Wont You Stand By Me?

1 Love is all, love is you.


[POV Kurt Cobain]

Eu estava ali, simplesmente passando na rua, dando autógrafos, pensando na vida... Quando olhei para outro lado da rua, vi o meu grande ídolo. E também meu grande amor. Eu era tímido, mas não consegui me conter.

-- John, John! – chamei

Fui abrindo caminho entre toda aquela gente, e como tinha gente. Em volta dele e de mim.

Quando cheguei ao outro lado da rua, ele não estava mais ali. “Droga... Esse povo me atrapalhou...”. Quem sabe eu o vejo algum outro dia... Ou não...

Voltei pra casa e fiquei lá, ouvindo meus preciosos e intocáveis discos do Lennon com Courtney... Eu não a amava tanto assim... Mas não queria magoá-la... Eu amava John.

Fui adormecendo com aquele pensamento... Aquele pensamento que não saia da minha cabeça: John Lennon, meu grande amor.

[POV John Lennon]

Ah, não. Era ele ali do outro lado da rua? No meio de toda aquela gente? Sim, era ele, Kurt Cobain. E se aproximando. Eu sou muito tímido pra falar cara a cara com o homem que eu amo. “O que vou fazer?” pensei “Vou correr. É, vou correr.” Fui empurrando todos os meus fãs e tentando correr. Consegui sair do meio daquela multidão.

Olhei pra trás e vi de relance aqueles cabelos loiros, aqueles olhos lindos... Quase voltei atrás, mas a maldita timidez me impediu. Maldita seja... Olhei para o relógio, por que tinha perdido a noção do tempo ali. Era hora de ir para o estúdio encontrar Yoko e compor musicas. Eu tinha acordado sem a mínima inspiração, mas agora já tinha uma música pronta na cabeça.

Cheguei ao estúdio e disse:

-- Yoko, vamos gravar uma música já!

-- Mas... Já? – ela perguntou, estranhando meu entusiasmo.

-- É... Hmm... Antes que minha inspiração vá embora.

-- Ah, sim... Então vamos gravar.


When the night gets cold

And the land is done

And the moon is the only light we’ll see

So I won’t be afraid, no I won’t be afraid

Just as long as you stand, stand by me…

And darling, darling, stand by me…


-- É uma música linda, John. – disse Yoko, quando nós terminamos.

-- Sim... Eu fiz para você, meu amor. – eu disse, mentindo.

Gostaria que Kurt ouvisse essa música...

[POV Kurt Cobain]

I’ve been locked inside your heart shaped box for weeks...

Aquele verso me apareceu de repente. Era o que estava acontecendo... Eu estava preso no coração de Courtney. Mas não queria. Queria o coração de John. Queria os olhos de John. Queria os cabelos de John. Queria John.

Hey, wait, I’ve got a new complain...

Sim, eu tinha reclamações a fazer... Mas achava melhor guarda-las para mim. Olhei para cima e vi a hora. Era 21h30. “Acho que vou ver se tenho a sorte de encontrar John novamente...”

-- Amor, eu vou sair. Logo estou de volta. – eu disse, dando um beijo nela.

-- Aonde você vai?

-- Vou... Dar uma volta. Não se preocupe, eu não vou me drogar, ok? – eu disse com um sorriso

Ela sorriu de volta e consentiu. Eu fui andar, andar e andar, e meu plano era chegar no Edifício Dakota. E lá fui eu.

[POV John Lennon]

-- Yoko, eu estou cansado... É melhor irmos para casa e relaxarmos, certo? – eu disse. Minha cabeça estava cheia de Kurts Cobains indo e voltando...

-- Vamos então, querido.

E lá fomos nós, na nossa limusine. Já era 22h10... Em 10 minutos estaria em casa. Fui acariciando Yoko, pensando em Kurt, pensando em chegar em casa e descansar...

Chegamos. Deixei Yoko ir primeiro e eu iria logo depois. Sai do carro e vi alguém. Alguém de cabelos loiros, olhos acinzentados. Era Kurt. Me virei para Kurt com um sorriso enorme. Ouvi alguém chamar meu nome.

-- SR. LENNON! – disse uma voz que não era de Kurt nem de Yoko nem de ninguém conhecido.

Ouvi estouros e gritos e...

[POV Kurt Cobain]

Não. Não. Não. Aquilo não podia ter acontecido. Mas aconteceu. E ele estava ali no chão, e um homem gordinho de óculos estava parado com uma arma na mão. Yoko gritava por socorro, gente chegava perto. Eu estava em choque. Não consegui fazer nada. Nada pra impedir aquele gordinho, pois quando vi ele era tarde demais.

Foi minha culpa. Eu devia ter impedido. Eu não conseguia mais ficar ali. Saí correndo muito rápido. Eu tinha prometido para Courtney que não iria mais usar drogas. Mas as drogas me fariam esquecer, certo?

Fui correndo para aquele lugar que eu sempre comprava as minhas injeções de heroína e passei na frente de uma TV. Já era 23h. E o repórter confirmava a morte do ex-beatle John Lennon. Saí correndo mais rápido ainda. Não conseguia suportar a dor no meu coração. Se é que ele existia ainda...

4 MESES DEPOIS...

“Eu estou fazendo o melhor para você e para Frances. Eu te amo. Kurt Cobain.”

Terminei de escrever a minha carta para Courtney. Eu não queria mais aquela vida. Eu queria uma vida com John. Mas isso só era possível se ele estivesse vivo. Ou se eu estivesse morto.

Fui pela opção mais fácil. Eu não aguentava mais aquilo tudo. Peguei todas aquelas injeções e comprimidos e tomei tudo. Para garantir que realmente veria John, peguei a arma para atirar.

Não senti remorso. Não hesitei. O que eu mais queria era ver John, toca-lo, senti-lo. Eu o amava desde sempre e o amarei para sempre. Agora eu faria tudo isso.

“John...” pensei. “Eu estou indo. Me espere.”

Atirei. Para onde quer que eu vá, mesmo que eu vá para o Inferno, não importava. Eu estaria com John. Nada poderia ser ruim.

So long ago

Was it in a dream, was it just a dream?

I know, yes I know

Seemed so very real, it seemed so real to me

Então eu vi uma mão estendida e um rosto familiar. Peguei a mão de John e fui para qualquer lugar. Quem sabe para um sonho...

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