Workaholic
33 Capítulo 33 — Proposta.
Notas iniciais
Capítulo 33 — Proposta.
Terça-feira, dia 2 de maio.
Os últimos dias para Gregório passaram voando, se sentia realizado por ter concluído trabalhos que haviam tomado longos planejamentos e reuniões, começando a semana de maio após o feriado com bom-humor, recebendo e-mails de agradecimentos.
Quando estava próximo ao horário de almoço, bateram em sua porta, com o rapaz da correspondência entregando-lhe um envelope que havia acabado de chegar. Ao ler o nome da amiga no remetente, abriu a embalagem animado, já sabendo que era o que tanto esperava.
Tirou as fotos do aniversário de Gabriela de dentro do envelope, colocando-as sobre a mesa para analisar uma a uma, mal sabendo em qual olhar primeiro. Instintivamente, procurou as fotos em que estava com Francisco, abrindo um sorriso com as expressões brincalhonas que carregavam na maioria delas. Separou algumas repetidas para entregar a ele, deixando outras consigo.
Quando pensou em levantar-se para ir até a mesa do estagiário, ouviu novamente batidas em sua porta. Abrindo-a, arregalou os olhos ao deparar-se com quem nunca imaginava ver por ali.
— Mãe?!
— Surpresa! — Ela riu com a reação do filho, abraçando-o.
— Vem, entra!
Gregório encostou a porta para que não distraísse o pessoal do escritório com suas conversas. No entanto, mesmo com poucos segundos que Valquíria houvesse chegado, já tinha tomado a atenção do estagiário. Francisco estava na reta da porta de Gregório e seus olhos somente se desviaram dali quando o gerente entrou com a mulher na sala
— Ei, Olívia. — Cutucou a colega de trabalho, que estava próxima dali. — Você viu?
— A mãe do Greg? Vi sim, ela é maravilhosa, né?
— Então é ela… — O estagiário falou para si mesmo, em baixo tom. — Eu estava duvidando porque só a vi por foto uma vez.
— Essa mulher é a fineza em pessoa. — Ela elogiou.
— Ela é bonita mesmo. — Francisco olhou para a porta fechada. — Mas o que será que ela veio fazer aqui?
— Não sei, acho que é a segunda vez que a vejo por aqui, ela vem bem pouco, mas já não sei dizer para quê.
O rapaz tornou a olhar para a porta, como se quisesse ter uma visão raio-x para assim poder enxergar o que se passava do outro lado. Seu coração disparava com a possibilidade de Gregório apresentá-la a ele, já pensando no constrangimento que iria sentir.
Enquanto isso, o gerente convidava a mãe para sentar-se na poltrona em frente à sua mesa, somente percebendo que tinha esquecido algumas fotos sobre a mesa quando ela apontou para as fotografias, indagando:
— Quem é esse moço que tá abraçado com você nessas fotos?
— Ah, é o Francisco…
— E esse sorriso que você deu falando o nome dele significa o quê? — Valquíria inquiriu, curiosa.
— Ele é muito especial pra mim, estamos tendo algo sério, mas é bem recente.
— Foi o que eu pensei, já que não me contou nada. — Ela pegou uma das fotos da mesa, vendo-os de mãos dadas. — Há quanto tempo estão juntos?
— Oficialmente, só duas semanas. — Revelou, vendo-a ficar surpresa.
— Já é um bom tempo… E posso saber se vou conhecê-lo em breve?
— Ele trabalha aqui, se você me prometer que será discreta, eu te apresento a ele. — Falou, vendo os olhos dela se arregalarem em surpresa.
— Vou adorar conhecê-lo, mas não quero te causar problemas. — A mulher analisou.
— Não tem problema, eu posso te apresentar a ele outro dia, podemos combinar algum jantar pra você conhecê-lo melhor. — Gregório concordou.
— E o que ele faz por aqui?
— Ele é estudante, então é nosso trainee.
— Ah… Entendi. — Ela colocou a foto sobre a escrivaninha. — Bom, fico feliz em saber que você superou o traste.
— Mãe, por favor.
— Tudo bem, tudo bem. — Ela soltou uma risada debochada.
— Mas me fala, por que não avisou que vocês vinham? Eu teria programado um almoço ou sei lá.
— Na verdade, seu pai ficou em Miami e eu vim mais cedo. — Ela afirmou. — Queria fazer uma surpresa para ele.
— Sério? E como você conseguiu essa proeza? Ele é um grude com você.
— Inventei uma desculpa de que era o aniversário de uma das minhas amigas e que era importante, como ele não lembra do nome de nenhuma delas, o convenci facilmente a voltar antes dele.
— Que ardilosa! — Gregório riu.
— Bom, sobre eu estar aqui, já deve estar desconfiando de que eu preciso da sua ajuda, não é?
— Pode falar, estou à disposição.
— Como você sabe, o nosso aniversário de casamento está se aproximando e eu queria fazer uma grande festa para ele, algo como uma festa de boas-vindas no dia que ele voltasse ao Brasil, queria impressioná-lo.
— Pode contar comigo.
•••
Francisco roía as unhas, não conseguindo concentrar-se em seu computador, olhava constantemente para a porta do escritório de Gregório, com medo do que aconteceria quando ela se abrisse. A ideia de encontrar uma maneira de escapar daquela situação não lhe pareceu tão errada, então pensou consigo mesmo que se saísse para almoçar não seria tecnicamente fugir.
Arrumou seus pertences e levantou-se, passando rapidamente pela porta de Gregório. Não se deu conta quando ouviu passos atrás de si, somente notando que o gerente caminhava atrás dele quando ouviu seu nome ser chamado. Pensou que tinha sido impressão sua e quando chegou ao final do corredor e apertou o botão do elevador, viu que realmente não estava sozinho.
O gerente vinha acompanhado de sua mãe, fazendo a tranquilidade de Francisco ir embora em segundos. O estagiário pensou em inventar uma desculpa para simplesmente não entrar naquele elevador, como dizer que esqueceu de pegar sua carteira ou semelhante, no entanto, ao mesmo tempo que não queria enfrentar aquela situação por puro medo da impressão que passaria, estava curioso e seu lado “sem-vergonha” falava mais alto.
O estagiário permaneceu em seu lugar, acenando para Gregório que se aproximava. Não queria parecer covarde, principalmente em frente daquela mulher sublime. O único problema era que justamente naquele dia tinha escolhido vir de maneira mais confortável, sem se preocupar muito com suas roupas ou se seus cabelos estavam penteados.
Ambos se aproximaram de Francisco, que já esperava dentro do elevador e segurava a porta para que eles entrassem. Gregório, no mesmo instante que entrou, cumprimentou-o e em seguida apresentou-o à sua mãe, de maneira discreta, mas com gestos suficientes para que o estagiário notasse que havia segundas intenções naquele olhar.
Agora o rapaz estava em dúvida, não sabia se o olhar de Gregório era por apenas estar perto de si, ou se tinha algo mais, Valquíria olhava-o de cima a baixo sem esboçar nada, somente dizendo um curto e simples “prazer”, apenas aquilo, sem nem mesmo um sorriso adicional.
Francisco devolveu o cumprimento, sem fazer muito contato visual. Preocupou-se, sentindo um embrulho no estômago, principalmente pelo silêncio que se instalava. Aquilo foi mudado quando o gerente pigarreou, dizendo:
— Ah, mãe, ao seu lado está o estagiário mais talentoso que já passou por aqui, sabia? Ele me ajudou muito em projetos importantes e teve ideias inovadoras que nunca aplicamos antes e tivemos ótimos resultados.
— Um pequeno prodígio? — Ela olhou para o rapaz por alguns segundos, erguendo uma das sobrancelhas e esboçando um sorriso enigmático.
— Não é pra tanto, vai. — Francisco sorriu envergonhado.
— É talentoso sim. — Gregório continuou, olhando para o namorado, vendo-o tímido.
— Bom, fico ansiosa para conhecer melhor esse talento. — Ela afirmou, quando a porta do elevador se abriu. — Marque o dia e me avise.
— Pode deixar. — O gerente respondeu-a, saindo do elevador com ela.
Francisco não ousou perguntar do que eles estavam falando, mantendo distância deles, ficando alguns passos para trás, querendo sair despercebido, no entanto, quando viu-a despedir-se do filho na recepção, não teve saída, principalmente ao vê-la acenar para si. O estagiário ergueu a mão, devolvendo o movimento.
Em seguida, após deixar a mulher na saída, Gregório voltou sua atenção ao estagiário, que estava um pouco distante dali. Andou até o rapaz com um sorriso no rosto, colocando as mãos nos bolsos da calça, chegando nele e dizendo:
— Ela gostou de você.
— Não foi o que pareceu. — Francisco revelou, rindo sem graça.
— Por quê?
— Ela parecia enxergar o fundo da minha alma.
— É só impressão sua. — O executivo riu alto.
— Mas é verdade, ela me olhou de cima a baixo e juntando isso com o fato de ela ser mais alta que eu, assumo que fiquei intimidado.
— Ela é um mulherão mesmo. — Gregório riu. — Mas relaxa, aquela cara de metida que ela tem é só fachada, eu juro.
— Não sei, não. — O estagiário olhou para baixo, envergonhado.
— Bom, de qualquer forma, ela já sabe sobre você.
— Você contou sobre a gente?
— Sim. Ela viu as nossas fotos no aniversário da Gabi que chegaram hoje, não teve como esconder.
— Mas e aí? O que ela disse?
— Pouca coisa, falamos mais de um projeto que ela quer minha ajuda, mas ela quer te conhecer. — Gregório afirmou. — Ah, você estava indo almoçar?
— Ah, na verdade ia só pegar um lanche aqui perto. Quer ir comigo? — Francisco sugeriu.
— Vamos sim, aí eu aproveito e te conto no caminho sobre o que ela veio fazer aqui.
•••
— Gregório tem passado menos tempo no trabalho. Por algum motivo, agora ele gosta de sair mais cedo e passar muito tempo em casa. — Otávio explicou. — Ele não para de visitar aquela amiga dele ou o cunhado. Está saindo demais. Isso é o que me deixa com medo... Medo de ele me esquecer, enquanto todos esses cercam ele. Pessoas que me odeiam pelos motivos errados. Por amar demais, só isso. Nunca quis fazer nada do que fiz, não sei porque fui tão longe. Pelo menos, eu sei esperar. Já dispensei o detetive, não quero mais ficar sabendo dele o tempo todo. O irmão caçula dele disse que ele está comprometido e, por mais que eu saiba que é mentira, não vou em busca da informação. É melhor assim… Já ouvi dizer que se você ama, deve soltar e se for seu, um dia volta, não é? É o que eu acredito agora.
— Muito bom. E o que você está aprendendo com tudo isso? — O homem de meia-idade pousou os olhos sobre Otávio, esperando sua resposta.
— Que consigo ter uma paciência que jamais tive antes na minha vida.
— Isso é bom! Você está vendo o potencial dentro de você e é esse o ponto que eu quero chegar. — O psicólogo analisou. — E você é muito mais do que você imagina ser.
— Eu não sei se eu ainda sou um ser humano melhor, mas eu sei que eu estou no caminho, apesar de extrapolar muitas vezes.
— Somente continue no processo, Otávio.
•••
— Greg! Greg! — Guilherme correu até o irmão, ao ouvir o barulho da porta de entrada. — Que bom que você chegou!
— Eita! O que foi? Que animação é essa? Isso tudo é felicidade em me ver? — O irmão mais velho brincou.
— É que eu tenho uma ótima notícia! — O caçula puxou-o para o sofá. — Na verdade é uma proposta, mas enfim...
— Me conta, o que é? — Gregório indagou, vendo a animação dele.
— Bom, eu recebi um e-mail de uma nova campanha de uma revista.
— Que legal, Gui! Parabéns! E do que se trata essa campanha?
— Então, na verdade, seria em conjunto, eles querem que você participe dela comigo.
— Como assim?
— Então... — Guilherme olhou para o irmão, levemente receoso antes de contar. — Talvez você não queira.
— Desembucha, Gui.
— É que eles querem que a gente pose pra uma sessão de fotos, ele gostaram do seu jeito e disseram que seríamos os irmãos perfeitos pra participar... Pelas palavras deles, um contraste entre os dois irmãos, sabe? Um homem de negócios e o outro influencer...
— Ah, não sei se entendi direito, mas isso é legal Gui. — Observou. — Eu não sou muito chegado em fotos, mas eu posso ver melhor do que se trata e participar com você;
— Mas não terminei de falar da proposta. — O caçula abriu um sorriso sugestivo.
— Com essa cara que você fez agora, estou com medo. — Gregório riu.
— Então, esse é o problema. — Guilherme mordeu o lábio inferior, receoso. — Eles querem escrever um trecho sobre cada irmão, do que cada um gosta de fazer e tudo mais, só que eles querem incluir um outro tipo de patrocínio.
— E qual seria?
— Bom, eles queriam colocar fotos com a nova linha de cuecas da marca que eles estão fazendo parceria. — Revelou ao irmão, abrindo um sorriso debochado.
— Ah, você tá brincando, não tá? — Gregório ergueu uma das sobrancelhas.
— Pior que não, eles realmente querem ver seu corpo nu. — Guilherme riu. — Não nu, mas seminu.
— Ah, não, isso não.
— Eu já sabia que você não gostaria da ideia. — O caçula ergueu os ombros.
— O que é que eles viram em mim?
— Bom, pelo o que eles dizem no e-mail, se interessaram por você ser um homem comum, mas ao mesmo tempo, chamativo.
— Chamativo?
— Isso deve significar que você é bonito, ou sei lá. — Guilherme soltou uma risada. — Tem certeza que não quer participar? Seu corpo é bonito, você não tem que ter vergonha de nada.
— Meu corpo não é aquelas coisas, eles terão que editar muito no Photoshop se eu participar.
— Vou fingir que concordo. — Riu. — Mas por favor, vamos… Eu vou estar lá também, quer dizer, só estarei lá se você aceitar, né.
— Você não vai poder participar se eu não for junto?
— Eu já disse, é uma campanha de irmãos, se você não quiser, não tem problema, eles podem escolher outros irmãos.
— Não fala assim. — Olhou para o mais novo, que exibia uma expressão pidona.
— Tudo bem, tudo bem, eles iam me pagar mais de cinco dígitos, mas sem problemas. — Guilherme olhou para o lado, cinicamente. — Afinal, todos os dias podemos receber uma proposta dessa, não é?
Gregório riu com aquilo, no entanto, as palavras do irmão realmente fizeram-no pensar. Respirou fundo e perguntou ao caçula dos detalhes, queria pensar bem caso fosse aceitar aquela proposta.
Fale com o autor