-Ando logo e entra maldita roupa! – grito enquanto empurro o casaco preto de lã dentro da mala.

-Brian, eu já disse, é quente no Egito! Você não vai precisar de um casaco de lã! – grita meu irmão de malas feitas.

-É para a viagem! – grito.

Ele ri e então sai do quarto. Penso duas vezes e atiro o casaco aos pés da cama. Fecho a grande mala preta apenas com algumas peças de roupa e meu equipamento de arqueologia. O safado do Damian Claude conseguiu me colocar no grupo de expedição que iria explorar a Esfinge. Dessa vez ele se superou, vou ficar devendo meu peso em ouro a ele por esse favor.

-Está pronto irmão? – grita Brian da cozinha.

-Estou indo! Será que dá pra esperar? – grito, mas não estou realmente bravo.

É difícil se irritar com meu irmão, ele é uma pessoa tão calma e tão gentil que não tem como estar realmente furioso com ele.

-Finalmente. – diz ele brincando quando entro na cozinha.

Ajeito meu sobretudo cor caramelo e ponho meu chapéu de mesma cor.

-Nem parece alguém que desistiu da faculdade de arqueologia. – diz Dave rindo.

-Ora essa, ainda sou o mais velho sabia? – brinco.

-Só fisicamente irmão. Na mentalidade a história é outra... – ele ri mais ainda.

Nós dois rimos juntos e então confiro meu relógio.

-Puxa vida! Falta apenas uma hora para o nosso vôo sair! – exclamo.

Ele assente e então corremos para o táxi. O motorista, típico cara que não gosta do que faz, pergunta daquele jeito “Ainda estou dormindo mentalmente”, para onde vamos e digo que é para o aeroporto . Finalmente ele arranca com um cantar de pneus e em menos de meia hora estamos parando enfrente ao grande Aeroporto. Pago a viajem e saímos.

-É isso meu irmão... – digo à Dave.

-Sim. Poderíamos passar o dia aqui tomando forças para a grande exploração que faremos mas aí perderíamos o vôo. – diz ele.

Assinto e entramos no prédio. O barulho infernal daqueles Bipes precedendo o anúncio de algum horário de vôo me enche assim como ao meu irmão. Passamos no balcão de informações e então nos sentamos. Uns minutos depois outro daqueles bipes tocas e então a voz anuncia: “Vôo 493 com destino ao Egito. Decolagem em dez minutos.”

Olho para meu irmão e ele confirma com a cabeça. Saímos às pressas para pegar o vôo e por sorte chegamos a tempo. Entramos e procuramos nossas poltronas. Infelizmente são separadas e sou obrigado a sentar ao lado de um árabe resmungão que fala mil palavras por minuto em um idioma que eu não compreendo. Meu irmão não teve muita sorte também, uma velha de uns 140 quilos com um cachorro-quente e um Milk shake barulhento sentou ao seu lado e mesmo estando quatro fileiras à minha frente consigo ouvir o maldito barulho do líquido sendo sugado. Agora não sei o que é pior: O árabe resmungão ou a velha e seu Milk shake...