Wonderland

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Oi pessoal! Mais um capítulo de Wonderland né...cada capítulo que eu escrevo, mais eu gosto. Eu amo essa história, e espero que vocês também. Beijos!

Faziam mais ou menos quatro dias desde a minha fuga. No começo me senti bem solitária, mais do que nunca. Porém agora eu me sinto segura, segura em mim mesma. Esse lado da cidade é bom, as pessoas não mexem com você apesar de sempre te olharem como se você fosse assalta-las. Era sexta-feira e logo cedo a rua já estava cheia. Acordei com o barulho da movimentação. Fazia frio.

– Bom dia menininha. – disse o homem com o qual eu vinha conversando desde meu primeiro dia aqui. Aquele que está sempre atrasado mas ainda sim, sempre me dá atenção.

– Bom dia. – respondi.

– Dia frio hoje, não?

– Pode crer. – falei.

– Fique aqui hoje, quando voltar do trabalho passarei com uma surpresa para você. – falou ele.

– Ok, pode deixar. – respondi, já cheia de curiosidade.

– Agora eu preciso ir. Fique bem ok? Até mais. – disse ele. Eu fiz que sim com a cabeça e acenei, enquanto ele adentrava seu carro.

Depois de algumas horas, resolvi ir até o parque. Provavelmente a mãe de Cat não a deixaria ir até lá hoje, por causa do frio. Mas quem sabe?

Eu realmente não a vi, mas decidi sentar embaixo da árvore que estava quando nos conhecemos. Se ela me procurasse em algum lugar, seria ali.

– Bu! – gritou uma voz, e na hora eu senti um toque estranho em meus ombros. Quando virei, era Cat. Eu já imaginava. O toque estranho vinha das luvas que ela usava. Eram lindas, vermelhas e de lã.

– Oi Cat. – falei. – Achei que não viria hoje, por causa do frio.

– Provavelmente não, mas eu disse para a minha mãe que iria para a casa de uma amiga estudar. – disse ela.

– Mas, Cat? E se ela vier te espionar ou ligar para a casa da sua amiga querendo saber se você chegou? – perguntei, realmente preocupada. Não queria ninguém se dando mal por minha causa. Mais uma vez me importando com as pessoas. Ainda não me acostumei.

– Ah, relaxa Alice. Eu já menti assim outras vezes. Ela não vai vir aqui por causa do frio e se ela ligar pra lá, minha amiga reconhece o número dela e vai fingir ser a mãe dela. Tudo bem.

– Ok, ninja. – falei, rindo.

– Mas então…eu falei pra você que iríamos tomar sorvete, mas como hoje está frio, que tal tomarmos café? Vamos ao Starbucks. –falou.

– Hm, o que é Sbartucks? – falei, com dificuldade de reproduzir aquela palavra. Cat riu.

– É Starbucks, Alice. – falou, reproduzindo a palavra bem lentamente. – É uma cafeteria ótima, vamos lá. – explicou.

Fui com ela. Não era muito longe da praça. Era em uma rua perto e era ao lado de uma biblioteca.

– O que vai querer? – disse Cat. – Ah, desculpa, esqueci que você não conhece as coisas aqui. Olha, eu vou tomar um Frapuccino de Chocochip. É uma bebida gelada, mas eu não ligo pra isso e tomo essa mesmo. É uma delicia. Você quer que eu peça essa pra você ou prefere experimentar primeiro pra saber? – completou, atenciosa.

– Eu prefiro experimentar primeiro. – Falei, sincera.Ela assentiu.

Depois que Cat pediu, fomos até o fundo da cafeteria e nos sentamos em um sofá bem aconchegante. Fiquei pensando em como seria passar a noite ali. Pouco tempo depois a chamaram. No começo eu quase morri achando que fosse a mãe dela, mas ela explicou que é assim que avisam que o seu pedido ficou pronto.

Experimentei o tal Frapuccino e até gostei. Acabei pedindo isso mesmo. Ficamos lá conversando e foi muito legal. Eu realmente gosto da Cat.Depois de poucas horas, ela teve que ir embora.

Fiquei a tarde inteira na biblioteca, li um livro todo. A moça que trabalha lá é bem legal. Eu expliquei que sou de rua e ela me tratou super bem, disse que eu posso ir até lá para ler quando eu quiser. Lá é quentinho e bem confortável.

Mais tarde, quando eu estava de volta no meu cantinho ao lado da Bread Station, o cara que eu pensava ser o pai de Cat chegou.

– Oi, boa noite menininha. – disse ele.

– Oi. – disse.

– Quer saber a surpresa que eu tenho pra você?

– Quero, claro. – falei, curiosa.

– Então, a surpresa que eu tenho é uma proposta. Quer ir dormir na minha casa essa noite? Faz muito frio e eu não quero você aqui. A casa está tão vazia, vai ter um quarto pra você e tudo mais. – falou.

Fiquei assustada, sabe. E se ele estivesse me tratando bem esses dias todos só para me sequestrar agora? E se ele quiser me matar e vender meus órgãos? Ele parecia um homem muito bom e de confiança, mas nunca se sabe.

– Olha…desculpa mas eu acho melhor não. – falei.

– Eu sei que você deve estar assustada, mas eu te dou minha palavra de honra. Tem uma delegacia na rua da minha casa, você pode correr pra lá se quiser. – disse ele.

Ok, se ele fosse do mal ele não moraria na rua de uma delegacia ou me avisaria disso. Acho que se ele fosse realmente do mal não teria tanta paciência de me cozinhar esses dias todos. Ainda mais se ele realmente for o pai da Cat, ele não me faria mal. Ou será que a mãe da Cat se separou dele porque ele fez alguma coisa? Vai ver ela não se sente bem de me contar. Ah, eu aqui pensando muito novamente. Tem chances de ser mal? Tem. Mas também tem chances de ser um cara generoso que vai me dar uma noite confortável numa cama de verdade. Eu não tenho muito a perder.

– Ok, eu vou. – falei.

– Que bom. Entra aqui no carro. – disse ele.

–-

A casa dele era grande e bonita. Tinha um caminho com flores até a porta e era tomada por um jardim á sua volta. Também tinha uma cerca branca linda. Tinha uma caixinha de correio de madeira, tinha um balanço de madeira ao lado e atrás devia ter mais coisa. Por dentro a sala era bem aconchegante. Tinha uma lareira, uma televisão grande, uma estante de livros enorme, um tapete felpudo, um sofá e uma máquina de café grande. Tinha uma escada no canto, uma porta que provavelmente dava para a cozinha no fundo e uma para um provável banheiro no outro canto.

No segundo andar, tinha uma sala de vídeo game, um escritório, um banheiro e os quartos. O quarto dele eu não vi direito, mas fui até o outro, que (se ele fosse o pai dela) era de Cat. Era lindo, nossa. Como eu queria ter um quarto daquele. Era lilás, com o chão bem branquinho que fazia um barulho legal quando a gente pisava, tinha uma cama bonita com cobertor estampado de flores e o travesseiro também, tinha uma estante de livros, uma televisão grande, um criado-mudo com telefone, um tapete felpudo, uma escrivaninha com computador e no canto uma porta para um banheiro e um closet. Um closet cara.

Ele me deixou bem confortável. Deixei as poucas coisas que tinha no quarto onde dormiria e fui tomar banho. Ele disse que eu poderia usar as roupas que estavam no quarto, as da filha dele. Acho que seria necessário, eu estava a quatro dias com a mesma roupa. Tomei um banho delicioso de banheira, coloquei uma roupa confortável e depois ele pediu pizza. Ficamos jogando jogos de tabuleiro até a pizza chegar.

– Mas então, como foi seu dia? – perguntou um tempo depois, quando já estávamos comendo pizza.

– Foi legal. Eu fui até a Starbucks com a minha amiga e depois fui na biblioteca comunitária. – falei.

– Que legal! Que amiga é essa? Ela fugiu com você?

– Não…é uma amiga que eu fiz. O nome dela é Cat. Nos conhecemos no parque que tem ali perto da Bread Station. – falei. Não ia mencionar que achava que ela era a filha dele. Mas será que ele falaria?

– Ah sim. E ela é legal?

– Muito! Ela é tipo a primeira amiga que eu tenho a vida toda. Ela me apresentou esse tal de Starbucks e é uma delícia. – falei.

– Não é? – ele disse.

Depois ele mudou de assunto e assistimos um filme até eu pegar no sono. Foi difícil dormir, apesar da casa com aquecedor e a cama extremamente confortável. Mesmo confiando nele, eu estava com medo por ele não ter mencionado a Cat. Será que ele ia achar que eu ia ficar confusa se ele falasse que é pai dela? Ou com ciúme dele? Eu queria saber isso logo, odeio ter dúvidas.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim. Comentem e compartilhem com os amigos! Beijos, até o próximo capítulo. :)