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20 A viagem.
Notas iniciais
~ Samantha POV's
O percurso até a casa de praia não foi longo e nem cansativo, para explicar melhor, não poderia ser de jeito nenhum, porquê para início de conversa, quem estava à meu lado, era James, sempre disposto a me arrancar sorrisos, fossem eles bobos, vergonhosos, ou simplesmente alegres. Quando chegamos no local, ele estacionou o carro em frente, e antes que saíssemos, demos um olhar nervoso um ao outro, seguido de sorrisos também nervosos, nem imagino o motivo disso.
Entramos na casa, que era muito bem organizada, e totalmente aconchegante. Como ele não me deixara carregar nenhuma mala, simplesmente joguei meu corpo sobre o sofá de couro branco, bem no meio da sala.
– Eu gostei — disse ele quebrando o silêncio.
– Também — respondi sem olhá-lo.
– Algo errado? — sem tom de voz me pareceu preocupado.
– Não, só...estou nervosa, nunca fiz uma loucura dessas — sorri.
– Sou só eu, não precisa nervosismo.
– Você também está Jay, não tente esconder de mim.
– É meio difícil não ficar nervoso com a garota que eu amo bem na minha frente.
Balançei a cabeça em negação às palavras dele, e respirei fundo. Mas tarde, quando já estava escurecendo, eu mesma sugeri que fôssemos caminhar na areia.
~ ( Escritora: Recomendo, a quem puder, que leia esse trecho ouvindo esta música --> http://www.vagalume.com.br/ed-sheeran/all-of-the-stars.html )
Descalça, com os cabelos soltos ao vento, o pôr do sol e o céu alaranjado à minha frente, lembrei do primeiro beijo entre Kendall e eu, olhei para o lado esperando vê-lo, mas vi James, sorrindo para o horizonte, e deixei uma lágrima solitária passear por minha face. De repente, aquele olhos castanhos esverdeados encontraram os meus, e demonstraram preocupação, tentei sorrir, disfarçar, o que não funcionou.
– Isso te lembra ele? — indagou limpando o insistente rio que corria sobre a pele clara de minhas bochechas.
Apenas indiquei com a cabeça que sim, e então suas mãos seguraram carinhosamente meu rosto, me fazendo fechar os olhos e derramar mais lágrimas desesperadamente.
– Eu sei, ele me contou, o primeiro beijo — respirou fundo, e silenciou, logo depois disse — Sam, abre os olhos.
Meu olhar embaçado encontrou o olhar preocupado dele.
– Olha o céu — obedeci — vê aquelas estrelas que começam a pintar essa imensidão azul?
– Uhum — respondi, vendo os pontinhos brilhantes aparecerem no céu que já escurecia.
– Elas vieram brilhar para nós hoje.
Voltei a olhar o par de olhos perfeitos à minha frente, e o agradeci, ele sorriu ao ver que funcionara, não sei como, mas conversamos daquele jeito, era uma dimensão só nossa, que apenas eu e ele entediamos.
Segurei sua nuca e o forçei a aproximar seu rosto do meu, juntei nossos lábios e o beijei como nunca havia sido com ninguém, deixei minha emoções confusas fugirem, e me concentrei apenas na sensação maravilhosa que era ter aqueles lábios macios junto aos meus. Não foi apressado, foi calmo, paciente, doce, nos dando tempo de aproveitar o momento único que acontecia naquele cair de noite, senti uma falta de ar completamente nova, em nenhuma vez senti prazer em perder o fôlego, e ao perceber isso, sorri em meio à ternura daquele beijo, James fez o mesmo, e então nos separamos.
– Você não faz idéia...
– Calado — interrompi, atacando novamente sua boca.
O restante da noite foi preenchida de carinho, beijos, sorrisos, e ele, que me fez esquecer, por breves momentos, simples palavras e grandes atos, o passado escuro que me assombrava, e por um instante, tudo que eu queria era uma máquina do tempo, para voltar àquela noite sempre que me desse vontade, apenas por tempo o suficiente para lembrar-me que James curaria minhas feridas, com um olhar e a perfeita dimensão que pertencia apenas a nós.
~ (Escritora: Se quiser, já pode parar a música, Obrigado).
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~ Logan POV's
"Respira, inspira, respira, inspira, você não é um rato, é um homem, se concentra"
Enquanto estacionava o carro em frente ao tal restaurante escolhido pelas garotas, repeti mentalmente e várias vezes esse mantra, tentando acalmar meus nervos. Olhei o espelho retrovisor, ajeitando um pequeno fio de cabelo que estava fora do lugar, e limpando umas gotas de suor que se formavam em minha testa, demorei ainda uns segundos me concentrando em não parecer um completo boboca em frente a ela, meu celular tocou alto, me assustando um pouco.
– Logan? Já chegou ao restaurante? — perguntou Carlos do outro lado da linha.
– Estou procurando coragem para sair do carro.
– É bom notar que não sou o único nervoso.
– Onde você está? Venha logo, antes que eu surte e passe uma vergonha — disse agitado.
– Sai do carro, imbecil.
Olhei para o lado e o vi de pé, rindo de mim.
– Cale-se — ordenei, fechando a porta do carro — vamos entrar.
Lá dentro, a vi, sentada em uma mesa próxima a uma janela de vidro com uma vista estonteante de um belo jardim, sua amiga, que estava de frente para nós, ao nos ver, acenou empolgada, ela olhou em minha direção, e sorriu, um sorriso tão perfeito que me fez perguntar para onde tinha ido o ar daquele local. Carlos e eu caminhamos até elas.
– Finalmente — disse ela, notei seu vestido composto e elegante, analisei cuidadosamente cada pequena curva de seu corpo naquele vestido, e não pude deixar de sorrir.
– Você está ...
– Eu sei, esse vestido não combina comigo e... — me interrompeu.
– Perfeita — conclui a interrompendo também.
– Obrigado — corou.
– De nada, Bruna — segurei sua mão macia e beijei-lhe o dorso.
Cumprimentei sua amiga, sentei-me e esperei Carlos fazer o mesmo, mas ele permaneceu estático, encarando a garota, que já estava completamente vermelha.
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