Wonderland
5 Capítulo 5
Notas iniciais
*Rafael POV*
Já fazia uma semana desde que eu tinha minha família novamente. Me deixava muito feliz ter minha mulher e minha filha em casa. Ficar sem elas tinha sido muito ruim. Éramos uma família feliz novamente, mas eu estava com um problema: Alice. Eu ainda queria adotá-la, e encontra-la todos os dias lá ao lado da Bread Station partia meu coração. Eu confesso que ainda não tinha resolvido isso por falta de coragem. Estava tudo tão tranquilo com Karen e Cat que eu queria esperar as coisas se estabilizarem primeiro. Mas agora sinto que a hora de falar sobre isso estava cada vez mais perto.
Era sábado, fim de tarde. Eu, Karen e Cat estávamos fazendo uma sessão de filmes em família. Porém Karen fez uma pausa para fazer biscoitos e aproveitei essa deixa para falar de Alice.
– Meninas, eu queria falar uma coisa com vocês. – comecei, tenso.
– O que foi papai? – disse Cat, se virando em minha direção.
– Fale querido. – pediu Karen, saindo da cozinha e ficando em pé na sala.
– Então…no pequeno período em que nós não moramos juntos, eu conheci uma pessoa. Uma garotinha. Ela tem a idade de Cat. Ela mora em um canto na calçada da Bread Station. Ela é fugitiva de um orfanato porque ela não se sentia bem vivendo lá, nunca fazia amigos, enfim. E eu fiquei com muita pena da garota. Na sexta-feira passada eu a trouxe para dormir aqui, porque estava muito frio e eu não ia conseguir dormir sabendo que a garota da idade da nossa filha estava passando frio. Aonde eu quero chegar com tudo isso é que eu queria muito adotá-la, porque a garota realmente não tem ninguém, entendem? Eu queria saber qual é a opinião de vocês sobre isso. – falei, apreensivo.
– Pai, qual o nome dela? – perguntou Cat.
– Alice, filha.
– Alice! Eu conheço ela! Eu fiz amizade com ela uma vez que minha mãe me levou na praça. Eu até a levei na Starbucks. – disse minha filha. Então eu liguei o que ela estava falando com o que Alice tinha me falado.
– Conhece? Ela bem que comentou comigo que tinha ido ao Starbucks e gostado, disse que tinha feito uma amiga. Então você gostaria que o papai a adotasse? – perguntei.
– Eu gostaria, pai. Ela é tão legal. Mas que coincidência o senhor conhece-la. – Cat disse, rindo.
– Amor, eu não acho que seja uma má ideia. Mas eu gostaria de conhecer essa menina direito. Eu me lembro vagamente dela, no dia em que Cat foi puxar assunto com ela na praça. Você tem um coração muito bom, meu bem. – disse Karen, para a minha felicidade.
– Eu fico muito feliz de saber que vocês apoiam a ideia. Eu posso ir até onde ela mora mais tarde e chama-la para almoçar aqui amanhã.
– Pode ser. – disse Karen.
– Então fechado. Venham aqui, quero abraçar vocês. Vocês são tudo pra mim, meninas. – falei, abraçando minha família.
*Alice POV*
Foi um dia bem tedioso. Fiquei olhando para o teto. Estava desanimada, pra ser sincera. A semana passada tinha sido tão legal. Fui á Starbucks, dormi na casa do Rafael e depois tudo voltou ao normal. Não vi mais Cat e só vejo Rafael antes dele ir ao trabalho, quando ele vem tomar café aqui. Vejo meninas da minha idade passando aqui com amigos ou familiares e penso, será que elas valorizam isso? Eu queria tanto ter isso. Familiares, amigos, uma vida normal.
Escureceu enquanto eu me perdia nos meus pensamentos um tanto quanto tristes. Até que quando me dei por mim, vi alguém na minha frente. Era Rafael.
– Oi, Alice. – disse ele, com um sorriso amigo.
– E ai. – falei, com um sorriso frouxo.
– Como você ta hoje? Eu vim aqui te fazer um convite.
– Estou mais ou menos, mas tudo bem. – disse, meio cabisbaixa. – Mas fala, que convite? – finalizei.
– Quero saber se quer almoçar na minha casa amanhã. Comigo e com a minha família. Eu e minha mulher nos resolvemos. – ele disse, feliz.
– Nossa Rafael…isso é muito legal. Mas, elas sabem disso? Elas concordam? Porque eu não quero ser um problema sabe. – falei, sincera.
– Ah, Alice. Você tem que parar de achar que vai atrapalhar, que vai ser um problema. Pequena, se eu estou chamando você é porque ta tudo certo. Elas estão sabendo sim. Elas querem você lá. – falou ele.
– Entendi. Então tudo bem, eu aceito. – respondi, com um sorriso.
– Ótimo. Passo aqui pra pegar você ok? – ele perguntou e eu assenti. – Boa noite, Alice. Até amanhã! – finalizou, acenando e entrando em seu carro. Eu acenei.
É, tinha acontecido pelo menos uma coisa boa. E acho que alguma coisa muito boa estava pra acontecer. Caso contrário, Rafael não iria querer que eu conhecesse a família dele. Ou minha futura família. Ai meu deus.
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