Workaholic

8 Capítulo 8 — Compromisso.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 8 — Compromisso.

— O que é que acabou de acontecer? — Guilherme estava de olhos arregalados, após ver Otávio saindo com pressa.

— Eu não devia ter falado aquilo pra ele. — Gregório arrependeu-se no mesmo momento. — Só que eu assumo que ele foi totalmente desnecessário falando aquilo do Dante.

— Olha, é melhor assim... — Valquíria aproximou-se do filho mais velho.

— Não é por nada não, mas... Eu preciso ficar sozinho. — Respondeu, indo para o seu quarto.

— É, dessa vez não tem como defender nenhum dos dois. — Guilherme afirmou, exibindo desapontamento.

— Eu acho melhor ir embora. — Ela suspirou, por mais que estivesse aliviada pelo término, estava triste pelo filho.

— Mas já?

— Eu vou cuidar para que tudo esteja pronto para a chegada do Dante amanhã. — Ela beijou o rosto do caçula. — Confirma com o Greg depois que amanhã vou fazer um jantar para todos nós.

— Ele já deve saber, mas eu lembro ele sim. — Guilherme despediu-se da mãe, logo depois levando-a até a porta.

•••

Sexta-feira, dezessete de março.

— Olha, eu nem sei porque eu estou te dizendo isso, mas você não vai acreditar no que eu acabei de saber pelo Gui. — Augusto disse ao melhor amigo por meio de uma ligação, no intervalo dele.

— Desembucha. — Francisco pediu.

— Promete pra mim que não vai deixar isso vazar? — Testou a curiosidade do amigo.

— Não vou, mas fala logo.

— Bom, eu tava conversando agora mesmo com o Gui por telefone também, aí ele me contou do porquê de não ter falado muito comigo ontem. — Augusto explicou. — Disse que teve uma treta daquelas na casa dele.

— Treta? — O estagiário riu baixo.

— Ele disse que o irmão dele e o cunhado trocaram insultos ontem. — Continuou. — No fim não deu em boa coisa e terminaram na frente dele e da mãe dele.

— Espera aí, é o que eu estou pensando?

— Bom, o Gregório é o único irmão do Gui, então sim, ele tá solteiro agora. — Augusto confirmou.

— É por isso que ele tá com uma cara péssima hoje... — Francisco analisou. — E pelo jeito, ele chegou cedo, porque eu não vi ele chegando. Além disso, saiu pouco do escritório, só vi ele passando agora pouco para a sala de reuniões.

— Eu imagino que ele esteja mal e era sobre isso que eu ia te falar... Por mais que agora as suas chances de ter algo com ele não são totalmente nulas, eu queria que você respeitasse esse momento dele e não tentasse nada.

— Por que está dizendo isso? — O estagiário indagou.

— Fran, você é péssimo xavecando e outra coisa, ele precisa de um tempo pra cabeça dele.

— Se tá achando que eu vou sair dando em cima do cara, por que quis me contar isso?

— Porque eu sei que você talvez gostaria de saber, só isso. — Augusto abriu um sorriso orgulhoso, por mais que soubesse que o amigo não iria ver.

— Eu não posso negar que gostei de saber dessa novidade. — Francisco levantou-se do sofá da empresa. — Mas agora, o meu intervalo já tá acabando, eu tenho que voltar para os meus afazeres.

— Ih, falando dessa maneira já até sei que você vai fazer de tudo, menos trabalhar. — O amigo riu.

— Engraçadinho. — Riu com ele. — Até mais tarde.

O estagiário desligou a chamada, olhando para o próprio celular, sem conseguir tirar o sorriso do rosto. Sabia que torcer para o término de alguém era péssimo, mas nem precisou torcer para que aquilo acontecesse.

Tinha consciência de que um homem como o Gregório poderia ser exigente com seus pretendentes, mas para Francisco, não precisava de um relacionamento sério. Um único dia ao lado de alguém como ele seria o suficiente para que seus desejos se realizassem.

Voltando para o seu computador, poderia estar presente fisicamente, mas mentalmente voava longe em pensamentos. A cada cinco minutos, parava tudo o que estava fazendo e olhava para o corredor, procurando por Gregório, não sabia bem o que estava procurando, só queria vê-lo mais uma vez.

Só relaxou do que tanto queria, quando finalmente pôde ver o gerente sair da sala de reuniões, onde também saíram outros homens acompanhando-o. Era o grupo do pessoal da cervejaria que o gerente tanto tinha frisado a importância.

Encarou-os e viu que Gregório ia com eles até o elevador, onde em seguida despediu-se de todos e agradeceu por terem vindo. Logo depois, por mais que fosse o horário de almoço, ele voltou para sua sala, tirando a expressão carismática do rosto, agora mostrando uma expressão completamente diferente.

Antes que ele sumisse completamente dentro de seu escritório, Francisco reparou que os olhos dele estavam levemente inchados e também carregavam olheiras. Teve pena e por um momento quis que fossem próximos o suficiente para que pudesse aconselhá-lo e dar palavras de conforto, talvez até mais do que isso, rindo sempre com os pensamentos que se seguiam.

Francisco agora não só o olhava com admiração, mas também com compaixão, sabia que se tentasse se explicar com palavras, provavelmente pensariam que era louco, porque mesmo que conhecesse o gerente há tão pouco tempo, já sentia todas aquelas coisas.

Gregório não saiu muitas vezes de sua sala, permaneceu trancado mais do que os outros dias, provavelmente por conta do trabalho excessivo. E o estagiário, acostumando-se com aquilo, agora conseguiu concentrar-se no que precisava fazer, sem fazer pausas para olhar em direção ao escritório dele.

As horas se passaram e pouco a pouco os funcionários saíam, alguns mais cedo por terem compromisso, outros um pouco mais tarde. Mas no fim, Francisco mal percebeu que estava sozinho, pois por mais que visse a movimentação dos colegas indo embora, ia adiando cada vez mais sua ida para terminar seu projeto. Somente deu-se conta de que tudo estava silencioso demais, quando passos ecoaram no escritório, tomando sua atenção.

— Ainda está trabalhando? — Gregório aproximou-se da mesa de Francisco.

— Ah, eu já acabei... — Francisco respondeu, levemente desajeitado pelo susto em vê-lo.

— Você sabia que no seu contrato diz que você não pode ultrapassar seis horas de jornada? Não precisa ficar tanto tempo. — O gerente brincou.

— Eu sei. — Riu baixinho. — Eu só precisava terminar isso para não passar o fim de semana preocupado.

— Somos os últimos aqui. — Gregório falou mais uma vez, o que fez o estagiário estranhar, já que era difícil fazê-lo puxar assunto. — Em plena sexta-feira todos têm algo melhor a fazer.

— Menos eu. — Colocou o celular no bolso, levantando-se. — E você, tem compromisso?

— Queria não ter. Mais tarde tenho um jantar. — O gerente falou abertamente, o que mais uma vez deixou o estagiário surpreso.

— Bom, se você quiser me acompanhar, eu estava pensando em ir tomar alguma coisa aqui por perto. — O estagiário falou, enquanto ambos caminhavam ao elevador.

— Por mim tudo bem.

— Você não precisa ir só por pena, tá bom? — Francisco riu de nervoso, por ter feito a pergunta imaginando que ele não aceitaria.

— Como você descobriu que eu estava com pena de um pobre estagiário, que trabalha mais do que todos os outros funcionários e ainda iria beber sozinho depois de um expediente longo em plena sexta-feira? — Gregório brincou com ele, fazendo-o rir ainda mais, enquanto adentravam o elevador.

— Eu não sabia que você tinha senso de humor.

— Eu não sei se agradeço ou se me sinto ofendido. — O gerente adentrou o elevador com ele.

— Foi um elogio. — Sorriu, sem encará-lo, não sabia para onde olhar.

Francisco olhou para os próprios pés, pela primeira vez não tendo coragem de fazer alguma das suas piadas infames. Daquela vez queria tentar ser uma pessoa que Gregório se aproximasse, queria ser confiável, sem forçar a barra como costumava fazer.

— Então, Francisco... Você é amigo do Augusto, certo? — Indagou, quando a porta abriu e voltaram a caminhar, agora pelo hall de entrada.

— Sou sim, desde a infância nossas famílias se conhecem. — O estagiário respondeu. — E ele tá falando muito bem do Guilherme, tenho certeza que seu irmão é um cara legal.

— Ele é sim. — Colocou as mãos dentro do bolso da calça. — Mas então, para onde você planeja ir?

— É a um quarteirão daqui. Eu vou ir andando, você vai querer ir mesmo? — Francisco questionou, ainda duvidando de que ele teria falado sério.

— Vou sim, só não posso demorar.

•••

Francisco ainda não acreditava que o gerente engomadinho estava em uma mesa com ele, analisando o cardápio de bebidas de ponta a ponta, como se fosse uma escolha decisiva a se fazer. Pelo menos daquela maneira, o estagiário sentia que poderia encará-lo sem medo de que ele estranhasse.

— Já escolheu? — Gregório levantou a cabeça, parando de ler.

— Já sim, eu basicamente sempre peço a mesma coisa, a clássica caipirinha que é o que eu sempre posso pagar.

— Não se preocupe com isso. — O gerente continuou. — Deixa por minha conta hoje.

— Eu que convidei, fica tranquilo. — Francisco continuou.

— Na próxima você paga. — Gregório falou, agora um pouco mais seriamente.

O pedido foi recolhido por um garçom e breves segundos depois, Francisco iniciou:

— Bom, eu posso te fazer uma pergunta?

— É claro que sim.

— Desculpa a curiosidade, mas... Como é ser o chefão?

— O quê? — O gerente soltou uma risada.

— É, sabe... Mandar e desmandar em todo mundo, ter o poder de demitir, sei lá, deve ser muito massa.

— Não é tão legal quanto está imaginando. — Gregório respondeu. — Nem sempre é bom dizer as verdades que um funcionário precisa ouvir.

— Você já demitiu alguém só por não ir com a cara da pessoa? — O estagiário indagou, se arrependendo em seguida pela pergunta infantil.

— Bom, nunca levei motivos pessoais em conta, mas já me arrependi de desligar alguém da empresa por saber da situação pessoal dela. Só que era preciso.

— Como assim? O que aconteceu? Se me permite saber. — Francisco demonstrou curiosidade.

— Bom, era uma mãe solteira de três filhos pequenos, mas o rendimento dela na empresa estava baixo demais e foi uma ordem acima da minha. Eu tentei remediar ao máximo, mas não podemos adiar o inevitável...

— Poxa, deve ter sido uma barra.

— Foi sim, ela estava cansada demais e por isso os resultados dela não eram os melhores. — Gregório lembrou-se. — Mas me fala, como é a sua rotina de estudante?

— Ah, as coisas são bem corridas, mas algumas vezes por semana acabo ficando sem algumas aulas ou indo embora mais cedo, então aproveito pra estudar e às vezes sair com os amigos.

— Essa é uma das coisas que eu mais me arrependo... Não ter tirado um tempo para aproveitar a vida universitária com os colegas. — O gerente confessou.

Francisco estava tão entretido com a revelação, que mal percebeu que as bebidas se aproximavam, onde foram interrompidos pelo mesmo garçom, que servia-os.

— Uma caipirinha, uma margarita e uma porção grande de batata belga. — Informou. — Mais alguma coisa, senhores?

— Por mim é só. — Francisco afirmou, olhando para Gregório. — Você vai querer mais alguma coisa?

— Ah, eu? Não, por enquanto não. — Respondeu, estranhando o estagiário ter pedido sua opinião para responder o garçom, sorrindo com aquilo.

Tomaram os primeiros goles, elogiando as bebidas e roubando algumas das batatas recém fritas. Francisco não tirava da cabeça a última frase que Greg havia dito antes das bebidas chegarem, pensando se seria ruim demais retomar o assunto, não hesitando mais:

— Então, sobre o que você estava falando antes, você sente falta da faculdade?

— Da faculdade em si, não, mas sim de não ter relaxado mais e saído com os colegas de turma, hoje vejo que mal tenho lembranças dessa época e poucas fotos. — O gerente contou. — Então aproveita bastante, saiba que por mais que os estudos são importantes, pegar uma DP ou outra não é o fim do mundo.

— É, eu estou me esforçando para tentar manter a vida social em dia e ainda estudar. — Francisco falou, roubando outra batata.

— Boa sorte com isso. — Gregório riu, parando para observar as pequenas rugas que os olhos do estagiário exibiam quando ele ria.

— Valeu.

Por mais que bebessem devagar enquanto conversavam sobre o trabalho, as bebidas já se aproximavam do último gole e as batatas acabavam. Era difícil admitir, mas Gregório havia gostado do papo e que até mesmo cogitou em pedir mais alguma coisa antes de irem, no entanto, olhando o relógio, via que já se aproximava da hora do jantar.

Francisco, internamente, também não queria que ele fosse, mas levantou-se da mesa juntamente a ele, onde, após a conta ser paga, saíram conversando pela calçada. Despediram-se quando chegaram novamente ao quarteirão do prédio da empresa, dando as costas um para o outro.

•••

— Bem-vindo de volta! — Gregório abraçou o pai, sentindo suas costas serem envolvidas pelos braços dele com força, com tapinhas leves em seguida. — Como foi de viagem?

— Foi tranquila. — Dante respondeu, andando com o filho até o interior da casa. — E como as coisas estão? Tá tudo bem?

— Tá sim, tudo ótimo. — Respondeu, omitindo o que Valquíria provavelmente iria deixar escapar mais tarde.

Antes mesmo que chegassem a sala copa, o interfone tocou novamente, onde ambos voltaram para a entrada, deduzindo que Guilherme teria chegado acompanhado de Augusto. Gregório tomou a liberdade de abrir a porta e ainda ao lado do pai, surpreendeu-se ao ver o recém-chegado, dizendo:

— Otávio?

Notas finais
Capítulo feito com carinho, deixe seu review, mesmo que curtinho! (◡‿◡✿)