Would You Be My Thousand Fucks?
4 Capítulo 4
Bert estava com Patrick a quase 3 semanas. E nunca teve vontade de traí-lo. Exceto com Gerard. Mas agora, quando a ocasião estava bem ali, Bert repensou o seu desejo pelo vocalista do MCR.
- O que aconteceu? – Perguntou a Gerard, os dois no ônibus do MCR.
- Ele falou que não podia ficar comigo enquanto eu gostava de outro. – olhou para Bert. – Frank. E o pior é que ele tem razão. Eu devia falar logo pro Frankie, mas... – ele olhou para o amigo novamente. Só que desta vez o olhar de miséria foi substituído por desejo. Bert recuou um pouco.
- Gee, você não devia beber, você sabe.
- Eu não bebi. – se aproximou mais de Bert. Falou perto do ouvido dele, seu hálito quente causando reações adversas no corpo do vocalista do Used: — Eu estou carente, Bertie. Você vai negar o que eu estou te oferecendo?
Bert engoliu em seco. Olhou Gerard nos olhos e se viu refletido neles.
***
Mesmo horas depois, Bert ainda sentia. Ainda podia sentir a pele de Gerard sob a sua. Podia sentir o cheiro dele impregnado em si próprio, ainda se lembrava do gosto dele. O suor, os beijos, as mordidas. A expressão de prazer de Gerard, com os olhos fechados, o rosto e cabelo úmidos com suor, o modo como ele mordia o lábio inferior, tudo isso ainda estava marcado a fogo na memória de Bert.
Também estava fresca na sua memória o modo como quando acabou Gerard simplesmente se vestiu, acendeu um cigarro e o mandou embora. Quando Bert (disfarçando a sua mágoa o melhor que pôde) perguntou se aquilo iria se repetir, Gerard tinha falado (quase num tom acusador):
- Você está com o Patrick.
Ele saiu do ônibus do MCR (que estava vazio) e foi direto pro bar.
***
- Outro? – o barman perguntou, incerto.
- É, outro. – Bert respondeu, seco. Estava bebendo direto há uma hora, tentando liquefazer o seu cérebro ou conseguir se auto-lobotomizar, o que viesse primeiro.
O barman botou outro drinque, e Bert o engoliu antes de sequer saber o que era. Sua cabeça rodava. Mas isso não o impediu de ver quem entrava no bar naquele exato momento. Bert se levantou e foi direto até ele, com apenas uma coisa em mente.
Apenas foi até ele, o olhou nos olhos e falou:
- Precisamos conversar. Seriamente.
O outro o olhou um pouco surpreso, então assentiu. Bert agarrou o braço dele e o levou para fora do bar.
- Você vai ter que fazer algo sobre essa merda situação com o Gerard. E rápido. Se ele não é \"homem\" -o sarcasmo foi muito claro — o suficiente pra admitir, admita você primeiro e deixem de ser os completos IDIOTAS que são.
Os olhos verdes de Frank se encheram de surpresa. Bert continuou, apontando o dedo indicador para o rosto do outro:
- NÃO finja que não sabe do que eu to falando! Pelo amor de Deus, esse balé seu com ele. Não tá fazendo bem pra ninguém, e você sabe. — O tom de indignação não poderia ser melhor -Caralho, você sabe muito bem, Frank!
- Bert, eu...
- Nem começa a enrolar. — Bert o cortou, olhando-o ameaçadoramente. -Quero saber se você gosta ou não do Gerard de uma vez.
- Bem, ele é meu amigo....
- SEM ESSA, ANTHONY! Você quer ficar com ele? Tocá-lo, beijá-lo, foder com ele? QUER?
Bert arregalou os olhos já trepidantes, tentando se manter equilibrado sobre os próprios pés. Enquanto mantinha a posição de expectativa, Frank o encarou por alguns segundos, sem ação. Então suspirou.
- Eu... não sei.
- Mas tem que saber, porra! Como você não sabe uma MERDA dessas? Por que caralho vocês não se resolvem logo sendo que tá escrito na testa dos dois \"VEM TREPAR COMIGO AGORA\"? Sinceramente, se vocês já não fossem bichas, é do que eu chamaria vocês.
- Ahm.... eu...
- Ele me comeu hoje! — Tentou uma risada forçada antes e depois da frase — E dava pra notar ele se segurando pra não gemer o SEU nome. -Assumiu a expressão e olhar sérios novamente.
- Mas você não tava com o Patrick?
Bert deu um olhar significativo. Frank falou “ah”.
- EU, e GERARD, nós trepamos, sabe? Pois é, foi o que aconteceu, e depois ele me mandou embora, assim como ele fez com cada merda de cara que ele come. Então, Frankie — ele pronunciou o apelido do outro imerso em ironia — resolve essa porra de uma vez. Vai até aquela merda de ônibus e diz pra ele se você quer ou não. Senão, ele vai continuar comendo todo mundo e magoando todo mundo depois, como ele vem fazendo e eu, mais do que você, sei que essa NÃO É uma coisa muito legal de se passar.
Frank o olhava, incrédulo. Então baixou os olhos para o chão, voltou-os para Bert, e depois para um ponto atrás dele. Suspirou e fez menção de falar algo, mas desistiu. Bert gritou:
- VAI LOGO, PORRA!
E com isso Frank o olhou uma última vez, antes de sair correndo para o seu ônibus.
Bert apoiou a cabeça na parede, apertando os olhos, respirando pesadamente. Afagou os próprios cabelos com as mãos, puxando-os, como se fosse enlouquecer. Mas tinha feito uma boa ação. Era melhor ser recompensado.
Gerard.... ele tinha se “apaixonado” por uma miragem. Uma simples e fácil ilusão. Tinha passado anos e anos cego para todos ao seu redor que se importavam com ele, e não foram poucos. Ryan, James, Zacky, Patrick,... Era isso! Patrick. Como pôde ignorar aquilo que mais tinha feito bem para ele mesmo nos últimos dias? Que realmente se importava, gostava, e estava disposto a tentar. Então Bert percebeu. Iria realmente gostar de Patrick, e não ficaria com ele por falta de companhia. Na verdade, já estava começando a gostar do vocalista.
Tipo, realmente gostar. Sem perceber, assim, simplesmente aconteceu. É isso. Assim que saísse dali, ele iria até Patrick e diria a ele que estava pronto pra não apenas “ficar” com ele, mas para se entregar.
Foi então que ouviu alguém se movendo do seu lado direito. Olhou e viu Patrick saindo de uma sombra, com a expressão mais magoada que Bert já tinha visto na vida. Todo o ar fugiu dos seus pulmões. Não conseguia se mover, nem falar, mal conseguia respirar. Apenas olhava tenso para Patrick. Então este disse:
- Eu sempre soube. Eu sempre soube que era apenas um substituto pra você. – falou calmamente. Até demais.
Foi até a porta do bar e parou apenas para continuar: — Não... – hesitou, procurando palavras. Mas apenas aquela bastava. – Não. – e entrou no bar, deixando Bert ali.
***
Agora todo mundo estava feliz, menos Bert. Frank e Gerard finalmente ficaram, e agora não se desgrudavam. Ele não via Patrick desde o dia do bar, que foi há 3 dias, e por isso só vivia lá. Bert acordava no ônibus (sozinho), andava um pouco, ia tocar e ia pro bar até alguém levá-lo de volta pro ônibus. Era um círculo vicioso.
Então um dia ele teve a idéia de falar durante o show (estava levemente bêbado)
- E todos vocês que já foderam com a vida de alguém e a sua, peçam perdão. Mas com convicção. E todo mundo que já foi fodido, eu peço com todo o meu coraçãozinho negro, aceitem e perdoem.
O público reagiu bem. Bert só esperava que Patrick ouvisse o seu apelo. Ele foi até falar com Mikey, que era o seu único contato com o FOB.
- Ele está realmente puto com você. – Mikey falava. – Eu até tentei explicar a situação, falando que provavelmente foi o meu irmão que te atacou, mas ele não quis ouvir.
- Mas você não viu nada nele? Nenhuma.... como é o nome, tipo pista de que ele vá me perdoar?
- Traço? Bem, você conhece o Pat. Ele se entregou completamente a você. Você lembra que quando vocês ficaram ele estava devastado, justamente por causa do meu irmão.
- Eu sei, eu sei. Mas o que eu posso fazer se eu sou idiota? Ele sabia que eu sempre tive uma queda pelo Gerard, mas... porra Mikey.... eu realmente gosto dele.
- Mas percebeu isso tarde demais. – Mikey falou. Bert o olhou e se perguntou o que aquele garoto estava fazendo naquela turnê fedida. Ele devia estar arranjando um PHD em psicologia. Não era à toa que estava com Pete há quase 1 mês. – Olha, Bert.... você devia estar falando isso pro Patrick, não pra mim.
- Ele não vai querer me ver. – ele falou amargurado.
- Talvez sim, talvez não. Você não vai saber se não tentar.
Bert afundou a cabeça nas mãos. Então grunhiu:
- Acho que não ajuda se eu te falar que eu também estive pensando no Zacky ultimamente, né?
E com isso ele levou um tapa na cabeça, dado por Mikey.
***
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