Workaholic

9 Capítulo 9 — Ilusão.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 9 — Ilusão.

— Boa noite, Dante. — Otávio cumprimentou-o.

— Otávio, há quanto tempo! — O homem saudou.

— E bem-vindo de volta, espero que dessa vez você possa aproveitar um tempo a mais conosco. — Otávio voltou a dizer.

— Pois é, da outra vez tive que voltar correndo, mal parei no Brasil.

— Bom, isso aqui é pra você. — Otávio entregou-lhe uma sacola de presente.

— Macallan doze anos. — Dante analisou a garrafa de uísque. — É sempre uma boa pedida.

Gregório caminhava ao lado de ambos em silêncio, por mais que já imaginasse o motivo de Otávio aparecer, queria entender o porquê de ele ter escolhido aquela ocasião para que fizessem as pazes.

Com o pai longe, o gerente ficou sozinho com o recém chegado, ainda nada dizendo sobre a situação. Sentou-se no sofá e viu que Otávio o acompanhava, agora ajeitando-se ao seu lado, dizendo:

— Eu fui um completo idiota. Mais uma vez.

— Eu também fui insensível com você, estamos quites. — Gregório suspirou.

— Então está tudo bem entre a gente?

— Acho melhor a gente conversar disso depois.

— Concordo. — Otávio pegou em sua mão. — Eu tenho medo de te perder, sabia?

— Você diz tanto isso, mas não parece que é verdade. — Rebateu.

— Eu só queria que a sua mãe me aceitasse. — Pousou a cabeça no ombro de Greg, derretendo-o.

— Me perdoa por ela ser tão cruel com você? — O gerente levou uma de suas mãos para os cabelos dele, acariciando-os.

— A culpa não é sua… — Otávio continuou.

— Olha, pode não ser totalmente minha, mas eu me sinto culpado por muita coisa que você anda aguentando. — Deu um beijo no topo de sua cabeça.

— Enfim. — Desencostou-se do ombro dele. — Eu vim aqui para mostrar que não guardo ressentimentos, quero tentar me redimir com ela de uma vez por todas.

— Fico feliz em ouvir isso. — Gregório abriu um sorriso. — Mas, por favor, não deixe que meu pai saiba do que aconteceu… Ele vai ficar louco se sequer imaginar o que houve.

— Pode deixar. — Otávio avançou para um beijo, sendo interrompido.

— Por favor, não aja como se tivéssemos reatado.— Gregório pediu, com a mão sobre o peito dele.

— Como assim? — Perguntou, erguendo uma das sobrancelhas.

— Eu ainda quero conversar com você à sós mais tarde.

— Tudo bem. — Compreendeu, levantando-se e deixando agora um beijo na bochecha do gerente. — Mais tarde a gente conversa.

— Aonde você vai? — Gregório inquiriu.

— Vou procurar a senhora Valquíria, tenho que falar com ela.

— Cuidado, se chamar ela sim, você estará em perigo.

— Obrigado por me lembrar. — Otávio riu com ele.

— Espera, eu vou com você. — Levantou-se. — Pode ser a última vez que eu vá te ver.

— Sua mãe não é tão assustadora assim, vai.

— Você é que pensa. — Andou ao lado dele, indo para a cozinha, onde ouviam conversas.

O interfone tocou enquanto iam à cozinha, Gregório já imaginava que provavelmente seria o irmão acompanhado de Augusto. E Otávio aproveitou que Dante ia recebê-los para usar o momento a seu favor.

Valquíria viu-os aproximarem-se dela e sem nem mesmo que dissessem o que pretendiam, ela se preparou para ouvir o que tinham a dizer, cruzando os braços, afirmando a eles:

— Então pelo jeito, vocês voltaram.

— Bom, eu ainda não sei se o Greg vai me aceitar de volta, mas mesmo com essa dúvida, eu tinha que me redimir com vocês. — Otávio iniciou. — Eu assumo a total responsabilidade das minhas palavras.

— Quer que eu chame o Dante para deixá-lo ciente do seu comportamento para conosco? — Ela devolveu.

— Se for preciso, faço tudo que for necessário.

— Não será preciso. — Gregório interviu. — Não é, mãe?

— Na verdade, não vejo mal algum em deixar meu marido por dentro do que andou acontecendo. — Valquíria ergueu os ombros.

— Eu só quero acabar logo com isso. — Otávio retirou uma pequena embalagem do bolso, entregando-a nas mãos de Valquíria.

— O que é isso? — Ela perguntou, olhando para o nome da joalheria estampada na pequena caixa.

— Eu queria ser seu amigo, mas nós dois sabemos que essa é uma coisa um pouco irreal de se acontecer da noite para o dia, então como palavras de amigo da minha parte não bastariam, decidi trazer o melhor amigo da mulher para me ajudar nessa reconciliação.

— Um bracelete de diamantes… — Ela abriu a caixa, se encantando com a joia. — Bem conveniente da sua parte.

— É linda… — Gregório arregalou os olhos.

— O que você achou? — Otávio perguntou, esperançoso.

— Acho que você fez um bom trabalho. — Valquíria sorriu com o canto do lábio. — Obrigada pelo presente.

— Quer ajuda para colocar?

— Eu adoraria. — Ela esticou o braço esquerdo.

Enquanto Otávio segurava o pulso delicado de Valquíria e arrumava o fecho, conversas invadiram onde estavam.

Dante chegou acompanhado de Guilherme e Augusto, particularmente estava prestando uma atenção especial ao novo namorado do filho caçula. Dante era um pai superprotetor e sempre tentava compensar todo tempo que ficava longe dos filhos.

Por mais que pudesse parecer uma pessoa pacífica, bastava alguém mexer com sua família, que virava outra pessoa. Prestava atenção em cada gesto de Augusto, sempre notava a índole da pessoa pela maneira de agir.

Gregório cumprimentou os recém chegados enquanto Valquíria, após admirar o novo presente, distribuiu beijos no rosto de todos. Otávio abriu um sorriso vitorioso com a reação da mulher.

Dali foram todos para a sala de jantar, onde esperariam o jantar ser servido pelas copeiras. Nisso, Gregório viu que Otávio fazia menção em ir embora, então antes mesmo que ele dissesse algo, fez com que ele fosse até a mesa consigo. Sentaram-se frente a frente e trocaram um sorriso, compreendendo o que o outro queria dizer, era como se dali em diante estivessem entendidos.

Dante serviu os convidados com o uísque que havia acabado de ganhar, elogiando o genro mais uma vez por aquilo. Quando o jantar foi posto à mesa, Valquíria até mesmo se agradava da presença de Otávio. Porém, não podia negar que também voltava mais sua atenção para Augusto e o caçula. Gostava de ver o filho trazendo alguém para que eles conhecessem, porque o mais novo não costumava se estabelecer com alguém de uma maneira mais séria.

Ela reparou que eles não se intitulavam namorados, vendo que ambos queriam dar esse passo, mas que algo ainda parecia travá-los. Ela admirava-se ao ver o olhar apaixonado de Augusto, não tinha como negar que aquele rapaz estava apaixonado. Guilherme também devolvia sorrisos encantados, mal parando para comer, onde somente conversava empolgado.

Valquíria também observou o filho mais velho, não precisava nem analisar muito para ver a notável diferença entre ele e o caçula. O namoro dele com Gregório era sempre daquela forma mais discreta, por mais que suas constantes implicações com o relacionamento persistissem, agora sabia definitivamente que eles se entendiam daquela forma louca e que se tentasse manter suas opiniões de fora, aqueles dois poderiam levar aquilo até o limite que ela já previa. Daquela forma, tudo então acabaria e ela ainda não teria fama de destruidora de relacionamentos.

Enquanto comia, Valquíria fazia pausas para admirar a pulseira que havia ganhado. Sabia muito bem que o genro estava tentando comprá-la e sentia que aquilo era um pedido para que ela se ficasse longe do namoro. E por imaginar como o filho se colocaria contra ela se continuasse insistindo contra eles, faria aquele pequeno teste, tentaria demonstrar que não se importava mais e, se caso se posicionasse como amiga, provavelmente ganharia a confiança deles que tanto precisava.

Dante conversava animadamente com todos, mal imaginava metade da situação tensa que havia se instalado entre eles alguns dias atrás. O único inocente além dele, era Augusto, que nunca participou de nenhuma daquelas intrigas.

A sensação de estar em casa novamente era boa, Valquíria percebia que o marido esbanjava alegria e não queria estragar aquilo. Decidiu que somente deixaria-o por dentro do que estava acontecendo caso fosse extremamente necessário.

Assim que o jantar foi retirado da mesa, a sobremesa foi trazida em uma bandeja prateada. Cada um recebeu uma taça de manjar ao vinho e se reuniram à mesa do jardim para apreciar o ar fresco e saborear melhor a sobremesa.

Augusto aproveitou o silêncio enquanto comiam, para assim se pronunciar, deixou a sobremesa de lado e tomou a atenção de todos quando ficou de joelhos diante de Guilherme, abrindo a boca para dizer o que ninguém ali estava esperando.

— Gui, eu estou fazendo esse pedido porque por mais que para mim, já estamos juntos, eu sentia que ainda precisava oficializar esse momento com pessoas especiais… — Explicou, ainda ajoelhado. — Você quer namorar comigo?

Augusto sentia um embrulho no estômago pelo medo de como Guilherme reagiria, ainda não sabia como era a relação dele com momentos românticos. Por mais que temesse a rejeição, não precisou se preocupar mais quando viu que seu pedido era retribuído com um largo sorriso.

Valquíria derreteu-se com a cena de seu caçula respondendo Augusto e abraçando-o sem nem esperar que ele levantasse. Já Dante, nada esboçava, somente esperava que aquele rapaz pudesse fazer seu filho verdadeiramente feliz.

•••

Otávio e Gregório combinaram de ir embora juntos, cada um em seu carro, mas seguindo o mesmo caminho. O gerente, chegando em sua casa, pôde conversar a sós com Otávio por conta do irmão caçula ter ido à casa de Augusto.

— Quando é que a gente perdeu aquilo? — Gregório se queixou, jogando-se ao sofá da sala.

— Aquilo o quê?

— Você sabe muito bem, Tavinho. — Falou a última palavra enfatizando a ironia na sua voz.

— Eu realmente não sei.

— Você viu como o Augusto olhava para o meu irmão? É dessa coisa que eu estou falando, falta aquele brilho no olhar entre nós.

— Me desculpa, mas eu não concordo com isso, eu sempre olhei para você como se fosse o primeiro dia que eu te conheci…

— Ótimo, agora estou me sentindo péssimo. — O gerente se queixou, sendo aninhado pelos braços de Otávio.

— Eu só quero que tudo fique bem entre nós, só isso.

— E o que eu quero é a mesma coisa, contanto que seja definitivo. — Gregório concordou com ele. — Por que você acha que somos assim? Como cão e gato?

— Acredito que é por sermos parecidos, é comum ter esse tipo de atrito quando as pessoas são iguais demais. — Otávio inquiriu.

— Tipo uma competição, você quis dizer?

— Basicamente isso.

— É, tem razão, eu nunca tinha parado para pensar assim. — O gerente analisou. — Mas ainda acho que devemos nos esforçar mais.

— É claro que sim, sair xingando o pai do outro no primeiro desentendimento não é a melhor solução. — Otávio riu.

— Concordo totalmente. — Soltou uma risada gostosa.

— Ei, me promete uma coisa? — Pediu, sussurrando.

— Fala. — Gregório apoiou a cabeça em seu ombro.

— Não desiste de mim, não. — Otávio encarou-o. — Eu não imagino mais o meu futuro sem você.

— Falando desse jeito você me destrói. — O gerente murmurou, recebendo um selinho. — Mas é que…

— É que? — Incentivou a continuação.

— Prometer é uma palavra forte demais. — Afastou seu rosto lentamente do dele. — Não que eu não queira ter uma vida inteira do seu lado, não é isso, mas é que por enquanto, quero viver o agora.

— Eu concordo, já nos frustramos demais pensando no futuro sem necessidade.

— Fico feliz que tenha entendido isso, eu sempre ficava receoso em te dizer… — Gregório revelou, tendo o rosto acariciado por ele.

— Vai ser tudo diferente agora, está bem?

•••

Sábado.

— Eu tentei falar com você ontem a tarde toda! Até de noite! — Francisco falou, quando o amigo finalmente atendeu suas ligações.

— Eu te mandei uma mensagem avisando que eu estava com o Gui, não mandei? Eu já te falei que eu não gosto de ficar no celular quando ele tá comigo, acho que isso é falta de respeito.

— Eu sei, eu sei. É que tem uma coisa que preciso muito te contar… Você não vai acreditar no que aconteceu ontem! É sobre o Gregório.

— Ah, falando nele… — O amigo quis iniciar um assunto, sendo interrompido.

— Espera, porque agora eu vou te contar tudo! Você está ocupado?

— O Gui acabou de ir embora e daqui a pouco vou para o restaurante, mas pode falar.

— Acho melhor você se sentar, porque você realmente não vai acreditar. — Francisco enfatizou.

— Fala logo, Fran!

— Então… Ontem, eu acabei me distraindo e fiquei até mais tarde lá no escritório. — Iniciou. — Quando eu percebi, já era umas seis e meia e não tinha mais ninguém por lá, com exceção do Gregório.

— E aí?

— Por incrível que pareça, ele veio puxar assunto comigo e rimos do fato de ter só nós dois ali.

— Isso aconteceu mesmo ou foi só mais um de seus sonhos?

— Se você já está duvidando disso, é aí que você não vai acreditar mesmo no que eu vou te falar agora. — Fez uma pequena pausa e continuou. — Eu, na brincadeira, perguntei se ele não estava a fim de ir tomar alguma coisa ali por perto.

— Que ordinário, isso porque você me prometeu que iria respeitar o espaço dele, imagina se não tivesse respeitando… — Augusto riu.

— Mas eu fiz o convite na camaradagem. — Defendeu-se.

— Camaradagem, né? Eu sei bem o que você quer dizer com isso.

— Bom, mas o fato mais incrível, é que ele aceitou e não viu isso como outra tentativa de cantada, pelo menos é o que eu acho.

— Ele aceitou?!

— Aceitou sim, nós fomos ali em um bar que tem pertinho, andando mesmo.

— Tem certeza que isso não é mais um dos seus sonhos?

— Eu não brincaria com isso. — Falou, animado. — Lembro que ele até perguntou de você, falei que a gente já se conhece há um tempão, falei que você fala muito bem do Gui, essas coisas.

— Mas você acha que ele estava particularmente interessado na minha vida amorosa com o irmão dele?

— Não, porque falamos pouco disso, na maior parte o assunto foi sobre o trabalho e um pouco do nosso passado, nada demais, só jogamos conversa fora.

— Nem consigo imaginar como você deve estar se sentindo agora, não sei nem como você está me contando tudo isso tão tranquilamente… — O amigo admirou-se.

— Acredite em mim, nem eu sei. — Francisco soltou uma risada. — Só sei que ontem eu já pirei tudo que eu tinha que pirar.

— Mas me fala, como ele é? Você mesmo dizia que ele parecia fechado, você ainda acha isso?

— Olha, essa foi realmente uma das coisas que eu mais observei nele ontem, eu não imaginava que ele era tão comunicativo, pelo menos não em assuntos do dia a dia e também não sabia que ele poderia ser brincalhão.

— Brincalhão? — Augusto quis confirmar se ele tinha mesmo dito aquilo.

— Pode acreditar.

— Ele parece sério… — Afirmou. — Mas e depois? Me conta mais.

— Basicamente foi só isso, nós bebemos, conversamos e por mais que tenha sido rápido, foi muito bom. — Francisco revelou, com tom de voz apaixonado. — Eu sei que você me diz para tomar cuidado, para tentar não me envolver, mas não tem jeito, eu não vou negar que estou com um pouco de esperança sim.

— Olha, Fran, não querendo ser estraga prazer, mas já sendo, eu fui no jantar ontem com o Gui na casa dos pais dele e você não vai gostar do que eu vi.

— Ih, parece coisa séria, o que é?

— O Greg estava lá… Com o Otávio. — Augusto falou. — E me parece que eles fizeram as pazes e que ainda estão juntos.

— O quê? — O estagiário chocou-se. — Mas você não disse que eles tinham brigado feio?

— Eu sei, fiquei surpreso também, nem o Guilherme sabia que eles tinham se resolvido. Os dois jantaram juntos como se nada tivesse acontecido.

— Poxa, mas… Se eles estão juntos, então por que será que o Greg aceitou sair comigo?

— Você acabou de me dizer que tinha convidado ele na camaradagem. — Brincou.

— É, eu fui trouxa de novo. — Suspirou.

Notas finais
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