CAPÍTULO II

SALLY JACKSON


Sally Jackson tinha um sonho: ser escritora. Ela iria publicar um livro de romance; tinha rascunhos escritos há muitos anos. Mas muita coisa mudou em sua vida.

Quando estava trabalhando em uma padaria, tentando juntar dinheiro para um dia fazer uma faculdade, Sally conheceu um homem mais velho, mas tão doce. Ele a fazia sorrir, comprava-lhe tantas coisas, a mimava de tantas maneiras. Sally sabia que ele era diferente, talvez um dos bruxos — como seu falecido tio fora —, mas algo nele emanava poder. Não demorou para o homem se revelar como Poseidon, o deus dos mares.

Sally estava apaixonada por ele e sabia que aquilo não daria certo, porém, naqueles pequenos momentos em que ficavam juntos, tudo parecia fazer sentido. Mas então, Sally engravidou.

Ela não queria um filho tão cedo, muito obrigada. Tinha apenas 23 anos, era jovem, sequer era formada, vivia de aluguel, trabalhava como uma condenada. Não tinha nada nem ninguém.

E Poseidon? Ele não podia ficar. Queria levá-la para seu palácio, mas Anfitrite a mataria na primeira oportunidade — ela sabia, embora Poseidon discordasse.

Ele a ajudou, mesmo que Zeus pudesse enlouquecer e começar uma guerra. Deu dinheiro suficiente para as despesas que teria com a criança — uma espécie de pensão, ela diria — e para as suas próprias. Quis dar mais, mas ela não deixou; ainda assim, Poseidon também mandava presentes, e havia sempre um Ciclope cuidando dela.

Não era o ideal, mas funcionava. Ela continuou trabalhando na padaria, mas a gravidez tornava cada vez mais difícil seguir. O dinheiro que Poseidon lhe deu foi capaz de adiantar o pagamento do aluguel e de mantê-la bem financeiramente. Sally não gastava com coisas que considerava desnecessárias; estava acostumada a juntar moeda por moeda, então não foi difícil guardar aquele dinheiro e somar ao que recebia na padaria.

Infelizmente, os dias com Poseidon se tornaram cada vez mais impossíveis e então, finalmente, chegou o dia do adeus. Poseidon não podia ficar, ela sabia disso, mas ainda doeu. Ela diria àquele pedacinho de gente que crescia dentro de si que o pai estava perdido no mar — não morto, mas perdido no mar.

O menino nasceu durante uma tempestade. Levou longas horas até finalmente vir ao mundo. Já tinha alguns fios de cabelo na cabeça e apertava o dedo da mãe com tanta força, como se tivesse medo que ela fosse fugir.

Ela tinha pensado em muitos nomes: Jim, para homenagear seu pai; Rick, para homenagear seu tio; Jacob, porque achou o nome bonito; Noah, porque leu em um livro. Mas, ao segurar o menino, apenas um nome veio à sua mente: Perseus.

Sally não pretendia dar-lhe um nome grego, muito menos o de um filho de Zeus, mas Perseus fora um dos poucos heróis gregos que tiveram um final feliz. O nome rondava sua cabeça constantemente desde que descobrira que ganharia um menino. Sally sabia que não tinha escolha quando viu seu pequeno.

Perseus Jim Jackson. Percy Jackson.

Ele seria grande, ela sabia, ela sentia. Sally só rezava para poder estar ali para ver todos os seus feitos.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.