Words are all we have

2 E essas coisas te definem, para sempre.


Notas iniciais
Oi pessoas~ Boa leitura desse capítulo!

Olímpio chegou na sala, sem fôlego algum por culpa de sua “grande maratona” e avistou um grande amontoado de gente no canto esquerdo da sala. “Ótimo!” pensou ele “Cheguei atrasado nas fofocas. De novo.” Tirou a mochila do ombro na qual estava e a largou em sua cadeira. Ainda tinha um tempo até algum professor pisar na sala e acabar com a sua felicidade. Foi direto procurar Mathias para saber o que estava acontecendo.

– É o aluno novo, eu acho. – disse Mathias. – Ele tá causando a maior bagunça aqui, acho que você percebeu, né não?

– Sim, é um pouco óbvio. – respondeu Olímpio, olhando diretamente para a grande movimentação que uma pessoa havia gerado. – Bom, você já foi ver quem é?

– Já, sim.

– E...?

– Ah! Ele é loiro. – disse Mathias, fazendo Olímpio passar a mão pelo rosto por um detalhe “tão” valioso.

– Nossa, Mathias. – respondeu Olímpio, com o máximo de ironia que alguém poderia usar. – Muito interessante.

– É. Vai lá xeretar a vida alheia vai. Eu sei muito bem que você quer fazer isso, vá lá!

Olímpio revirou os olhos porém não disfarçou o riso, foi andando em direção ao círculo que havia se formado, por mais que bagunçadamente, ao redor de Arthur. Não perdeu tempo e começou a escutar a conversa do novato com as outras pessoas:

– Nossa, mas porque você se mudou?

– Ué, você já era daqui? Nunca te vi na minha vida!

– Ah, mas por que você se mudou pra cá?

– Calma, eu vou explicar. – respondeu o novato. – É o seguinte: minha mãe me mandou para cá para cuidar da minha avó, ela também acha que vai ajudar a me fazer mais independente dela.

– Ah, entendo.

– Legal... – comentários foram se formando e consequentemente mentiras também. Olímpio havia escutado toda a conversa e estava ligando os detalhes rapidamente. No dia anterior, havia visto na rede social do garoto novo sua relação com a família e os fatos pareciam se juntar.

Saiu da bagunça que aquele canto da sala já havia virado e foi conversar com Mathias. Ele estava falando com seus amiguinhos homofóbicos em um círculo, como normalmente fazia. O maior estava sorrindo e parecia se divertir com aquelas pessoas, mesmo que falasse para Olímpio que não, que era fingimento. Olímpio não era tão tolo assim.

Respirou fundo e, pisando firmemente no chão, com o peito estufado, chegou perto de Mathias e empurrou o primeiro que viu daquele círculo. Logo, viu-se no centro de tal círculo. Os olhos de Olímpio estavam fixos em Mathias, seus punhos estavam cerrados. O menor ficava ansioso de estar no meio daqueles homofóbicos apenas pelo jeito que o menosprezavam apenas por um olhar. Olímpio sabia que eles iriam embora uma hora ou outra e o xingariam baixo por isso. Mas ele continuou fixo ali. Pôs seu peso sobre uma perna, já estava cansado de ficar ali, porém nem ele nem os outros garotos desistiram e Mathias não sabia o que fazer. De repende o maior dos quatro homofóbicos, Matheus, que não aguentava mais Olímpio ali disse:

– É uma frutinha mesmo. Sai daqui e vai dar a bunda, já que é o que você faz de melhor.

A partir daquela frase, Olímpio sentiu que estava ficando vermelho. Não era culpa da vergonha, nem das risadas dos outros que acompanharam o momento. Olímpio estava com raiva. Odiava aqueles garotos com todo ódio que havia em seu corpo. Todo dia era alguma piadinha ridícula, que por mais que no início não o incomodava, agora estava o deixando fora do sério. E Olímpio sabia que era exatamente era isso que Matheus queria. Adorava tirar os outros do sério, fazia isso desde que Olímpio entrou na escola. E não era só com ele, não. Era com qualquer um. Porém, Olímpio também sabia que deveria dar uma resposta, mas não queria se rebaixar ao nível dele.

Lembrou-se de todas as vezes que Matheus havia batido nele, por mais que ora fosse um tapa, ora havia sido um chute. Lembrou-se das vezes que Matheus simplesmente o xingou, em alguma apresentação, ou até nos treinos de Educação Física. Cada memória que Olímpio se lembrava fazia sua raiva crescer.

Então, aconteceu. Olímpio mal se deu conta do que havia feito. Gritaria e falação alta, algumas pessoas gritando com ele, outras com Matheus. Matheus estava no chão, Mathias não sabia o que fazer, tentou conversar com Olímpio e logo após abaixou-se para o chão para ajudar o amigo. Olímpio estava tonto, parecia que um pedaço do que havia acontecido tinha sido apagado de sua memória. Não entendia como as coisas haviam ficado daquele jeito. O chão de azulejos já não era onde seus pés estavam, a parede azul parecia ser o teto. Tudo estava turvo, escuro, confuso.

Quando se deu conta estava no chão, jogado. Não entendia mais muita coisa, olhou para o lado e viu Matheus no chão, com raiva no olhar, olhando diretamente para ele. Olhou para o chão e viu que branco não era mais a única cor nos azulejos, havia vermelho junto. Tentava ligar os pontos do que havia acontecido mas não conseguia nem raciocinar direito. Tentou levantar-se por mais que tudo continuasse a girar e girar e girar... Olímpio tentou se segurar, pensou que iria bater em alguma coisa, mas não. Então quando viu, os dois amigos de Matheus, Felipe e Bernardo estava andando em sua direção.

Tudo parecia um sonho ruim, não conseguia falar nem entender direito o que estava acontecendo, o mundo continuava turvo. Quando se deu conta, estava encolhido no chão. Sentia dor mas não sabia da onde vinha. Já estava tudo escuro, não conseguia falar, nem se defender e muito menos se mexer.

Então, finalmente alguém foi chamar a diretora para resolver o problema.

Ela chegou da sala e se deparou com uma situação desastrosa: alguns alunos estavam tentando ajudar Matheus, enquanto outros tentavam separar Felipe e Bernardo de bater em Olímpio que estava desmaiado no chão.

Olímpio finalmente havia acordado, a primeira coisa que sentiu foi dor, principalmente nas costelas, então abriu os olhos e viu Mathias, preocupado em acordá-lo, tentando tirá-lo de lá, ele falava com Olímpio de uma maneira extremamente delirada, preocupada e angustiada.

– Olímpio! – dizia Mathias, balançando o pequeno — Ai céus! Por favor, Olímpio, acorda. Acorda! Olímpio, me escuta, cara, por favor abre os olhos, cara, por favor acorda! – Mathias parecia que iria começar a chorar em qualquer momento, porém finalmente Olímpio acordou.

– M- Mathias? – disse o menor ainda confuso e tentando recapitular os acontecimentos – Mathias o que houve?

– Olímpio! Ai que ótimo! Pensei que você tivesse batido a cabeça quando tinha desmaiado, e que não iria mais acordar e como eu faria? – Mathias já possuía os olhos marejados só de pensar nas hipóteses.

– Mathias, calma. Eu estou aqui, não estou? Então, tá tudo bem. Só me ajuda a levantar aqui. – após falar, ele tentou esboçar um sorriso para acalmar seu amigo.

Olímpio estava tentando se levantar, porém ainda sentia muita dor, estava confuso e ainda tonto. Quando o menor finalmente conseguiu se levantar, graças a Mathias, chamaram-no.

– Olímpio e Matheus, me acompanhem até a minha sala. Temos muito que conversar.

Olímpio fez um sinal com a cabeça para Mathias afirmando que estava tudo bem, este confirmou e Olímpio saiu da sala, mancando.

Matheus já estava na sala quando Olímpio chegou, Matheus sabia muito bem porque estava lá, Olímpio, descobriria.

– Então, podem começar contando o que aconteceu para deixar vocês dois – ela fez uma pausa, e os olhou de cima a baixo, depois passou a mão pelo rosto e coçou a cabeça – nesse estado.

Os dois garotos se olharam para ver o estado de cada um e Olímpio se assustou com o de Matheus, o lado esquerdo de seu maxilar estava todo inchado e era uma mistura de tons roxos e vermelhos, Olímpio notou que o sangue que achava ter visto tinha vindo da boca de Matheus, já que esta também estava inchada.

Matheus notou o estrago que seus amigos fizeram em Olímpio e largou uma risadinha debochada. Olímpio estava com o olho direito inchado, com o joelho sangrando e com um pedaço de sua blusa rasgada, perto de seu pulmão, no local onde mais sentia dor.

– Vamos! Vocês não vão falar nada? – disse a diretora, já com pressa para acabar com o caso logo. – Muito bem, por que você não começa a falar, Matheus? Já que conseguiu até esboçar um sorriso antes.

Notas finais
Obrigada por ler até aqui! Se quiser, comente o que achou, vou adorar ler sua opinião! Beijos~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.