Workaholic

36 Capítulo 36 — Resposta.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 36 — Resposta.

— Não me deixe mais envergonhado do que já estou agora, por favor.

— Não tem necessidade alguma de ter vergonha, você tem um corpo bonito e tem que mostrar mesmo. — Otávio observou, folheando a revista. — Deixa eu te mostrar a minha foto preferida…

— Não! — Interrompeu-o, tentando tirar a revista de sua mão.

— Eu só estou brincando. — Otávio parou o que fazia, rindo. — Bom, vamos falar de negócios e por último, falamos do mais importante.

•••

Algumas horas depois de ter entrado na sala de reuniões, Gregório saía acompanhado de Otávio, indo com ele ao elevador, mas não entrando, somente apertando o botão do térreo para ele, despedindo-se como se fosse apenas mais um parceiro de negócios, saindo como se nada tivesse acontecido, como se não tivessem acabado de ter a maior conversa sobre relacionamento de todas que já tiveram antes.

Uma das perguntas de Otávio que não saía de sua cabeça e que não sabia se tinha feito certo em mentir, era sobre ter respondido que não estava em um relacionamento, a única coisa que lhe veio em mente quando Otávio fez a pergunta, foi no quanto Francisco poderia sair prejudicado caso dissesse que estavam juntos, pois ainda não tinha confiança suficiente no ex-namorado para saber o que ele faria caso soubesse que estava com alguém.

No caminho de volta a sua sala, olhou por todo o escritório, procurando o estagiário, vendo que ele estava concentrado, mal notando o que tinha se passado por ali. Mesmo percebendo que o namorado estava por fora de toda a situação, faria questão de conversar pessoalmente com ele assim que possível, queria esclarecer tudo.

Gregório entrou em seu escritório apenas para dar continuidade ao que deixou para trás quando Otávio chegou e não demorou muito para que saísse novamente, prestes a chamar Francisco para almoçar.

Saindo de sua sala, já não encontrou o rapaz, procurando-o por todos os lados, mas vendo que ele havia saído mais uma vez sem lhe avisar. Gregório se sentiu tentado a ir perguntar para Olívia sobre ele, mas preferiu ficar calado, principalmente por já desconfiar do que estava acontecendo com ele.

•••

Guilherme ia ao quarto com o namorado, grudado ao corpo dele, trocando beijos e carícias atrevidas debaixo de suas roupas. Caíram na cama, onde se despiam aos poucos, com Augusto ficando sobre o corpo do mais novo, percebendo que o rapaz aproveitou a situação para agarrar seu traseiro com firmeza.

— Gui, será que tem como a gente trocar hoje? Tô meio dolorido aí.

— Mas ainda?

— Amor, acontece, você sabe…

— A gente tem lubrificado certinho e tudo mais, nem usamos camisinha, tem bem menos fricção, não era pra ser assim.

— Eu acho que são as posições.

— A gente só faz as básicas. Guto, isso tá me preocupando, é tempo demais, já era pra ter melhorado.

— Não, não se preocupa, eu tô usando uma pomada. — Augusto justificou-se.

— Pomada não resolve, você tem é que ir ao médico. — Rebateu, tirando-o de cima de seu corpo. — Eu vou marcar uma consulta pra você agora.

— Não, amor. — Tentou impedi-lo. — Vem cá, a gente tava no clima…

— O clima pode esperar. — Guilherme pegou seu celular, não demorando para achar o contato do doutor de sua confiança.

Assim que a ligação foi encerrada e a consulta agendada, o clima não voltou, pois Augusto percebia que o namorado estava mesmo preocupado com a sua saúde. Tentavam ao máximo não tocar na tão temida sigla IST, mas não poderiam excluir aquela possibilidade.

Guilherme ficou com Augusto o restante daquela tarde, tiveram conversas sérias que jamais imaginaram ter e o assunto principal era o sintoma em questão, onde passaram boa parte do tempo pesquisando na internet as possíveis causas, com aquilo, somente se desanimaram, pois só achavam quadros clínicos graves.

Querendo despreocupar o namorado, Guilherme tirou os pensamentos negativos da cabeça dele, dizendo que ficaria tudo bem e relembrando que a consulta seria na semana seguinte, que estariam juntos, na saúde ou na doença.

Queria dormir por ali, mas precisava trabalhar, então retornou para casa para buscar seu computador, tinha e-mails para responder e postagens para agendar e não gostava de fazer isso pelo celular.

Guilherme não demorou para chegar e já era cerca de oito da noite quando entrou, podendo ouvir barulhos vindos da cozinha, assim indo até lá para ver como o irmão estava.

— Oi, Gui. Boa noite, vai dormir aqui hoje?

— Oi… Não, eu só vim pegar meu computador. Tá tudo bem?

— Tô sim.

— E porque tá jantando sozinho de novo? — Guilherme se aproximou do irmão.

— É o jeito, já que você nunca está em casa. — Gregório brincou, vendo-o sentar-se ao seu lado.

— Você sabe que não estou falando disso. — O caçula riu. — E o Francisco?

— Para falar a verdade, eu não falo com ele direito há um tempo, ele está estudando para as provas e não tá com muito tempo livre.

— Por que ele não vem aqui ou você não vai até lá pra fazer companhia pra ele? — Guilherme indagou.

— Ele está na faculdade agora, esqueceu?

— Eu sei que ele estuda, mas essa semana ele não está indo, acho que ele deve estar sem aula, deveriam aproveitar pra ficar juntos.

— Como assim não tem aula? — Gregório perguntou, sem entender. — Ele não me disse nada disso.

— Sério? Bom, eu posso estar enganado também, mas me lembro muito bem do Guto comentar que o Fran tá em casa nesses últimos dias.

— Ele realmente não me disse nenhuma vez sequer que estava em aula, só evitava responder quando eu perguntava. — O gerente encarou o irmão, pensativo. — Eu não acho que foi engano seu.

— Bom, então é melhor você ligar pra ele, porque o Guto diz que o Fran não tá conversando com ele ultimamente, então também não sei direito o que tá acontecendo… — Guilherme analisou. — Tá tudo bem entre vocês?

— Esse é o problema, eu achava que sim. — Gregório largou o que comia. — Você sabe me dizer se ele está em casa agora?

— Quando eu saí da casa do Guto, vi pelo portão que a janela e a porta da frente estavam abertas, então acredito que ele ainda esteja sim.

— Eu preciso falar com ele agora, com licença. — Levantou-se.

— Você vai até lá?

— Só vou escovar os dentes e já vou sair.

— Tá bom, depois me fala o que virou! — O caçula pediu, vendo-o retirar-se da cozinha.

Guilherme pegou seu computador e estava prestes a sair, quase ofereceu carona para o irmão, mas ele já tinha ido quando pensou em perguntar. Parou para pensar que tudo ao redor parecia estar dando errado, não só para ele, lembrou-se da situação de Augusto, pensando que se a dor que ele sentisse fosse algo grave, também iria afetá-lo, já que sofria em silêncio por ele.

Com a vida agitada que andava levando, Gregório não imaginava o que estava acontecendo com Guilherme, por mais que o irmão tivesse se afastado, não se sentia longe dele, já que ambos estavam ocupados atualmente.

Enquanto dirigia, o gerente percebia as consequências de ter deixado tudo para a última hora, percebendo que tampou os olhos para a maneira que o namorado estava agindo. Não sabia dizer se ele estava chateado consigo ou se era por outro problema, mesmo assim, sabia que muito provavelmente Francisco poderia estar estranho pelas aparições de Otávio.

Com tudo isso em mente, Gregório estacionou em frente à casa do estagiário, pegando seu celular, ligando para ele.

— Alô?

— Você pode abrir o portão pra mim?

— O quê?

— Estou aqui na frente.

— Sério? Espera um pouco, eu já vou.

O gerente saiu do carro, não demorando para que fosse recepcionado por ele, estranhando o selinho murcho que o namorado depositou em seus lábios ao vê-lo.

— Como você está? — Gregório indagou, entrando com ele na casa.

— Estou bem… — Falou, baixinho, encostando a porta de entrada, ao entrarem.

— Não parece. — O gerente analisou, vendo a expressão desanimada dele.

— Eu só estou cansado. — Jogou-se no sofá, puxando o braço dele. — E você, como está?

— Preocupado.

— Preocupado com o quê?

— Com você. — Gregório falou, seriamente. — Eu sei que tem alguma coisa abalando você, mas não quero vir com especulações, quero ouvir da sua boca o que está acontecendo.

— De verdade mesmo, eu só estou cansado. — Francisco explicou-se. — As provas estão vindo e como eu não parava de estudar, decidi tirar hoje para descansar.

— E os outros dias? — O gerente perguntou, erguendo uma das sobrancelhas.

— Hã?

— Não faz sentido estudar tanto e faltar a faculdade desse jeito. — Continuou. — Descobri que você não está indo… Por quê?

— As aulas dessa semana não são importantes, além disso, pedi pra um colega meu assinar a lista de presença por mim, então tá tudo bem.

— E mesmo assim você quer perder matéria e continuar estudando como um louco? Se é que está estudando, qual a lógica disso? — Gregório quis saber.

— Você quer dizer que eu não estou estudando e estou mentindo pra você, é isso?

— Não, não é o que eu estou querendo dizer, Francisco.

— Mas é o que está insinuando.

— Me responde logo! Para de ficar me enrolando como você fez durante toda essa semana!

O estagiário encarou-o por alguns segundos, desviando os olhos dele em seguida. Era como se as palavras entalassem em sua garganta, simplesmente não conseguia colocar para fora todos os pensamentos que o infernizaram nos últimos dias.

— Me desculpe por não ter te dado as devidas satisfações. — Foi tudo o que Francisco conseguiu dizer.

— É só isso?

— É, é só isso. — O rapaz mordeu o lábio inferior, sem conseguir encará-lo.

— Tem certeza? — Gregório puxou o queixo dele para cima, olhando em seus olhos.

— Aham. — O estagiário disfarçou, forçando um sorriso mínimo.

O gerente puxou-lhe para um beijo, melhor que o beijo que recebeu na entrada, aproveitando os lábios dele por longos segundos, notando que o rapaz retribuiu por pouco tempo antes de afastar seus rostos. O gerente se recompôs, tentando não demonstrar o desânimo que sentiu por perceber que ele ainda não estava animado, em seguida dizendo:

— Queria te perguntar uma coisa, Chico.

— O quê?

— É que amanhã é o aniversário de casamento dos meus pais e minha mãe vai fazer uma comemoração na casa dela, queria você lá comigo.

— Acho melhor não, Greg.

— Eu queria que conhecesse eles, mas se não estiver pronto, eu entendo… Só que no domingo eu também vou passar o dia por lá, por ser dia das mães. — Falou. — Você também vai ver sua mãe?

— Acho que sim. — Respondeu de forma curta, cruzando os braços.

— Então, tudo bem. A gente vai acabar ficando um tempo sem se ver. — Levantou-se, desanimado com a postura do rapaz. — Semana que vem nos vemos então.

Ao contrário do que sempre fazia, Francisco não impediu-o enquanto ele se despedia, simplesmente acompanhou-o ao portão, não tirando a expressão séria de seu rosto, claramente mostrando o seu descontentamento. Agiram como se nada tivesse acontecido, despedindo-se mais uma vez ao portão.

•••

Dia seguinte, sábado.

Todos os convidados já haviam chegado com antecedência para esperarem com expectativa a chegada de Dante do aeroporto, ele estaria chegando em breve e Valquíria andava para todos os lados, nunca tudo estava cem por cento perfeito, nem mesmo o próprio visual parecia ser bom o bastante para receber o marido.

Guilherme também já havia chegado com Augusto e andava com ele pela casa da mãe, apresentando a ele os familiares e amigos distantes da família que ele ainda não havia conhecido. Conversavam pouco, somente cumprimentavam e em seguida saíam, até no meio do caminho encontrarem Gregório próximo à piscina.

— Cadê o Francisco? — Guilherme indagou ao irmão. — Ele não veio?

— Não. — Gregório respondeu, dando um gole no copo de suco que segurava.

— Por quê?

— Ele não quis vir.

— Sério? Mas por quê?

— Não sei dizer. — O gerente respondeu o irmão, secamente.

— Bom, conhecendo o Fran, sei que ele é teimoso mesmo. — Augusto entrou na conversa, tentando amenizar o clima tenso.

— Está tudo bem, acho que ele não deve estar confortável o suficiente. — Gregório respondeu.

— Bom, ia ser legal se ele tivesse aqui. — Guilherme torceu o lábio.

— Se vocês quiserem, eu posso ligar para ele pra tentar convencê-lo. — Augusto deu a ideia.

— Eu acho melhor deixá-lo à vontade. — O gerente reforçou.

— Tem certeza que não aconteceu nada entre vocês? — Guilherme indagou.

— Gui, por favor. — Gregório encarou-o.

— Tudo bem, não está aqui quem perguntou. — O caçula levantou ambas as mãos, se afastando dele. — Eu já volto, vou pegar uma bebida, vem Guto.

Augusto seguiu o namorado, preocupando-se com a situação, indo com Guilherme para outro lugar. Mesmo afastado de onde o Gregório estava, ainda poderia ver a expressão que ele esboçava, o gerente não parecia nada bem.

— Ele está escondendo alguma coisa. — O caçula sussurrou ao namorado.

— O Fran também está esquisito nesses últimos dias, não me conta mais nada.

— Você não falou com ele?

— Eu tentei, Gui, mas quem disse que ele queria? Ficava inventando desculpas, falando que tinha que estudar para as provas, outra hora falava que tinha que fazer compras, outra hora estava indo ao banco, enfim, sempre inventando alguma desculpa quando eu o chamava.

— Eles devem ter terminado e estão tentando esconder da gente. — Guilherme torceu o lábio.

— Acho que eles só brigaram, se tivessem terminado, teriam contado para a gente, não acha? — Augusto analisou.

— Não sei de mais nada.

— É complicado, não tem como entender, eles estavam tão felizes juntos.

— Acho que é alguma coisa muito séria para a situação estar estranha desse jeito. — Guilherme acrescentou.

— Também acho, se não fosse algo grave, eles com certeza teriam falado pra gente.

Ambos olharam para o gerente, ao longe, seu olhar estava distante, Gregório vislumbrava a piscina como se nela encontrasse a resposta para o que precisava. Ele sentia que a situação não poderia continuar daquela forma, tudo podia estar confuso com Francisco, mas sabia que uma hora outra teria que enfrentar o verdadeiro problema daquela questão.

Retirou a chave do carro de seu bolso, iria encontrá-lo, não podia mais esperar, tinha que resolver as coisas com ele.

Notas finais
Capítulo feito com carinho, deixe seu review, mesmo que curtinho! (◡‿◡✿)