Ashley entregou o livro de Katie no fim da tarde. A amiga estava realmente muito ocupada, tendo que preparar duas teses para a faculdade. Quando Ashley tocou a campainha do apartamento, Katie atendeu a porta com os cabelos bagunçados e expressão cansada. Pegou o livro e disse:

– Obrigada, Ash, você me adiantou. – ela sorriu para Ashley, mas depois ficou pensativa – Lembra que dia é hoje?

– Lembro. – respondeu Ashley, dando um sorriso triste – Vou ao cemitério agora levar flores.

– Tudo bem, vai lá. – Katie sorriu mais uma vez e fechou a porta.

Bem, o tio de Ashley havia falecido á quatro anos. Na data de morte, ela sempre ia ao cemitério deixar flores em seu túmulo.

A garota parou o carro em frente aos portões do lugar, e caminhou pelo bonito gramado, olhando distraidamente para as escritas nas lápides. O vento frio a fez se arrepiar, já que não estava com um casaco.

Finalmente, chegou ao túmulo do tio.

John Christopher Lynch

1969 – 2010

Pai amoroso, marido dedicado e profissional realizado.

Ashley apoiou as flores brancas na lápide e se sentou de frente para ela. O vento havia se tornado mais intenso. Ela se amaldiçoou por não ter levado um casaco. Tentou se concentrar apenas no túmulo a sua frente. Ela e seu tio eram muito próximos, ele era o irmão mais novo de seu pai. Era um bom homem, tinham a personalidade parecida. Seus primos tinham ficado arrasados com a perda.

Ashley estava tão perdida em seus pensamentos, que não notou alguém se aproximando dela por trás.

– O que faz aqui? – uma voz untuosa perguntou.

Ashley sentiu um arrepio correr por sua espinha e se virou lentamente. E com admiração percebeu que se tratava do homem com quem havia esbarrado ao entrar na cafeteria mais cedo. Os cabelos negros e lustrosos balançavam ao vento; os olhos escuros brilhavam como piche, e eram entorpecentes.

Ela pigarreou e tentou achar sua voz, mas não se lembrava muito bem da pergunta que o sujeito tinha feito. Estava mais ocupada em olhar os olhos dele.

– Não é muito frequente que pessoas venham tão calmamente a um cemitério e se sente tão confortavelmente em um túmulo. – ele comentou, se aproximando dela. Parou ao seu lado, mas não se sentou.

– Ah, meu tio faleceu, quero dizer... hoje é aniversário da morte dele, ele morreu a quatro anos. – ela apontou para a lápide, um pouco desconcertada.

– Entendo. – ele franziu levemente as sobrancelhas – Muitas pessoas estão morrendo neste momento.

Ele pareceu falar com tanta certeza que Ashley acreditou, mas preferiu pensar que era apenas uma expressão.

Ela reparou que ele ainda estava com o terno preto de cedo. Talvez ele realmente estivesse em um funeral.

Ambos ficaram em silencio por um tempo, até Ashley se levantar.

– Preciso ir agora. – ela olhou ao redor – Nos vemos por aí.

Ele não disse nada, apenas a acompanhou com os olhos até que entrasse no carro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.