Wrecking Ball - KATHONY
1 Os Bridgertons - O emprego que eu amava.
Notas iniciais
POV: Kate.
6AM.
Meu celular despertou mas eu já tinha acordado, aliás não consegui dormir essa noite. Desde que minha melhor amiga conseguiu o emprego dos meus sonhos para mim, tudo no que consigo pensar é que irei trabalhar na maior empresa de Londres.
Os Bridgertons é uma empresa milenar, literalmente. Ouvi dizer que a alguns séculos atrás, eles eram amigos próximos da rainha. Algumas das roupas de algumas pessoas da realeza são, de fato, desenhadas por Daphne Bridgerton. Eles atuam em diversos ramos, desde agência de modelos, artes e flores, até o meu local de fala: jornalismo.
O sonho de todo mundo é trabalhar para eles e eu, Deus sabe porque, consegui.
— Kate, você vai acabar se atrasando!- Ouvi a voz de Mary, minha boadrasta na porta do meu quarto.
— Já estou pronta, mãe!- Eu disse, saltando da cama e me olhando no espelho. Eu tinha lavado e secado o cabelo na noite anterior, fiz skin care para que minha pele estivesse melhor por 1 semana seguida. Melhorei minha dieta para que meu corpo estivesse apresentável e escolhi a roupa mais cara e bonita do meu guarda roupa. Talvez eu não me destaque pelo meu trabalho no primeiro dia, mas alguém vai me notar!
— Achei que você fosse entrevistar as modelos, e não ser uma delas.- Mary comentou quando eu apareci na nossa modesta sala de jantar. Ela estava servindo uma xícara de café para mim, e tinha torradas em cima da mesa. Eu sorri convencida.
— Se todo o resto falhar...- Dei de ombros, me sentando a mesa. Ela colocou uma mão no meu ombro, sua mão cheirava a canela e trigo.
— Nada vai falhar, minha querida. Sua vida vai ser brilhante. Esse é o seu momento.- Mary sempre me olhou como se eu fosse preciosa. Mesmo não sendo minha mãe de sangue, ela jamais fez diferença entre mim e Edwina (minha meia-irmã), e talvez seja por isso que para mim é tão natural me sentir amada e acolhida em nossa sub familia.
— Obrigada mamãe. É realmente muito importante para mim esse apoio.- Eu disse, inclinando a cabeça para encostar delicadamente em sua mão. Ela sorriu e se afastou, voltando para a cozinha. Comi lentamente esperando dar a hora de sair de casa, até que meu celular vibrou, era a mensagem da minha amiga querida.
Sophie: Bom dia minha deusa! Está pronta? Passo aí para te buscar em 20 minutinhos!
Kate: Estou pronta desde ontem! HAHAH
Sophie: Espero que tenha tomado banho hoje de manhã pelo menos, que nojeira
Kate: Estou mais cheirosa do que você em 1 milhão de anos
Sophie: Droga! Lá se vai minha chance de conquistar um os sóciosssss
Kate: Sinto muito, sou muito mais bonita
Sophie: E humilde!
— Sophie já está chegando?- Mary perguntou voltando para a sala e sentando a mesa. Ela olhou para o relógio na parede, provavelmente pensando no horário de acordar Ed.
— Sim. Já já eu desço. Estou tão ansiosa!
— É mesmo uma responsabilidade e tanto trabalhar para o Lady Whistledown, eu teria uma diarréia durante no mínimo 2 semanas.- Mary brincou, me arrancando uma gargalhada.- Você vai conhecer ela?
— A Penélope? Acho que sim. Espero que sim. Sophie disse que ela não fica na redação com muita frequência, normalmente fica no último andar com os outros Bridgertons.
— Mas ela ainda não é uma Bridgerton...
— Ela é mais Bridgerton do que eu jamais serei.- Eu dei de ombros. Seria mesmo incrível conhecer Penélope Featherington no meu primeiro dia, mas eu sabia que a probabilidade de eu sequer sentir o cheiro dela era quase nula. Sophie trabalha lá a quase 5 anos e a viu no maximo 7 vezes, em datas comemorativas ou quando algo muito importante acontecia. Viu menos ainda os outros. Pelo que eu entendi, a empresa é uma cidade inteira em um prédio de 8 andares.
Sophie: Chegueiiiiii
— Sophie chegou.- Eu me sobressaltei, quase caindo da cadeira. Mary se levantou para me abraçar e dar um beijo na minha bochecha. Me despedi rapidamente antes de descer do prédio.
Eu, Mary e Edwina moramos em um pequeno apartamento de 3 quartos na periferia de Londres. Sophie, apesar de não ser milionária, mora em uma casa melhor que ela herdou do pai, antes de a madrasta e as irmãs roubarem quase todo o dinheiro dele, deixando apenas a casa. Sophie se vira desde então. Todo mundo acha que ela é riquíssima, mas é só ver o carro que ela está pagando as parcelas em 80x para saber que ela apenas sabe o que usar.
— Bom dia meu amor!- Sophie me recebeu no carro de braços e sorriso aberto. Eu abracei já sentindo minhas bochechas queimarem pelo meu próprio sorriso aberto.
— Bom dia, princesa!- Eu comecei a colocar o cinto e ela deu a partida no carro.
— Achei que Edwina viria com a gente.- Ela comentou. Edwina costumava ir comigo na época que eu fazia faculdade, mas agora eu terminei a faculdade e ela está começando. É contramão.
— Ela vai de carona com a Mary hoje, e nos próximos dias vai se virar. Até o meu salário altissimo da Bridgertons comprar um carro para mim também.- Eu cutuquei ela com o cotovelo e ela riu.
Não é de fato um salário milionário, mas os Bridgertons oferecem tantos benefícios que chega a ser. Sophie recebe salário, vale alimentação, ajuda de custo, plano de saúde, e vários brindes todo ano; ela realmente só tem o carro por causa disso. Em breve serei eu.
— Bem, se você der a sorte de esbarrar com um dos solteirões deles em qualquer dia desses e eles se apaixonarem por você, talvez você vire até minha chefe!
— Ata! Qual a probabilidade?- Eu revirei os olhos. Se Sophie que é a personificação de uma capa de revista da Billboard não está namorando com eles, imagine eu!
— Bem, foi assim que Simon Basset se casou com Daphne.- Ela deu de ombros. Eu ri.
— Simon foi indicado pela tia riquíssima que tem contato com a família real, para ser modelo em uma campanha de roupas da Daphne; além disso qualquer uma cairia nos encantos daquele homem. É um deus grego!- Eu me abanei antes de rir. Sophie riu também.
— Isso é verdade. Mas Francesca namora o Jhon, eles se conheceram na faculdade.
— E ele é apenas o primo do melhor amigo do irmão dela. Esquece isso Sophie, não tem a menor chance de casarmos com um deles. Aliás, o que te indica que eles não são gays?- Eu ergui uma sobrancelha e ela já foi logo negando com a cabeça violentamente.
— Isso eu sei que eles não são! Anthony Bridgerton, o poderoso chefão, é o homem mais mulherengo da empresa. Ele já ficou com quase todas as secretárias que passaram por ali. E Benedict Bridgerton, o artista incompreendido, também não fica atrás. Apesar de ser discreto, todo mundo sabe da fama dele com as alunas. Eles não são gays, só são cretinos!- Sophie falou, depois deu de ombros.- Olhe, eu pessoalmente não me importaria em ser usada por nenhum dos dois.
— Alguma delas subiu de cargo? Das garotas com quem eles ficaram.
— Não, porque são burras. Eu jamais espalharia que fiquei com eles. Fica a palavra delas contra as deles, e acaba que no final estagnam. Exceto Siena Rosso.
— É aquela que você não gosta?- Perguntei.
— Ninguém gosta. Acho que nem ela gosta dela.
Quando ela terminou de falar, entramos no estacionamento gigante da empresa. O estacionamento é todo subterraneo, Sophie já tinha um local especifico para estacionar. Quando descemos, ela me apresentou a todo ser vivo que aparecia na nossa frente, até que entramos em um elevador enorme rodeado de espelhos. Sophie se virou para mim enquanto falava:
— O primeiro andar é destinado a floricultura e as estufas. Tem uma biblioteca/livraria também, e uma cafeteria pequena. É administrado pela Eloise Bridgerton, mas quase sempre ela não está aqui, e sim na fazenda que ela tem com o marido, Phillip Crane. Ele quase sempre está aqui, mas não é muito simpático. O segundo andar fica os restaurantes. Também é nosso refeitório. Todo mundo come no mesmo lugar. A comida é bem cara, por isso que recebemos um vale alimentação tão alto. Colin Bridgerton é proprietário dos restaurantes e quando tem festa, as vezes nós somos chamadas porque trabalhamos na redação do jornal da esposa dele. O terceiro andar é a agência com o estudio e também o escritório e loja de Daphne. Ela administra os dois. Sub, né? Tem um monte de gente trabalhando lá. É meu sonho de consumo. O quarto andar é a escola de artes do Benedict, e também é onde fica a galeria, auditório e é onde ocorrem os eventos, quando eles fazem algum. Quase todos os meses. O quinto andar é a redação do jornal, e também é onde ocorrem as entrevistas e edição, quando precisa ocorrer. O sexto andar é onde fica toda a parte administrativa da empresa. Anthony Bridgerton fica lá. O sétimo andar é um andar de jogos, laser, também ocorrem algumas festas lá e vez em quando, e tem uma piscina enorme. O último andar é aquele lugar que pousam helicopteros que eu não lembro o nome. Também pousam os jatinhos deles as vezes.
— Uau!- Eu não sabia nem o que falar.
— Em todo caso, lembre-se: seu andar é o quinto e você come no segundo. É isso. Bem-vinda!
O elevador se abriu e eu fui tomada pelo som de teclado, vozes e uma música de fundo. Reconheci o som, estava tocando Wrecking Ball da Miley Cyrus. Eu me movimentei junto com Sophie, igual uma sombra por onde ela ia, e me esforcei para não parecer uma imbecil enquanto me admirava com a magnitude daquilo tudo. Era enorme! Chique, glamouroso e parecia um sonho. Por favor, que meu despertador não toque agora!
— Essa é Siena Rosso. Ela é a chefe de contratações aqui da redação do jornal.- Sophie falou com um sorriso no rosto, mas eu conseguia ouvir o desconforto em sua voz. Siena me olhou de cima abaixo, e apesar da enorme vontade de engolir em seco, eu apenas abri um sorriso e estendi a mão.
— Bom dia. Me chamo Kate Sharma.- Ela apertou a minha mão e deu um sorriso de canto.
— Bom dia, srta. Sharma. Seja bem-vinda. Acredito que a srta. Beckett já lhe informou sobre os pontos mais importantes. Venha comigo.
Siena me mostrou os pontos estratégicos do andar, onde ficavam as portas de quem, as funções de quem, e por último me levou até minha mesa, que era a 4 mesas de distancia de Sophie, e literalmente de frente para o elevador.
— Você pode decorar como quiser, pode usar as gavetas, a chave está dentro. Apenas a srta. Penelope tem a chave extra, pra o caso de uma emergêcia. Você vai receber diariamente emails sobre o que deve fazer e como deve fazer. Em alguns dias você terá que redigir os textos e outra pessoa vai analisar antes de mandar para a postagem, em outros vai ser o oposto. Aqui temos a politica de que, se você tem algo que merece ser postado, a empresa te dá essa oportunidade 1 vez por mês. Sua publicação passa por 3 análises antes de, se for o caso, realmente ser postado. Você recebe um bônus sempre que algo seu vai para o jornal.
— Ótimo!
— Espero que você goste. Qualquer coisa é só chamar. Do lado do seu telefone tem os números que podem ser acionados. O meu é S.R, agora vou te deixar a vontade. Bom dia!
Ela se afastou e eu sentei na cadeira. Do lado do meu telefone tinham apenas siglas, algumas em vermelho indicavam que só deveriam ser acionadas em último caso. Todas terminavam com a letra "B", demonstrando que eles não eram tão acessíveis assim.
Mas isso não importava porque eu estava dentro. Sou uma funcionária Bridgerton agora e nada vai mudar isso. Pelo menos não hoje.
Algumas horas depois eu já estava semi habituada. Já tinha entendido como funcionava o sistema do computador, e como funcionava a dinâmica do jornal, e acima de tudo: já tinha percebido que não seria só flores.
Em cima da minha mesa tinha uma xicara com o meu nome, eu procurei a COPA que tinham me dito que era nossa, e andei até lá, esperando encontrar um café para beber. A copa era pequena comparada ao resto do escritório, e mesmo assim tinha 5 máquinas de café, 5 microondas e 5 freezers. Me senti muito, muito, muito pobre. Agora sei porque Sophie faz de tudo para se encaixar. Já me imagino igual.
— Bom dia, você poderia me emprestar a sua xícara? Eu esqueci a minha em casa e eu vou desmaiar de sono se não beber um café agora.- Uma mulher pequena de cabelos ruivos me perguntou. Ela usava um salto super alto e mesmo assim ficava abaixo do meu queixo. Eu nem pensei em negar, só ofereci a xícara e ela sorriu para mim.- Obrigada... Kate Sharma. Sharma... Esse nome é novidade.
— É indiano.- Eu disse, era uma resposta automática. Ela se aproximou e começou a encher a xícara com o café preto.
— Você morou na india em algum momento?
— Quando eu era criança, antes de o meu pai morrer.
— Sinto muito pelo seu pai.- Ela disse, apertando meu ombro delicadamente alguns segundos antes de começar a beber o café. Ela ficou de pernas entrelaçadas olhando para mim, como se me incentivasse a falar.
— Eu também sinto. Ele era um bom pai. Depois, eu, minha madrasta e minha irmã viemos para Londres e desde então é toda vida que eu conheço. Não é ruim, mas as vezes me pergunto como seria se ele tivesse ficado vivo.
— Não estaria trabalhando aqui, com certeza.- Ela respondeu, em tom de brincadeira. Eu concordei com a cabeça.
— A duas semanas atrás eu jamais imaginaria que estivesse mesmo.
— Ah, você é a novata que o Anthony escolheu!- Ela falou, depois abriu um sorriso malicioso antes de olhar para a xícara e repetir:- Kate Sharma. Isso mesmo!
— Não entendi.
— Seu currículo foi escolhido a dedo, pequena deusa indiana. Pequena não... você alta pra caramba!- Ela brincou mais uma vez, dando as costas para mim e indo até uma pequena pia, lavando a xícara para me devolver. Foi quando eu percebi o crachá no bolso do casaco dela.
Eu estive esse tempo todo falando com Penélope. Paralisei. Ela se virou e entregou a xicara, pelo menos tentou.
— Calma, isso não é uma coisa ruim! Ele é um bom chefe. Para ser sincera, quando ele te escolheu, ele disse apenas que sentiu algo bom em relação a você. E é provável que ele nem lembre. Você não vai ser importunada se não quiser.
— Importunada?- Eu estendi a mão e peguei a xícara.
— Sim. Eu sei dos boatos que rolam sobre ele. E eu garanto que, apesar de ele ser sim um safado, ele não é um assediador.- Ela disse, parecia estar fazendo esse mesmo discurso pela milésima vez.
— Anthony Bridgerton?
— Sim.
— Me escolheu a dedo?
— Sim.- Ela riu.
— Mas por qual motivo?
— Bem, pergunte a ele!- Ela jogou os braços pra o alto, rindo.
— Deus me livre!- Saiu sem querer e graças a Deus ela riu.
— Gostei de você, Kate. Espero que a gente se encontre mais vezes. Tenha um ótimo dia. Vou dizer ao Anthony que você está aqui... posso?
— Sim?- Eu não sabia o que responder. Ela apenas acenou com a cabeça e saiu.
Como se tivesse esquecido o que fui fazer lá, saí da copa atordoada, sem olhar fixo para nada exato, antes de ser lançada ao chão e quebrar a minha própria xícara em minha palma.
— Ai!- Eu resmunguei, olhando para o sangue. Ouvi alguns gritos e as pessoas se aproximando.
— Desculpa!- Alguém me ajudou a levantar, e quando eu achei que o dia de surpresas tinha acabado, lá estava ele: Anthony Bridgerton me ajudando a levantar.
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