava que havia algum telefone de Hannah na agenda do celular. Eu acabei por contar aos meninos sobre achar que Bobby estava com alguma garota em casa, e falar garota tornava o contexto um tanto quanto pedófilo então nós mudamos o termo para mulher. Dean e Sam especularam sobre ser Jody Mills, a xerife de Sioux Falls, mas eu protestei dizendo que não era ela e no final depois de um silêncio longo de Castiel ele falou que havia visto roupas femininas no sofá de Bobby, mas que não conseguia definir se era de Jody.
Dean sentou ao lado de Sam para jantar e eu não sabia se era impressão minha, mas eu sentia os olhares demorados que ele me dava e desviava de todos com medo que alguém percebesse.
—Acho que você e a Aurora deviam ter uma conversa muito séria – Sam soltou depois de um suspiro encostando a cabeça no encosto da cadeira.
—Porque? — nós dois perguntamos, senti minha mão começar a suar, como assim, ele sabia de algo?
—Ela diz ser o batman – ele riu e me olhou.
—Se você não contasse, ele podia ficar achando que era – respondi aliviada – Traidor.
—É o meu irmão – Dean protestou – Ele não pode me trair – ele apontou para o peito se indicando – Comece a se explicar – ele cruzou os braços com um sorriso malicioso nos lábios.
—Eu disse a Sam que você está mais para o Thor – usei um tom de desdém.
—Thor? — sua voz deu de afinar.
—Explosivo e irracional – sorri lembrando de nós dois no quarto.
—Eu sou o que? — Sam se ajeitou na cadeira me olhando, Castiel tomava seu suco acompanhando a conversa com os olhos.
—Hm – gemi pensativa – Eu não sei, o Dr. Banner talvez? — o olhei.
—Eu sou o Hulk? — ele soltou o ar pelas narinas com incredulidade.
—Não o Hulk, o Banner – heróis era uma coisa que eu gostava muito, e tinha o costume de comparar as pessoas a eles – Por você ser tão inteligente, mas dá para entrar o Capitão América e o Stark na sua lista – percebi que havia ido longe demais com o pensamento – Sam você tem muitas características – sorri, aquilo era mais que a verdade – Você é o Sam.
—Gosto de ser o Sam – ele riu, não havia parado para notar, mas seus olhos estavam fundos e ele parecia exausto.
—Bom, eu já fiz o jantar – Castiel se levantou – Alguém lava a louça.
—Eu lavo – levantei da cadeira – Acho que você precisa dormir – mantive os olhos em Sam – Você está péssimo.
Dean olhou o irmão e também pareceu perceber. Um ar de preocupado tomou seu rosto e eu anotei mentalmente que devia perguntar para ele o que estava acontecendo.
—Quer ajuda? — ouvi a voz de Sam atrás de mim. Terminava de lavar a louça e a empilhava no escorredor.
—Você não dorme nunca? — perguntei ouvindo os passos de Dean e Castiel indo da sala de cima para a de baixo.
—Durmo as vezes – ele sorriu pegando um pano de prato.
—Quero saber o que você tem – segurei sua mão quando ele ia pegar um prato para enxugar.
—Não tenho nada – até sua voz estava diferente.
—Não minta pra mim – tirei o pano devagar de sua mão com um sorriso – Sou ótima com conversas, fiz seu irmão chorar – ele riu.
—É sério, não é nada.
—Não vou falar com você até me contar – fechei a cara e desviei os olhos de seu olhar contando que daria certo.
—Você não consegue – ele segurou meu braço me fazendo olhar para ele.
—Não duvide.
—Não – ele me puxou para um abraço e eu não resisti em nenhum momento.
Joguei meus braços em volta de seus ombros pensando que ele era alto demais. Fiquei nas pontinhas dos pés para que Sam não precisasse se curvar tanto e o apertei fazendo-o rir e retribuir o aperto.
Era bom aquele abraço. Era sincero. E nós ficamos daquele jeito por um bom tempo. Sam estava estranho desde a hora que Kellan chegara e parecia cada vez pior. Seu rosto estava abatido como se fizessem dois dias que não dormia e obviamente aquele podia ser o motivo, mas eu sabia que não era só isso, conseguia sentir. Sentia seu coração alternar de extremamente rápido para extremamente calmo enquanto estávamos abraçados. Eu estava de olhos fechados e deixei que se abrissem depois de alguns segundos e quando fiz isso vi um homem encostado na parede atrás de mim, ele comia uma maçã tranquilamente e nos olhava com um sorriso amarelo.
—Oi querida – ele terminou de mastigar um pedaço da maçã – Não me conhece não é?
Fiquei paralisada olhando ele, eu não sabia se aquilo era só uma visão ou era real, mas se Sam não havia se mexido, não parecia nenhum deles.
—Pode me responder, ele não vai ouvir – ele respirou fundo – Você é a última profeta não é? Prazer, Lúcifer.
—Não – meu corpo estremeceu. Lúcifer? O Diabo?
—Tudo bem – ele desdenhou – Ninguém se acostuma com minha presença assim de uma hora para outra – ele voltou a morder a maçã – Quer saber porque Sam está assim?
Eu não sabia o que responder, o encarava nervosa e sentias as mãos ficarem trêmulas.
—Você é quieta – ele riu – Vamos fale comigo! Só não solte o abraço por enquanto – seu sorriso dava arrepios – Eu estou nessa cabecinha – em um piscar de olhos ele estava em minha frente e bateu com o indicador na cabeça de Sam – Não agora, quando você está aqui – ele bateu nas costas de Sam levemente – Do outro lado, no peito, eu não consigo ficar quando isso acontece.
—Eu não estou entendendo você – finalmente consegui falar.
—O Sammyzinho, ele gosta de você sabe? É um amorzinho sincero – ele tocou minha bochecha, queria tirar sua mão, mas tive medo de perder o contato – Mas você acabou de quase ficar nua com Dean não é? Que confusão, beija um, ama outro, fica nua para um terceiro – ele baixou os cantos dos lábios levantando as sobrancelhas – É eu sei, eles são bonitos e todos eles têm algo que você gosta, mas você pareceu decidir por Dean? Não é? Bom, eu tenho uma coisa pra falar, se ficar com Dean o Sammyzinho vai definhar e ficar maluco, porque bom, eu posso ser meio irritante sabe? — eu já havia percebido isso – Depois que você entrou na vida dele, ele melhorou significativamente seu quadro de loucura, como avaliam os médicos e posso dizer que seu irmão e Bobby Singer também – aquilo estava me dando um medo descomunal – Mas a parti do momento que ele se sentiu ameaçado com o grandão lá, ele deixou que eu entrasse de novo em sua mente.
—Você não quer estar aí? — perguntei – Porque está me contando isso?
—Porque eu adoro ver esses dois brigando, adoro causar discórdia – ele sorriu como um psicopata – E vou adorar te deixar confusa.
Abri e fechei os olhos novamente e Lúcifer havia sumido. Não havia notado, mas algumas lágrimas estavam presas em meus olhos e rolaram pela minha bochecha seguidas de mais algumas que eu tentei esconder.
—Vai lá descansar – soltei o abraço tentando disfarçar o choro – Não me faça ter que pegar você pela mão ou chamar Dean – nós rimos e ele me deu um beijo na fonte.
—Boa noite – ele saiu da cozinha me fazendo derrubar mais lágrimas.
Tirei o avental sujo que Castiel havia usado para cozinhar e decidi deixar o resto para amanhã. Enxuguei o rosto com as costas das mãos e pelo ritmo deles no outro cômodo a noite seria longa e eu não queria atrapalhar, no fim acabava não sabendo o que era mais importante, começar a salvar Sam ou salvar a vida de milhares de pessoas.
Lúcifer tinha mais que razão. Eu estava totalmente confusa e me sentia uma vadia por aquilo. Eu não era aquilo e parecia estar vulnerável a qualquer pessoa. Dean tinha seu jeito cômico e atitude, enquanto Sam era fofo e tranquilo. Não que eu pensasse na possibilidade de ficar com os dois, é só que, os dois me agradavam e eu tinha medo de magoá-los.
—Tá pronta? — Dean apontou para os livros empilhados em cima da mesa.
—Tomara que não seja o último livro que encontraremos as respostas – sorri puxando uma cadeira para sentar.
—Que cara é essa? — ele me olhava.
—Nada – peguei um de capa vermelha com ‘’Anjos’’ pintado a mão.
A primeira página do livro pareceu bem interessante, o problema é que eu não podia perder tempo lendo ele, tinha que procurar algo relacionado ao que estávamos tratando e então me concentrei nisso tentando ignorar o que havia acontecido, tinha que falar com Dean, mas esperaria o momento certo. Castiel folheava pacientemente um livro ao meu lado enquanto Dean virava uma página atrás da outra e enquanto eu abria o segundo ele já estava no terceiro, quando eu o questionei sobre sua rapidez ele respondeu sem tirar os olhos das páginas a frase ‘’Já li várias vezes esses livros, mas nunca procurando isso, pra mim fica mais fácil’’.
—É um Nefilim? — perguntei depois de algumas xícaras de café.
—Não – Dean respondeu.
—O corpo ainda está vivo? — lembrei que alguns demônios, mantinham os donos das cascas como prisioneiros.
—Como vou saber? — ele me olhou.
—Cas? — o olhei.
—Eu não sei Aurora – suas sobrancelhas se juntaram e ele levantou os ombros em uma expressão de quem estava confuso.
—Porque se estiver, temos que fazer um exorcismo não temos? — desdobrei uma orelha que Dean fez no livro dele e busquei um pedaço de papel para que ele marcasse a página.
—Se não quisermos matar o humano sim – Castiel pareceu ponderar a ideia.
—Então, se encontrássemos ele, teríamos que exorcizar primeiro e depois o que sobraria seria um anjo? — Dean pegara uma caneta e começava a notar o que eu dizia.
—Provavelmente um anjo muito poderoso, se tem tantas graças em um corpo só – os olhos de Castiel estavam vidrados no nada.
—Se cortarmos a garganta dele podemos pegar as graças de volta – Dean sugeriu.
—Mas não queremos matar ele – relembrei.
—Bom se não tiver nenhum jeito – Castiel quase sussurrou.
—Ou você pode restaurar sua graça e curá-lo antes que morra – Dean olhou para ele.
—É uma possibilidade, mas acha mesmo que ela pode estar lá? — havia um tom de esperança na frase de Castiel.
—E tem outro propósito de sua graça ser roubada se não pra alimentar ele? — perguntei tentando deixar as coisas mais claras possíveis na minha cabeça. Mas era quase que impossível com as frases de Lúcifer ecoando em minha cabeça.
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