Worldwide
32 O que eles estavam planejando?
Notas iniciais
~Carlos POV's
Guiei, com uma empolgação fora do normal, Thamires até minha cozinha. Era tão inigualável, tão especial, tão perfeito, aquela sensação de empurrar a cadeira de rodas dela, parecia até que, naqueles momentos, ela me pertencia, mesmo sendo algo apenas ilusório. O perfume de seus cabelos inundou meu olfato, me deixando nas mãos dela, e ela poderia até mandar que eu fosse buscar flores na China, porquê mesmo que ela não me pertencesse, eu pertencia inteiramente à ela.
– Então... — começou, sem jeito.
– Como gosta das pipocas? — perguntei, para que ela se sentisse mais à vontade.
– Muito bem assadas, muito bem salgadas, e muito bem amanteigadas — respondeu, arrancando uma risada minha — Mas como estou de regime, para mim, natural já está bom.
– O.k., a sua vai ser só sua.
– Não precisa...
– Precisa — afirmei — Aliás, o que realmente me pergunto se precisa, é o fato de você fazer regime — comentei.
– Ah, mas esse aspecto eu garanto que é necessário.
– Me explique — pedi-lhe enquanto colocava o milho em uma panela com óleo.
– Bom, como já é bem óbvio, não posso fazer muitas atividades físicas, o que me leva à ser uma pessoa praticamente sedentária, e se eu não fizer regime, vou acabar como um botijão de gás preso em uma cadeira de rodas — finalizou rindo, fazendo com que eu risse também.
– Botijão ou não, ainda é linda — murmurei baixo.
– O que disse?
– Ah, nada demais — disfarcei.
Se seguiu um silêncio, que parecia interminável, até ela quebrar o gelo.
– Não sente vergonha? — indagou.
– Ein? De quê?
– De estar comigo — respirou fundo.
– Na verdade, eu sinto orgulho, você é um exemplo de força — sorri.
– Acha isso, Los? — sorriu ela abertamente.
– Claro, a única vergonha que tenho é viver em um mundo cheio de preconceito com pessoas tão maravilhosas, assim como você.
Foi perfeito o sorriso que brotou em seu rosto de princesa enquanto ela corava e baixava a cabeça. Minha vontade era de abraçá-la, e fazê-la se sentir a garota mais especial do universo, mas minha timidez não permitiu. Minutos depois de silêncio, a pipoca já estava pronta.
– Aqui está a sua — disse, entregando a ela um pote com a pipoca dentro.
– Obrigado — respondeu, olhando em meus olhos.
– É só pipoca — falei, fazendo com que ela risse.
– Pela pipoca também, mas também por sua opinião sobre mim, muito obrigado.
– Foi uma honra, madame — sorri.
Peguei o outro pote gigante, com a pipoca amanteigada, coloquei no colo de Thami, e a guiei para a sala novamente. Chegando lá, vi que todos estavam cochichando.
– Qual a fofoca ? — indaguei, fazendo com que eles se assustassem.
– Estamos planejando fazer uma ... — começou Sam.
– Festa para ... — continuou Kendall.
– Os vagalumes do seu jardim — finalizou Logan.
Olhamos uns para os outros e caímos na gargalhada.
– Essa é realmente uma causa justa — Thamires disse.
– Claro, os vagalumes precisam ter ao menos uma festa digna em seus três anos de vida — prossegui gargalhando novamente — Mas sério, o que estavam falando?
– Nada demais, esquece — falou Dustin.
Continuamos ali, brincando, e rindo. Kendall, com aquela fome de elefante que ele tem, comeu praticamente a pipoca toda sozinho, e só não comeu meu pote, porque tomei de suas mãos. Alguma horas mas tarde, Bruna e Thami foram embora, então ficamos só aquele grupo de amigos, tirando James e Sam que não paravam de se agarrar.
– Será que só eu senti aquele clima aqui? — perguntou Dustin.
– De quê? De acasalamento? Porquê foi o único clima que senti enquanto Sam quase engolia meu amigo — respondi rindo.
– Há,Há,Há, acho que ele falou de você e Thamires, engraçadinho — disse Sam.
– Ahn? — indaguei, sem entender nada.
– Aqueles sorrisos, e aqueles olhares, e aquele abraço e beijo de boa noite na bochecha dela — falou Kendall, piscando os olhos rápido e juntando as mãos. Gay.
– Nada demais — murmurei.
– Tá na cara que você gosta dela — se pronunciou James.
– Mesmo que eu sinta, talvez não seja o mesmo com ela — respondi de cabeça baixa.
Eu já mencionei que amo a Sam? Então, eu amo. Porquê ao me ver meio desapontado, ela se soltou dos braços de James, correu para se sentar ao meu lado, e segurar minha mão.
– Ei, você não sabe, não fique triste — disse ela.
– Eu me sinto... — fiz uma pausa, tentando encontrar as palavras — preso à ela — finalizei.
– Então porquê não diz? — perguntou Dustin.
– Vergonha — respondi.
– Ah, não tem mais que se preocupar com isso — disparou Kendall, e logo depois coloco a mão na boca.
– Como assim? — indaguei.
– Kendall é marica, ele não sabe de nada — falou Logan.
– Ei... — Kendall começou a protestar mas foi interrompido por Sam.
– Chega, acho que já está na hora de irmos.
– Concordo — James disse.
Com isso, todos foram embora as pressas, me deixando com uma dúvida enorme. O que eles estavam planejando?
~ Narrador Observador POV's
Carlos foi dormir com aquele pensamento de que estava por fora de algo. E realmente, estava. Porquê seus amigos planejavam nada mais, nada menos, que um jantar, mas não era um jantar qualquer. No dia seguinte, Samantha foi com James comprar todos os preparativos, enquanto Kendall, Logan e Dustin, cuidavam de organizar e limpar o local. Com aquela criatividade que só Samantha tem, ela escreveu duas cartas-convites, uma para Carlos e outra para Thamires, que James colocou em suas correspondências. As cartas-convites, os avisava de que teriam um jantar, eles só não sabiam que iriam jantar juntos. E nem ao menos imaginavam tamanha surpresa que estava por vir.
Thamires teimou de que não iria à lugar algum, afinal, a carta dizia apenas que era de alguém especial, então Bruna praticamente teve de forçá-la a ir, argumentando que podia ser um jantar de família, e seria uma surpresa. Enquanto Thamires resistia, Carlos apenas pensava o que iria usar, porquê mesmo sem saber de quem era o tal convite, ou que tipo de jantar seria, ele estava ansioso por sair para passear um pouco, e por momento nenhum, passou por sua cabeça de que seria isso o que seus amigos tanto escondiam dele.
Fale com o autor