Worldwide
7 Será o fim?
Notas iniciais
– Você enlouqueceu, garoto? – perguntei com a voz completamente alterada.
– Sam, calma, eu vou explicar...
– Calma? Você me pede calma quando me abandonou, por desconfiança besta, e agora vem dizer que vou sair do país, que brincadeira é essa? – disse me afastando dele.
– Estou falando sério, amor.
Do nada, um pingo de esperança tomou conta de mim, ele falou aquilo? Ou eu estava sonhando?
– O-o-o quê? — gaguejei.
– Deixa eu te explicar? – perguntou compreensivo.
– Uhum.
– Okay, primeiro, quero me desculpar por ontem, por desconfiar de seu amor, mas eu fiquei louco com a ideia de lhe perder, e fiz uma loucura maior ainda, e segundo, sobre você se mudar... – ele fez uma pausa, respirando fundo, as palavras custaram a sair de sua boca -é verdade, quando eu soube, sabia que precisava lhe ver ao menos uma última vez e me desculpar.
– Mas, como assim? Porquê? — começei a chorar.
– Shiii, calma, estou aqui com você — me abraçou, consolando-me.
Sentir o cheiro daquele perfume me acalmou um pouco, respirei fundo em seu peitoral, enquanto ele me apertava contra si, e mesmo com tudo que acontecera entre nós na noite passada, eu não consegui parar de pensar, "como vou sobreviver, longe disso, dessa paz, dele?", Kendall segurou firme meus braços finos e frágeis, e me afastou, olhando nos meus olhos, me hipnotizando, como sempre fazia.
– Como vou viver sem você? — perguntou colocando uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha e deixando as lágrimas rolarem soltas.
– Não chora — limpei, com meu polegar, a dor transformada em água, que escorria em seu rosto angelical — eu também não sei como viver sem você — sorri e chorei ao mesmo tempo, colando nossas testas.
– Foge comigo? — perguntou, sapeca.
– Não posso — ri de sua idéia maluca — mas posso ficar com você.
– Como? — indagou confuso.
– Aqui — pus a mão em cima de seu peito, onde ficava o coração.
Abraçados, beijamo-nos, apaixonadamente, como sempre fazíamos.
Depois de algum tempo, minha mãe nos convidou a descer as escadas para explicar melhor o que estava acontecendo. Meu pai, foi paciente, e escolheu bem as palavras para me dizer que iríamos viajar por conta da empresa em que trabalhava, por ele ter sido transferido para uma filial na Rússia, e mamãe, ao seu lado, completou a conversa, avisando que partiríamos na semana seguinte. Uma semana, apenas uma semana para ficar com Kendall.
E como era de se imaginar, a semana passou como um piscar de olhos, e lá estava eu, naquele aeroporto, agarrada ao tórax de Kendall, como se minha vida dependesse exclusivamente daquilo, e realmente, dependia.
" Vôo 247, como destino à Rússia, chamada inicial, prossigam até a plataforma de embarque".
Soou uma voz feminina no alto-falante, olhei para ele, seu sorriso fraco fez com que uma lágrima solitária vagasse na superfície macia de seu rosto, sequei-a com um beijo.
Me virei de costas para ele, e abraçei Logan.
– Você é especial, Sam, espero te ver de novo, nunca ninguém me deu os melhores conselhos em apenas uma semana — sorriu.
– De nada? — retribui o sorriso e o abraçei novamente.
Carlos estava ao lado dele, com um sorriso boboca no rosto.
– Vai ter que voltar em garota? Você é minha mais nova parceira de pegadinhas.
– Sim senhor, capitão — ri de mim mesma e abraçei-o rapidamente.
– Antes que me massacre, quero que saiba que não foi culpa minha, seu namorado que deixou o celular comigo e eu vi sua foto de pijama do Frajola — disse James erguendo as mãos em rendição.
– Seu idiota, ninguém mandou você olhar — deu um tapa na sua cabeça, despenteando sua franja.
– Aaaaaaah — gritou como uma garota — como ousa tocar no cabelo do Diamond? — perguntou fazendo um gesto estranho com as mãos ao lado do rosto.
– Calado — sorri e abraçei-lhe.
Voltei a olhar Kendall, ele estava cabisbaixo, cheguei perto dele e notei o rio que escorria por seu rosto, não falei nada, apenas beijei seus lábios, nunca havia sido daquele jeito, era a despedida.
– Isso não é um adeus — falei ao seu ouvido.
– Espero que não — falou passando as costas da mão em minha bochecha.
Após um abraço forte, dei-lhes as costas, e caminhei até o portão, junto com meus pais, alguns passos a frente, Kendall gritou meu nome, olhei para trás e vi ele correndo até mim.
– Sam, eu te amo! — afirmou e me beijou novamente.
Durante o beijo, nossas lágrimas se chocavam, deixando rastros nossos um no outro. Nunca havíamos dito aquelas três palavras, para mim foi o fim, me destruiu, mas me encheu de alegria.
– Eu te amo — sussurrei.
Então passei por aquele portão, e deixei meu coração ali, com ele.
Fale com o autor