World Upside Down
3 Tchau, Stiles.
Notas iniciais
P.O.V Stiles Stilinski
Um tempo depois...
Eu estava em mais um treino do Lacrosse, o treinador estava pegando pesado porque vamos começar a jogar no campeonato estadual nos próximos dias.
— Eu to morto, cara!- disse Scott arfando pra mim.
— Vai se acostumando porque o treinador vai acabar com a gente até o campeonato começar.
Escuto o apito ensurdecedor do treinador e logo depois os gritos:
— Formação, AGORA!!!- diz, ou melhor, grita.- Quero os dois times que eu formei preparados. Vocês estão divididos entre reservas e titulares para ficar equilibrado, mas não quero moleza, peguem pesado, imaginem que estão em um jogo de verdade. VAMOS JOGAR!!
Nos posicionamos e começamos o jogo. Estava tudo indo bem, os meninos estavam ficando bons, mas o jogo estava ficando cada vez mais agressivo e hora ou outra um caia gemendo de dor no chão. Pego a bola e começo a correr pelo campo desviando de todos que tentavam me derrubar, até que faltava só o esquisito do Greenberg. Olho para ele com desdém e vou desviar, mas ele simplesmente se joga em cima de mim e cai com todo aquele peso, me levando junto. Sinto tudo girando, uma pontada forte na cabeça e um líquido escorrendo pelo meu rosto por conta do capacete e simplesmente apago.
(...)
Abro os olhos com dificuldade e fecho os rapidamente ao encontrar uma luz branca excessiva, volto a abrir aos poucos me acostumando com a claridade.
— Stiles...- escuto a voz familiar de meu pai e me viro em sua direção.
— Hey pai, o que eu estou fazendo aqui?- digo meio tonto.
— Você bateu a cabeça com força e até chegou a cortar ela e desmaiou.- nesse momento eu percebo que estou com uma faixa na cabeça.- Me ligaram da escola falando que tinham trazido você aqui e vim assim que pude, Scott estava aqui mas o mandei de volta para casa. E ai, como está se sentindo?
— Zonzo, mas bem, eu acho.- falei dando um leve sorriso.
— Ótimo, vou pedir para te darem alta, sei que você não gosta de hospitais.- diz e sai.
Depois do meu pai resolver as coisas para que eu saísse logo do hospital, ele me ajuda a ir para o carro e seguimos o caminho de casa. Assim que chegamos eu me deito e tiro um cochilo.
(...)
— Stiles, Lydia está aqui para te visitar.- meu pai diz abrindo a porta do meu quarto.
— O que é uma Lydia??- não me lembrava de nada com esse nome e também estava tudo muito confuso para eu raciocinar alguma coisa direito.
— Oi.- diz uma menina de maneira tímida.
— Vou deixar vocês à vontade.- meu pai diz fechando a porta.
— Oi?!- digo e olho para ela.
É aquela menina que meio que me criticou depois ficou tímida quando eu olhei para ela. Ela não sabia o que fazer e encarava o chão. Tinha cabelos loiros avermelhados, parecendo morango, pele clara e a bochecha corada, era bonitinha, mas eu não fazia a mínima ideia do que ela estava fazendo ali.
— Eu sei que parece estranho, mas eu fiquei preocupada e queria me certificar que você estava bem. Mas se você quiser eu vou embora e... Tchau.- ela disse rapidamente ficando mais corada ainda e deu meia volta, ela ficava fofinha desse jeito.
— Hey, não vai não.- falei sem raciocinar direito.
— Você quer que eu fique??- ela perguntou gaguejando.
— Sim. Eu to precisando de companhia, já que nem minha namorada ligou ou veio aqui, obrigado pela preocupação.- digo sorrindo.
Não sei o que está acontecendo comigo, em circunstâncias normais eu acho que não falaria com ela, idiota da minha parte admito, mas ela se preocupou comigo e estamos em casa, então não vejo motivos para ignorar.
— Tudo bem.- ela diz sorrindo.
— Como ficou sabendo o que tinha acontecido?- pergunto curioso.
— Meio que a escola toda está sabendo, já que você é popular e tal. Ai eu fiquei preocupada e não sei como criei coragem e vim aqui.
Nossa, todo mundo estava sabendo e só o Scott e ela realmente se preocuparam comigo. Às vezes me pergunto para que ser popular se as pessoas são falsas e só querem se aproveitar. E Lydia que nem conheço direito veio me ver, achei realmente legal da parte dela.
— Obrigado por ter vindo, fico feliz de saber que alguém se importa.
— Mas você tem dezenas de amigos que beijam o chão por você, eles devem ser melhor do que eu.
— Olha, vou te contar um segredo.- falo baixinho como se realmente fosse um segredo.- Eles são falsos.- digo e faço uma cara como se tivesse indignado falsamente e ela ri.- E só querem ser populares, mas já estou acostumado com todo esse fingimento deles, porque eu sei que na hora que eu realmente precisar de alguém só o Scott vai estar lá, afinal nem minha própria namorada se importou.
— E eu.- ela diz baixinho, mas consigo ouvir.- Nossa, sinto muito por isso.- aumenta o tom de voz para eu 'ouvir'.- então ela se encosta na minha parede.
— Quer se sentar?- pergunto indicando a cama que estava sentado.
— Claro.- diz sorrindo e corando.- Por que você se importa tanto em ser popular? Sabe, você seria bem melhor sem eles.
— Eu até queria não me importar tanto, mas não sei, foi algo que aconteceu. Eu via as pessoas com um monte de amigos em volta e rindo e eu me sentia meio solitário depois da morte de minha mãe, então acho que eu acabei me importando demais em relação a ter vários amigos, mas sei que ele não são amigos bons, mas ainda sim são amigos.
— Te entendo, sei que queremos preencher a solidão com amizades, mas às vezes pelas amizades que arrumamos é melhor ficar sozinho. Eu mesmo só tenho minha melhor amiga Allison e fico muito feliz por tê-la porque sei que para qualquer situação ela estaria comigo sem pestanejar e não trocaria ela por dezenas de amigos populares.
— Sim, você está certa. Mas foi algo que cresceu dentro de mim e não sei se posso parar de me importar. Não sei como eu lidaria com as coisas e nesse quesito Allison eu tenho o Scott. Aliás, eu acho que sua melhor amiga tá saindo com o meu melhor amigo.- eu digo sorrindo.
— Sim, eles estão. São muito fofos juntos, super apoio o relacionamento que sei que eles vão ter.- sorri.- E olha, se um dia você quiser mudar dessa vida monótona de ser popular, pode contar comigo.- diz e segura minha mão e sinto choques por toda a extensão de meu corpo.- Ér... desculpa. Eu acho que vou embora, foi muito bom falar com você, estou a disposição quando quiser desabafar sobre sua vida.
— Obrigado por tudo, é muito bom conversar com alguém abertamente, sem medo da pessoa julgar você. Sabe, nunca tinha conversado assim com alguém , obrigado mesmo. E pode deixar que sempre que eu precisar desabafar sobre esse mundo que vivo, vou chamar você, quem sabe um dia eu não resolvo mudar?!- rio.- Obrigado pela visita e por se preocupar, isso foi importante para mim. Tchau Lydia.
— Tchau, Stiles.- ela disse sorrindo abertamente e saiu pela porta.
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