Wonderwall

13 ONZE — PORCARIA DE CAVALOS BRANCOS


Notas iniciais
Então, voltei!
A música usada no capítulo é Leave out all the rest, do Linkin Park.
Boa leitura.

Alice's point of view

Eu pensava que estava controlada, eu achava que tinha controle sobre toda a situação, mas eu realmente não tinha. As lágrimas escorriam feito carros de corrida pelo meu rosto, como em uma aposta para ver quem chegava mais rápido a minha boca. Foi difícil abrir a porta com as mãos tremulas, mas quando a fiz entrei correndo em casa, fechando a porta atrás de mim. Joguei minhas coisas no chão ao lado da porta e comecei a andar, tirando os sapatos. Quando dei por mim eu corria dentro de casa, em direção ao meu quarto.

Zara gania ao meu lado, como que me perguntando o que estava acontecendo. Eu parecia estar sufocada. Eu não conseguia respirar. Eu queria gritar. Abri alguns botões da minha blusa, mas isso não fez o ar chegar mais facilmente ao meu pulmão. Os soluços eram fortes e regulares, eu pulei sobre minha cama e arranquei todos os desenhos dele que estavam pregados no meu mural. Eu juntei todos e rasguei, usei toda a minha raiva. Joguei todos os pedaços no chão e cai de joelho na cama, o grito e os soluções sem som. Cobri meu rosto com as mãos e logo senti o focinho gelado de Zara tocar minhas mãos.

—Po... Por que Zara? Por que sof.. Sofrer por alguém que n.. Não te quer? — perguntei entre soluços. Ela me olhou confusa e eu a abracei.

Meu consolo. Porque eu estava desesperada. Por que eu chorava? Outros garotos já haviam sido totalmente legais comigo em um dia, e no outro me ignorado. Mas por que eu me importava tanto com ele?

Eu fiz tantos planos, eu pensei tanto. Acho que trouxe má sorte. Eu estava tão entregue ao mundo que eu havia criado, o mundo onde ele era perfeito, que nem me dei conta do mundo verdadeiro. Eu só queria poder ficar ali. Eu só queria poder chorar mais um pouco, eu só queria dormir e acordar desse pesadelo.

Abracei Zara com mais força e me deitei na cama. Ela ficou ali comigo, ela nem tentou fugir. Eu fiz carinho nela até adormecer, e ter pesadelos.

"Eu sonhei que estava desaparecido. Você estava tão assustada, mas ninguém escutava, Pois ninguém mais se importava."

A água gelada me consumia, me levava para o fundo. Ela me puxava, eu precisava de ajuda. Mas não tinha ninguém para me ajudar. De repente duas mãos geladas estavam me empurrando ainda mais para baixo. Eu tentava gritar, mas meus pulmões se enchiam de água. E ele apareceu. Ele brilhava, e ele estendia a mão, mas eu não conseguia pegar. E eu gritei o seu nome uma, duas, três vezes. E eu acordei gritando seu nome.

— Jasper! — levantei em um susto. Eu estava coberta, ainda de uniforme, e Zara dormia no pé da minha cama. Olhei no relógio, ele marcava quatro da manhã. Talvez Cynthia já tivesse chegado.

Cynthia? Oh, droga! Esqueci de Anna no hospital com Cynthia. Droga, droga. Espero que ainda tenha alguém para cuidar dela lá. Droga! Como você é burra Alice.

Caminhei até o corredor e peguei o telefone na mão, disquei os números já decorados e esperei enquanto chamava. Me olhei no espelho que se encontrava ali e vi meus olhos inchados. Eu não iria para a escola.

— Cynthia? Oh, Sis. Me perdoa. Eu esqueci totalmente da Anna. — falei suplicante quando ela atendeu o telefone.

Anna esta quase pirando Amy, a coitadinha se ofereceu para cuidar dela e agora terá que se tratar na ala psiquiátrica! — ela gritou, e apesar do grito, me senti feliz por ela enlouquecer alguém além de mim.

— Eu sei, eu sei. Me perdoe. As coisas saíram um pouco do controle no final da aula e, resumindo, eu chorei demais. — falei o mais rápido possível. Detalhes eram dispensáveis.

O que aconteceu? Você quer falar sobre isso? — ela perguntou assustada. Eu respondi um simples não. Ela disse que já estava vindo para casa e que eu não deveria me preocupar mais, apenas voltar a dormir. Conversaríamos mais pela manhã.

Eu obedeci. Segui até o banheiro para um rápido banho, me enfiei em meus pijamas e voltei para cama. De lá, fiquei encarando os papeis rasgados no chão do meu quarto. O rosto rasgado de Jasper me olhava, e o sorriso magnífico que eu havia desenhado estava agora rasgado ao meio. Ele parecia triste.

Espero que tão quebrado quanto eu estou.

Levei os joelhos até o peito e os abracei, ficando em forma de bola. Eu fechei os olhos e pude sentir o liquido salgado e quente escorrer pelo meu rosto. O meu peito se abriu. O vazio voltou, e eu acreditava que agora nada o faria ir embora. Eu havia apostado tanto naquilo que estava me doendo fisicamente.

Mas era hora de mudar. Nada mais de Alice bobinha, de acreditar ou confiar nas pessoas. Essa Alice iria morrer junto com o namoro que não aconteceu.

Jasper's point of view

Eu não voltei para casa, como havia prometido. Edward e Carlisle garantiram que ela ficaria bem, mas como eu poderia saber? Será que eu sou o único que lembra como Bella tentou se matar quando Edward foi embora? Ok, tudo bem que Bella ama Edward, e Alice, no mínimo, gosta de mim. Não tivemos tanto contato assim, eu sou o único idiota que se apaixona sem mais nem menos. Se eu não acreditava que fosse possível me apaixonar, imagine a primeira vista. Quer dizer, a única parceira que tive em toda a minha vida foi Maria, e eu não posso dizer que eu a amava.

Vampiros só se apaixonam uma vez.

Pelo bosque eu fui seguindo o cheiro, até que cheguei a rua. Duas quadras abaixo ficava River Lane, e no número 31, na cobertura, morava Alice. E eu fui até lá. Não havia ninguém na rua, já era de madrugada e eu acho que aquele não era o tipo de rua em que as pessoas passam suas madrugadas. Escalei até a janela dela, e a abri com o mínimo de barulho possível. Quando entrei no quarto a vi deitada na cama, abraçada aquele monstro que ela insistia em chamar de melhor amiga.

O animal me olhou e eu gelei, pensei que ela iria latir e fazer um escândalo, e que eu iria ter que sair dali no mesmo instante. Mas ela não fez nada, levantou-se da cama e caminhou até a porta, empurrou a pequena brecha da porta e saiu por ela. Alice murmurou algo, mas ela não estava acordada. Se encolheu mais e voltou a ficar em silencio. Foi ai que eu consegui me concentrar em tudo.

O cheiro salgado que vinha das roupas de cama dela — salgado de lágrimas. A dor dentro dela, a raiva, a rejeição, a tristeza — que eu estava causando a ela. Aquilo fez doer mais em mim. A sensação de perda. De perder algo que eu estava gostando de ter. Mas eu não podia, eu não deveria tê-la. Não era certo. Eu deveria estar morto há anos. De fato eu estou morto há anos, mas eu deveria ter parado de existir; do meu corpo, agora, só deveriam restar ossos. Eu não deveria estar aqui, hoje. É brincar com as coisas, é interferir no futuro.

Eu não deveria existir, eu não deveria interferir na vida dela. Ela deveria ser uma adolescente normal. Eu não deveria estar aqui.

"Eu sou forte por fora, não completamente. Eu nunca fui perfeito, (...)Esquecendo todo o sofrimento por dentro, que você aprendeu a esconder tão bem. Fingindo que alguém pode chegar e me salvar de mim mesmo".


Me aproximei da cama e a cobri. Ela era humana, ela sentia frio. Não resisti ao impulso de tocar-lhe a maçã do rosto, e ela pareceu não se importar com o frio de meus dedos. Acariciei suas bochechas e seus lábios curvaram-se, bem de leve, para cima. Seus olhos estavam vermelhos, e era bom ver um pouco de alegria no rosto dela. E então, aquilo foi mais forte do que eu. E eu fui fraco, porque eu queria fazer aquilo há muito tempo. Deixei que meus lábios encostassem nos dela, da maneira mais suave possível, para não acordá-la. Não durou muito mais de cinco segundos, e eu me afastei.

Ouvi as patas pelo chão, e o monstrinho voltou ao quarto. Subiu na cama e deitou-se aos pés de Alice, me encarando. Talvez o que ela tentava me dizer era "vá embora, você já fez demais por um dia". E eu sabia disso. Tirei minhas mãos do rosto de Alice e comecei a caminhar para a janela, quando senti o quarto se encher de pânico. Medo. Os dois dançavam pelo quarto e vinham de Alice. Ela se mexeu na cama, incomodada, e então mexeu os lábios. Mexeu-os mais uma vez, e na terceira eu pude ouvir um som. O meu nome. Eu deveria ir embora, mas eu não podia. Não até saber que ela estava bem. Eu queria poder acordá-la e dizer que tudo ficaria bem. Mas eu não devia.

Me escondi nas sombras e a observei, angustiado, quando ela gritou. Mais uma vez foi o meu nome, e então ela acordou. Alice se sentou na cama e passou a mão pelo rosto, afastando o cabelo do mesmo. Ela encarou a cama e em seguida olhou a cadela sobre as cobertas. Ela parou por um instante e depois, como se tivesse lembrado de algo muito importante se levantou e caminhou rapidamente para fora do quarto. A ouvi falar com a irmã no telefone e decidi que era hora de ir embora.

Eu havia conseguido. Ela me odiava. Agora eu precisava deixá-la. A parte mais difícil do plano.

Notas finais
AH gente, não vamos querer matar o Jazz. Ele é tão fofo. :B
Ele só queria proteger a Allie.
Não deixem de me dizer o que acharam.
xo.xo