“Saia daqui Allan! Eu nunca mais quero ti ver na minha vida, escutou? Nunca mais!” – falou ela batendo a porta de sua sala na minha cara.

Pisquei lentamente para a porta. Mulheres... Quem vai entender. Eu sou lindo, sexy e gostoso, o que mais elas querem? Tudo que eu faço elas acham ruim. Ó t i m o. Elas que fiquem com essa futilidade... Eu tenho absoluta certeza que ela vai ficar meses chorando por mim, enquanto eu vou esquecer ela em um estralar de dedos, ou em uma passada de bunda na minha frente. Troxa, obrigado por ter sido mais uma foda, viu?

Arrumei a gola da minha camiseta, e me dirigi até o elevador, do qual eu apertei o botão. Senti algo vibrar no meu bolso, e rapidamente peguei meu celular. Olhei para o visor, que tinha o nome ‘Cristina’ escrito nele. Forcei minha memória. Cristina... Cristina... Quem tinha sido essa mesmo? Ah, morena, alta, modelo, um grude, e a pobrezinha era ruim de cama.

“Oi?” – atendi calmo.

“Fin?” – escutei sua voz melosa do outro lado da linha.

“Oh, Cristina, como vai?” – fingi uma falsa empolgação, olhando para minha unha.

“Não muito bem... eu sinto a sua falta sabe?” – ela falou melancólica.

“É?” – perguntei conferindo se não havia nenhuma sujeira no meu dente pela porta do elevador.

“Sim, eu sinto muito a sua falta... você me fazia tão bem...” – senti a voz dela falhando.

“Ow querida...” – falei observando a porta do elevador abrir. Ele estaria vazio, se não fosse por um único ocupante, Christ Miller. Oh, ele era lindo, e era o único naquela firma que não estava nem aí pra mim. Sorri me lembrando que Cristina ainda estava na linha. — “Não se culpe sabe? É inevitável. Eu sou lindo, eu te faço feliz, eu vou embora, é a vida, é assim que o ciclo funciona, agora eu tenho que desligar, coisas mais interessantes para fazer, se é que você me entende. Tenha um bom dia!” – falei desligando e parando ao lado de Christ no elevador. Esse rolou os olhos, entediado com o que eu falava.

Quando a porta do elevador se fechou, percebi que ele deu um passo para o lado, incomodado com a minha presença.

“Bom dia Christ, como vai?” – perguntei sorrindo, e estendendo minha mão para cumprimentá-lo. Ele olhou para minha mão e fechou a cara, bufando em seguida. — “É, eu vou bem também sabe...” – falei como se ele tivesse me perguntado alguma coisa. Oras, eu queria puxar assunto, ué.

“Me poupa vai Leavell” – ele falou irritado. Eu sorri mostrando os dentes, o que fez a cara de irritação dele aumentar mais ainda.

“Ai Christ, sua empolgação me anima tanto, eu sei que você me ama...” – falei sorrindo. Ele me olhou incrédulo.

“Olha, eu sei que você se acha o bom... mas deixa eu ti contar uma novidade” – falou ele chegando perigosamente perto. – “Você não é” – ele terminou se afastando.

Fechei minha cara, mas logo me recompus.

“E então, quando nós vamos sair Miller?” – perguntei cínico. Ele me olhou com um olhar de raiva, mas logo sorriu.

“Nunca!” – falou mais sorridente do que nunca. – “E sabe o que mais me anima? É que daqui a menos de dois segundos eu vou descer desse elevador, e não vou mais ter o desprazer de olhar pra sua...” – falou ele, mas foi interrompido por um solavanco do elevador, que logo em seguida ficou totalmente escuro e parou. – “Cara”.– terminou ele chocado.

Ri audivelmente, e pude escutar seu suspiro de desespero.

“Obrigado Deus” – falei baixo, para mim mesmo.

“Deus, por que você me odeia tanto?” – ele perguntou alto, e pude ver ele andando até o painel de números do elevador.
“Oh Christ, ele não te odeia, ele te ama. Você está comigo, preso em um elevador, tem algo melhor a pedir a Ele?” – falei apalpando o escuro, e chegando perto de David.

“Fica longe de mim!” – escutei ele falar rangendo entre os dentes.

“Chris...” – chamei baixo chegando cada vez mais perto.

“Sai Leavell!” — escutei ele gritar, pegando o pequeno telefone que tinha naquela cabine de aço. – “Alô? Alô, socorro, me tiiiiiraa daqui” – ele gritou contra o aparelho. Mas logo depois, ele bateu-o com tudo na parede do elevador, se desesperando. – “Por que você tinha que parar hoje eihn? Não podia esperar não?” – ele choramingou.

“Isso tudo é medo de ficar na minha presença amor?” – perguntei convencido.

Ele bufou alto, e eu sorri.

“Heeeeeey, algueeem aí, meee salva, eu to preso com um maníaco sexuaaal nessaa joça!” – ele gritou esmurrando a porta do elevador, com o que pareceu ser toda sua força.

“Ei, para, PARA!” – falei pegando com força em seu pulso, e puxando contra mim. – “Dá pra se acalmar?” – perguntei colando nossos corpos.

Percebi ele ir se acalmando aos poucos, enquanto sua respiração ia ficando cada vez mais tranqüila. Seu hálito quente batia contra meu rosto. E eu não pude resistir, fui chegando cada vez mais perto, já podia quase sentir o gosto de seus lábios, que eu tanto imaginei. Quando minha boca estava a milímetros da sua, ele virou o rosto fazendo eu beijar sua bochecha, e mesmo no escuro pude imaginar seu sorriso de vitória dançando pela boca.

Em seguida o percebi me empurrando contra uma das paredes da cabine, fazendo com que eu batesse minhas costas com força nela, gemi. Pensei que ele ia me socar, mas ele logo veio de encontro a mim, e senti ele colando cada parte de seu corpo quente, ao meu, que agora estava tremulo.

“O que você quer, ahn?” – ele falou sensualmente, perto do meu ouvido. — “Um jantar?” – ele perguntou, e logo depois mordeu minha orelha, fazendo com que eu gemesse. — “Ou talvez um beijo?” – falou ele subindo sua mão, e passando seus dedos pelos meus lábios – “Ou quem sabe... apenas, uma transa?” – ele disse deslizando a sua mão provocantemente até meu membro, e apertando-o. Gemi alto e senti-o sorrindo.

Mas no segundo que se passou, o elevador deu mais um solavanco, se acendendo e voltando a andar.

Notei que Christ tinha um sorriso sádico nos lábios, e pelo espelho do elevador, notei que eu tinha a cara mais abobada do mundo.

Ele desgrudou seu corpo do meu e foi até o espelho ajeitando o cabelo.

“Mas sabe Leavell...” – falou ele se virando para mim. — “Você nunca vai ter isso” – falou ele apontando pra baixo, indicando seu membro, e piscando um olho só para mim. Eu corei na hora, coisa que eu nunca, sequer havia feito na minha vida. Ele sorriu, e o elevador parou, abrindo a porta. – “Espero que a gente nunca mais se veja por aí, passar mal Leavell” – falou ele fechando a cara, e saindo do elevador, com aquele seu rebolado sexy.
Fiquei parado, olhando pasmo pra ele. Se duvidar um filete de baba caia da minha boca.

Logo depois Joane, a secretária do chefe, entrou no elevador, e parou na minha frente, me secando.

“Está animadinho hoje, eihn Fin?” – falou ela sorrindo, olhando para meu membro.

Saí do transe, e dei uma ultima olhada para fora do elevador que se fechava, e pela pequena fresta que restava, pude ver Christ sorrindo maliciosamente para o porteiro do edifício. Sorri e prometi para mim mesmo que um dia ele ainda seria MEU.

Mas enquanto isso... Eu me divirto.

“Você nem sabe o quanto” – falei piscando para Joane, e puxando-a pela cintura, juntando nossos corpos. — “Como vai?” – perguntei antes de lhe dar um beijo nos lábios.

E lá vamos nós, para mais um dia de uhn... ‘Trabalho’.


Fim

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!