Wonderland
1 O Chapeleiro
Todos eles estavam sentados na sala assistindo a um filme de suspense. A história girava em torno de um serial killer perseguido por um policial com um intelecto nível "Sherlock Holmes", só que o vilão tinha um intelecto nível "Sherlock Holmes ao quadrado".
Todas as mortes detalhadas já estavam deixando os garotos amedrontados e paranóicos. Ruki já estava colado em Reita ; esse que discretamente fingia não perceber. Aoi estava com medo mas não havia entendido o filme ainda enquanto Kai e Uruha abraçavam as próprias pernas. Estava de noite, as luzes da casa estavam apagadas, a janela atrás dos meninos dava passagem à assombrosa luz da lua que só alcançava o sofa onde estavam sentados. Trancaram a porta da sala e apagaram as luzes com o objetivo de dar mais ênfase ao filme mas agora se arrependiam profundamente.
Depois que o filme acabou, oscinco rapazes estavam tentando tomar coragem para irem para seus quartos. Ruki não havia largado Reita e Aoi tentava entender o filme enquanto Kai perdia a paciência tentando explicar- lhe. Uruha ainda abraçava as pernas, paranóico e atento à qualquer barulho, por causa da atenção redobrada, foi o único que ouviu o barulho no corredor.
- Ouviram isso?
- O que? — Aoi perguntou.
- Passos no corredor.
- Me poupe né Uruha! — Reita disse em tom de gozação. — Vai ficar com medo agora?
- Não estou brincando Reita! Eu ouvi.
Novamente o barulho de passos.
- Agora eu ouvi. — Ruki disse grudando mais em Reita.
- Eu também ouvi. — Kai assentiu.
- Eu também ouvi passos mas ainda não entendi o filme!
Os quatros olharam para Aoi como que diz "Estamos trancados na sala com um desconhecido em casa e você se preocupando em entender o filme, seu retardado?!" .
- Grande ideia Kai! "Vamos para uma casa de campo, vai ser legal" ...
- Como eu iria saber que teriamos um convidado indesejado, Reita?
-Temos que sair daqui o mais rápido possível!
- Como Ruki? Esqueceu que pode ter um psicopata igual ao do filme lá fora?
- Acontece, Kai, que não são os seus ursinhos de pelúcia que correm perigo!
- Por que um psicopata iria querer pegar seus ursinhos?
- Sei lá! Por inveja. Nós temos que salvar meus ursinhos. E eu quero chocolate! E se ficarmos com fome? E se quisermos usar o banheiro? E quando precisarmos dormir? Eu não vou dormir no chão! E os meus cookies? Eu estou com fome! E o meu cabelo está um caos! Eu preciso dormir, daqui a pouco vou ficar com sono e...
- Cala a droga da sua boca Ruki! — Todos disseram em coro.
- Ignorantes! — No mesmo instante ouviram algo se quebrar na cozinha.
- O que fazemos agora? Ele pode sequestrar meus ursinhos!
- Nós vamos sair daqui. — Reita saiu do abraço de Ruki e se prontificou a abrir a porta. — Eu vou na frente e vocês me seguem em silêncio.
Ruki segurou o braço de Reita que sinalizou para que ficassem em silêncio e abriu a porta. Saíram em fila pelo corredor; olharam a cozinha e tudo o que tinha de estranho era uma xícara de chá quebrada no chão. Continuaram andando até o quarto de Aoi. Nada. No quarto de Kai, nada. No de Uruha, nada. No de Reita, nada. Foram para o quarto de Ruki pensando que lá também não achariam nada mas quando chegaram, viram os ursinhos de pelúcia rasgados pelo cão, as cortinas em farrapos. A roupa de cama, toda de cetim, estava em pedacinhos e ao lado do guarda- roupa havia um homem parado. Ele usava sapatos sociais marrons, uma calça verde listrada fazendo conjunto com uma casaca verde, por baixo da casaca usava uma camisa branca cuja as mangas cobriam metade das mãos com babados bem trabalhados. O cabelo castanho- avermelhado caía sobre a testa e na cabeça ele usava uma cartola verde com uma faixa branca amarrada cuja as pontas íam até a base do pescoço onde eram enfeitadas por mais babados. Sendo mantidos presos ao chapéu com o auxílio da faixa, avia um Ás de Espadas e um Ás de Copas acompanados por alfinetes rosas e verdes. Ruki foi o primeiro a falar.
- Um mágico!
- Errado meu caro amigo de sexualidade duvidosa! Sou um chapeleiro.
- Por que matou meus ursinhos seu assassino?
- Creio que isso não seja assunto para o momento. Só desejo saber qual seria o devastante e sombrio caminho de retorno ao meu aconchegante chalé em forma de tulipa no interior do bosque.
- O que quer mágico?
- Chapeleiro! Os senhores são a única salvação de mu doce lar que ao começo do reinado da rainha de Copas, caiu em iponentes sombras que abalam a vida de meu amigável povo.
- Então, chapeleiro fofo, você precisa nos levar para sua cidade, não é?
- Cidade não meu jovem, país. Gostaria que me ajudassem.
- Não veio nos matar?
- Não.
- Nesse caso, este é Reita, ele é Aoi, ele é o Kai e ele é o Uruha. — Ruki apontou cada um dos colegas. — Nós vamos te ajudar.
- Fantástico! Aoi, pareces pândego, gostaria de pergunta- lhe algo.
- Pergunte.
- Qual a diferença entre o corvo e a escrivaninha? — Aoi ficou pensando enquanto o capeleiro tirava do bolso interno da casaca, um frasquinho de vidro com uma rolha adornada de uma etiqueta azul. Ele abriu o frasco e deu para que os garotos bebessem do líquido incolor. Assim que engoliram, encolheram até ficarem do tamanho de uma boneca Polly Pocket. O chapeleiro lhes estndeu o grande chapéu para que subissem. Eles sentaram na aba do chapéu e o misterioso homem de cabelos castanho- avermelhado o colocou na cabeça, foi até a janela e pulou. Seu pouso foi suave mas não estavam mais na casa de campo e sim em um belo jardim; com um caminho de pedrasa, um céu azul com nuvens fofas e muitas flores.
O chapeleiro andou até uma campina onde o céu era vermelho, as nuvens escuras, as árvores e flores estavam mortas, a grama escurecida e das casinhas só restavam ruínas chamuscadas.
- Trouxe- os aqui para contar um pouco de minha triste história.
- Antes de começar, alguém descobriu qual a diferença entre o corvo e a escrivaninha? — Reita fuzilou Aoi com um olhar sombrio que fez com que o colega se calasse.
- Na época em que esse lugar tinha vida, éramos governados pela raina de Espadas. Eu era o chapeleiro da corte, seguia o ofício da família. Naquele amaldiçoado dia, estávamos festejando a Primavera com uma festa do chá. A renegada rainha de Copas chegou com seu exército vermelho e o seu precioso Jaguadarte. "Cuidado com o dragão de olhos vermelhos, meu filho. Sua boca mortífera cospe fogo que acaba por queimar não somente seus bens físicos como também seus entes queridos". Para acabar com esse mal devastador, corte- lhe a cabeça impiedosamente assim com oa rainha vermelha faria com você. "Armado somente da coragem e da preciosa e intimidadora Vorpal; no Glorian Day, subirás no topo das ruínas e livrarás a todos os inocentes do terror".
- Foi o Jaguadarte que fez isso? Queimou seu vilarejo? — Ruki ainda não largara Reita.
- O próprio. Necessito que reencontremos Vorpal e no Glorian Day, matem o maldito dragão.
- Nós faremos, se for pelo bem das pessoas nós faremos. Certo pessoal?
Todos assentiram para Ruki.
- Fantástico! Pois então, que comece a nossa jornada.
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