Wrestling & Romance

16 Capítulo 16: Últimos momentos (em terras tupiniquins)


Não sei porque, mas enquanto eu e Nicole descíamos do táxi em frente a casa dela, tudo em que eu pensava não era na nossa viagem pro Canadá, o que havíamos combinado pra mais tarde ou a luta que Lara teria essa semana, mas sim... Na marcha imperial. Pois é, eu pensava naquele icônico tema de Star Wars, porque iríamos ter uma conversa com o pai dela a respeito do que havíamos feito. E não tinha certeza de que sairia vivo pra contar a história.

A casa de Nicole era grande, tanto que cada empregada podia dormir lá se assim desejasse (ou voltar pra casa) e ainda haviam pelo menos três quartos vagos (um deles aliás, era o que eu ocupava nas vezes em que dormia lá), o que prova que a família dela havia sido muito bem sucedida e havia sobrado muito dinheiro na hora de construir a casa, daí exageraram nos quartos extras.

Enfim, após tocar a campainha, somos atendidos por Maria, uma das empregadas da família Almeida. Beirando os quarenta e cinco anos de idade, era uma mulher negra que estava com a família desde que Nicole nascera, e não aparentava a idade, pois era bastante jovial e bonita.

—Nicole! Seja bem vinda de volta! — Maria puxa Nicole pra um abraço apertado. — Diego! — Ela me cumprimenta com um sorriso. — Como foram de viagem?

—Teve seus altos e baixos, mas no geral foi uma semana muito boa. — Nicole responde, enquanto adentramos a casa dela.

—Percebi, você parece mais... Não sei, viva! — Maria comenta, enquanto nos conduz, antes de voltar a seus afazeres.

Mal havíamos passado pela sala de estar e nos dirigíamos as escadas pro segundo andar, quando sou atingido por um abraço súbito.

—DIEGO! — A voz era familiar.

Uma garota um pouco maior que Brenda e Beatriz, mas ainda menor que eu e Nicole, havia me abraçado, ela tinha curtos cabelos tingidos do mesmo tom que o meu e os olhos tinham o mesmo tom entre o azul e o violeta da Nicole. Era Alice, a caçula da família, com seus catorze anos (ela faria quinze no ano seguinte), que havia me abraçado.

—Alice... — Acaricio os cabelos dela. — Um pouco mais de força e você me derruba, hein menina... — Solto uma risada brincalhona.

—E você não devia cumprimentar sua irmã primeiro? — Nicole pergunta em um tom fingido.

—Você eu vejo todo santo dia! — Alice mostra a língua pra irmã e as duas riem, antes de Alice de fato abraçar a irmã mais velha. — Como foi a viagem?

—Foi melhor do que esperávamos... — Nicole sorri, e tenho certeza de que ela está se referindo a nós dois. — O papai está em casa?

—Sim... — Ouvimos uma outra voz e uma menina de cabelos longos e negros vem descendo as escadas. — Ele tirou o dia de folga porque vocês voltariam hoje. E aí Diego?

—Karen, porque você tá tão formal assim? — Digo, dando um abraço nela assim que ela chega no pé das escadas.

—Queria fazer uma surpresa... — O tom de Karen, a outra irmã mais nova de Nicole se tornou animado. — Como foi a viagem?

—Vimos muito mar, muita areia e pouca gente. — Respondo, em tom brincalhão. — Resumindo, perfeito pra uma garota tímida feito a sua irmã.

—Bobo! — Nicole me dá um tapa, rindo. — Foi ótima, acho que foi a melhor viagem que fiz até hoje. Adoraria inclusive reviver alguns momentos dela.

Karen era uma garota de olhos verde esmeralda, três anos mais nova que Nicole, e que faria o ensino médio no ano seguinte. Ela tinha uma personalidade bem expansiva, aberta e animada, totalmente o oposto da Nicole. Se eu nunca tivesse conhecido a Nicole, eu provavelmente poderia até vir a ter algum interesse romântico nela.

—Mas enfim, por quê você quer saber se o papai estava em casa, Nic? — Karen pergunta.

—Porque preciso conversar algumas coisas com ele. — Nicole responde num tom sério, que surpreende até mesmo a Karen.

—Tudo bem... Céus, nunca te vi tão séria assim... — Karen se surpreende. — Alice, vamos deixar eles em paz porque o papo vai ser sério.

—Certo... — Alice assente, e as duas vão pra algum lugar da casa fazer alguma coisa... Ou nada, afinal, elas estão de férias também.

Subimos ao segundo andar, e vamos até a porta do escritório do pai de Nicole, Ricardo Almeida. Ele havia começado um negócio simples, muitos anos atrás e graças a esforço e talvez um pouco de sorte, acabou sendo bem sucedido, muito bem sucedido, com a empresa tendo penetração em alguns países da América do Sul e mesmo nos Estados Unidos. Provavelmente daí que veio o convite para a mudança.

—Diego... — Nicole me dá um selinho. — Primeiro eu quero explicar sozinha a ele a minha decisão de me tornar uma wrestler, e depois sobre estarmos juntos. Daí, nós dois contaremos as outras coisas, entendeu?

—Tudo bem... Pelo visto, o que fizemos ontem não diminuiu em nada sua vontade, né? — Pergunto, com uma risadinha.

—Claro que não... — Ela responde, com a voz inesperadamente sexy... Quando foi que passei a me referir a Nicole como sexy, aliás? Diabos, ela estava afetando minha cabeça. Não que isso seja algo ruim.

Ela bate na porta do escritório do pai, e escutamos a voz dele dizendo: "Entre!" e Nicole abre a porta, entrando logo em seguida.

Os minutos que se seguem, parecem durar horas, felizmente não ouço nada que se pareça com um grito, pelo visto a conversa vai bem. Algum tempo depois, a porta abre e Nicole vem até mim.

—Agora vem a parte difícil, Diego... — Ela me puxa pra dentro, seu tom é bem menos descontraído que antes.

Entro no escritório do Senhor Roberto Almeida, que era (o escritório) um local bem descontraído, digo, ele não parece um escritório, e de fato pelo que Nicole me dissera ele só usa quando quer relaxar um pouco do clima que é o real escritório da empresa no Centro do Rio.

Roberto era um cara que se você olhasse, diria que ele tem 32, no máximo 35 anos, mas na verdade já estava com seus 49 anos. Com seus cabelos loiros em um rabo de cavalo, óculos e cavanhaque, poderia ser um professor... Ou pai de um certo alquimista de um mangá. E foi certamente dele que Nicole herdara os olhos entre o azul e o violeta.

—Como vai, Diego? — Roberto me cumprimenta, jovialmente.

—Bem... Ainda. — Respondo, meio acanhado. Não que o pai de Nicole me intimidasse, mas certamente ele iria querer me matar depois de contarmos o que eu e Nicole fizemos.

—A Nicole me contou dos planos de vocês. — Ele continua. — Não vou negar que fiquei surpreso quando ela contou que decidiu ser uma wrestler e se mudar juntamente de você e da Lara pro Canadá. Sim, surpreso, mas bastante feliz, porque estou vendo que minha filha finalmente quer algo pra vida, e vou ajudar a ela e a Lara, caso precisem de algo pra se manter lá, até se estabelecerem na carreira que decidiram. — Roberto respira fundo. — E ela também me contou que vocês estão namorando, o que vou confessar aqui, já não era sem tempo. Vocês dois já são unha e carne há um bom tempo, estranharia se não acabassem juntos.

—Até você, pai? — Nicole interrompe o pai, chocada.

—É o que acontece quando se conhece bem a filha... — Ele dá uma risada. — Mas, pelo que você disse, minha filha, a viagem não foi somente romance e felicidade... Estou certo?

—Sim... — O tom de Nicole é tenso.

E Nicole conta, sem poupar detalhes, o caso em que ela foi sequestrada por Marcos e seus capangas, enquanto explico como foi que eu ajudei a resgatá-la, com a ajuda do Nicholas e dos nossos amigos. Em alguns momentos Roberto pensou em falar, mas Nicole levantou a mão, pois seria difícil retomar o fio da meada se fôssemos interrompidos.

—Não sei como esse tipo de coisa não saiu nos jornais, ou na internet... — Roberto comenta, pensativo, após terminarmos a nossa narrativa. — Mesmo Rio Azul sendo uma cidade pequena.

—O que passou, passou, pai... — Nicole diz, ainda abalada por relembrar o acontecido.

—Verdade... Mas, você disse que não era só isso que tinham pra me contar não é? — Ele ergue as sobrancelhas, inquisitivo.

Eu e Nicole trocamos um olhar, antes de explicar ao pai dela, que tivemos a nossa primeira relação sexual, e que por conta da ocasião, acabou sendo sem preservativo e eu acabei ejaculando dentro. Após as explicações, ele parece pensativo, considerando talvez se me empalaria ou me jogaria pela janela. Talvez até comprar o silêncio de testemunhas e...

—Sabem... Esperava mais de vocês. — A voz dele tem um toque de decepção, não muito forte. — Você é bastante responsável, Diego e creio que eduquei bem a Nicole acerca do que podia em relação a isso. Não me interessa o fato de vocês terem ido pra cama pela primeira vez, mas me preocupa o fato de vocês terem feito sem proteção.

"Bem, Nicole, mesmo com a pílula do dia seguinte, ainda precisará fazer alguns exames, por causa de outras coisas como DST's e o risco ainda existente de gravidez. Sei que vocês são responsáveis, então não vou me repetir. Mas, pro bem de vocês, espero que isso não se repita, pois não desejaria ver o futuro de vocês mudado por causa de algo não planejado. Acho que estamos entendidos, não?"

O tom dele termina conclusivo e até um tanto professoral.

—Eu... Eu não morri. — É a primeira coisa que digo, após Roberto nos passar o sermão.

—Morreu? — Roberto coçava a cabeça.

—É que sei lá, eu esperava que você me jogasse pela janela, me esfaqueasse ou me matasse de algum modo geral. — Respondo, aliviado.

E Roberto começa a rir feito um doido, talvez por causa do absurdo que eu tinha falado... Ou porque eu tinha dado a ele alguma ideia, então acho melhor começar a recuar pra porta, porque vai que...

—Diego, você dorme aqui vez ou outra já tem quase três anos... Era praticamente família. — Ele comenta, sorrindo. — Agora, você é de fato família. E se vocês não tem mais nada pra me dizer a respeito de qualquer coisa, por favor, já podem se retirar do escritório porque tem coisas que eu devo fazer pro trabalho.

—Sei... — Nicole diz, enquanto saímos do escritório. — Maratona de Game of Thrones.

Quando estamos no corredor, o alívio na minha cara é imenso. E olhando pra Nicole, certamente o rosto dela é um reflexo do meu.

—Acho que não precisamos mais perder tempo aqui, não acha? — Nicole pergunta, antes de me dar um beijo longo.

Parecia que a cada minuto, aquela garota tímida, que eu conheci no primeiro dia de escola, que achava que estava incomodando quando pedia uma informação e ficava vermelha com qualquer elogio, estava dando lugar a uma mulher decidida. Claro, não seria uma transição rápida, e tenho certeza que esse aspecto tímido dela não sairia nunca.

Saindo da casa dela, de mãos dadas, passamos numa farmácia para evitar de acontecer o mesmo erro duas vezes, e da farmácia pegamos um ônibus para minha casa, em um bairro um pouco longe (eu morava perto da nossa escola, ela não). Ao finalmente chegarmos em frente ao prédio em que moro, olho pra ele com a possível nostalgia que irei sentir após me mudar em definitivo.

—Pode não parecer muito... — Passo o braço ao redor de Nicole, enquanto entramos no prédio. — Mas vou sentir saudades.

—Eu também... Foram boas noites que passamos aqui, não? — Ela pergunta, enquanto subimos de elevador até o quarto andar.

—Sim, torcendo em lutas pré determinadas... Fantástico. — Sorrio

—A companhia era o que deixava divertido... — Nicole apoia a cabeça em meu ombro, enquanto saímos do elevador. — Se fosse sozinha, seria só algo legal.

—Verdade... Se bem que ao seu lado eu até assistiria Game of Thrones...

—Mas você não gosta de Game of Thrones.

—Exatamente.

Nicole ri, daquela maneira inocente que eu estava acostumado desde que nos tornamos amigos. E finalmente entramos no apartamento onde vivo.

—Lar, Doce Lar... — Jogo minha mochila no chão.

—Você quer partir logo... — Nicole sussurra no meu ouvido. — Ou...

—Não... É melhor tomarmos um banho. — Respondo, mesmo tentado. — A viagem foi exaustiva, e o banho vai nos deixar preparados. Porque o dia e a noite vão ser longos.

—Tem razão... — Ela dá uma mordida na minha orelha, bem de leve.

—A propósito... Por quê você não deixou sua mochila em casa? — Pergunto, enquanto tiro a blusa e a calça, ficando só de cuecas.

—Eu esqueci... — Nicole fica vermelha de vergonha por essa mancada. — Mas, não importa... Eu posso dar os presentes a eles amanhã. E, sei que com cinco dias de atraso, mas hoje vou te dar seu presente principal.

Já ficando excitado, eu vou juntamente com Nicole, ao banheiro. Nós éramos namorados, e já havíamos transado, então não tem problema ficarmos de roupas intimas perto do outro. Pode parecer estranho a alguns, mas pra nós era perfeitamente natural.

—Sabe, Nicole... — Digo, antes de dar um beijo nela. — Eu sei que eu já vi seu corpo nu, mas toda vez que vejo ele, eu fico vermelho, porque seu corpo é maravilhoso...

—Sorte sua, que além de meu. — Ela sussurra no meu ouvido, dando uma lambida no lóbulo de minha orelha. — Esse corpo é todo seu.

Trocando carícias, entramos juntos no chuveiro, com roupa íntima e tudo mais, porque foda-se, a casa (ainda) é minha!

No momento em que nos banhamos juntos, percebi que foi certa essa decisão, já que o meu cansaço parece se dissipar, quando a água morna percorre a minha cabeça, descendo até o chão. Claro, com os meus cabelos e os de Nicole, a questão era um pouco mais difícil porque era MUITO cabelo, Nicole tinha os cabelos longos e os meus não eram exatamente curtos, creio que um palmo e meio, quase dois, da nuca pra baixo.

O ritual de ensaboar foi particularmente divertido, principalmente porque tanto eu, quanto ela ensaboamos o corpo do outro, e Nicole aproveitou o momento pra brincar com meu membro, o deixando enrijecido (e ensaboado), sendo que eu não deixei barato e fiz o mesmo com ela, só que eu não ensaboei lá... Porque eu fui um pouco mais 'malandro' e não brinquei só com a mão, mas a beijei e chupei, que provocou a princípio um gemido de surpresa, seguido de outro de prazer.

—Hmm... — Nicole deixa escapar mais um gemido, enquanto acaricia meus cabelos com uma mão e o próprio seio esquerdo com a outra. — Seu... Seu malandro... Não era... Ah... Não... Era isso o que devia fazer...

—Você não parece estar reclamando... — Beijo a barriga dela, e vou subindo, passando por um seio, até colarmos nossos lábios num beijo que era menos erótico do que o que tínhamos feito durante o banho, mas muito mais apaixonado. Minha mente estava derretendo com a sensação que a língua de Nicole causava em mim, era uma toxina que certamente eu não conseguiria viver sem.

—Claro que não... — Nicole comenta, enquanto saímos abraçados do banho. O cheiro de Nicole era bom, ainda que seja só o aroma natural.

—Acho que é hora de tirarmos o atraso, não? — Sussurro, antes de beijar o pescoço dela.

—Verdade... — Ela concorda, me puxando até meu quarto. — Mas primeiro... — Nicole me empurra, de modo que eu caia sentado na cama. — Tem algo que eu queria tentar.

—Eeepa... — É tudo o que digo, antes de Nicole baixar a minha cueca. — Por essa eu não esperava.

—Considere isso uma vingancinha por aquela surpresa no banho. E creio que você vai gostar tanto quanto eu gostei. — Nicole diz, com um sorriso travesso.

Nicole começa, pegando-o e o acariciando, de modo a endurecê-lo. E nisso, começa a passar sua língua suavemente ao redor da cabeça, provocando em mim uma leve contração. Em seguida, ela vai lambendo o membro inteiro, da cabeça até a ponta, descendo e subindo, sem de fato chupá-lo, o que aumenta a minha excitação.

A sensação dos lábios de Nicole lá era difícil de descrever, o prazer que eu sentia era enorme, o que só aumentou quando ela de fato começou a chupá-lo, começando com a cabeça e chupadas leves e lentas, aos poucos descendo por ele. Com a vista de cima, percebo que com uma das mãos, Nicole se masturbava, mas sem interromper o que fazia com a boca.

Depois do que me pareceu muito tempo, ou talvez eu só estivesse sentindo isso, eu começo a sentir que um orgasmo estava vindo, mas Nicole não parece estar com vontade de parar, será que...

—Nicole... Eu... Eu vou... — Tento sair, mas ela me impede. Ela realmente queria isso. — Aaaaaah!

E eu acabo tendo um orgasmo, gozando na boca de minha namorada, que continuava a me chupar. Nisso, ela ainda com a boca nele, olha pra mim de uma maneira sedutora.

—Ni... Nicole.. — A minha voz expressa um alívio, causado pelo orgasmo. Ela finalmente tira a boca dele, que estava cheia, mas ao invés de cuspir, ela acabara engolindo tudo.

—Gostou da minha surpresa? — Ela pergunta... Subindo na cama, como se não tivesse sido nada demais.

—Onde você aprendeu essas coisas? — Pergunto, enquanto ela saía do meu quarto e ia até onde minha mochila estava jogada no chão, provavelmente pra pegar os preservativos.

—Internet. — Nicole responde, sentando novamente na cama. — Mas e aí, você gostou?

Eu não respondo, simplesmente agarro Nicole pra um longo beijo, enquanto tirava o sutiã dela e o jogava em algum canto do quarto. E daí que ela tivesse acabado de ter feito oral em mim? Era a pessoa mais importante da minha vida, e detalhes não eram importantes.

—Pela sua reação... — Nicole comenta, enquanto chupo seus seios, lambendo e mordendo um de cada vez. — Acho unh... Que você... Adorou...

—Fiquei um pouco surpreso, embora muito feliz... — Pego uma das camisinhas. — Mas... Nas próximas horas... Palavras não vão mais ser necessárias.

—Só espero que você me deixe rouca, entendeu? — Nicole diz, enquanto abre a embalagem da camisinha que eu havia pego e a coloca nele.

Numa espécie de deja vu da nossa primeira vez, acabo deitado na cama e Nicole novamente por cima, ela começa a se masturbar pra deixá-la molhada, até que lentamente vai descendo, e a sensação de estar dentro da Nicole mudara um pouco, porque não havia mais o hímen.

—Uhn... Aaah... — Nicole geme, sem se conter dessa vez, e rebolando um pouco, começa a subir e descer de maneira lenta. — Aaaah... Diego... Uhn...

A visão dos seios de Nicole subindo e descendo, enquanto eu estava dentro dela, era indescritível, um prazer surreal, como se eu fosse derreter a qualquer momento, e nem preciso dizer que eu também gemia de prazer a cada momento em que ela descia até o fim.

—Eu não aguento... — Digo, e num instante eu levanto minha coluna, começando a chupar mais uma vez os seios dela. Ela arqueja e arranha minhas costas...

Os movimentos são intensos, parece que ela está me prendendo a seu corpo, creio que se eu quisesse me separar do corpo dela, eu não conseguiria, é como se naquele momento, não existisse mais Diego, ou Nicole, apenas uma única entidade que não tinha nome e não passava de uma massa uniforme que pulsava com amor. E percebo que referências abstratas não são o meu forte.

—Vai... Mais forte Diego! — Os gritos de Nicole estão mais altos, ela sobe e desce com maior velocidade, o balançar dos seios dela é hipnótico, eu estou perto de ter mais um orgasmo e parece que ela também. — Vamos... Uhn...Vamos juntos, Diego! Oh!

—Sim... Nicole... Nicole... Aaaaaaah!

Eu e Nicole gritamos de prazer, após chegarmos lá ao mesmo tempo. Nisso, Nicole cai do meu lado na cama, seu peito subindo e descendo com a respiração e quando olho pro lado, vejo um sorriso no rosto dela. Um sorriso que espero ver o resto de minha vida.

—E essa foi só a primeira... — Digo, com a respiração entrecortada.

—Espero que os vizinhos não chamem a polícia.. — Nicole ri.

Antes de voltarmos a nos amar, ficamos de mãos dadas, nus, lado a lado na minha cama. O sexo era bom, mas a sensação de estar ao lado dela era igualmente boa.

E amigos, acreditem, naquela tarde e em parte da noite, a Nicole realmente cumpriu a promessa de me cansar pra valer, mas posso dizer que valeu MUITO A PENA. E caso queiram saber, não, os vizinhos não chamaram a polícia, nem reclamaram pro síndico. Acho que nasci com o rabo virado pra lua, porque isso sim foi sorte.

Três dias depois, Jeunesse Arena, Rio de Janeiro

Deus do céu, a FILL realmente cresceu muito, desde que surgiu. A popularidade da empresa era tamanha, que conseguiram vender desde o anúncio do evento, quatro meses atrás, dez mil ingressos pro Caos antes do Natal e numa quinta-feira, a arena estava lotada.

A coisa era tamanha a ponto de conseguirem, para aquele evento, trazerem como narradores, Marco Alfaro e Roberto Figueiroa, os comentaristas oficiais da WWE no Brasil. Após mais ou menos quarenta minutos, onde mostraram as rivalidades que levariam aos combates da noite, entrevistas com os lutadores, era finalmente chegada a hora de abrir aquele show.

Sorte da Lara ter conseguido ingressos na primeira fila pra mim, Nicole, Erick, Brenda e Beatriz, porque eu queria acompanhar o evento da melhor maneira possível. E para que os não conseguiram os ingressos, o show seria transmitido pela TV por assinatura e via streaming, possibilitando um maior alcance.

"A luta a seguir, é um combate triplo pelo título feminino da FILL." Escutamos a voz da anunciante do ringue.

Os primeiros acordes de "Energize Me", do After Forever começam a tocar, e a iluminação na rampa de entrada mostra uma figura de cabelos ruivos de costas. Quando a música começa a ficar mais pesada, em torno dos trinta segundos, ela se vira.

"A primeira desafiante, vinda do bairro da Tijuca... Lara Lima!"

Lara está com uma calça de Lycra verde, vermelha e branca, além de botas de duas cores, verde e vermelha, a blusa colada dela é branca com alguns detalhes em vermelho, e o 619 nas costas não deixa mentir que a inspiração pra roupa veio do ídolo maior da Lara, o mexicano Rey Mysterio.

—Lara Lima enfrentou um duro combate de escadas para estar aqui no "Caos Antes do Natal" nesse combate triplo. — Marco Alfaro comenta, enquanto Lara desse a rampa correndo, cumprimentando as pessoas que estavam postadas ali com tapinhas nas mãos. Ela se estabelecera como uma babyface na divisão, após ter sido traída por sua amiga (na storyline). — E ela tem contas a acertar com a campeã, já que no dia em Amanda venceu o título, com a ajuda de Lara, as coisas não terminaram bem para a nossa desafiante.

Lara sobe no ringue, subindo num poste e mandando beijos pro público naquela direção, e repetindo o procedimento nos outros três postes, sendo que no último ela dá um salto mortal pra trás, caindo de pé no ringue e depois aguardando do lado de fora do ringue, até que as outras façam as suas entradas.

As primeiras batidas de um rap começam a tocar, quando uma garota com cabelos negros compridos, bermuda jeans, camisa de basquete e boné branco de aba reta desce a rampa de maneira metódica.

"A segunda desafiante, vinda diretamente de Caxias... Marina Oliveira!" A anunciante narra.

—Marina venceu um combate battle royale, há um mês e meio para estar aqui. — A voz de Roberto Figueiroa é ouvida. — Foram quinze competidoras, e Marina precisou estar acima de todas para conseguir a vaga aqui. E mesmo estando contra a campeã, ela não viu problema nenhum em se juntar ela pra atacar Lara após a vitória da mesma no combate de escadas, duas semanas atrás.

Marina sobe no ringue, e dá alguns socos no ar, seguidos de uma joelhada, de maneira ameaçadora, antes de aguardar do lado de fora do ringue. Ela e Lara se encaram de maneira feroz, soprando o que de longe poderiam ser ameaças, mas se alguém pegasse leitura labial, saberia que ambas estão desejando sorte uma pra outra.

Os acordes de "Here's my Hell" do ReVamp começam a tocar, enquanto uma garota negra de cabelos cacheados entra de maneira nervosa. Ela usa uma jaqueta vermelha sobre uma camisa vermelha, além de uma calça de couro vermelha e botas vermelhas.

"E agora, com vocês, a campeã feminina da FILL, diretamente do bairro de Vicente de Carvalho... Amanda Santos!" A anunciante diz, e o público, boa parte dele vai ao delírio.

Não sei se só eu reparei o fato de que Lara e Amanda usam como temas de entrada, duas músicas com a mesma vocalista (Floor Jansen). Era curioso, mas como as duas eram heels que trabalhavam juntas como amigas, fazia sentido.

—E está aí a campeã, há seis meses com o título, Amanda Santos. — Alfaro comenta, enquanto Amanda desce a rampa como se estivesse pronta pra chutar bundas. — Durante esse período, ela defendeu o título com firmeza e certamente, usando tudo o que estava ao alcance.

—Inclusive algumas trapaças... — Figueiroa comenta.

—O juiz não viu, não foi trapaça.

Amanda sobe no ringue, tira o cinturão da cintura, vai até o poste mais próximo de onde estão Lara e Marina, sobe no poste, ergue o cinturão em provocação e aponta pra si mesma, como se dissesse: "Ele é meu e vai continuar comigo!", antes de descer e colocar o cinturão no ombro.

Pouco depois, as duas outras lutadoras entram, assim como o juiz, que pega o cinturão de Amanda para conferir e o entrega a um dos oficiais do combate que estão próximos da área onde o sino fica, ali na região onde está a mesa dos narradores.

—E vai começar... — É ouvida a voz de Alfaro. — O primeiro combate do "Caos antes do Natal"!

Muitos devem estar pensando... Não é ruim você fazer o primeiro combate? Na metade do evento todo mundo já vai ter esquecido, e eu posso responder que não é bem assim. Num card de um evento de pro wrestling, a luta de abertura é a segunda mais importante, perdendo somente pra luta de encerramento. Então, pra chamarem a atenção, Lara, Amanda e Marina tinham que roubar o show.

O juiz ordena que o sino toque para dar início ao combate. Pra começar, as três ficam se encarando, girando no ringue, sem atacar, até que após uma troca de olhares, Amanda e Marina aplicam um clothesline em Lara, ou seja, elas dão as mãos e correm até Lara, atingindo-a com força no pescoço, a derrubando.

Nisso, começam a pisar nas pernas, braços e peitoral de Lara, aproveitando-se da vantagem de duas contra uma pra causar o maior dano possível. Em um determinado momento, enquanto Lara está agonizando no chão (o selling dela, ou seja, fazer parecer com que o golpe doeu, era bom.), Amanda dá uma sequência de tapas no peito de Marina com o lado externo da mão, e finalizando com um soco no estômago e um DDT, golpe que consiste em segurar a cabeça do oponente usando um braço só e cair pra trás, fazendo com que a cabeça de seu adversário caísse no chão.

Com Marina caída, Amanda tenta aplicar o pin (a imobilização pra contagem de três que finaliza a luta, onde os ombros do oponente tem que estar colados no chão) em Lara, e o juiz vai ao chão pra fazer a contagem. Só que no um, a Lara já levanta os ombros, ficando sentada e ainda atordoada. E nisso, Amanda tenta aplicar o pin em Marina, mas o mesmo ocorre, com Marina se levantando no um.

Em uma demonstração de raiva, Amanda dá um soco no chão, antes de se levantar. Marina e Lara também se levantam, com Marina levando a mão na cabeça por causa do DDT e Lara um pouco atordoada por ter sido usada como capacho humano.

Lara corre para as cordas, pegando impulso pra aplicar um Drop Kick em Amanda, mas a mesma puxa Marina e sai do caminho, com Lara saltando e acertando um chute com as duas pernas no peito da oponente, que cai no chão, assim como Lara. Amanda usa a vantagem de estar em pé pra pisar no corpo de Marina, que pra evitar maiores danos, rola pra fora do ringue.

Enquanto Amanda pisava em Marina, Lara começava a se levantar e quando Marina rolara para fora do ringue, ela já estava de pé. As duas antigas aliadas começam a se encarar, meses de raiva acumulada e as diversas vezes em que Amanda impedira Lara de conseguir uma chance de lutar pelo título estavam entaladas na garganta de minha amiga.

As duas correm pras cordas opostas e quando voltam, Lara aplica um arm drag, pegando Amanda pelo cotovelo e a jogando no chão, depois indo até a outra corda, voltando e aplicando um elbow drop, ou seja, caindo com a ponta do cotovelo no peito de Amanda.

Após isso, Lara arrasta Amanda até um ponto do ringue, subindo num dos postes, aplicando um Frog Splash, movimento no qual se salta, batendo as palmas das mãos nos joelhos flexionados, depois abrindo o corpo, caindo sobre o peitoral do oponente, emendando com um pin.

O juiz cai pra fazer a contagem. No dois, Marina surge do nada no outro lado e puxa Amanda pra fora, quebrando a contagem. E lá fora mesmo, Marina começa a atacar Amanda, com chutes no corpo dela, pisadas, não dando um minuto de descanso pra campeã.

Enquanto isso, Lara no ringue recupera um pouco do fôlego enquanto Marina cansa Amanda no lado de fora. Aquilo era uma vantagem pra Lara, porque a luta só poderia ser decidida dentro do ringue. Mas Lara não iria ficar parada, não mesmo. Ela pondera sobre o que fazer, as duas outras oponentes agora estavam de pé trocando tapas com a parte interna da mão, ainda fora do ringue, então Lara vai até a beira do ringue, segurando as cordas ela salta e usando as mesmas como um trampolim, cai em um Crossbody, queda com o corpo deitado no oponente, acertando e derrubando as duas no chão.

A platéia vai ao delírio com a ousadia de Lara, que não hesitava em arriscar o próprio corpo pra entreter o público e conseguir o cinturão. Com dificuldade, as três se levantam, cambaleantes, e voltam pro ringue pra continuar a luta.

Marina e Amanda resolvem mais uma vez apostar na vantagem de duas contra uma e atacam novamente Lara, dessa vez cada uma com um Super Kick, chute que acerta a altura do queixo de Lara, a derrubando novamente. Mas ao invés de usá-la como um capacho, Marina a levanta e a imobiliza, de modo que Amanda poderia continuar atacando-a no estômago, com socos, alternando com tapas com as costas da mão no peito. O púbico, com a covardia, começa a vaiar as lutadoras, até que Amanda começa a esfregar o punho direito, com o esquerdo, sinal de que estava preparando o seu Soco Atômico (que de atômico não tinha nada, era só um soco mesmo, mas era um dos Golpes que tinha a Assinatura dela, então em termos de wrestling era um soco devastador).

Quando Amanda vai acertar o soco em Lara, a mesma abaixa e acerta Marina, que próxima das cordas, acaba caindo por cima delas, com a força do impacto. A platéia vai ao delírio, enquanto Amanda fica atordoada pelo golpe não ter atingido o alvo. Nisso, Lara começa a reagir, começando com uma Hurricanrana, pulando e abrindo as pernas. Amanda segura as mesmas e Lara envolve a cabeça de Amanda, jogando o peso do corpo pra trás e a arremessando de modo que caia atordoada, com o corpo apoiado na segunda corda.

Era a preparação para um outro golpe, no que Lara corre até a corda oposta, volta até a corda onde Amanda está caída, e segurando a segunda e terceira cordas, passa por entre elas com o corpo de lado e dá um chute com os dois pés no corpo de Amanda, que cai de costas no ringue. Lara fica de pé, com as mãos na terceira corda, preparada pra usá-la como um trampolim, da mesma maneira em que aplicara o crossbody, mas antes que ela possa saltar, Marina puxa sua perna.

Lara cai, batendo com a cabeça na ponta do ringue e fica atordoada, no que Marina aplica um Jumping DDT, pulando, envolvendo o pescoço de Lara em seu braço, e caindo sentada, fazendo com que a cabeça de Lara batesse no chão, deixando-a caída. Nisso, ela tira uma cadeira de metal de debaixo do ringue, e com ela começa a bater várias e várias vezes nas costas de Lara e o público vai ao delírio.

Após se certificar de que Lara não levantaria, Marina entra no ringue pra receber um Super Kick de Amanda de maneira gratuita, derrubando-a no chão. Amanda começa a pisar incessantemente em Marina, antes de arrastar o corpo dela até o meio do ringue. Lá, ela deita e aplica um crossface, passando as duas mãos ao redor da cara de Marina e apoiando o corpo nas costas dela, puxando com força.

Marina tenta sair, se mexendo das maneiras possíveis, tentando tirar as mãos de Amanda da cara dela, mas a força aplicada é enorme. Ela tenta se arrastar até as cordas, mas Amanda coloca mais força ainda. As duas não vêem Lara entrando lentamente no ringue e só percebem tarde demais, quando a mesma aplica um Elbow Drop, caindo com o cotovelo em cima das duas, fazendo com que Amanda quebrasse a submissão antes que Marina desse o tapout, os três tapas no mão ou no corpo do adversário, sinalizando a rendição.

A luta continua, com as três se encarando novamente, como no começo da luta, só que agora estão mais cansadas, machucadas e certamente vão pensar melhor antes de se arriscarem. Marina e Lara trocam um olhar, e nisso partem pra cima de Amanda, com Marina aplicando um Shoulder Tackle, um encontrão com o ombro, que derruba Amanda no chão e Lara já emenda com outro Elbow Drop no peito da adversária caída. Nisso, Marina começa a empurrar Amanda pra fora do ringue, usando os pés e a mesma cai no chão.

Fora do ringue, enquanto Marina mantém Amanda no chão, na base dos pisões, Lara também sai do ringue e procura algo embaixo do mesmo, até que retira uma mesa. Sim, uma mesa com as pernas dobráveis de metal e o tampo de madeira, tendo mais ou menos um metro e noventa de comprimento por um de largura.

Por um segundo, parece que Lara vai acertar Marina com a mesa, mas não, ela arma a mesa ali, fora do ringue, próximo de onde Marina mantém Amanda no chão. Lara toca o ombro de Marina, que se vira pra ela. A ruiva aponta pra Amanda, depois pra mesa e finalmente pra si mesma, e Marina compreende.

Enquanto Lara volta pro ringue, Marina coloca o corpo de Amanda na mesa, com dificuldade, a luta era intensa e o público estava acompanhando de pé. Lara sobe no poste, respira fundo e aplica um Frog Splash em Amanda sobre a mesa, que se partiu com o impacto. Após essa pequena aliança, Marina não perde tempo e pega Lara pelos cabelos, conduzindo sua cabeça até o poste mais próximo, e seguidamente a colocando de volta no ringue e subindo depois.

Marina tenta aplicar o pin em Lara, o juiz cai pra fazer a contagem, mas no um Lara levanta. Nisso as duas se levantam, Marina corre pras cordas opostas, e volta, aplicando um spear, golpe que se assemelha ao shoulder tackle, mas se utiliza da velocidade e dos ombros mais o braço pra atingir a região do peitoral do oponente, derrubando Lara.

Novamente Marina tenta o pin, com o juiz caindo pra contagem, e no momento entre o dois e o três, Lara consegue quebrar a contagem levantando os ombros. Num acesso de fúria, Marina começa a socar o chão, e aos poucos Lara se levanta, ainda na luta, ainda com garra.

—VAMOS! VENHA! — De onde estávamos, era possível escutar o grito de Lara, que ordena a Marina que se levante.

Marina se levanta, e tenta aplicar um clothesline em Lara, que passa por baixo do braço dela, pra em seguida aplicar um Shiranui.

Lara se posiciona de costas pra Marina, segurando sua cabeça com as duas mãos e dá um salto, enquanto ela, pegando no tronco de Lara, a levanta, dando impulso em seu salto mortal para trás. Enquanto Marina cai de costas, Lara cai de joelhos, completando o mortal iniciado no início de seu movimento.

Em seguida, Lara arrasta Marina até um ponto do ringue, e corre até as cordas, usando a segunda corda como um trampolim para dar um salto mortal e cair sobre o corpo de Marina, um Lionsault perfeito, que ela já emenda com um pin, e o juiz cai pra contagem.

—Um... — A torcida grita, Amanda se levanta e está tentando subir no ringue.

—Dois... — Lara pensara em todo o esforço que levara, todo o treino, lutas que perdera, lutas que ganhara, a dor que sofrera.

—Três! — Era como se a arena viesse abaixo, dez mil pessoas comemorando em êxtase, com a grande luta que presenciaram.

"Eis a nossa vencedora... E NOVA... Campeã Feminina da Federação Internacional de Luta Livre..." O Anunciante do ringue declara, enquanto o Juiz ajuda Lara a ficar de pé e ao fundo toca o refrão de 'Energize-me', o tema de Lara. "Lara... Lima!"

O juiz entrega o cinturão a uma Lara cansada, que cai de joelhos em Lágrimas, abraçada ao cinturão. Eu e Nicole nos abraçamos, pulando extasiados ao ver a vitória de nossa amiga, assim como nossos amigos Beatriz, Brenda e Erick, que nem eram tão fãs de luta livre assim, vibraram o tempo todo com a atmosfera em volta disso.

Enquanto Lara sobe ao poste em um dos cantos do ringue, o público começa a cantar, com palmas ritmadas "Merecido! Merecido!", e eu não podia estar mais orgulhoso do espetáculo que minha amiga dera com suas companheiras de combate, aquele dia ficaria na minha memória (e principalmente na de Lara, que tinha protagonizado aquele momento) para sempre, lembrando-me da razão pela qual eu sempre fui apaixonado por esse esporte.

Seguindo-se a essa luta, tivemos outros combates muito bons, culminando com um evento principal matador, mas de maneira emocional para mim, o melhor combate ainda foi o primeiro, talvez pelo fato de que uma das lutadoras era uma de minhas melhores amigas.

Quinze de Fevereiro de 2017, Aeroporto Internacional Tom Jobim

Finalmente! Depois de muito tempo acertando diversos detalhes, como a venda de meu apartamento (em um acordo com meus tios, no qual eles ficam com sessenta por cento do valor da venda), passaporte, visto e o emprego que o pai de Nicole arranjara para a filha e para Lara em Calgary, estávamos nós três, prontos pra deixar o Brasil. Muitas das coisas, tanto minhas quanto de Nicole e Lara nos seriam enviadas de Orlando pro Canadá em Março, porque não queríamos pagar quaisquer taxas no momento (nos acertaríamos financeiramente com o pai da Nicole depois) e nem estavam nas nossas prioridades absolutas.

Com respeito ao título de Lara, ela perdera no "Batalha do Verão" que ocorrera no último domingo, em um combate que cimentou a Marina como próxima grande estrela da companhia, com a saída da Lara.

A despedida não tinha um clima triste, e de fato a família de Nicole parecia bem satisfeita com a escolha da filha, por mais incomum que tivesse sido, mas até aí a Karen era apaixonada por futebol e jogava pelo time da Aural.

—Karen... Vou sentir saudades, sabe? — Digo, enquanto abraço a irmã de Nicole. — Eu sinto muito por não poder ir em seu jogo amanhã. É a final, não?

—Pois é... Mas relaxe, tá legal? — Karen sorri, enquanto afago os cabelos dela.

—E não importa a hora que for, assim que o jogo acabar, pode me ligar, mandar mensagem ou qualquer tipo de comunicação! — Peço a ela, soltando-a. — Quero saber como você se saiu!

—Pode deixar, maninho! Eu ligo. — A sensação da Karen me chamando de maninho deixava meu coração leve. Minha nossa, eu era uma manteiga derretida.

Depois de me despedir de Karen, a escuto se despedindo da irmã.

—Karen... — Nicole nem parecia aquela garota que estava subindo nas paredes quando voltamos de Rio Azul. De fato, ela se acalmara e ainda que vez ou outra tivéssemos nossas relações, não tínhamos a pressa pra tal.

—Nic... — Karen começa. — Eu estou muito, muito feliz por você ter encontrado algo que queira fazer.

—Pra mim ainda é estranho... — Nicole confessa, com a voz um pouco baixa. — Há três meses, eu ficaria acomodada com um emprego genérico na empresa de papai, mas depois que eu vi o Diego e a Lara treinando com uma paixão...

—É, acho que isso é algo de família, quando algo acende uma chama na gente, não tem quem segure! — O tom de Karen é bem típico dela, animado.

—Verdade... — Nicole sorri, abraçando a irmã. — Espero que a Alice encontre algo que goste de fazer.

—Pra ser sincera, acho que ela quer MESMO seguir os passos do papai. — Karen confessa.

—Sério?

—Sim, ela até já leu aqueles volumes chatos de economia que o papai tentou fazer a gente estudar certa vez.

—E eu achando que era a esquisita da família.

—Você vai ser uma lutadora profissional, você é a esquisita da família.

—Falou a garota que quer ser jogadora de futebol.

As duas riem, como irmãs, companheiras. E o pai de Nicole, Roberto, se aproxima de mim.

—Diego... — Ele coloca a mão em meu ombro. — Cuide de minha filha, por favor.

—Fique tranquilo... — Respondo, com uma expressão séria. — Acho que o maior risco é o de sermos atropelados por um alce no Canadá... Se bem que eu não sei se alces vivem em cidades.

—Diego... — O tom de Lara é meio exasperado e meio com vontade de rir. — Calgary não é uma selva, é uma cidade bem bonita! E senhor Roberto, pode deixar que eu cuido pra que esses dois não façam nenhuma besteira.

—Fico feliz de ver que alguém esteja levando essa viagem a sério. — Roberto ri.

—Diego... — Alice se aproxima de mim, após eu e Lara nos despedirmos do pai de Nicole. — Vou sentir sua falta.

—Eu também, Alice... — Pela cara da Alice, ela estava um pouco triste. — Mas você sabe que pode ligar pra mim sempre que precisar conversar sobre qualquer coisa.

—Vou lembrar disso. — A voz de Alice diminui um pouco, as defesas dela estavam caindo.

A Alice acabara se apegando bastante a mim depois que me tornei amigo da Nicole. Como ela era compenetrada nos estudos e ainda aprendendo várias coisas sobre a empresa do pai dela, o tempo que ela passava comigo era como se fosse uma válvula de escape.

E certamente eu conhecia diversos segredos dela, não sei se mais que a família, mas eu podia nomear o garoto mais bonito da turma dela, segundo a mesma, as trinta músicas favoritas dela em ordem de preferência, ou qualquer outra coisa. E sei que perto de mim ela ficava mais animada, talvez por isso ela estivesse fazendo força pra não chorar.

Só que quando a abraço e afago seus cabelos, que são da mesma cor dos meus, ela não resiste e cai no choro... Eu a consolo como uma irmãzinha mais nova, e depois de um ou dois minutos, Alice volta pro lado da família.

—Diego... Nicole... Lara... — A mãe de Nicole, Janini, se dirige a nós três. — As despedidas calorosas foram feitas por todos aqui, então não me resta muito a dizer, que não soe repetido, mas de coração... Peço que se cuidem, e boa sorte. Espero que vocês consigam realizar os seus sonhos lá fora. E não esqueçam de mandar notícias.

Apesar de curtas, eu sabia que as palavras dela tinham carinho e sinceridade, e contendo as lágrimas, eu, Nicole e Lara embarcamos, pra darmos o primeiro passo real rumo ao nosso sonho de ser Wrestlers profissionais.