Wrecking Ball - KATHONY
5 Inspiração.
POV: KATE.
Acordei preguiçosamente naquela manhã. Estava exausta, mas satisfeita. Meu primeiro dia de trabalho tinha sido um sucesso inesperado. Fui convocada para editar os textos de alguém considerado importante pelo dono da empresa, e descobri que essa pessoa era uma fraude completa. Expor isso não só não me custou o emprego, mas me fez ser ainda mais bem aceita. Tudo isso, por razões que só Deus deve saber. Sophie passou a noite toda tentando me explicar que as coisas são como são. Tinha que ser assim. Bem, eu não estava disposta a discordar.
Levantei da cama e ouvi o ronco de Newton, meu amado Corgi, no tapete ao lado da cabeceira, e suspirei. Que bom que não tinha o dia todo para ficar dormindo!
Escolhi uma roupa que transmitisse seriedade e a vesti. Meu cabelo, que ontem estava lindo, agora começava a ondular; droga.
Quando fui para a sala de jantar, não encontrei Mary como na manhã anterior, mas ela havia deixado panquecas e mingau de aveia prontos na mesa, junto com um bilhete informando que estava no plantão e desejando um bom dia para mim e Edwina.
Depois do café, bati na porta do quarto de Edwina:
— Mamãe deixou café da manhã pronto. Preciso ir. Quer algo?
— Não, irmã. Estou saindo. Bom trabalho! — ela respondeu de dentro do quarto, abafado.
— Boa aula! Falo com você no WhatsApp durante o dia! — disse, me despedindo e pegando minha bolsa para sair.
Logo ouvi os barulhos de Brixton. Hoje Sophie não viria me buscar, mas não havia problema; eu poderia usar o transporte público. Isso me dava tempo para pensar e eu gostava de ver a "paisagem" de Londres.
Ao chegar à empresa, vi Anthony Bridgerton e Siena Rosso entrando no elevador. Siena não parecia feliz, mas isso não era problema meu.
— Oi! — Ouvi uma voz animada ao meu lado e me assustei ao ver Eloise Bridgerton. Tentei sorrir, mas acho que falhei.
— Bom dia, Srta. Bridgerton. Posso ajudá-la em algo? — perguntei, mas ela já estava caminhando para o elevador, me olhando como se pedisse para segui-la.
— Ah, não, só queria te conhecer pessoalmente. Me chame de Eloise. Você é Kate Sharma, não é?
— A senhora... me conhece?
— Me chame de você. Senhora é para Daphne, que casou, e para minha mãe, que é viúva. Eu pessoalmente acredito que jamais me casarei só para ser chamada de você até ficar grisalha. Claro que te conheço! Sou melhor amiga de Penélope e ela falou a noite toda sobre a nova descoberta no jornalismo da nossa empresa. Expectativas foram criadas, colega! — Ela me deu uma cotovelada brincalhona e piscou. Eu fiquei boquiaberta quando o elevador abriu e precisei engolir em seco antes de entrar. Nem notei que havia outras pessoas ao nosso redor.
Todos a cumprimentaram animadamente e ela respondeu da mesma forma. Ela saiu no primeiro andar, acenando para mim. Continuei sem reação até quase esquecer de sair no sexto andar.
— Bom dia. — Levei outro susto. Siena Rosso estava me esperando.
— Bom dia, Srta. Rosso. — Dessa vez, meu sorriso foi genuíno; queria ser gentil com ela. Ela não retribuiu.
— Gostaria de conversar com você, se não for muito incômodo. Podemos tomar um café? — Ela indicou a copa do nosso setor.
— Vou deixar minhas coisas na mesa e encontro você. — Ela concordou e fomos em direções opostas.
— Ela está soltando fogo pelas ventas desde que chegou. Acho que o papai Bridgerton não deu o que a pupila pediu. — Sophie confidenciou quando cheguei.
— Isso é problema meu? — perguntei, vendo a careta de Sophie.
— Não faço ideia, amiga. Ela nunca foi contrariada antes. Mas também, ninguém foi escolhido a dedo antes. Vamos descobrir.
— Com meu emprego em risco?
— Com seu emprego em risco! — respondeu Sophie, descontraída. Suspirei antes de pegar minha xícara e ir para a copa. Estava lotada; todos chegavam naquele momento. Siena encheu minha xícara e me levou para um canto mais reservado, ainda assim, todos nos olhavam.
— E então... o que achou dos meus artigos? — Ela me encarou com tanta intensidade que senti pena. Ela achava que era boa.
— Hm... Eu... Desculpe, Srta. Rosso, mas temos ideias diferentes. — Foi o melhor que consegui dizer.
— Entendo. Não sei por que te escolheram para editá-los. Para ser sincera, acho que são claros o suficiente e quem não os acha bons é incompetente. — Ela me atacava e também atacava a dona do jornal, convencida de sua superioridade. Mordi a parte interna da bochecha para me manter calada. — Mas já que Anthony acha isso necessário, vamos nos alinhar.
— A Srta. Featherington me deu carta branca para editar e enviar diretamente para ela. Ela selecionaria o que usar. — falei rapidamente. Ela revirou os olhos, desprezando Penélope. Era quase uma piada, mas muito ofensiva.
— Fiquei sabendo. Pode me enviar antes de enviar para ela, então decidimos juntos o que fica bom e ela decide o final. Acho que ela trabalha muito de qualquer forma, não terá tanto tempo assim. Garanto, eu faço o trabalho pesado para ela.
— E você terá tempo para isso, fazendo todo o trabalho da dona? — Ergui uma sobrancelha, meu sarcasmo evidente. Ela levantou o queixo, percebendo.
— Eu vou dar um jeito.
— Entendo. Infelizmente, não posso fazer assim. Recebi ordens diretas de enviar apenas para ela e vou seguir essas ordens. Você pode tentar falar com ela ou com o Sr. Bridgerton. — ofereci, sabendo que eles não ajudariam Siena. Ela fechou a cara, e vi uma veia saltar na testa dela.
— Certo. — Achei que ela me xingaria, mas só disse isso.
— Agora, com licença, Srta. Rosso, pois tenho muitos artigos para editar. Quero acabar logo para descobrir que outras demandas maravilhosas este emprego me reserva. Bom dia! — Dei as costas e saí da copa, suando em bicas. Meu emprego realmente estava em risco, e Siena faria de tudo para me derrubar.
Quando voltei para a minha mesa, Eloise Bridgerton estava lá de novo, dessa vez conversando com Sophie que tinha um sorriso tão aberto que imaginei que sua bochecha estivesse doendo a essa altura. Tentei sentar sem chamar atenção, mas ela me viu chegando.
Quando voltei para a minha mesa, Eloise Bridgerton estava lá de novo, dessa vez conversando com Sophie, que tinha um sorriso tão aberto que imaginei que sua bochecha estivesse doendo a essa altura. Tentei sentar sem chamar atenção, mas ela me viu chegando.
— Kate! — Eloise exclamou, quase como se eu fosse a surpresa do dia. — Estava te esperando.
Sophie me deu um olhar de desculpas, como se quisesse dizer "não fui eu que a trouxe aqui".
— O que posso fazer por você, Eloise? — perguntei, tentando manter um tom profissional, apesar da curiosidade que me roía por dentro.
— Bem, não é exatamente por você que estou aqui. — Ela virou-se para Sophie com um brilho nos olhos. — Mas você pode ajudar. Eu descobri algo interessante. Meu irmão, Benedict, está em busca de uma musa, alguém que inspire suas próximas obras. E ontem, eu vi Sophie aqui e tive uma epifania.
Sophie arregalou os olhos, claramente surpresa com a direção que a conversa estava tomando.
— Eu? — Sophie perguntou, quase gaguejando. — Mas eu não sou... eu não faço arte.
— Ah, mas você não precisa! — Eloise riu, encantada com a ideia. — Benedict precisa de alguém com um rosto interessante, uma alma que fale através dos olhos. E você, minha cara Sophie, tem isso em abundância.
Sophie parecia entre lisonjeada e assustada. Eu podia ver que ela estava tentando processar a informação.
— Eloise, como exatamente você pretende apresentar Sophie ao seu irmão? — perguntei, tentando entender o plano por trás dessa visita inesperada.
— Bem, eu pensei em um encontro casual. Talvez um jantar ou uma festa, algo que não pareça forçado. Benedict é um pouco... digamos, sensível a manipulações óbvias. Mas se ele a conhecer sem saber que há um plano por trás, ele vai se interessar naturalmente.
Sophie olhou para mim, procurando algum tipo de conselho ou apoio. Eu sorri, encorajando-a.
— Acho que você deveria considerar, Sophie. Benedict é um artista incrível. E quem sabe, pode ser uma oportunidade de explorar algo novo.
— Mas e se eu não for o que ele está procurando? — Sophie perguntou, a insegurança visível em sua voz.
— Isso é o melhor do processo artístico. — Eloise respondeu com entusiasmo. — Não se trata de ser perfeito; trata-se de inspirar. E eu tenho certeza de que você vai inspirar Benedict de maneiras que ele nem imagina.
Eloise continuou a falar sobre o plano, sugerindo uma festa que a família Bridgerton estava planejando para o próximo fim de semana. Ela estava claramente animada, e sua energia era contagiante. Sophie parecia cada vez mais envolvida pela perspectiva, embora ainda houvesse um toque de nervosismo em seu olhar.
— Mas, Srta. Bridgerton, eu não conheço ninguém da sua família. Além disso, eu não sou modelo. Ele vai achar estranho. — Sophie tentou justificar, sua voz carregada de dúvida.
— Ah, bobagem! — Eloise exclamou, dispensando as preocupações de Sophie com um aceno de mão. — Benedict não está procurando por uma modelo no sentido clássico. Ele busca inspiração, alguém que fale ao coração dele de uma forma que ele não consegue capturar com palavras ou tintas. E você, Sophie, você tem isso. Confie em mim.
Sophie mordiscou o lábio inferior, refletindo sobre as palavras de Eloise. Havia um brilho de curiosidade em seus olhos, misturado com o nervosismo de se aventurar em território desconhecido.
— Eloise... Você não está procurando uma namorada para o seu irmão de uma forma sorrateira, está? — perguntei, percebendo a jogada. Eloise sorriu para mim e piscou.
— É sempre uma possibilidade — ela respondeu, com um toque de malícia em sua voz.
Sophie arregalou os olhos, um pouco surpresa com a franqueza da resposta.
— Não se preocupe, Sophie. — Eloise continuou rapidamente, tentando suavizar a revelação. — Meu principal objetivo é mesmo trazer um novo fôlego à arte de Benedict. Mas, se ele encontrar algo mais, bem, isso seria apenas um bônus, não acha?
Sophie parecia dividida entre o nervosismo e um fascínio crescente pela ideia.
— Mas e se ele não gostar de mim? Ou se eu não souber como agir? — Sophie questionou, ainda insegura.
— Senhorita Beckett, apenas me ouça, eu sei o que estou fazendo. — Eloise disse, com uma segurança que parecia contagiar o ambiente. — Na sexta, haverá um jantar na estufa para comemorar as vendas que fizemos no último mês, e a senhorita está convidada. Pode ir também, Kate.
Sophie parecia ponderar sobre a proposta, com um misto de excitação e medo.
— Na estufa? — Sophie perguntou, a curiosidade começando a superar a insegurança.
— Sim, nossa estufa é encantadora à noite, com luzes e plantas exóticas. Será um ambiente perfeito para conhecer pessoas de uma maneira mais íntima e relaxada. E, claro, Benedict estará lá, talvez até precisando de um pouco de inspiração. — Eloise explicou, seu entusiasmo quase palpável.
Eu notei que Sophie ainda estava um pouco apreensiva, mas a ideia de um jantar em um lugar tão diferente parecia intrigá-la.
— E quanto ao que vestir? — Sophie continuou, tentando antecipar todos os detalhes.
— Algo leve, mas elegante. A estufa pode ser quente com todas aquelas plantas e luzes. Pense em algo que você se sinta confortável, mas também especial. — Eloise sugeriu, já visualizando o evento.
— E se eu me sentir muito deslocada? — Sophie perguntou, buscando um último conforto.
— Se você se sentir deslocada, eu estarei lá para te ajudar a se ajustar. E Kate também, não é, Kate? — Eloise olhou para mim com um sorriso.
— Claro, Sophie. Vamos juntas. Será divertido, prometo. — Eu disse, tentando passar segurança para ela.
Sophie respirou fundo, decidindo enfrentar o desafio.
— Tudo bem. Vou tentar. — Ela concordou, uma expressão determinada substituindo a insegurança inicial.
— Fantástico! — Eloise exclamou, aplaudindo de leve. — Então está combinado. Na sexta, vamos celebrar e, quem sabe, encontrar uma nova inspiração para o Benedict. Mas acima de tudo, vamos nos divertir.
Quando Eloise se despediu, eu sabia o que estava passando pela cabeça de Sophie: como tudo aquilo aconteceu? Como eu fui escolhida a dedo por Anthony Bridgerton para aquele cargo, e como Sophie foi notada por alguns segundos por Eloise, que imediatamente quis que ela fosse a musa inspiradora do irmão? E por que diabos Eloise achava que Sophie seria atrativa para Benedict, que, até onde se sabia, era bastante discreto? E, mais do que isso, como duas simples funcionárias de repente estavam convidadas para um jantar íntimo da família dona da empresa?
Isso me fez voltar a pensar em Siena. Contei a Sophie sobre nossa conversa.
— Siena não ficou nada feliz com a minha edição — comecei, enquanto Sophie ouvia atentamente. — Ela acha que eu não deveria estar no cargo e que os artigos dela são perfeitos como estão.
Sophie franziu a testa, preocupada.
— E como você respondeu a isso? — ela perguntou, sua curiosidade evidente.
— Fui direta. Disse que tenho ordens de Penélope para editar e enviar diretamente para ela. Siena não gostou, mas Anthony quer que a gente trabalhe junto, ou pelo menos que ela tenha alguma participação nas decisões editoriais.
Sophie parecia pensar sobre isso por um momento.
— Parece que estamos no meio de um jogo de poder, não é? — ela comentou, um pouco assustada com a dinâmica da situação.
— Exatamente. E agora, com essa festa... É como se estivéssemos sendo colocadas em um tabuleiro maior — eu disse, tentando fazer sentido de tudo.
Sophie suspirou, passando a mão pelo cabelo.
— É tudo muito rápido. De ser apenas uma assistente a potencialmente conhecer Benedict Bridgerton como musa... — ela disse, ainda não acreditando totalmente na situação.
— Bom, é como você sempre diz: as coisas são como são. Tinha que acontecer. — Usei suas palavras contra ela, e Sophie não pôde evitar rir.
— Pelo amor de Deus, Kate, vamos arrasar nesse jantar, tá? Siena não vai tirar seu emprego e, se tudo der certo, no sábado eu estarei dormindo com um Bridgerton. O mais difícil deles. Eu vou até desmaiar! — Sophie comentou, com um misto de humor e determinação.
Eu ri, apreciando o entusiasmo dela, mesmo que fosse meio exagerado.
— Vamos devagar com o entusiasmo, Sophie. Primeiro, vamos garantir que você o conheça e que ele goste de você. Não queremos que você desmaie antes mesmo de dizer 'olá'.
Ela deu de ombros, mas o brilho em seus olhos mostrava que estava realmente animada com a perspectiva.
— Sério, Kate, estou tão nervosa quanto empolgada. Mas se Eloise acha que eu tenho algo especial, talvez eu deva ao menos tentar. E se Benedict for tão encantador quanto dizem, quem sabe o que pode acontecer?
— Exatamente. Vamos entrar nisso com a mente aberta. E sobre Siena, nós vamos lidar com ela como sempre: com profissionalismo e um pouco de astúcia. — Eu disse, tentando passar uma sensação de controle sobre a situação.
Sophie concordou, um plano começando a se formar em sua mente.
— Certo. Então, vamos nos preparar. Vou precisar de um vestido novo, algo que diga 'musa', mas sem exagerar. E você, o que vai fazer?
— Vou garantir que meus artigos estejam impecáveis para que nem Siena nem ninguém possa questionar minha competência. E talvez, só talvez, eu também encontre algo bonito para vestir. Não queremos que Benedict pense que só a musa tem estilo, né? — brinquei, tentando aliviar a tensão.
Sophie riu, mas havia uma nova determinação em seu olhar.
— Vamos fazer isso, então. Vamos mostrar a todos que não somos apenas funcionárias, mas pessoas com algo a oferecer. — Sophie disse, com uma nova resolução em sua voz. — Ai, Kate, estou tão feliz que você veio trabalhar aqui!
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