Workaholic

40 Capítulo 40 — Choque.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 40 — Choque.

— Tenho certeza que você vai se adaptar bem rápido, Francisco. — Anunciou, após introduzi-lo ao escritório.

— Também acho. — O rapaz concordou, sorrindo. — Eu agradeço por todo o apoio nessa minha introdução à equipe de vocês e, principalmente, por terem me dado uma resposta tão rápido, vocês são incríveis.

— Nós que devemos te agradecer por ter se candidatado, você é o perfil que procuramos. — A mulher sorriu. — Amanhã mesmo te esperamos para o início do seu período de experiência.

— Estarei aqui.

•••

Alguns dias depois, sexta-feira, dezenove de maio.

Guilherme caminhou para a cozinha onde o namorado preparava o café da manhã, olhando para ele e apoiando-se na parede, suspirando, parecendo cansado.

— O que foi, amor? — Augusto indagou, vendo a expressão derrotada dele logo cedo. — Com quem estava falando no telefone?

— Me ligaram do laboratório, teve um problema com meus exames, aparentemente teve um acidente e eles perderam o conteúdo de alguns pacientes, que terão que retornar para a coleta novamente.

— A gente tem que ir tirar sangue de novo?

— Por sorte, você não, mas eu sim.

— Poxa… — O loiro desanimou-se por ele, parando de mexer a omelete que preparava. — Você vai lá agora?

— Vou sim, aproveitar que ainda não comi nada.

— Tudo bem. — Augusto voltou a atenção ao fogão. — Vai querer levar um lanchinho no carro pra assim que sair de lá?

— Não precisa, eu venho correndo pra cá logo depois. — O caçula afirmou. — Bom, vou me arrumar.

O blogueiro colocou uma roupa confortável, não querendo combinar o visual completo como sempre fazia, principalmente por não estar nem um pouco animado.

— Você me parece triste, o que foi?

— Eu não acho que o problema verdadeiro foi eles terem perdido minha amostra de sangue. Acho que, na verdade, devem estar desconfiando de algo grave para me pedirem para ir lá mais uma vez, como uma desculpa, para não me deixar muito preocupado. — Raciocinou.

— Acho que eles nem podem fazer isso, amor. E outra, por que mentiriam pra você?

— Mas eu já assisti uns realities que nos hospitais os médicos inventam umas mentiras “do bem” para não deixar os pacientes preocupados.

— Eu acho que você assiste reality show demais. — Augusto riu, tentando acalmá-lo. — Relaxa, meu amor, vai dar tudo certo, ok?

— Eu espero que sim. — Suspirou. — Eu vou indo, quanto mais rápido eu for, mais rápido eu volto.

— Enquanto isso, vou ligar no restaurante e ver o que posso fazer, vou ver se consigo tirar o dia hoje pra ficar com você. — Augusto informou.

— Não precisa disso, não. — Guilherme sorriu.

— Não custa nada tentar. — Deu-lhe um selinho.

— Já, já, eu volto. Me deseje boa sorte.

— Boa sorte, gatão. — Riu com ele, vendo-o sair.

•••

Gregório mais um dia acordava com a casa silenciosa, sentia falta de ver o irmão na cozinha, sempre comendo alguma coisa cheirosa e esperando que ele acordasse para que tomassem uma xícara de café ou cappuccino juntos.

Comia desanimado sem a presença dele, não desejava que a relação deles mudasse mesmo com a distância, mas apesar disso, já tinha percebido que o irmão mal respondia suas mensagens, não sabendo se era por falta de tempo ou por simplesmente se esquecer.

Aquilo já parecia uma prévia de como seria morar sozinho e não parecia muito boa, procurava dividir sua vida com alguém e o irmão sempre foi a pessoa ideal, com a ideia agora desaparecendo de sua mente, pois sabia que um dia o caçula iria querer seguir seu rumo, então só bastava procurar um novo parceiro para suas manhãs.

Foi ao trabalho, chegando ao prédio e caminhando ao elevador sem olhar para os lados, mal havia percebido o momento em que parou de cumprimentar as recepcionistas, que não deixavam de notar que ele havia voltado a ser como antigamente.

O gerente já não tinha mais um colega de trabalho ousado o suficiente para lhe fazer piadas bobas ou cantadas descaradamente clichês, não tinha mais ninguém para salvar o seu dia do monótono, só restando entrar novamente nos eixos, também não dando abertura para novas amizades.

Se sentia sozinho e não admitiria aquilo tão facilmente, Gregório queria enganar a si mesmo de que não era dependente de alguém, no entanto, mal tinha estruturas para suportar as coisas sozinho. Não se deixando levar e caindo na tentação de enviar uma mensagem a Otávio assim que chegou em sua sala.

Estava inquieto, tamborilava os dedos na mesa e tentava pensar no que faria, não estava conseguindo se concentrar. Após olhar seus e-mails, resolveu dar uma volta pelo escritório, sempre que podia, fazia aquilo para verificar o ritmo das atividades de seu grupo, além de ajudar alguém com um provável problema, geralmente ficava por dentro de todos os processos caso algum cliente entrasse em contato perguntando.

Seu peito apertou no exato momento em que olhou para o computador vazio onde Francisco costumava ficar. Já havia perdido as contas de quantas vezes tinha sentido aquilo durante a semana, eram tão poucos dias, mas pensava que se acostumaria rápido e não que se tornaria cada dia pior.

•••

— Você voltou rápido! — Augusto viu o namorado chegar. — E aí, conseguiu tirar o sangue?

— Consegui sim…

— Deixei um lanche pronto pra você no microondas, vai querer comer agora?

— Vou. — Guilherme deu-lhe um selinho, indo à cozinha em seguida, para pegar o seu lanche. — Você vai trabalhar hoje?

— Eu vou ficar só meio período, aí compenso depois. — O loiro foi até ele. — Quero aproveitar agora pra ficar com você um pouco e pra gente conversar, sei que você tá ansioso.

— Se não fosse você pra desabafar, eu nem sei o que eu faria… — O caçula sentou-se à mesa.

— Não fala isso, você pode contar ao Greg se você quiser. — Augusto sugeriu, juntando-se à mesa.

— Não sei, não. — Guilherme meneou a cabeça.

— Ei… Por que tá com essa carinha?

— É tanta coisa acontecendo… Eu não sei se o laboratório está escondendo alguma coisa de mim, não sei o que o meu irmão vai falar quando eu contar pra ele e muito menos a minha mãe.

— Calma, conta para a sua mãe só quando você tiver a certeza, no momento acho que você poderia simplesmente se abrir com o Gregório, sei que ele pode te dar alguns conselhos. Vai que ele já passou por algo assim e pode te aconselhar, hein?

— Eu não duvido nada, ele sempre me aconselha, parece até que já passou por tudo quanto é tipo de coisa. — O caçula riu baixinho. — Tenho saudade de conversar com ele, mas agora eu tenho o dobro de dúvidas do que antes.

— Por quê? — Augusto indagou.

— Porque se isso que você me contou for verdade, sobre o Fran ter te dito que ele e o Otávio estavam saindo juntos e tudo mais, eu não sei o que fazer… Se meu irmão voltar com o Otávio, eu não sei se sou capaz de confiar nele de novo, sei lá, é como se ele virasse outra pessoa quando tá com esse cara.

— Eu entendo, mas você deve voltar a falar com ele, vocês são tão unidos, sei que vão se resolver… Às vezes você nem imagina, mas ele pode estar precisando de você.

— Precisando de mim?

— Ele sempre te aconselha, não é? Quem sabe agora ele não esteja precisando ouvir alguns conselhos seus? Principalmente agora que talvez ele e o Otávio estejam se aproximando, você o advertindo do perigo pode ser crucial nessa hora.

— Não sei, não. — Guilherme mordeu o lanche, falando de boca cheia. — Nesse quesito o Greg nunca me ouviu.

— Bom, não custa nada perguntar e tentar. — Augusto encorajou-o.

•••

O encontro que Otávio havia combinado com Gregório após o expediente estava de pé. O gerente o esperaria em casa, onde teria tempo o suficiente para ficar pronto antes de sair com ele. Estava precisando comer fora.

Então, assim que terminou de resolver e adiantar o trabalho para a semana seguinte, pôde abandonar o escritório despreocupado. Pegando tudo o que precisaria e partindo, seguindo o caminho de volta, sentindo o nervosismo aumentar a cada vez que lembrava-se de que sairia com Otávio.

Assim que chegou em casa, correu para o banho, fez a barba rapidamente e tomou outro banho de colônia, querendo que a fragrância ficasse bem presente em seu corpo, sabia que Otávio gostava daquele perfume.

Escolheu uma roupa comum, vestindo uma camiseta polo e se permitindo colocar uma calça jeans, pois sentia falta de se vestir assim em meio à tanta calça social e gravata. Penteava os cabelos, percebendo que já estava precisando de um corte, pois os fios estavam encaracolados a ponto de precisar de gel fixador para que ficasse tudo no lugar certo. Enquanto se arrumava, ouviu uma mensagem chegando, na qual Otávio dizia que já estava saindo de casa, perguntando onde seria melhor de se encontrarem.

Combinaram então que iriam juntos e, Gregório, nesse momento, apenas esperava a chegada dele, andando pela casa preocupado, procurando qualquer coisa para organizar, ficando inquieto pela ansiedade até ouvir o interfone tocar. Assim que ele chegou, liberou a sua entrada, mal precisando ir até ele.

— Boa noite. — Otávio entrou na casa. — Você está lindo.

— Igualmente. — Sorriu, tímido. — Bom, eu só tenho que pegar a minha carteira e já volto.

Otávio o acompanhou até o quarto, com isso deixando o gerente envergonhado, mas mesmo com aquilo, não negou a presença dele ali, enquanto esperava-o na porta da suíte.

— Acho que agora não estou esquecendo de nada. — Gregório riu baixinho, apalpando os bolsos.

— Está sim. — Otávio indicou.

— Do quê?

O empresário puxou-o para um beijo roubado, encostando-o contra a porta de seu próprio quarto. As mãos subiram rapidamente pelas costas um do outro, explorando os tecidos de suas roupas e envolvendo-os em um abraço saudoso.

Otávio não se cansava do gosto que a saliva dele podia ter, tinha tanta saudade daqueles lábios que poderia passar o restante da noite provando-os. Aconchegava-se nos carinhos dele, mais confortável do que nunca.

Aproveitava o fato de ele estar abaixando cada vez mais a guarda e assim, delicadamente, infiltrava uma de suas mãos embaixo da camisa que ele usava, tocando-o no abdômen, sentindo os poucos pelos de seu tórax. Não queria parar e não pararia se não fosse pelas mãos de Gregório que agora empurravam-no para longe.

O gerente estava ofegante e de olhos arregalados por ver o irmão ali, jamais imaginava que ele apareceria naquele dia, muito menos, em um momento constrangedor como aquele.

— Boa noite pra vocês. — Guilherme mal encarou-os, indo ao seu quarto.

— Boa noite. — Otávio cumprimentou, vendo-o andar, de costas para ele.

— Gui, espera aí! — Gregório pediu.

— Não se importem comigo, eu só vim pegar umas roupas. — O caçula falou, já em seu quarto.

— Ei, Gui! — O gerente deixou Otávio para trás, indo até o irmão, entrando no quarto dele.

— Se você quiser me explicar essa situação, saiba que não é necessário, eu sou bem grandinho e já saquei o que estava rolando. Pode ter a certeza de que eu não vou atrapalhar vocês e já estou indo embora. — Disse seriamente, indo para o armário.

— Espera, Gui… Você não precisa ir embora agora, eu estava com saudade de você. — Gregório afirmou, sentando-se na cama dele. — Mas sim, te devo uma explicação, eu não te contei nada disso que estava acontecendo… Você nem sabia que eu estava vendo ele de novo e aí já vê uma cena dessas.

— Relaxa, você também não sabe nada da minha vida, então estamos quites. — O caçula declarou seriamente, revirando uma de suas gavetas.

— O quê? — O gerente quis entender.

— Eu tô falando sério. — Continuou, ainda de costas para ele.

— Como assim eu não sei nada da sua vida, Gui?! Não diga isso como se eu não me preocupasse com você!

— Não é isso. — O caçula balançou a cabeça negativamente, sem saber se conseguiria encará-lo.

— Por que você está assim? É por causa do Otávio, não é? Pode falar. — Levantou-se, indo até ele.

— Não. Você não se importa. — Falou, desviando do irmão. — Você não faz ideia e tenho certeza que não está nem um pouco interessado em saber o que eu e o Guto estamos passando agora!

— É claro que eu me importo! Me diz! Me fala o que é! Vocês estão com problemas? — Insistiu, querendo fazer com que o irmão lhe encarasse.

— Sai daqui! Vai lá com o seu namorado! — Empurrou-o.

— Guilherme, por favor, esquece que o Otávio está aqui por um instante. — Entristeceu-se, querendo olhar nos olhos do irmão.

— Para! Eu não quero falar! — Chateou-se, finalmente virando-se para ele.

— Você vai ter que me falar… Vamos, por favor, eu estou implorando! — Pediu, demonstrando toda sua preocupação.

— Tá! — O caçula esbravejou. — Eu e o Guto estamos desconfiando que estamos com alguma IST, tá feliz?

— O quê? — Arregalou os olhos.

— É! Você ouviu direito!

— Mas como assim? Você nunca teve nada disso antes, o que houve? Por que acham isso?

— Não é oportuno dizer o porquê agora… — Guilherme falou tristemente, em voz baixa. — Só sei que ele está reclamando de dores e eu tô arrasado, fizemos os exames, mas ainda não temos resultado algum…

— Mas e agora? E se esse cara tiver te passado alguma coisa? — Gregório indagou, assustado.

— Hã?! O que você está insinuando? — Guilherme quis saber, incrédulo.

— Você sabe que isso é possível já que, pelo jeito, estão fazendo sem proteção.

— Não foi nada disso, ele não tinha nada antes também. — Explicou, tentando manter a calma. — Nós estamos desconfiando de que deve ter sido um objeto cortante compartilhado, eu não sei.

— Sendo bem sincero, Gui, eu acho que ele te enganou, ele deve ter pulado a cerca. Sei lá, não tem como deixar essa possibilidade de lado. — Informou-o, cruzando os braços.

— Você tá doido? Ele não mentiria pra mim. Além disso, eu vivo colado nele dia e noite, nem teria como isso ser possível.

— Quem quer trair arruma um momento, Gui. Eu sei que não passou o tempo todo com ele.

— Acha que eu sou burro como você de cair nessas? Eu sei onde meu namorado está. Nós temos confiança um no outro. — Alfinetou, se irritando mais.

— Olha como fala comigo! Não vem descontar em mim o descuido do seu namorado.

— E você não venha acusá-lo sem ao menos saber como é nossa relação! Eu não sou você e ele não é o Otávio! — Gritou, sentindo a veia em sua testa saltar.

Guilherme não conseguiu reagir quando viu a mão de seu irmão se levantar, apenas fechando os olhos pelo reflexo, sentindo um lado de seu rosto arder. Sua bochecha pegava fogo pelo tapa certeiro que Gregório havia lhe dado.

Ainda em choque, apenas abriu os olhos e cobriu a região afetada com sua mão. Ao se recuperar do susto, Guilherme deparou-se com os olhos raivosos do mais velho, não evitando que seus lábios começassem a tremer ao dizer:

— Parabéns, Greg, você acabou de se tornar o seu namorado imbecil.

Notas finais
¯_(ツ)_/¯