Wonderland
7 Capítulo 7
Notas iniciais
~Rafael POV~
Foi muito triste para mim deixar Cat ali, naquela noite. Mas as coisas estavam melhorando…acho que Karen tinha gostado dela. Eu queria começar o processo de adoção o mais rápido possível.
– Querida, voltei. – disse, abrindo a porta de casa.
– Oi meu bem. Cat já deve estar dormindo. Eu estou só terminando de arrumar umas coisas aqui na cozinha e já vou subir também. – disse ela, vindo da cozinha em minha direção.
– Pode ir, se quiser. Eu termino tudo. – falei. – Amor…você gostou da Alice? Pode ser sincera. – completei. Estava muito curioso.
– Gostei sim. Eu fiquei bem comovida sabe. Aqui nesse lado da cidade não costumamos ver gente de rua…ainda mais sendo uma menina que poderia ser a nossa filha, tão largada, tão triste. Mas eu sinto que ela tem muito a ensinar. Não só Cat, como à nós também. – disse Karen.
– Eu também sinto isso. Que bom que gostou dela. – respondi. Ficou um silêncio constrangedor.
– Eu sei que você quer adotá-la. Quero que saiba que você tem meu apoio pra já começar a ver esse processo.
– Obrigado, Karen. Isso é muito importante pra mim. – agradeci. Em seguida dei um beijo rápido nela e fui para a cozinha.
–-
Alguns dias se passaram e tinha chegado o dia que eu havia marcado de ir visitar o orfanato de Alice. Eu não sabia se conseguiria adotá-la, porque é um processo trabalhoso que leva tempo. Mas vendo Alice todos os dias com aquele olhar triste, me dava uma vontade enorme de gritar “Ei, eu estou tentando adotar você!!!”.
Precisei tirar folga para ir resolver isso. Cheguei ao orfanato no começo da tarde. Era um lugar grande. Não muito bonito por você, mas parecia estar tudo em ordem. Fui atendido por uma das cuidadoras do local. Ela me ofereceu café e fiquei sentado no hall de entrada. Não demorou muito e a diretora do lugar chegou. Uma mulher alta com aparência séria, porém bem profissional.
– Boa tarde. Senhor…Rafael, certo? – disse ela, checando meu nome no que parecia ser um caderno onde eram anotados os nomes das pessoas que marcavam visita.
– Sim, Rafael. Boa tarde. – respondi, a cumprimentando com um aperto de mãos.
– Então senhor Rafael, como podemos ajuda-lo? Venho com objetivo de conhecer as crianças? – perguntou ela.
– Na verdade, não. Vim aqui para adotar Alice Grouhl. – falei.
– Senhor…eu não sei como você sabe da existência dessa criança, mas ela fugiu do nosso orfanato faz uns dois meses. Infelizmente não conseguimos encontra-la. – falou a mulher.
– Bom, vou explicar pra você. Todos os dias de manhã, antes de ir pro meu trabalho, eu tomo café em uma padaria perto da minha casa. Essa menina, a Alice, ela está “morando” na calçada dessa padaria. Eu a conheci no dia em que ela fugiu. Ela me contou tudo. Eu fui falando com ela todos os dias, a levei para dormir na minha casa duas vezes e ela já até conhece a minha família. Queríamos muito adotá-la.
– Desculpe, senhor Rafael, mas o que você fez foi de muita irresponsabilidade. Quando ela te contou sobre a fuga, o senhor deveria ter a trazido pra cá. Depois resolvíamos isso. – disse ela, cheia de autoridade.
– Eu entendo. Mas acho que se ela fugiu, é porque não estava feliz aqui. Sinceramente, se ela prefere morar na rua, é porque isso aqui não deve ser tão bom assim. – rebati.
– Ah, não é para tanto. Adolescentes são exagerados, senhor. Mas tudo bem, agora já passou. Bom, entre comigo. Vamos até o meu escritório. Vou passar para você uma ficha. – ela disse. Então a acompanhei.
A sala do orfanato era bonitinha. Tinha dois sofás e algumas poltronas, mesinhas de apoio e um tapete. Nada muito sofisticado.
– Senhor Rafael, preciso que traga esses documentos no prazo de duas semanas. Vamos avaliar essa ficha que foi preenchida com outros profissionais da lei. Se estiver tudo certinho, não demorará muito para que você possa ter a guarda da menina. – disse a mulher, depois de eu ter preenchido a tal ficha.
– Tudo bem, então. Obrigado. – falei.
– Nós que agradecemos. Até mais. – ela disse, me levando de volta ao Hall.
Nem estava acreditando que já tinha começado o processo de Alice. Agora seria só questão de tempo para tê-la como minha filha.
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