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12 Surpreendida.
Notas iniciais
~Samantha POV's
Estava declarado, o que pensei que estaria acontecendo com ele e Carlos, estava acontecendo, pelo menos dele, eu tinha certeza, depois de ouvir aquelas palavras, fiquei paralisada, olhando seus olhos castanhos esverdeados, ouvindo nada além de meu coração bater descompassado, deixando o momento me levar, e me odiando por isso. Finalmente, a porta foi aberta, despertei e soltei o rosto de James, olhei na direção da porta, e lá havia um Carlos, estático, surpreso, voltei a olhar James, esse respirava fundo, tentando controlar seus nervos, assim como eu tentava em vão, controlar os meus.
– O que estava acontecendo aqui? — indagou Carlos, ele também estava nervoso, só não entendi o porquê.
– Estávamos conversando, só isso — respondi, rápido, mais rápido que meu próprio pensamento.
– Interessante essa conversa cara a cara, parecia até que iam se beijar — respondeu, irônico.
– Mas não ia acontecer, e nem vai, poxa vida — bufei.
Não percebi a besteira que havia falado até olhar o rosto de James, que ficou pálido, seus olhos lacrimejaram, e eu desejei poder voltar o tempo e mudar o que havia dito, mas já estava feito, e James, calado, saiu de meu apartamento igual um furacão, tentei correr atrás dele, mas seria inútil, o orgulho que ele tinha não me deixaria explicar nada.
– Olha só o que você fez — falei me virando para Carlos.
– Não fui eu quem disse que não beijaria a princesinha, e aliás, não entendi o porquê de isso o afetar tanto — respondei com desdém.
– Porquê está agindo assim? — perguntei, a voz já falha, e um nó na garganta.
– Experimenta ver quem você ama quase beijando seu melhor amigo — gritou.
– Não, você também não — minha visão ficou turva, tudo começou a girar, me apoiei na parede ao meu lado.
– Mas quer saber, não importa, ninguém nunca me amou mesmo, não faz diferença, eu vou passar por isso — cuspiu as palavras e me virou as costas, saindo de meu apartamento.
De repente, perdi a força em meus braços, e senti a pancada de meu corpo contra o chão, ouvi a voz distante e preocupada de Carlos, minha visão estava escura, não via nada além de um borrão, depois disso, não senti mais nada.
~Kendall POV's
As semanas seguintes à discussão com Samantha foram um inferno, tudo estava mudado, apenas Logan ainda fazia questão de vir me ver, Carlos distanciou-se, não imagino o porquê, e James ainda estava, de certa forma, magoado, mesmo depois de meu pedido de desculpas a Sam. Margareth se tornou uma verdadeira megera, quando ela viu que eu me importava com o que ela chamava de "aquelazinha ou sua ex piranha", fez o possível para me irritar, parecia até querer ser minha dona, e eu estava me cansando disso. Uma tarde, estávamos sentados na beirada da piscina, quando recebi uma ligação de Logan.
– Fala, mano — atendi.
– Samantha está no hospital — disse ele com um tom de voz preocupado.
– Como? — tamanha foi a surpresa da notícia, que soltei-me do abraço de Margareth — Porquê? O que houve?
– Parece que Carlos discutiu com ela, algo que eu não sei bem o que foi ainda, mas depois da discussão, ela desmaiou, os médicos ainda estão a examinando.
– Em quê hospital vocês estão? — perguntei me levantando.
– No mesmo que ela foi internada quando se cortou — respondeu.
– Okay, estou indo encontrar vocês.
– Estaremos aqui.
Desliguei o celular e corri para dentro de casa, Margareth me seguiu e conseguiu me segurar.
– Onde você vai?
– No hospital — respondi apressado.
– Quem morreu? — ironizou.
– Samantha passou mal, eu vou ver se...
– Ah não, você vai me deixar sozinha aqui por causa da piranha? — me interrompeu.
– Vou sim, Margareth — respondi furioso — cansei de você querer me controlar, vá embora e por favor, não precisa voltar, nunca mais.
– Como é? — perguntou surpresa.
Saí por aquela porta e deixei-a sozinha, e completamente furiosa. Mais tarde no hospital, nos foi dito que Samantha não poderia se estressar, isso afetaria os nervos dela, causando desmaios e talvez, até paradas cardíacas. Decidimos que ficaríamos os três nos hospital, já que James sumiu misteriosamente e desligou o celular.
A noite estava sendo longa, Logan e Carlos conseguiram dormir, eu não podia dizer o mesmo, de repente, começou um tumulto, médicos gritavam pedindo um desfribilador, senti um calafrio na espinha e fui até a porta do quarto onde a gritaria começara, lá dentro, os homens vestidos de brancos pairavam sobre um corpo, por uma brecha, vi que o paciente era Samantha, logo depois ouvi o choque e seu corpo se debatendo em espasmos violentos, entrei no quarto correndo, mas me arrancaram de lá, eu chorava desesperadamente e gritava, mas não me soltaram, as máquinas ligadas a ela estavam silenciosas, e não havia pulso algum nela, estava morrendo.
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