Wonderland
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Acordei me sentindo muito bem. Foi tão maravilhoso acordar e estar dentro de um quarto aquecido, numa cama confortável e estar limpinha. Parecia um sonho. Aparentemente o carinha não era do mal, já que tinha amanhecido e eu estava viva. Calcei as pantufas que eu estava usando, fui ao banheiro e fiz uma higiene e então desci. E se ele não estivesse acordado? Seria uma vergonha. Mas eu não ia saber se não saísse do quarto, então saí.
– Bom dia querida. – ele disse, assim que eu cheguei na sala. Ele estava de pijama sentado no sofá, com uma caneca nas mãos e assistindo televisão. Olhei pela janela e ainda estava frio.
– Bom dia. – falei, meio sem graça. Ainda não tinha intimidade com ele além de que eu sempre fui naturalmente fechada.
– Dormiu bem? – perguntou. Assenti como resposta.
– Eu queria saber o que você prefere. Tomar café aqui ou ir até a Starbucks, já que gostou tanto.
Ir a Starbucks novamente seria ótimo, mas eu não queria que ele ficasse gastando comigo. Aquela cafeteria parecia cara.
– Não precisa…ficar aqui vai ser mais em conta. – respondi, sincera.
– Que isso, Alice! Nós vamos. Eu sei que você quer. Suba e se troque enquanto eu faço isso também. Antes que pergunte, pode pegar qualquer roupa do closet. A sua não estava em boas condições.
Então subi, tomei um bom banho e me vesti. Coloquei uma calça cáqui, uma blusa branca simples, um casaco listrado, um cachecol, uma touca e um tênis. Tava frio e ele estava me dando a liberdade então aproveitei. Peguei as minhas coisas, coloquei na minha mochila e coloquei nas costas. Eu voltaria hoje para o meu lugarzinho na rua.
Apesar de adorar ficar aqui, ele não é nada meu, sabe? E as vezes ele não fala mas é incomodo. Ele se separou agora, talvez ele queira trazer alguém pra cá, sei lá.
Desci e ele já estava pronto. Seu rosto mostrou um pouco de tristeza vendo que minha mochila estava comigo, mas era a coisa certa a fazer. Continuar lá apenas com convite. Ou voltar.
Fomos a tal da Starbucks. Estava bem aconchegante como sempre. Dessa vez escolhi um café expresso, pães de queijo e um muffin de chocolate. Me sentei numa mesa enquanto Rafael terminava a compra. Como eu descobri o nome dele? Eu perguntei.
–-
Estávamos comendo, estava tudo maravilhoso. Até que entrou uma mulher linda na cafeteria. Ela era alta, loira, tinha cabelos lisos, olhos claros e tinha um estilo intelectual chique sabe? Rafael ficou vidrado nela. Ela se sentou em nossa direção e deu um sorriso envergonhado pra ele. Ele sorriu também. E eu me tornei vela em questão de segundos. Um tempo depois, terminamos de comer.
– Rafael, você pode me deixar na Bread Station agora? – pedi, quando entramos no carro.
– Ai pequena, eu não vou ter coragem. Vai parecer que eu estou abandonando você, entende? Acho que é melhor você ir daqui. – disse ele. – Na verdade eu nem queria que você fosse, mas você é orgulhosa. –completou.
– Então tudo bem.
– Antes de você ir, pode escrever para mim nesse papel o endereço do seu orfanato, se souber? – disse ele, estendendo um papel e uma caneta pra mim. Achei aquele pedido estranho, mas anotei.
– Então agora eu já vou. Obrigada por tudo. – falei e dei um abraço nele.
– Imagina querida. Olha, nos vemos durante a semana ta? Já sabe o caminho para a minha casa. Quando quiser pode ir. Se cuida menina. – ele respondeu, me dando um beijo na testa. Respirei fundo e saí andando com a minha mochila, sem olhar pra trás.
Novamente, eu estava sozinha.
~Rafael POV~
*domingo á noite*
No sábado, quando aquela jovem menina de 14 anos me deu as costas e saiu andando com a maior coragem do mundo, meu coração apertou. Eu não queria que nada de mal a acontecesse, mas seria impossível eu a convencer de ficar na minha casa por muito tempo. Ela nem me conhece o suficiente.
Eu já estava certo de que iria ao orfanato para adotar Alice, mas sinto que eu teria que adiar isso alguns dias.
*madrugada de sexta*
TRIMMM TRIMMM TRIMMM
– Alô? – atendi, com voz de sono. Eu já estava dormindo, mas fui acordado.
– Oi Rafael. É a Karen.
– Karen? – perguntei, para ter certeza. Meu deus, era a Karen! A mulher mais linda do mundo, a Karen! A mãe da minha filha, a Karen! Eu não podia acreditar. – Karen meu amor, que bom que você ligou.
– Rafael eu estou ligando pra te pedir desculpas por ter brigado com você daquele jeito. Foi um equívoco da minha parte, eu não devia ter saído de casa.
– Ainda bem Karen, ainda bem que você voltou atrás. Eu amo tanto você! Volta pra casa amanhã, volta! Eu prometo que não vou mais chegar tarde do trabalho, prometo.
– Tudo bem, eu volto. Amanhã a noite eu estou indo. Eu não ia conseguir dormir sem resolver isso. Ai…a Cat vai ficar tão feliz meu amor!!! Boa noite, eu amo você. Até amanhã.
– Boa noite queria, eu amo vocês duas.
*fim da ligação
*domingo a noite*
Eu fiquei muito feliz de saber que teria minha família novamente. Nada me deixava mais feliz. Mas agora eu teria que conversar com minha mulher e minha filha e ver qual seria a opinião delas sobre adotar Alice. Eu nem sei como vou ficar se não puder adotar aquela garotinha. Ela merece um lar.
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