Wont You Save Me?

17 Capítulo 17 - Calmaria


Notas iniciais
Primeiramente me perdoem por demorar tanto pra postar, mas é que eu tive uns estresses e por isso fiquei um pouco afastada daqui. Não consegui responder aos reviews por esses probleminhas, mas assim que der responderei. PurpleDiamond, obrigada por deixar review em cada capítulo, meu amor e seja bem vinda! :) Obrigada pelos reviews.OBS: Não divido o Mike, já disse isso aqui u_u Boa leitura ♥

Justin P.O.V

- Será que você me ganha pelo estômago? – Perguntou Lindsay, um tanto sarcástica.
— Que eu saiba, eu já te ganhei. – Arquei uma sobrancelha, rindo.
— Hum... Não tenha tanta certeza disso, meu caro.
— Ok, depois que terminarmos eu terei. – Dei uma piscadela.
Sentamos ao mesmo tempo.
— E então, qual o motivo disso? – Perguntou ela, passando o requeijão numa torrada.
— Recompensar o que não houve ontem. – Respondi.
— Espero que a Selena apareça mais vezes então. – Disse, mordendo a torrada logo após. – O que faremos hoje? – Ergueu os olhos para me fitar.
Dei um gole no suco de laranja e depois a respondi.
— Não planejei nada. Será instantâneo. Desse jeito é bem melhor. – Mordisquei o pão com fatias de queijo branco.
— Ah, hum...
Fiquei sem entender o que Lindsay falara. Não sabia se ela havia me respondido, ou se estava se saboreando com o iogurte de frutas vermelhas.
Continuamos a comer, permanecendo em silêncio.
Terminamos.
— Podemos ir? – Perguntei.
— Sim. – Respondeu Lindsay, levantando.
— Mas você vai de chinelos? – Perguntei olhando seus pés.
— O que, que tem? – Rebateu.
— Tá um pouco frio. Você não prefere colocar um tênis?
— Não precisa, ficarei bem, pai. – Ela riu.
— Então vamos. – Levantei.
Lindsay pegou a chave sob o criado-mudo e saímos.

Chegamos à portaria. Passei meu braço por sobre o ombro de Lindsay, e funguei o aroma que vinha de seus cabelos. Ela me olhou, estreitando os olhos, desconfiada.
— Não estamos mais em meu apartamento. – Advertiu.
— É claro que não! – Exclamei.
— Então não haja assim.
— Você pode ficar calma, por favor? – Pedi, educadamente. – Eu sei até onde devo ir.
— Espero mesmo que saiba. – Completou, semicerrando os olhos.
— Eu sei. – Cutuquei sua costela com meu dedo indicador e Lindsay pulou, fugindo de meu abraço.
— Ainda não decidiu aonde vamos? – Perguntou, pondo-se a meu lado, e passando seu braço por minha cintura.
— Vamos andar e ver no que vai dar.
— Ok. – Concordou, dando de ombros.
Andamos por cerca de 20 minutos. Viramos esquinas e mais esquinas à procura de nada. Até que chegamos a um parque desconhecido para nós dois, mas resolvemos ficar por ali mesmo. Sentamos num banco de madeira, e viramos, ficando um de frente para o outro.
— Gostei daqui. – Quebrei o silêncio.
Uma corrente de vento frio passou por nós dois, levantando uma mecha de cabelo de Lindsay, fazendo-a cair sobre seu olho esquerdo. Com cuidado tirei a mecha de seu olho, pondo-a atrás de sua orelha. Ela sorriu sem graça.
— Também gostei. Esse aroma da natureza me faz bem. – Disse Lindsay, olhando para todos os cantos a nossa volta.
— Isso também, mas eu gostei mais por ser vazio. Por enquanto só têm nós dois. – Sorri.
— E provavelmente alguns paparazzi escondidos atrás dos arbustos. – Ponderou.

Uma barraca de sorvete ambulante aproximava-se de onde estávamos sentados. Fiz sinal com a mão para que o sorveteiro parasse para nos atender. Ele parou a barraquinha e nos serviu. Escolhi uma casquinha de chocolate e Lindsay uma casquinha de baunilha. Paguei ao sorveteiro e ele se foi, nos deixando a sós. Comemos nossas casquinhas.
Lindsay começou a tossir. A princípio achei que ela havia se engasgado, mas não. Ela tossiu diversas vezes, e suas crises de tosses eram bem longas. Lindsay tirou a mão de cima da boca e a olhou. Na palma de sua mão havia sangue. Ela franziu as sobrancelhas.
— Pelo visto você não está bem, não é mesmo? – Perguntei preocupado.
— É claro que estou. – Respondeu Lindsay, ainda observando o sangue em sua mão.
— Isso já aconteceu outras vezes? – Ergui uma sobrancelha.
— Não.
— Hum.
O modo como disse não, não pareceu muito convincente, mas resolvi não insistir.
— Com certeza é minha alergia. Deve tá se agravando... – Ela mordeu os lábios, pensativa.
— Você deve procurar um médico. – Disse firme.
— Relaxa, não é nada de mais. – Falou despreocupada.
— Você tossir e não sair nada: isso que não é nada de mais. Mas você tossir e “cuspir” – fiz as aspas com os dedos – sangue: isso com certeza é de mais. É sério, Lindsay, eu quero que você procure um médico.
— Procurarei. – Respondeu amarga.

Melhor assim. E para não haver dúvidas, eu vou com você no dia da consulta. – Sorri.
— Tudo bem, pai. Mas não precisa se preocupar tanto valeu? A mais de um ano eu me cuido sozinha, e to viva até hoje. – Ralhou.
— Você se cuidava sozinha, porque agora você tem a mim. – Dei uma piscadela.
— Obrigada, pai. – Revirou os olhos.
— Eu sei que sou chato. Vá se acostumando...
— Tentarei. – Cruzou os braços fazendo bico.
— Mas eu quero saber por que você se cuida sozinha...
— Não gosto de falar nisso. – Lindsay franziu a testa, baixando a cabeça, descruzando os braços e entrelaçando suas mãos.
— Talvez eu possa te ajudar. – Aproximei-me dela, pegando sua mão e entrelaçando-a a minha.
— Ninguém pode me ajudar, Justin. – Sussurrou.
— Eu posso. – Afirmei.
Coloquei meu dedo indicador embaixo de seu queixo, levantando seu rosto e o virando para mim. Seus olhos estavam marejados.
— Ah, não... – Disse eu, ficando desnorteado com o humor de Lindsay.
Abracei-a, encostando sua cabeça em meu peito e afagando seus cabelos.
— São os meus pais... – Disse, com a voz entrecortada.
Fiquei calado, esperando-a concluir o que falaria.

- Eles... eles estão mortos, e a culpa é minha. – Lindsay concluiu a frase entre lágrimas e soluços.
— É claro que a culpa não é sua. Nós não podemos evitar a morte, simplesmente acontece, assim como o amor. – Falei agitado, tentando consolá-la.
— Podemos sim. Eu os atraí para a morte. Se eu não tivesse ficado naquela festa nada disso teria acontecido. – Ela interrompeu o abraço, e levantou, andando de um lado para o outro com as mãos na cabeça, parecendo fora de si.
— Se aconteceu é porque tinha de acontecer. Ficar se culpando só piora tudo. – Levantei também. Segurei-a pelos ombros, obrigando-a a parar. – Que festa foi essa?
— Na casa de Mike.
— Ah, tinha que ser. – Revirei os olhos. – E o que aconteceu na festa?
— Meus pais pediram para eu ir embora cedo. Mas eu tinha usado e queria usar mais. Então a festa começou e o Matt pediu que eu ficasse um pouco. Mas quando eu quis ir embora Mike não deixou. Ele me segurou e disse que eu ficaria. Com medo dele eu disse que sim, e ele me soltou, mas ficou perto de mim, me vigiando. Ele se distraiu e eu liguei pra minha mãe, chorando, pedindo que ela fosse me buscar. Mamãe disse que ficaria tudo bem, que ela e meu pai já estavam saindo para me buscar, mas... – Lindsay mexeu as mãos involuntariamente. Sua expressão dizia que ela lembrava de cada detalhe daquele trágico dia – eles não chegaram, e eu perdi meus pais.

- O que exatamente você tinha usado? — Perguntei em tom acusador.
— Maconha... cocaína... — Deu de ombros, sentando e colocando o rosto entre as mãos.
— Você ainda usa isso? — Perguntei com um certo desprezo na voz.
Lindsay tirou as mãos do rosto e o ergueu para encontrar meu olhar. Seus olhos verdes estavam vermelhos e as lágrimas não cessavam.
— Você acha mesmo que depois de ter perdido meus pais, e um dos motivos pelo os quais eu os perdi foram as drogas, eu ainda continuaria a usar isso? — Perguntou, parecendo incrédula.
— Não sei. Não é um vício que se deixe com facilidade.
— Bom, talvez isso pareça pouco pra você, mas perder meus pais foi um grande incentivo para eu parar de usar.
— Hum. Mas você ainda fuma. — Disse eu. É claro que quando você perde seus pais, você perde parte de você. Mas drogas são tremendamente viciante. Eu não acreditava que ela simplesmente parara de usar.
— E daí? Eu fumo tabaco, não maconha. E há diferenças.
Tentei contradizer, mas Lindsay me impediu.
— Tá vendo como você é? Eu me abro com você. Conto algo que me perturba faz quase dois anos. Estou aqui me corroendo por dentro, e, no entanto, você só sabe me julgar! Imponho coisas que são verdadeiras, mas você desconfia. Em vez de me consolar com um abraço, fica aí, me olhando com esse ar superior. Não há relacionamento que dure dessa forma. Sinceramente Justin? Eu esperava que você reagisse de uma maneira mais compreensível. — Engoliu em seco, secando as lágrimas e levantando novamente.

Segurei-a pelo braço impedindo que desse mais um passo.

- É que... ah... enfim, prometo ser mais compreensível. Me desculpe. – Puxei-a e abracei-a.

- Então seja mais compreensível. Por que você sempre pisa na bola, e eu sempre te desculpo, mas isso cansa, Justin.

- Prometo que pensarei duas vezes antes de falar. – Beijei seus cabelos e inspirei aquele cheiro delicioso que vinha deles. – Lind, preciso falar uma coisa com você. – Afastei-me dela e sentei no banco.

- Fala. – Disse ela em pé, segurando minhas mãos.

- Terça eu saio em turnê...

- Sim?

- E talvez eu volte daqui a um mês, um mês e meio, talvez fique sem vir em Atlanta por bastante tempo.

- Você está terminando o que mal começou? – Perguntou reprimindo os lábios.

- Não. É lógico que não. Eu quero que você me acompanhe.

- E onde entra a Selena nessa história?

- Ela vai viajar a trabalho também, então não irá junto comigo. Quando ela terminar seus compromissos nós iremos nos encontrar, mas vai demorar um pouco.

- Hum... mas e a sua produção? E seus agentes?

- Foi difícil, mas eles concordaram. Tem aquela regra básica que você sabe, né? Sem muitos contatos físicos.

- É eu sei, mas peraí. Justin, eu trabalho. Eu não posso simplesmente largar o trabalho pra entrar em turnê com você.

- Você pode pedir férias. – Lembrei-a.

- Férias só duram um mês. – Lembrou-me.

Sorri encurralado.

- Você volta depois de um mês. Aí quando essa parte da turnê terminar eu volto pra ficar com você.

- Mas eu só tenho um dia pra tudo isso! Hoje é domingo, meu Deus! – Colocou as mãos entre o rosto, desesperada.

- Relaxa, nós daremos um jeito. – Levantei e coloquei meus braços sobre seus ombros. Olhei-a nos fundos dos olhos. – Tem mais uma coisa que eu preciso te contar.

- Diga. – Disse revirando os olhos.

- Minha mãe quer conhecer você, e ela marcou um jantar pra vocês se conhecerem.

- Como assim ela marcou um jantar sem me avisar? – Perguntou alterando-se.

- Eu estou avisando por ela. Alô-ô?

- Percebi. E quando será o jantar?

- Hoje. – Sorri.

- O que? Hoje?

- Ahã.

- Ai, Deus. – Suspirou. – Que horas?

- Às 20:00. Na minha casa. Eu te busco, e não precisa ficar desesperada. Minha mãe é gente boa. – Dei uma piscadela.

- Ok, ok.

***

Lindsay P.O.V

Enquanto eu tomava banho tive outra crise de tosse, e mais uma vez ao tossir cuspi sangue. Franzi minha testa, juntando minhas sobrancelhas. Isso estava ficando estranho, de qualquer forma só poderia ser a alergia, afinal, eu não me sentia mal em relação a meu corpo, como se pudesse estar doente. Terminei o banho, me enrolei numa toalha roxa e fui para o quarto. Peguei sobre a cama o vestido que eu escolhi para usar hoje à noite. O vesti. Calcei meu scarpin caramelo aberto na frente e fui para o banheiro pentear meus cabelos. Os deixei soltos, caindo sobre meu colo. Passei um gloss sabor morango e umedeci meus lábios. Voltei para o quarto e passei meu 212 Men. A campainha tocou. Desliguei a luz de meu quarto e fui para a sala. Abri a porta.

- Esqueceu a chave? – Perguntei rindo.

- Sim. Ual, você está linda. – Elogiou-me Justin me olhando de cima a baixo.

- Isso aí já não é mais novidade. – Respondi com um tanto de egocentrismo, mas depois caí na gargalhada. – Brincadeira. Obrigada.

- Podemos ir? – Perguntou segurando minhas mãos.

- Sim.

Tranquei a porta e fomos para sua casa.

Chegamos à sua casa. Era surpreendentemente grande. Meu queixo caiu. Minhas entranhas pareciam se contorcer dentro de mim tamanho era o nervoso que sentia. Justin entrelaçou sua mão a minha que tremia.

- Lind, é só um jantar. – Ponderou gentilmente.

- É, é só um jantar. – Disse para eu mesma. Inspirei e soltei o ar tentando não perder o controle.

- Venha. – Justin disse me puxando.

Entramos em sua casa.

Humildade não era a palavra certa para usar ao citar a casa.

Incrível talvez não fizesse juízo à beleza da casa.

Os móveis eram rústicos e modernos ao mesmo tempo, todos eram de mogno. Os sofás e as poltronas eram de couro branco. Os lustres pareciam ser de cristal. No centro da sala havia um tapete persa imenso. Mais uma vez fiquei boquiaberta.

- Gostou? – Perguntou Justin dando uma risada.

- É incrível. – Contemplei.

- Obrigada. – Agradeceu uma nova voz.

Virei-me na direção da voz. Uma mulher branca com as orbes azuis claras e cabelos castanhos presos num coque posicionava-se ao nosso lado. Sua pele era ressaltada pelo vestido azul escuro de seda, cujo decote em v não era vulgar.

- Sou Pattie, mãe de Justin. – Apresentou-se a mulher estendendo a mão para cumprimentar-me.

Apertei sua mão, sorrindo e corando ao mesmo tempo. Trocamos dois leves beijos nas bochechas.

- Hã... sou Lindsay. – Respondi por fim.

- Vejo que Justin não exagerou quando disse que você era bonita. – Sorriu.

Justin disse que eu era bonita? Virei-me para olhá-lo, porém ele olhou para o teto assoviando.

- Obrigada. – Agradeci ainda mais sem graça.

- O jantar ainda não está pronto, então enquanto isso você pode mostrar a casa para Lindsay, filho.

- Ok. – Disse Justin entrelaçando sua mão a minha novamente.

- Wow! – Disse eu ao passarmos pela grande porta de vidro, chegando aos fundos da casa.

- A fama também tem suas regalias. – Disse Justin.

- Percebe-se. – Respondi, olhando cada canto, fascinada.

- A nossa será mais incrível que essa.

Olhei para Justin, ele também me olhava. Mordeu seu lábio inferior e riu abafado.

- A nossa? – Ergui uma sobrancelha.

- Sim. A nossa. – Concordou.

- Mais incrível que essa casa só o nosso namoro que progrediu de tal forma em menos de 24 horas. – Disse eu, balançando a cabeça positivamente diversas vezes.

- Realmente incrível. – Concordou novamente, passando seu braço por sobre meu ombro.

Percebi que sentia frio quando Justin abraçou-me.

- Quantas garotas já acharam essa casa incrível como eu? – Indaguei curiosa.

- Olha, não muitas... – Justin olhou para o céu estrelado. – Para ser sincero, só uma garota achou essa casa incrível. Sabe quem é?

- Selena? – Chutei, mas tendo certeza.

- Não. Selena já veio aqui, mas amigas não contam.

- Hã, vocês não podem ser considerados amigos. Afinal, vocês namoram.

- Hipoteticamente. – Lembrou-me.

- Ok, e quem era essa garota?

- Ah, ela tá aqui abraçada comigo. – Baixou a cabeça me fitando.

- Justin também sabe ser romântico. – Observei.

- Eu sei ser muita coisa, basta eu querer. – Balançou os ombros, presunçoso.

- Ah, claro. Você manda muito bem quando quer ser egocêntrico. – Gesticulei com a mão.

Justin passou sua mão levemente sobre minha bochecha, arrepiando-me. Tombou sua cabeça para o lado, me fitando intensamente. Uma breve corrente de vento passou por nós, fazendo os fios de meus cabelos açoitarem-se, e deixando uma mecha cair ao lado direito de meu rosto. Justin a colocou atrás de minha orelha, sorrindo.

Notas finais
Próximo capítulo: Mike é ferido, vai para o hospital e Lind se compromete em cuidar dele, mas e quanto a viagem?