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15 Marcas do passado.
Notas iniciais
~Kendall POV's
– Kendall — disse apoiando-se nos cotovelos para se sentar — estava te esperando.
– Você o quê? — perguntei, gaguejando.
– Isso mesmo que ouviu — seu tom de voz era sério, aquilo já estava me assustando.
– E porquê estava justamente me esperando?
– Eu quase morri — respirou fundo — e isso não poderia acontecer sem... — interrompeu-se.
– Sem? — me aproximei um pouco mais.
– Sem, sem dizer que — olhou em meus olhos, os dela estavam totalmente marejados de lágrimas — eu te perdôo, perdoei no momento em que pediu, mas fui estúpida e, e... — não deixei que ela terminasse o discurso, atravessei o curto espaço que havia entre nós, e a abraçei com toda a força de meus braços, sentindo o peso da culpa me deixar livre.
– Pode chorar — repeti várias vezes ao seu ouvido, sentindo suas lágrimas encharcarem minha blusa.
– Desculpa, eu não quis ser essa megera que fui, eu só queria me proteger e acabei fazendo mal a alguém, alias, a muita gente — falou entre soluços desesperados.
– Respira — olhei seus olhos, como sempre fazia, não sei porquê, mas acho que aquilo a acalmava, e como eu falei, ela fez, respirou e relaxou um pouco mais — não tem que se desculpar, está bem? Eu magoei você, eu fiz uma promessa que não pude cumprir, eu que lhe devo mil perdões.
– Não é sua culpa,eu que sou uma tola de ainda amá-lo — baixou a cabeça.
– De me amar, talvez, sim — segurei seu queixo e olhei novamente seus belos olhos castanhos — mas sou meio que grato por isso, me trouxe você de volta, e eu ainda a amo, mas agora como uma amiga.
Afirmou positivamente com a cabeça e enterrou-se em meu peito.
~James POV's
Passaram-se três horas, até que Kendall saiu do quarto, com o rosto sério, mas com traços nítidos de alegria, e chamou os policiais a entrarem no quarto, prontos para ouvir o depoimento de Sam. Fiquei mas uns bons trinta minutos sozinho, esperando aquele interrogatório acabar, finalmente, a porta do quarto foi aberta, um bando de policiais saiu discutindo sobre o que fazer agora, e eu não entendi nada, fui tirado de meus pensamento no momento que Kendall chamou-me.
– James?
– Sim — respondi.
– Samantha quer falar com você — falou.
Eu não sabia se estava pronto, emocionalmente, para uma conversa com ela, mas eu precisava entrar naquele quarto, e ver seu sorriso, seus olhos, ver a perfeição que a constituía, e sem pensar muito, em poucos segundos, já estava dentro do quarto, com ela analisando-me, e então sorriu.
– Espera que eu me levante para cumprimentá-lo? — perguntou, o som doce de sua voz me fazendo delirar — Não posso James, estou amarrada na cama, graças a meu surto psicótico — sinalizou, com um sorriso no rosto, a corda que amarrava seus pés.
– Desculpa — falei, envergonhado.
– Acho que quem deve desculpas aqui sou eu — respondeu séria.
– Não se preocupa com isso — aproximei-me de sua cama.
– Eu preciso — segurou minha mão — falei aquelas palavras sem pensar, me desculpe — falou, enquanto brincava com os dedos de minha mão.
– Você está totalmente perdoada — ao ouvir isso, um sorriso espontâneo e único brotou em seus lábios, e ao ver aquilo, não resisti ao impulso de deitar-me ao seu lado, e quando o fiz, ela apoiou sua cabeça leve e cheirosa em meu tórax, deixando no ar um silêncio interminável, até que decidi quebrá-lo — Sam, quem é Camila?
– Longa história — respondeu, sem ânimo para continuar.
– Posso passar o resto dos meus dias lhe ouvindo.
– Bobão — sorriu novamente, então respirou fundo — Camila, era uma amiga de infância, a única que tive um dia, mas — fez uma pausa, segurando o fôlego, para não chorar — mas, ela parou de falar comigo, e a andar com outras pessoas, ela mandava essas pessoas se afastarem de mim e me maltratarem.
– Mas, porquê?
– Nunca descobri o porquê — senti uma lágrima pingar em minha camiseta — eu realmente queria saber.
– Mas, tem certeza que foi ela quem veio ao seu quarto? — perguntei a apertando mais ainda contra mim.
– Foi, eu reconheceria aquele rosto em qualquer lugar, era ela.
– Não se preocupe, ela vai pagar — beijei o topo de sua testa.
~Narrador Observador POV's
Nesse mesmo momento, numa lanchonete não muito longe dali, duas pessoas normais conversavam entre si, só que ninguém imaginava a gravidade da conversa.
– Fez o que lhe mandei? — indagou a primeira.
– Com um prazer indescritível — respondeu a segunda.
– Tomara que estejam velando o corpo daquela garota.
– Espero o mesmo.
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