Wonderwall

1 And all the roads we have to walk are winding ...


Ela nunca havia se sentido tão vazia quanto naquele momento. Nem mesmo quando havia sido desfeita, anos antes, no Bahrein. Vê-lo ali, tão indefeso e confuso, desenhando furiosamente na enorme parede dava-lhe a vontade de gritar. Gritar até não ter mais ar, e quando o recuperasse, voltar a gritar com ainda mais força. Dava-lhe vontade de correr até os pés se ferirem, pois era demais vê-lo daquele jeito. Mas ele precisava dela.

— Phil – ela chamou após respirar fundo por mais de um minuto e meio. Não obteve nenhuma resposta – Phil – chamou novamente, dessa vez com mais força, tocando-o no ombro.

— Melinda – ele respondeu e ela respirou aliviada, pois ele havia recobrado sua consciência – Eu não queria, me desculpa – pediu desesperado e largou a faca no chão.

— Não tem problema nenhum, tá tudo bem – disse em um sussurro e sorriu para acalmá-lo. Era o gesto mais complicado que havia feito no dia todo, talvez em sua vida. Sorrir no momento em que tudo o que queria era encolher-se num canto e chorar.

— Me tira daqui May, por favor – ele pediu agarrando desesperado a barra da jaqueta da chinesa.

— Vem, eu levo você pro seu quarto – respondeu segurando-lhe o braço, mas ele a puxou de volta.

— Me tira daqui May, eu não quero ficar aqui– ele implorava com os olhos marejados e ela entendeu.

Estavam no subterrâneo há meses, trabalhando furiosamente para reconstruir a S.H.I.E.L.D. que mal haviam pisado no terreno ao redor da base.

— Eu vou levar você – afirmou e começou a guia-lo até a garagem – Na verdade, eu tenho uma idéia melhor, mas você precisa confiar em mim.

— Com a minha alma – ele respondeu e o som de sua voz enviou uma corrente elétrico pelo corpo da chinesa.

— Ótimo – disse e abriu a porta do corvete vermelho – Entra – pediu e ele a obedeceu instantaneamente,colocando o cinto de segurança enquanto ela começou a manobrar em direção a saída. A grande porta da garagem abriu-se, revelando o exterior do bunker e foi para lá que ela dirigiu-se. Era madrugada e a escuridão abraçou-os quando ela começou a dirigir em alta velocidade até a rodovia. Coulson ainda estava pálido e suado, mas o vento em seu rosto, vindo de todas as direções, fazia com que ele se sentisse bem. Como se eu estivesse vivo, ele pensou melancólico e olhou a mulher ao volante, com os cabelos soltos revoando e a larga camiseta de dormir sendo invadida pelo vento.

— Se eu soubesse que iríamos pegar a estrada, talvez teria trocado de roupa – comentou tentando distrair-se.

— Não precisa – ela respondeu simplesmente e acelerou novamente. Passavam dos 160km por hora e ela não tinha a menor intenção de diminuir, não até que ele pudesse ver o sol.



O silêncio reinou no veículo até que ela avistasse uma placa simples, indicando uma curva suave à esquerda antes de tomar uma estrada alternativa.

— Eu estou ficando curioso – Phil insistiu, tentando saber onde estavam indo.

— Phil, por favor – disse simplesmente e ele recostou-se no banco. Começava a sentir-se fraco. Exausto devido aos acontecimentos da madrugada – Nós estamos próximos – avisou em seguida e ele aprumou-se, tentando ver exatamente da onde estavam próximos – Feche os olhos Phil – pediu suavemente e ele obedeceu, um momento antes dela estacionar o carro. Ele ouviu a porta abrindo, mas não ouviu nenhum som de passos, até senti-la abrindo a porta ao seu lado e puxando-o – Os sapatos Phil, tire-os – ele gostava desse tom que ela usava, era gentil, e ele amava como ela o chamava apenas de Phil. Obedeceu-a, tirando os sapatos de dormir e deixou-os no piso do carro antes de esticar as pernas para fora do veículo. A primeira coisa que sentiu foi a grama úmida e em seguida a mão de Melinda na sua – Não abre os olhos, por favor.

— Eu não vou – respondeu e deixou que ela o guiasse. Ele tentava se orientar pelo som, tentando descobrir se estavam indo para o sul ou para o norte, mas era uma tentativa inútil, pois quando sentia o calor que vinha da mulher que o guiava, sentia o sangue pulsando em seus tímpanos. Andaram por mais de 500 metros, quando repentinamente, ela parou.

— Fica parado aqui – ordenou e prosseguiu: – Você vai dar um passo para frente daqui a 10 segundos, quando eu me afastar de você, e só quando tiver os dois pés do outro lado você vai abrir os olhos – explicou e ele assentiu. Tentou ouvir os passos dela, para ter certeza que ela se afastava, mas Melinda sempre foi sorrateira demais.

— Ao seu comando – disse baixinho e ouviu sua voz ecoar na noite.

— Agora – ela respondeu, sua voz um pouco distante, e ele deu um passo a frente, sentindo a textura do novo terreno na sola de seus pés. Sorriu imediatamente, cravando bem os pés no chão, e abriu os olhos. Ela estava parada a apenas alguns metros, e sorria aliviada.

— Você me trouxe para a praia – exclamou animado e começou a dar passos em sua direção, observando-a atentamente. De pé, com os dois pés enfiados na areia, a barra da calça dobrada na altura dos seus joelhos, o cabelo desgrenhado pelo vento e um sorriso muito mais suave do que havia visto em seu rosto uma hora atrás.

— Você sempre amou o mar – deu de ombros e estendeu uma mão para ele. Caminharam juntos, com os dedos entrelaçados em direção ao mar, e quando a agua tocou-lhes os pés, não recuaram.

— Isso é perfeito – disse virando-se de frente para ela. Os primeiros raios de sol começavam a surgir como nascidos da água. Ela ficava linda na luz pálida do início da manhã.

— Você precisa de momentos perfeitos – respondeu inclinando-se para olhá-lo nos olhos.

— Eu preciso de você – declarou e ela suspirou sorrindo.

— Você precisa de mim? – perguntou com uma risada em sua voz.

— Eu preciso de você, porque talvez você vai ser aquela que me salvará – ele respondeu com os olhos marejados – E além de tudo, você é minha protetora – acrescentou antes de abraça-la com mais força.

— Eu sou – ela assentiu e ergueu-se nas pontas dos pés, espalhando beijos rápidos por todo o rosto cansado de Phil, e por fim, tocou-lhe os lábios, dando início a um beijo apaixonado – O sol – disse interrompendo o beijo e ele gemeu em protesto – Foi pra isso que nós viemos – lembrou-o e apontou na direção horizonte, onde o sol deu-lhes bom dia.

— Obrigada Melinda – agradeceu e os dois sentaram-se na areia seca a alguns metros do mar, observando, abraçados, o mais lindo nascer do sol que poderiam desejar.

Notas finais
Gostaram? Se divertiram? Deixem-me saber ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!