Workaholic
45 Capítulo 45 — Realidade/Caminhos.
Notas iniciais
Capítulo 45 — Realidade/Caminhos.
Dia seguinte, sábado, vinte e sete de maio.
Francisco terminava de arrumar a casa quando ouviu seu celular tocar, vendo o nome do amigo na tela, atendendo:
— Alô?
— Oi, Fran, tá ocupado? — Augusto indagou.
— Não, pode falar.
— Eu acabei de arrumar as minhas coisas para ir para o hospital.
— Ah, você já vai ser internado agora de tarde? — Francisco recordou-se da cirurgia dele.
— Já vou dar a entrada hoje e deixar tudo certo para o procedimento. — Informou. — O Gui tá vindo pra cá pra me buscar e queria saber se você quer carona… Você sabe, pra ver o Gregório.
— Ah. — Francisco não pôde deixar de se surpreender com a pergunta, não sabendo direito o que responder. — Eu não sei se eu vou visitar ele de novo.
— Por quê? As coisas foram estranhas ontem? — O amigo quis saber.
— Não, não é isso. Foi até legal… Legal até demais, eu não sei se hoje eu deveria ir também. — Disse, pensativo. — O que você acha? Não seria estranho?
— Não precisa perguntar isso pra mim, o que seu coração quer que você faça?
— Não sei, Guto… Eu quero ver ele, mas alguma coisa me diz que não é o certo. Sei lá, tem uma parte de mim que parece que quer me convencer de que eu só quero ser um bom amigo e me certificar de que ele esteja bem. — Riu de si mesmo. — E eu quero ver ele bem, mas a gente sabe que isso de amizade tá fora de cogitação.
Francisco suspirou após o desabafo e percebeu o silêncio do outro lado da linha, logo ouvindo seu interfone tocar.
— Abre o portão pra mim, Fran. Tô aqui na frente. — Augusto voltou a falar, na chamada.
Francisco riu e desligou o celular, indo receber o amigo. Ele entrou e deixou a mala que segurava no chão da sala.
— Pronto, mandei uma mensagem para o Gui, pra falar que estou aqui na sua casa. — Augusto guardou o celular no bolso. — Vai, me fala mais do Greg. Percebi que você não quis falar sobre isso ontem e agora tô curioso…
— Eu assumo que eu tava com um pouco de vergonha ontem, foi estranho encarar ele depois de tudo aquilo e, no fim, eu ainda me sinto confuso...
— Confuso sobre o quê?
— Sobre como me sinto por ele, eu não sei explicar direito. — O estudante informou, sentando-se no sofá da sala, tendo a companhia dele no assento ao lado. — Mas agora, eu sei que eu tenho muita empatia, quero ver ele recuperado e…
— E? — Reforçou, ao ver que ele interrompeu o que dizia.
— Sabe, Guto? eu não consigo esquecer o que a gente teve, é inevitável. — Francisco confirmou, cabisbaixo. — Eu sei que não foi legal o que ele fez comigo, de me abandonar e voltar para o Otávio, mas eu não consigo pensar nessas coisas ruins quando lembro do que a gente viveu junto… Foram momentos muito bons, eu sentia sinceridade em tudo.
— Não sei se quer ouvir isso agora, mas vocês formavam um casal lindo. — Augusto falou, em uma tentativa de consolá-lo.
— Eu sei que sim. — Suspirou. — Eu só lamento por ele não enxergar a pessoa que ele é de verdade, por aceitar esmola de um psicopata como aquele cara…
— O Gui disse que ele vai começar com um psicólogo assim que sair do hospital. — Augusto informou, vendo o amigo abrir um sorriso
— Que bom, fico feliz com isso, ele precisa. — Francisco confirmou, ouvindo uma buzina. — Você acha que é o Gui?
— Parece que sim. — Augusto se levantou. — Você não quer mesmo ir comigo?
•••
Gregório deixou o livro que lia de lado ao ouvir toques na entrada do quarto, imaginando que seria seu irmão retornando, embora não entendesse o porquê ele estaria batendo para informar sua chegada. Logo a porta foi aberta e um sorriso simpático iluminou todo o ambiente.
— Oi! — Gregório falou empolgando, forçando suas costas para frente, sentando-se na maca. — Não sabia que você viria, Chico.
Francisco sentiu seu peito dar um solavanco ao ser chamado pelo apelido e ao ver a expressão meiga que ele esboçava, começando a se aproximar dele aos pouquinhos.
— Desculpa aparecer do nada, eu aproveitei que o Guto estava vindo pra cá e peguei uma carona. — Sorriu, vendo que ele estava com o acesso venoso. — Ainda tá tomando soro? Você já parece bem.
— Sim, ainda preciso. Mas eu tô bem, tô me sentindo mais disposto, já até impliquei com algumas enfermeiras, reclamando que eu poderia ir pra casa. — Riu baixinho. — De manhã fiquei um pouco enjoado, mas já consegui comer normal hoje, até senti apetite, coisa que não tinha antes.
— Isso é um bom sinal mesmo, fico feliz. — Confirmou, desviando o olhar do dele por um segundo. — E então, como tá sendo tirar esse tempo pra você?
— Tô sentindo falta do trabalho, isso não tenho como negar. — Abafou um riso. — Apesar de querer ir pra casa, tá sendo bom. Tô até lendo um livro que eu queria ler faz tempo.
— Eu queria gostar de trabalhar assim. — Francisco falou, brincalhão.
— E falando nisso, como tá sendo o seu novo emprego?
— Ah… Ainda não estou desempenhando todas as funções e estou um pouco limitado pela falta de experiência, mas aos poucos tô me encaixando, então tá tudo certo. O pessoal é bem legal também. — Informou, forçando um sorriso.
— Você faz falta por lá… — Gregório declarou, logo enrubescendo ao perceber o que tinha dito. — A Olívia sempre fala de você.
— Ah, ela é uma querida. — Sorriu de volta, ligeiramente envergonhado.
— E quais são seus planos agora? Você já tá no fim da sua graduação, certo? — Gregório quis mudar de assunto.
— Estou finalmente fazendo o meu trabalho de conclusão de curso, tá indo bem por enquanto. — Respondeu, olhando para o chão antes de voltar a encará-lo. — E você?
— Bom, o plano é me afastar do trabalho por enquanto, então tô pensando em fazer uma viagem com a Gabi…
— Que delícia! Eu amo viajar. Não lembro a última vez que fui pra algum lugar diferente, mas é muito bom. Vai te fazer bem. — Francisco concordou, sorridente.
Gregório encarou-o por um tempo, vendo a expressão sincera que ele sempre carregava. Por um segundo deixou-se levar pela imaginação, onde viajariam juntos e poderia levá-lo para conhecer qualquer lugar que ele quisesse. Lhe daria tudo e o encheria de roupas, mimos e o que mais tivesse vontade, embora nada fosse suficiente para presentear alguém tão fantástico.
Sabia que nunca mais poderia fazer algo assim por ele, então ao menos torcia para que Francisco encontrasse alguém que lhe desse tudo o que merecesse e tudo o que não conseguiu lhe dar.
•••
— Vocês conversaram bastante, né? — Guilherme adentrou o quarto do irmão após a saída de Francisco.
— Até que conversamos bastante, sim.
— Fico feliz, isso é bom… — Falou, demonstrando que parecia pensativo. — Então, Greg, eu recebi uma ligação da mamãe hoje, ela queria falar com você…
— E o que você disse?
— Ela tava reclamando que não conseguia falar com você, aí eu disse que estava no Guto e comecei a encher ela de informações sobre a cirurgia dele pra tirar o assunto do seu sumiço. — Riu baixinho. — Eu não queria falar sobre você, porque achei que você gostaria de falar com ela e explicar melhor.
— Obrigado, Gui. Eu preciso mesmo pensar em como vou falar sobre a minha síncope. — Riu, passando a mão nos cabelos. — Você coloca o meu celular pra carregar pra mim?
— Coloco sim, onde tá?
— Ali na poltrona com as outras tranqueiras. — Apontou, com o irmão encontrando e levando para o carregador.
— Prontinho. — Voltou para perto dele. — Mais alguma coisa, madame?
— Não, eu tô bem. — Sorriu.
— E você parece bem mesmo. — Guilherme segurou a mão do irmão com cuidado. — Eu tô mais tranquilo agora, ainda fico apreensivo pelo Guto, mas já aliviado por você estar melhor… Eu nem soube direito o que pensar quando você foi internado, Greg. Acho que ontem foi o pior dia da minha vida.
— Me desculpa por ter te assustado. — Retribuiu o toque, acariciando os dedos dele. — Eu prometo que vou me cuidar e que nunca mais vou sair do seu lado.
— Acho bom. — O caçula sorriu docemente. — Eu amo você, não esquece.
Guilherme podia ser teimoso o quanto fosse e ter seus defeitos, mas ele sempre seria o seu irmãozinho, do qual sentia que era sua missão proteger, confiar e amar.
Gregório teve a atenção do mais novo por mais um tempo antes da enfermeira adentrar a sala, fazendo-lhe algumas perguntas antes de confirmar que receberia alta ainda naquele dia.
O caçula ficou ligeiramente contrariado, pensando que o irmão ficaria no hospital por mais alguns dias, mas nada do que dissesse à mulher de branco fazia com que ela encontrasse motivos para que Gregório ficasse internado por mais tempo.
Gregório ria com a preocupação do irmão enquanto a enfermeira os deixava a sós e Guilherme bufou, colocando as mãos na cintura:
— Eu não queria que você fosse pra casa sozinho… Liga pra Gabi vir te buscar aqui.
— Eu ligo. — Confirmou, aliviado por estar livre dos acessos venosos.
— Poxa… — O irmão voltou a suspirar. — Eu vou me desdobrar pra ir te ver, mas vou fazer o possível, tá bom?
— Relaxa, Gui.
— Como?! Você viu no que deu quando você estava sozinho!
— Eu vou cumprir o que eu prometi, ok? A primeira coisa que vou fazer quando chegar em casa é: deixar todos do trabalho informados e enviar o atestado. — Anunciou. — Não sei se conseguirei entrar de férias imediatamente, porque preciso avisar um tempo antes, mas eu não vou exagerar de novo.
— Você vai falar comigo todos os dias?
— É claro que vou.
— Tá, tá bom. Mas eu também vou ir conferir pra ver se você tá descansando mesmo. — Guilherme reforçou, fazendo o outro rir novamente. — Se cuida, tá?
— Pode deixar.
•••
Gregório foi deixado em casa e ao passar pela sala de estar, colocou seus pertences na mesa mais próxima e se encaminhou para um banho quente e demorado. Havia se higienizado no hospital, mas não era a mesma coisa que estar no conforto do próprio lar.
Ao estar limpo e com uma roupa confortável, sentiu que deveria fazer uma ligação. Pegou o celular, tentando controlar a ansiedade enquanto esperava ser atendido.
— Alô. Greg?
— Chico. — Não conseguiu deixar de sorrir ao ouvir a voz dele. — Oi, de novo. Tá ocupado?
— Não, não tô fazendo nada de importante.
— Só tô te ligando pra avisar que recebi alta e cheguei em casa há um tempinho.
— Já? Nossa, isso é ótimo! — O outro alegrou-se. — Não esqueça de descansar, hein?
— Pode deixar, o Gui também tá me cobrando. — Riu baixinho. — Os meus exames todos deram resultados satisfatórios. É claro, tenho vitaminas pra repor agora, mas no todo, eu tô bem.
— Isso é muito bom, mesmo. Foi só um susto, então. — Francisco considerou. — E o que você vai fazer agora?
— Por enquanto, vou tentar não fazer nada. Já que essa é a recomendação. — Brincou. — Enfim, eu não quero me prolongar.
— Imagina, você nunca me atrapalha. — O estudante falou, fazendo o coração de Gregório acelerar.
— Eu vou indo… — O gerente continuou, sentindo uma dor no coração que não soube explicar. — Até mais, Chico.
— Até.
Desligou a ligação e encarou o celular, não querendo que aquele fosse o último adeus.
•••
— Era o Gregório, né? — Rafael surgiu na cozinha.
— Sim, como sabe? — Francisco inquiriu, guardando o celular no bolso.
— Você disse o apelido dele quando você atendeu. — O rapaz esclareceu, cruzando os braços.
— Ah, eu nem reparei… — Riu envergonhado. — Ele estava ligando pra me falar que chegou do hospital.
— Francisco, quem você tá querendo enganar? — Rafael perguntou, agora mudando a expressão, ficando sério.
— Como assim, Rafa? — Aproximou-se dele, não entendendo aquela reação.
— Desde quando eu virei “nada de importante”?
— Me desculpa, foi só modo de dizer! — Francisco arregalou os olhos, chateado com o que tinha dito de forma inconsciente. — Por favor, não quis dizer que você não era importante…
— Eu entendi, no final. Mas eu sempre soube que eu não era a sua prioridade e estou bem com isso. — Rafael agora deu de ombros. — Só não gosto que você aja como se ele fosse o seu dono.
— Por que diz isso? — Francisco indagou, tristemente.
— Ah, fala sério. Se você fosse um cachorro, estaria abanando o rabinho enquanto falava com ele. — Satirizou, vendo o outro conter o riso. — Eu achei que ele não fazia mais parte da sua vida.
— E não faz, eu só fui visitar ele no hospital porque precisou ficar internado, só isso. — Francisco relatou, vendo o outro olhar para o lado, incomodado. — O que foi? Me fala!
— Eu acho que isso não vai dar certo. — Rafael desabafou. — Olha, é legal passar o tempo com você e tudo mais, mas vamos interromper aqui antes que seja tarde, o que acha?
— Mas por quê? Eu te disse que não tinha mais nada entre mim e ele. Eu ter contato com ele te incomoda?
— Me incomoda sim, mas eu não quero ser aquele tipo de pessoa que pede pra você parar de falar com alguém, porque isso não é legal e todo mundo sai sofrendo. — Rafael justificou, suspirando. — Eu espero que vocês se resolvam um dia. Tá na cara que se gostam.
Francisco sentiu o peito apertar ao ouvir tal sentença, sabia que aquilo não seria possível, ao mesmo tempo que também não conseguia pedir para Rafael ficar. Não acreditava em um futuro com o gerente e, mesmo assim, ainda queria Gregório ao seu lado.
— Me desculpa, Rafa.
— Tá tudo bem. — Forçou um sorriso, lhe beijando na bochecha. — Quem sabe, um dia a gente não se encontra por aí? Ou me liga se estiver na seca.
Francisco riu baixinho, mas sabia que ele falava a verdade. Viu-o recolher suas coisas e pedir para que abrisse o portão. Não deixou de se sentir péssimo enquanto caminhava com ele até a entrada da casa, se despedindo dele.
•••
Segunda-feira, vinte e nove de maio.
— Oi, Gregório, boa tarde. — O homem simpático o recebeu em sua sala. — Eu sou Elias. Seja muito bem-vindo.
— Obrigado, Elias. — Saudou-o, sentando-se na cadeira indicada.
— Bom, eu sei que já conversamos por telefone uma vez e soube um pouquinho sobre você. E hoje não vai ser diferente, vamos fazer esse bate-papo e com isso você vai me conhecendo e eu vou te conhecendo melhor, também. — O psicólogo esclareceu, sorrindo simpaticamente. — Tá pronto pra começar?
Gregório não podia negar que sentiu um frio na barriga ao ouvir aquela pergunta, mas não tinha mais como escapar de seus problemas. Se ajeitou de modo confortável e afirmou convictamente:
— Estou.
•••
— Eu não poderia estar mais feliz, você tá em casa, o Gregório tá na primeira consulta com o psicólogo, tá tudo se encaminhando… — Guilherme abriu um largo sorriso, aproximando-se do namorado deitado na cama. — Você tá confortável? Precisa de alguma coisa?
— Eu ia pedir pra você pegar uma garrafa de água pra deixar do meu lado, só isso. Mas nem precisa ser agora. — Augusto respondeu.
— É pra já! — O mais novo retirou-se do cômodo imediatamente.
Augusto sorriu com o gesto dele, sentindo todo o carinho e cuidado que ele tinha por si. Era bom se sentir amado e Guilherme estava sendo um anjo nos últimos dias. Ele fazia todas as suas vontades e até mais do que precisava, ficando de prontidão para qualquer pedido.
Apesar de todo o desconforto da recuperação, era bom saber que de agora em diante as coisas só melhorariam e era melhor ainda ter alguém como o namorado ao seu lado.
— Voltei, aqui sua água… — Guilherme aproximou-se da cama, deixando com ele a garrafa.
— Por que tá com uma mão nas costas? — Augusto indagou estranhando a reação dele.
— Então. É que tem uma coisa aqui que você não pode ver, não ainda. — O mais novo riu, sentando-se na lateral da cama, mantendo o que quer que fosse, escondido atrás de si.
— Tô curioso. — Falou, vendo-o sorrir.
— Calma, eu já vou te mostrar. — Guilherme informou, olhando para o lado antes de voltar a dizer. — Mas antes eu queria te perguntar uma coisa. Você se lembra de algo assim que voltou do procedimento?
— Lembro de acordar com você do meu lado, por quê?
— É que você me disse uma coisa que me deixou muito pensativo. Você falava mole, ainda meio grogue da anestesia geral. Mesmo assim, parecia sincero.
— Ai meu Deus, o que eu disse? — Augusto perguntou nervosamente, fazendo o outro rir mais alto.
— Primeiro você ficou todo meloso, disse que, caso morresse, queria que eu soubesse o quanto você me ama e quer casar comigo... Meio mórbido, mas foi muito fofo.
— Ai que vergonha. — Augusto passou a mão pelo próprio rosto, dando uma risada baixinha. — Eu disse mais alguma coisa?
— Você disse que tava com medo de morrer, então eu te respondi dizendo que você já tava fora de risco, que a cirurgia tinha ocorrido bem, então depois disso, você falou que acreditava em mim, que confiava em mim. — Guilherme revelou, sorrindo docemente. — E eu sei que, mesmo que grogue, você falava sério…
— E é verdade, mesmo. — Concordou, encarando os olhos brilhantes do namorado. — Eu sei que os meus pais se preocuparam bastante e vieram me visitar, mas eu só poderia escolher você pra estar do meu lado nessa hora, Gui.
— E nós não somos um casal muito convencional, né? — Guilherme admitiu, olhando para ele, com os olhos ameaçando choro. — Nós estamos morando juntos com pouco tempo de namoro e, desde então, nos damos muito bem. Eu aprendi muito com você e… Não consigo imaginar outra pessoa pra passar o resto da minha vida.
Augusto sentiu seu coração acelerar com aquela última frase, principalmente quando viu-o levantar da cama, agora descendo e apoiando um joelho ao chão, enquanto mantinha o outro ao alto, revelando o que escondia nas costas.
— A gente não precisa casar agora, nem ano que vem se não quiser, nós podemos esperar, mas é que… — O mais novo suspirou, mordendo o próprio lábio, abrindo a caixinha aveludada, exibindo duas alianças. — Eu quero falar pra todo mundo que você é o meu noivo. Não tem um dia sequer que eu não pense nisso e no quanto a gente dá certo e no quanto eu quero estar do seu lado todos os dias. Então eu só quero saber se você, Augusto Leme de Paula… Quer casar comigo?
— Quero. Quero muito, Gui. — Augusto respondeu, podendo sentir seu coração se preencher de uma sensação boa ao respondê-lo.
Guilherme se levantou e pulou na cama, abraçando-o com cuidado para não deixá-lo em uma posição desconfortável. Lotou o rosto do loiro de beijos antes de entregar a pequena caixa nas mãos dele, para que pudesse ver os anéis de perto.
— Eu achei que não iria aceitar. — O mais novo soluçou, enxugando o olho.
— Por que pensou isso?
— É que você já deixou claro que é um plano futuro, então eu fiquei com medo de estar me precipitando demais… — Suspirou outra vez, controlando o choro, abraçando-o.
— Eu te amo, Gui. — Falou, com a voz abafada pelo corpo dele sobre o seu.
— Eu também te amo. Te amo muito. — Guilherme se ajeitou ao seu lado, livrando-o do abraço. — Vem cá, me dá sua mão.
— Qual mão? Direita ou esquerda?
— Acho que pra noivado é na direita. — Informou, com ele esticando os dedos em sua direção, fazendo com que recebesse o anel. — Prontinho, ficou lindo.
— Sua vez. Deixa eu colocar em você. — Pediu, pegando a aliança sobressalente, encaixando no anelar dele. — Aqui está, noivinho.
— Eu nem acredito. — Guilherme riu bobamente, admirando suas mãos juntas. — Eu tô feliz, Guto.
— Eu também, Gui. — Admitiu, tão sorridente quanto ele. — Pra ficar melhor, só se eu estivesse totalmente recuperado e sem dor nenhuma.
— Ai, tadinho… — Riu baixinho, tocando-o na bochecha e lhe dando um selinho. — Eu te peguei de surpresa, não foi?
— Um pouquinho, mas eu gostei. — Tocou-o na bochecha, lhe acariciando. — Não podia ter surpresa melhor… Agora você tá prestes a me aguentar até a morte.
— Ai que coisa horrível! — Guilherme gargalhou, lotando o rosto do namorado com mais beijos.
•••
Francisco havia acabado de voltar do trabalho, nem sequer iria para a aula pela mensagem que havia acabado de receber do amigo. Estava curioso para saber qual era a emergência, temendo ser algo ruim.
Chegou à casa de Augusto e o avisou, sendo informado de que o portão estava aberto. Entrou apressado e o encontrou na cozinha.
— Oi! Acabei de chegar! Nem fui pra casa ainda. — Francisco falou, ofegante. — O que aconteceu?! Você tá bem?
— Calma, eu tô bem. — Augusto riu pela expressão preocupada dele. — Mas é uma notícia muito boa.
— Você tá podendo ficar de pé? — O estudante indagou, fazendo o amigo rir. — Cadê o Gui? Ele não tá cuidando de você?
— Tô podendo sim, não tô doente nem nada. — Falou, ligando a cafeteira. — E o Gui foi ver o irmão, lra também contar a notícia pra ele.
— Mas que notícia? — Francisco inquiriu, ainda mais angustiado para saber logo do que se tratava.
— Essa. — Mostrou a aliança. — Eu tô noivo.
— O quê?! — O amigo abriu um sorriso enorme. — É sério?
— Sim, o Gui me pediu em casamento agora pouco, por isso que ele tá lá contando pro Greg. — Falou, encarando a própria mão com admiração. — Essa notícia pede pra ser pessoalmente.
— Me conta tudo! — Pediu, ansioso. — Como foi o pedido?
— Calma, eu vou contar os detalhes, mas antes… — Augusto se aproximou do amigo, com um sorriso suspeito. — Você quer ser meu padrinho?
— Padrinho? — Os olhos de Francisco brilharam no instante em que ouviu o convite. — E você ainda pergunta? É claro que eu quero!
— Eu nem falei pra nenhum familiar ainda, você é a primeira pessoa que eu queria falar pra fazer esse pedido… É claro que eu ainda vamos escolher a data e o local, essas coisas… — Informou, agarrando as mãos do amigo. — Mas eu quero que saiba que quero você lá do meu lado, Fran.
— É uma honra! É sério! — Sorriu, ainda com os olhos brilhantes. — Mas… O padrinho não tem que ter um par?
— Não, eu também achava isso, mas pelo o que o Gui disse, não. É comum hoje fazer assim… Gente rica é moderna, fazer o quê. — Riu baixinho. — Eu sempre brinquei com isso, mas agora vou casar com um mauricinho, dá pra acreditar?
— Vocês são lindos, Parabéns… — Francisco puxou o amigo para um abraço apertado. — O Gui é um amor de pessoa e vocês merecem toda a felicidade do mundo, eu tô muito feliz por vocês!
— Obrigado, Fran. — Falou, recebendo tapinhas no ombro.
— Isso pede uma cerveja! — Francisco exclamou, largando o amigo do abraço.
— Talvez pra você, eu tô só à base de remédios pra dor por enquanto, então, nada pra mim… Sem contar que álcool não é muito recomendado pra recuperação. — Torceu o lábio. — Mas se você quiser, tem na geladeira.
— Ah, então não. — Riu, erguendo os ombros. — A gente ainda vai ter muito tempo pra beber junto, principalmente na sua despedida de solteiro…
— Na minha o quê? — Arregalou os olhos, com o outro dando uma gargalhada gostosa.
— Não é dever do padrinho organizar essas coisas? — Abriu um sorriso arteiro. — Confia!
•••
— Greg! Greg! — Guilherme atravessou a porta de entrada com pressa, caçando o irmão.
— Tô aqui! — Gregório afirmou, da sua suíte.
O caçula correu para o quarto do irmão, vendo-o dobrar algumas peças de roupa sobre a cama, vendo uma mala aberta.
— Oi! — O recém-chegado falou, sorridente. — Tá arrumando suas coisas pra viagem com a Gabi? Achei que não iriam tão rápido.
— Tô sim. Quando falei que deu tudo certo para tirar folga por uns dias ela já programou tudo, acredita? Foi mais rápida que eu… — Riu baixinho, parando por um momento para sentar na parte livre do colchão, dando batidinhas no espaço vago para lhe convidar. — Vem cá.
— Eu tenho uma novidade pra te contar! — Andou apressado até ele, sentando-se ao seu lado.
— Você tá com uma carinha de quem aprontou! Mas não acho que é isso, porque o Augusto não deve estar recuperado o suficiente. — Gregório brincou, fazendo-o rir.
— É, não é isso. — Mordeu o próprio lábio, mal se contendo de alegria.
— E então? Fala logo! — Encarou-o, curioso.
— Eu pedi o Augusto em casamento e ele aceitou. — Guilherme deu um gritinho histérico.
Gregório sentiu seu coração acelerar de alegria, puxando os ombros dele para o envolver em um abraço amoroso, ainda sentados.
— Meu irmãozinho tá noivo, gente. — Sussurrou, com a cabeça apoiada no ombro dele. — Eu nem acredito… O tempo passou rápido demais.
— E tem mais. — Guilherme se afastou o suficiente para encarar o mais velho. — Quero que você seja o meu padrinho.
— Seu padrinho? — Quis confirmar, com sua voz trêmula, demonstrando que estava prestes a chorar. — É claro que sim, Gui…
O caçula abraçou-o de volta, também se emocionando com a reação do irmão. Fungou, enquanto sentia os toques carinhosos dele em suas costas.
— Eu te admiro tanto, mas tanto… — Gregório recuperou a voz, respirando fundo. — Você se tornou esse homem responsável e eu nem percebi, nem vi quando isso aconteceu.
— Eu quero muito que você seja feliz também… — Guilherme tocou o rosto do irmão, enxugando uma lágrima tímida que surgia.
— Eu já sou, Gui. Tenho você na minha vida e é o suficiente no momento. — Sorriu carismático.
— Eu sei… Mas eu não posso deixar de pensar que você merece alguém. Eu sou tão feliz com o Guto, queria que você sentisse isso…
— Um dia eu vou, relaxa. Foca em você agora, tá bom? — Gregório pediu.
— E eu sei que talvez seja meio inconveniente tocar nesse assunto, mas o Guto vai pedir pro Fran ser o padrinho dele também… Já pensou vocês dois entrando juntinhos?
— Gui… — Desviou o olhar do dele, constrangido.
— Se o que eu disse fosse besteira, você não teria ficado envergonhado desse jeito. — Alfinetou-o.
— Esquece isso agora, pensa no seu casamento. — Abriu um sorriso meigo. — E aí? Vocês já têm uma data?
•••
Alguns meses depois, sábado, onze de setembro.
— Oi, Gui! Boa noite! — Gregório cumprimentou o irmão, sorridente. — Vem, vamos tomar um café.
— Eu sei que a gente tá sempre fazendo esses encontros, mas por que será que eu sinto que você quer me dizer alguma coisa importante hoje? — O caçula riu baixinho enquanto o seguia à cozinha.
— Você tá bom de palpite, hein? — Gregório serviu duas xícaras de café, entregando uma ao irmão. — Você vai ser a primeira pessoa que eu contarei isso, na verdade.
— Vai, conta logo! Sem suspense! — Pediu, fazendo-o rir.
— Vem, senta. — Puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dele.
— Tô sentado, já pode falar! — Falou, inquieto.
— Eu vou abrir a minha própria empresa de publicidade. É isso. — Gregório assumiu, vendo o irmão arregalar os olhos.
— O quê? Mas a ideia não era trabalhar menos? Você sabe que assim vai trabalhar muito mais que antes, não sabe?! — Guilherme espantou-se.
— Sim, eu tenho noção de que ser empreendedor não é fácil. Sei que terei que desempenhar mais que uma única função no começo, mas eu tô bem empolgado. — Gregório falou, confiante, agora bebendo de sua xícara. — Eu estudei muito a possibilidade, também não deixei de alinhar isso com o meu psicólogo.
— Ah, eu já ia te perguntar isso. — Guilherme tomou um gole do café, antes de deixá-lo de lado. — É importante saber se você pode fazer isso, já que tem poucos meses que você está estável, então tem que tomar cuidado.
— Sim, eu estou tendo o acompanhamento dele durante esse processo da decisão. Tô totalmente consciente do que estou prestes a fazer daqui em diante e estou tomando os devidos cuidados, para não acabar tendo os mesmos problemas com isso no futuro. — Gregório outro gole no café, já morno. — Mas eu tô muito animado, Gui, a ideia vai finalmente sair do papel.
— E você já tem o nome da empresa?
— Tenho alguns em mente, mas nenhum deles é certeza. — O gerente respondeu, olhando para o irmão, vendo-o sério. — E então, Gui, o que você acha? Eu sei que a ideia pode parecer meio incongruente de início, mas...
— Não! — Interrompeu-o, abrindo um sorriso. — Não fica preocupado comigo, eu amei a ideia! Eu tô muito feliz por você, muito mesmo! Não vou negar que tenho medo de você ter uma recaída, mas você realmente parece preocupado com os detalhes, então… Tem tudo pra dar certo, Greg.
— Eu não posso negar que estou preocupado. Para ser bem sincero, não estou fora de perigo e pode ser que eu nunca esteja curado. Mas com o Elias, eu descobri que eu não preciso fugir da minha vocação, eu gosto do que eu faço e eu sou bom no que eu faço. — Reforçou, orgulhoso. — Eu sei que abrir a minha própria empresa vai ser mais difícil, mas eu estou disposto a arriscar. E isso vai ser muito bom, também, faz tempo que não me dedico em algo pra mim...
— Você tá certo! — Guilherme levantou-se da cadeira para abraçá-lo rapidamente. — Eu tô muito orgulhoso de te ver assim, sabia? Se valorizando e procurando um novo caminho, se arriscando… Parabéns, Greg! E você sabe que pode contar comigo pra qualquer coisa que precisar, não sabe?
— Sei sim. — Abriu um largo sorriso, vendo-o voltar a se sentar. — Mas e você? Tem alguma novidade?
— Ah, só que tem o aniversário do Guto, então não esquece.
— É na terça, certo?
— Isso, combinamos um jantar formal com a mamãe e o papai, só nós cinco.
— E você tá nervoso? — Gregório indagou, com o irmão ficando confuso.
— Com o quê?
— Ah, tá meio na cara que esse jantar vai ser pra falar do casamento de vocês… Inclusive, não sei como até agora a mamãe não te convenceu a fazer “A” senhora festa de noivado. — Riu baixinho.
— Eu deixei bem claro pra ela que estávamos sem pressa e não tínhamos uma data pro casamento, então não tinha o porquê fazer o noivado. — Ergueu os ombros.
— E desde quando ela respeita totalmente as nossas decisões? — Gregório desdenhou.
— É, é verdade! — Soltou uma risada.
— Então se prepara, é melhor se blindarem desses tipos de pergunta, porque o foco vai estar em vocês. — Gregório aconselhou.
— É, eu não tinha pensado nisso. — Concordou, tomando o restante do café. — Ah! E amanhã na casa do Guto é no horário do almoço. Você vai, não vai?
— Achei que a festa de amanhã seria só para os amigos dele, já que vamos nos ver no jantar de terça. — Gregório afirmou.
— E você acha que o Guto não te considera próximo o suficiente pra isso? Ele gosta muito de você! Você tem que ir!
— Ah, não sei, Gui… Acho que vai ser estranho.
— E esse medo de ir é pelo Francisco?
Gregório queria dizer não, mas teve que tomar um intervalo para engolir em seco. Tentou disfarçar, pegando em sua xícara, mas ela já estava vazia e precisou enchê-la.
— Eu sei que a gente sempre evita falar dele, mas ele ainda fala de você. — Guilherme voltou a dizer, tomando a atenção do irmão.
— Fala? — O mais velho indagou, dando o sinal verde que o caçula precisava.
— Fala, sim. Ele sempre pergunta como você está, sabia? — Provocou-o.
— Ah, mas isso não é grande coisa, ele só é educado. — Desviou o olhar, sorrindo.
— Mas ele fica todo tímido quando fala o seu nome. — Mencionou, recebendo um olhar envergonhado do irmão.
— Ah! Eu acabei de me lembrar de que eu ainda não comprei nada para o Augusto. — Gregório mentiu, querendo desviar o assunto.
— Ué? Mas e aquele sapato que você me mandou foto? Você até me perguntou o tamanho, achei que tinha comprado.
— Ah, comprei, mas é pra terça-feira, preciso levar outra coisa pra amanhã, né? — Sorriu desconcertado.
Guilherme estreitou os olhos, desconfiando da mudança súbita do irmão, não demorando para entender o motivo daquela vergonha toda que ele parecia carregar.
•••
Dia seguinte, domingo, doze de setembro.
Gregório perdeu as contas de quantas vezes alinhou a roupa e conferiu os cabelos após descer do carro. Estava com medo de estar formal demais, então vestia uma calça jeans, mas não deixou a camisa social de lado, tendo que conferi-la mais uma vez antes de tomar coragem para entrar na festa do cunhado, carregando o presente.
O portão estava apenas encostado, então simplesmente entrou, sentindo suas mãos ficarem suadas, passando os olhos para todos os cantos, procurando por rostos conhecidos. E mesmo que tivesse visto o irmão, viu outra pessoa que tanto esperava encontrar por ali, ainda ao longe, sem notar sua presença, mas lindo como imaginou.
Francisco era sempre despojado, mas nunca descuidado, os cabelos ondulados estavam um pouco maiores do que se lembrava ter visto da última vez e ele nunca abandonava aquele sorriso que contagiava qualquer pessoa que estivesse por perto.
— Você chegou! — Guilherme falou, acordando o irmão do transe. — Quer me dar o presente? Eu vou deixar com os outros.
— Tá bom, cadê o Augusto? — Entregou-lhe o que segurava.
— Ele tava conversando com a mãe dele agora pouco, mas já vou chamar ele pra te dar um oi.
— Ah, então não precisa, não. Quando ele estiver livre, eu falo com ele.
— Tudo bem, eu já volto, tá bom? Fica aqui conversando com o Fran. — Guilherme falou em tom provocativo, mal dando tempo do irmão retrucar antes de vê-lo sair.
Enquanto Gregório ria com aquilo, sentiu um toque sutil em seu ombro, virando-se para ver do que se tratava e sentindo suas pernas um pouco mais fracas ao se deparar com a feição sorridente de Francisco.
— Oi, Greg!
— Oi! — Falou, quase sem conseguir reagir, recebendo um abraço espontâneo dele.
— Que bom que você veio! Já faz um tempo, né? — Ele sorriu, tocando-o no ombro. — Você tá bonito.
— Você também… — Apenas respondeu, mal pensando no que tinha acabado de dizer, sentindo suas bochechas esquentarem.
— Quer beber alguma coisa? Eu pego pra você, tô ajudando na festa hoje. — Riu baixinho.
— Ah, por enquanto não.
— Chico! — Uma moça surgiu andando apressada, logo parando ao lado dele, envergonhada ao perceber que tinha interrompido a conversa.
— Ah, essa é a minha irmã. — Francisco iniciou, indicando-a. — Greg, essa é a Beatriz. Bia, esse é o Gregório.
— Ah, Gregório! — Ela falou, como se reconhecesse, abrindo um sorriso malicioso. — Prazer!
— O prazer é meu. — Cumprimentou-a de volta.
— E então, Bia, o que você precisa? — Francisco virou-se para a irmã.
— Não… Nada, não. Pode ficar aí conversando com o Gregório. — Ela declarou, com uma voz sugestiva ao devolver o olhar para o mais velho. — Até depois…
— Desculpa, ela tem um parafuso a menos. — Francisco afirmou, ao vê-la sair.
— Ela é uma graça. — Gregório sorriu. — E então, Chico? O que você tem feito nesses últimos meses?
— Ah, eu já tô nas últimas entregas do meu TCC, graças a Deus. — Riu, ajeitando uma mecha curta de cabelo atrás da orelha. — E você?
— Eu vou abrir a minha própria empresa de publicidade, então tá sendo um processo e tanto. Mas tô curtindo muito.
— Jura? Nossa isso é demais! Eu sempre achei que você tinha potencial pra ser chefe de todo mundo lá na JSM. — Brincou, fazendo o outro rir. — E como tá sendo isso?
— Bom, eu já estou vendo o local e falta escolher o design do logotipo e o nome… Eu tenho os modelos no celular, quer dar uma olhada e me dar uma sugestão? — Gregório indagou, sorrindo empolgado.
— Posso sim, só não prometo que vou fazer as melhores escolhas. — Falou, fazendo-o rir. — Vem, vamos sentar ali.
Foram para a sala de jantar, onde sobravam cadeiras e sentaram-se lado a lado, próximos o suficiente para que Francisco se esforçasse para não fungar no cangote dele, querendo sentir mais aquele perfume gostoso e nostálgico.
Após se ajeitarem, Gregório retirou o celular do bolso e abriu os projetos que tinha em mente, entregando o aparelho nas mãos do outro, apontando cada coisa e dizendo o que pensava e quais eram os possíveis impedimentos.
Guilherme analisava os dois ao longe, não estando sozinho, acompanhado de Augusto e Beatriz. Todos eles ficaram em silêncio por um tempo, vendo como os dois reagiam bem com a presença um do outro depois de tanto tempo.
Gregório explicava animado e o outro ouvia atentamente, não deixando de lhe encarar em uma expressão nitidamente apaixonada. E quando Francisco falava, o outro era apenas sorrisos e risadas sinceras.
Beatriz conhecia tão bem o irmão como os rapazes ao seu lado. Já tinha ouvido muito a respeito de Gregório, principalmente após o término e enquanto analisava tudo aquilo pessoalmente, ela apenas disse em voz alta o que Augusto e Guilherme estavam pensando.
— Olha só pra eles, conversando pertinho um do outro, se olhando carinhosamente e rindo todo bobinhos! Não tem como negar, aqueles dois ali não se superaram... — Beatriz apontou, indignada. — Eles não estão só se torturando, mas a nós também!
Fale com o autor