Wolverellie

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Hey, gente! A fic se passa entre os capítulos #13 e #14 de Homem-Aranha & Deadpool
(Alguém mais ama esses quadrinhos?)
Não temos MUITOS spoilers e é totalmente possível entender a fanfic sem ter lido os quadrinhos, mas o pessoal que já leu vai entender uma ou outra referência.
Pra contextualizar quem não leu ainda (spoilers):

O dia de Peter não estava tão agitado quanto ele gostaria. Dona Aranha, sabe-se lá por quê, decidira não aparecer nas últimas horas, então apenas esperava pelo próximo movimento dela. Deadpool também mantinha um olho na mulher, só por precaução.

Lançou outra teia, curtindo o vento no rosto e a paz de espírito que o tomava. Ainda não tivera tempo de fazer suas compras de Páscoa, talvez pudesse dar um jeito nisso hoje. Essa questão trazia uma pergunta muito importante: presentearia Deadpool também? Do jeito que as coisas andavam nos últimos tempos, poderia chamá-lo de amigo. Sim, claro, ele o matara, mas Deadpool também o trouxera de volta, certo?

Deixou tudo de lado ao ouvir a sirene da polícia e se adiantou até a confusão em frente a uma sorveteria. Uma pequena garota, vestida com um uniforme amarelo, atacava inocentes. Ela parecia querer cortar todos eles, porém não machucava ninguém de verdade. A polícia, meio confusa sobre como prosseguir, tentava iniciar um diálogo.

— Oi, garota! Então… Qual seu nome?

— Eu sou a Wolvereu! Mas papai me chama de Mini-Miss-Wolverine!

— Mini-Miss…? – um policial sussurrou.

Peter tinha bastante certeza de que conhecia essa voz de algum lugar. Desceu em frente a ela, pronto para prendê-la em uma teia, se preciso. Em vez de brigar mais, a garota saiu de sua posição de defesa e sorriu.

— Oi, tio Aranha!

— Tio Aranha…? — murmurou o mesmo policial de antes.

Foi quando a ficha caiu, e Peter quis bater no próprio rosto. Havia apenas uma pessoa no universo inteiro que o chamava assim.

— Sou eu, lembra de mim, a E-

— Eu lembro. Mas não pode falar sua identidade secreta assim, é segredo.

Ela fez uma expressão surpresa e, depois, abriu uma gargalhada gostosa.

— Verdade, tio Aranha, quase esqueci! Hoje sou a Wolvereu! Gostou da fantasia? Foi o papai que me deu!

Agitada, ela correu em direção a ele e ficou pulando na sua frente. Peter percebeu que os policiais ainda estavam confusos com a situação.

— Eu cuido dela de agora em diante, obrigado. Foi só um mal-entendido, brincadeira de criança.

— Posso andar no Táxi-Aranha, posso? Posso? Por favorzinho!

— Táxi-Aranha…? Isso é coisa do seu pai, não é?

— Sim, sim, sim!

Com um suspiro resignado, Peter agachou-se para que ela subisse em suas costas. Animada, Ellie o abraçou.

— Eeeeeeeeeba!

— Se segura.

A altura não a assustava, porque chegou ao ponto de jogar as mãos para o alto. Peter precisou agir rápido ao segurá-la pelas pernas antes que Ellie escorregasse, mas a garota nem se importou; parecia muito feliz por estar pendurada de cabeça para baixo.

— Ellie, eu mandei segurar!

— Mas assim é tão legal!

Meio preocupado com a quantidade de sangue que já deveria ter descido para a cabeça dela, Peter parou sobre um prédio e a deixou no chão. Ainda mais animada, Ellie correu até o parapeito e olhou para baixo. Peter a seguiu com medo de que ela tentasse se atirar.

— Você e o papai ficam sentados aqui e comem chimichangas, né? Ele disse que sim!

Ela teria caído se Peter não segurasse o braço fino.

— Por favor, para de se jogar!

— Mas tá tudo bem! Se eu cair, você me pega.

Como se estivesse provando um ponto, Ellie se jogou do prédio. Um pouco desesperado, Peter atirou diversas teias contra seu corpo, deixando-a pendurada de cabeça para baixo (de novo).

— Isso é muito legal!

Conteve uma risada e desceu até ficar com o rosto ao lado do de Ellie, que sorria tanto que parecia prestes a rasgar o rosto.

— Ok, o que foi que te deu pra você sair atacando as pessoas?

— Eu tentei abraçar elas primeiro, que nem o papai fez, mas todo mundo achava legal e ninguém queria te chamar. Aí precisei ser violenta. Mas não machuquei ninguém de verdade, viu?

O dia em que Deadpool chamara sua atenção ao abraçar desconhecidos na rua ainda estava gravado na sua memória. Se houvesse alguma dúvida de quem ela era filha, agora não havia mais.

— E por que você queria chamar minha atenção?

— É que é Páscoa, tio Aranha.

Ellie parecia ter bastante certeza de que isso respondia a qualquer dúvida existente.

— E…?

— Bom, você sabe como é o Coelhinho.

— Uhum.

— Pois é.

Silêncio. Ficaram apenas se encarando por vários segundos, até Ellie começar a rir de novo.

— Eu tô ficando tonta!

Com um movimento rápido, puxou-a para cima do telhado e a retirou das teias, deixando-a sentada no chão. Acomodou-se de frente a ela, pronto para intervir caso necessário.

— Ok. E por que você precisa de mim?

— É que o papai não mata mais ninguém, né?

— Isso. Pelo menos é o que ele me disse.

— É verdade. Ele tá até bonito de novo, porque o Papai Noel ficou muito feliz por ele estar se comportando e deu o rosto bonito dele mais cedo.

A lógica infantil fez Peter rir.

— Definitivamente. E qual é o problema do Coelhinho?

— Você sabe.

— Eu sei. Mas preciso saber o que você sabe. Ele possui muitos segredos.

A boca da garota formou um “oh” perfeito enquanto os olhos se arregalavam. Ellie pulou, sentando-se sobre os joelhos.

— Quais segredos? Me conta, me conta!

— Não posso, desculpa.

Ela mordeu o lábio, ansiosa.

— Mas eu não conto pra ninguém!

— Me diz o que você sabe e depois eu te conto o que eu sei.

Com uma concordância enfática, pôs-se a falar:

— O Coelhinho, como todo mundo sabe, para de dar chocolate pra quem já matou uma pessoa. Por isso o papai nunca vai receber chocolate na Páscoa, porque ele já matou. Mesmo que agora ele seja um herói e muito legal, o Coelhinho não sabe perdoar. Aí eu queria comprar um chocolate pra ele e fingir que o Coelhinho tá perdoando, sabe? Aí ano que vem eu dou dois, depois três até ele ganhar cem chocolates quando eu for grande!

Os olhos brilhantes fizeram Peter sorrir.

— Acho que essa é uma ideia maravilhosa.

— Né?! Aí o papai nunca vai saber que fui eu, ele vai achar que é o Coelhinho! Ele tá bem triste porque não vai ganhar nada.

Ao falar isso, o próprio semblante dela entristeceu. Peter segurou a mão da garotinha na sua.

— Eu acho que o Coelhinho vai acabar perdoando seu pai. Sabe, eu sou amigo do Coelhinho da Páscoa.

— Mesmo?

— Mesmo. E ele disse que, se a pessoa realmente for bacana e ficar muito, muito tempo sem matar ninguém, ele consegue perdoar.

Os olhos castanhos brilharam tanto que Peter jurou que a menina fosse começar a chorar. Em vez disso, ela o abraçou bem forte.

— Você é o melhor, tio Aranha! Por isso que é o melhor amigo do papai!

Essas palavras o quebraram um pouco. Melhor amigo, hm? É isso que o Deadpool conta pra ela?

— Ei! Eu e o papai fizemos biscoitos pra ele. Ele gosta de biscoitos, né? Aí o Coelhinho vai perdoar o papai mais rápido.

— Biscoitos não são pro Papai Noel?

— A gente fez biscoitos de cenoura, né!

Por alguns segundos, tentou imaginar como isso seria. Acabou desistindo, porque Deadpool na cozinha era algo que não fazia sentido algum (ainda assim, imaginou-o com um avental cor-de-rosa).

— Sim, claro que ele gosta.

— Eu sabia!

Com aquele assunto resolvido, chegavam a um mais importante:

— Bom, vou ter que te contar um segredo maior ainda. Mas só se você prometer que não vai contar pro papai.

— O que é?

— Não posso ir comprar chocolate com você com a roupa do Homem-Aranha. Então vou ter que te mostrar onde eu moro. Mas seu pai não pode saber isso de jeito nenhum.

— Mas você é o melhor amigo dele!

— Sou. Mas a gente fez uma aposta. Se ele souber onde eu moro, eu vou perder a aposta. Não quer que eu perca, né?

A menina balançou a cabeça em negativa. Peter a pegou no colo e voltou a pular por entre os prédios.

— Jura pelo Coelhinho que não vai contar pro papai? Eu sou amigo dele, lembra?

Aparentemente, a possibilidade de o Coelhinho da Páscoa se irritar com Deadpool foi o que bastou para Ellie o abraçar bem forte.

— Não vou contar pra ninguém, eu juro!

Ainda assim, Peter não foi para sua nova casa. Volta e meia a mídia gostava de exibir a mansão Parker e, no fim, Ellie poderia dizer algo como “olha, papai, a casa do Homem-Aranha!”, e aí tudo estaria perdido. Por isso, foi até a tia May (ainda mantinha roupas lá).

— Vou te apresentar pra pessoa mais importante da minha vida. Mas não pode contar pra ninguém, ok?

— Nem pro papai.

— Nem pra ele.

Ellie entrou pela janela junto de Peter e observou o quarto com cuidado. As paredes estavam cheias de pôsteres de bandas e de estrelas, além de Aranhas. Várias fotos forravam os murais espalhados, e a colcha azul era bem parecida com a sua própria. Sentou-se sobre a cama e encarou o Homem-Aranha, que buscava algo dentro do roupeiro.

— Você e o papai são melhores amigos estranhos.

— Esperava algo diferente? Você conhece seu pai.

Isso a fez rir e se jogar para trás. Uma batida na porta desviou a atenção deles.

— P-

— TIA!

Com as teias, abriu a porta. Ela encarou a garotinha na cama com o cenho franzido, e depois observou o sobrinho uniformizado. Ele a abraçou da maneira mais exagerada que pôde e sussurrou no ouvido dela:

— Ela não pode saber meu nome.

— Que bom te ver.

— Essa é a Ellie, tia. Ela é a filha do meu melhor amigo.

— Melhor amigo?

— Uhum.

Um movimento de cabeça fez tia May entender que ela só deveria seguir com as deixas dele.

— Será que você pode levar ela lá pra baixo pra comer um bolo?

— EU AMO BOLO!

— Então vamos, Ellie. Vamos deixar meu sobrinho trocar de roupa.

Com um sorriso enorme, a menina piscou para Peter e pegou na mão que tia May oferecia. Depois, Peter fechou a porta e suspirou. Retirou a máscara e parou em frente ao espelho. Quando saíra com Deadpool, percebera que um modelador de imagem seria muito útil e tratara de criar um nas Indústrias Parker. Fora inesperadamente fácil fazer isso.

Criou um homem negro, com cabelos cacheados e barba por fazer (muito parecido com o Leo que representara naquela noite). Depois, colocou uma roupa qualquer e desceu as escadas correndo. Tia May gritou ao vê-lo.

— Calma, tia, sou eu! É um modelador de imagem, pra ninguém saber quem eu sou.

Assim que ouviu a voz dele, May respirou fundo algumas vezes. Ellie não parecia nem um pouco surpresa (porque, afinal, uma das suas brincadeiras favoritas envolvia o modelador de imagem do pai).

— Tio Aranha, o bolo da sua tia é o melhor!

— Eu sei. Contou pra ela o que a gente vai fazer?

Com um aceno entusiasmado, Ellie confirmou.

— Ela achou uma ótima ideia!

Antes que Peter pudesse fazer alguma coisa, seu celular começou a tocar. Era Deadpool.

— Ellie, você avisou seu pai que ia estar comigo?

Ela engasgou com o bolo, o que já foi resposta suficiente para Peter.

— Oi, Deadpool!

— Spidey, alguém sequestrou a minha filha! Eu preciso das suas teias!

— Hm…

— Ela é indefesa! Posso matar a agente que tava responsável por ela? Posso, né? É um caso a p-

— Não! Ellie tá bem, Deadpool.

— Sem otimismo de herói agora.

— Não, não é otimismo de herói. Ela tá bem mesmo. Ellie, fala alguma coisa.

Já recuperada do engasgo, ela gritou:

— OI, PAPAI!

Silêncio.

— Spidey… Você sequestrou minha filha?

— Não, seu imbecil. Ela que me procurou.

— E por que ela faria isso?

— Porque eu sou demais. Prometo que te devolvo ela sã e salva em umas três horas, ok?

— O que você vai fazer com a minha filha por três horas?!

— Não te interessa. E não ouse procurar pela gente!

— Mas…

— Não. Ellie, diz que ele não pode vir.

— Papai, você não pode vir! Hoje é dia da Ellie ficar com o Tio Aranha.

— Não existe isso! Eu quero ir também!

— Não! — disseram Peter e Ellie juntos.

— E agora chega. Tchau, Deadpool.

Assim que o telefone foi desligado, Ellie começou a rir.

— O papai tá com ciúmes!

— Seu pai é um bobalhão. Mas a gente pode ir agora? Seu pai já deve estar nos procurando. Por falar nisso…

Tirou um relógio do bolso e entregou para ela. Os olhinhos castanhos brilharam de novo.

— EBA! Eu tenho um modelador também! Quero ser uma princesa!

Correndo, a menina parou em frente ao espelho do banheiro (Peter não fazia ideia de como ela sabia sobre ele) e apertou em botões até ser uma menina negra com cabelos bem volumosos.

— Agora eu pareço sua sobrinha!

— Verdade… Mas você ainda está com as roupas de Mini-Wolverine.

— Ah, é… O que a gente faz? O papai vai saber que sou eu.

Foi May quem apareceu com a solução:

— Tem uma loja de roupas na outra quadra. Por que vocês não veem se há algo legal por lá?

Sem nenhuma alternativa, foi o que fizeram. Assim que pisaram na calçada, Ellie segurou a mão de Peter e desatou a falar sobre suas aventuras como mini-Wolvereu. Ele se continha para não rir demais. Na loja (que era de fantasias), escolheram um vestido bufante cor-de-rosa (Ellie queria ser uma princesa), mas a menina permaneceu com as botas amarelas.

— Não quer mesmo que eu compre um sapatinho?

— Claro que não! Essas são as botas de chutar bandidos!

— Mas você é uma princesa.

— Eu sou uma princesa que chuta bandidos!

Sem argumentos, Peter riu e concordou.

— Esse é meu tipo preferido de princesa.

Precisaram chamar um táxi, porque Peter não tinha nenhum carro por ali (e não podiam ir pelas teias, visto que estavam disfarçados).

— Onde a gente vai achar o chocolate do papai?

— Conheço uma loja perfeita. A gente vai chegar lá logo, logo.

— Precisa ser um chocolate que diga que ele é um menino bom agora, que o Coelhinho tá perdoando. Mas não pode ser muito grande, ou ele vai pensar que já pode machucar os outros de novo.

— Vai ter que ser um chocolate bem especial, então.

— Sim! E tem que ser um que só o Coelhinho da Páscoa daria. Um que ele vai amar muito, muito, muito!

— Quanta pressão pra um chocolate.

— Será que a gente acha?

Ele não pode negar ao perceber o quanto ela estava esperançosa.

Entraram na loja de mãos dadas, mas Ellie o soltou para se jogar no chão com uma das mãos sobre a testa.

— Ellie!

— Eu desmaiei! Isso é perfeito demais!

Peter riu e a colocou sobre seus ombros. A garotinha puxou os cabelos encaracolados (mas os sentiu lisos entre os dedos) e apontou para frente.

— Vamos olhar os ovos, vamos, vamos!

Olharam tudo e mais um pouco. Chocolates em forma de coelho, cenoura, ovo e até mesmo um ninho inteiro feito só com materiais comestíveis. Escolheram alguns bombons para comer no caminho, mas nada de o presente perfeito.

Cogitaram escolher um coelho gigante, mas Ellie disse que era sem sentido. Depois, encontraram armas de chocolate branco, porém Ellie se preocupou que Deadpool pudesse interpretar isso como uma dica para matar pessoas de novo. Depois de quase cinquenta minutos, já estavam cansados.

Ellie se apoiou contra as pernas de Peter e suspirou.

— Tem de tudo aqui, menos o presente do papai! Tem até um Homem-Aranha gigante de chocolate!

— A gente pode dar um desses pra ele. Somos melhores amigos, né?

A ideia ficou um pouco na cabeça de Ellie, como se ela pensasse sobre isso. Seus olhos vagaram pela loja, desejando encontrar algo que tivesse passado despercebido antes. E então, de repente, ela soltou um grito muito animado e começou a bater palmas. Peter franziu o cenho, confuso, até ver o que a deixara assim. Caiu na risada junto da menina e se aproximou da prateleira.

Haviam encontrado o presente perfeito.

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Com tudo já comprado e cansados do passeio, Peter e Ellie voltaram para a casa de May. Lá, ele colocou mais uma vez o uniforme, porém Ellie se negou a tirar seu vestido novo.

— Tá, tio Aranha. Agora a gente precisa combinar como vai colocar isso lá em casa, no meu ninho.

— Eu posso entrar de noite, depois de o Coelhinho ter passado lá, e deixar junto das suas coisas.

Nervosa, ela mordeu o lábio inferior e cruzou os braços.

— Mas tem que cuidar muito! Se a gente ver o Coelhinho, aí ele fica um ano sem vim pra cá!

— Eu sei, Ellie. Juro que ninguém vai me ver.

— Jura mesmo?

— Juro de coração.

Como que selando a promessa, Peter fez uma cruz sobre o peito. Isso pareceu acalmá-la.

— Obrigada, tio Aranha!

Ela o abraçou e, no fim, cansada como se sentia, permitiu-se apoiar a cabeça contra o ombro uniformizado dele. Já voltara à sua aparência normal.

— Vamos te levar de volta pro seu pai antes que ele entre em colapso, ok?

— Tá, mas posso comer mais bolo?

— Pode.

Sem soltá-la, Peter desceu as escadas e colocou um pedaço bem grande num pote. Ellie bocejou, mal percebendo as ações dele.

— Esse bolo é pro papai, né?

— Você que sabe.

— Então é. Ele adora bolo de chocolate, que nem eu!

Com um sorriso de canto, fez um apoio com teias (quase como um daqueles cangurus nos quais as mães carregavam bebês) e acomodou Ellie ali. A menina só passou o braço pelo seu pescoço e deitou a cabeça; estava dormindo antes que chegassem à esquina.

Assim como Peter pensara, não foi preciso muito para Deadpool aparecer. Doze minutos passeando por aí, mais especificamente. Subiu num telhado e esperou até que ele chegasse também. Ellie continuava pregada no sono.

— SPIDEY!

— Shii! Ela tá dormindo.

Meio atordoado com a cena à sua frente (Peter segurando Ellie com cuidado, uma das mãos atrás da cabeça dela), Deadpool apenas os observou por dois segundos.

— Onde vocês foram? Por que ela sumiu?

— Ela queria comer o bolo especial da minha tia.

Como que para provar o que dizia, Peter mostrou a Wade o pote cheio de bolo.

— Você apresentou sua família pra ela?

— Eles adoraram a Ellie!

A boca do mercenário foi ao chão.

— VOCÊ CONTOU PRA ELLIE QUEM VOCÊ É?!

O grito fez a menina pular, assustada, e Peter lançar a Wade seu olhar mais indignado (não que ele tenha percebido isso, por causa da máscara). Ela olhou ao redor, confusa, e depois sorriu ao ver o pai. Com a ajuda de Peter, soltou-se das teias.

— Papai!

— Ellie-Belly.

A menina o abraçou o mais forte que pôde. Nem teve tempo de começar a contar sobre seu dia quando Deadpool a afastou.

— O que foi que você descobriu? Qual é o nome dele?

A menina riu, divertida, e piscou para o Homem-Aranha.

— Eu prometi que não contava, papai! E só vi onde ele mora.

— VOCÊ SABE ONDE ELE MORA?! MEU DEUS!

— Mas é segredo!

Como que para confirmar mais uma vez, Ellie voltou a piscar o olho. Peter riu, satisfeito, e Wade retirou a máscara para encarar os olhos escuros da filha.

— Não faz assim com o papai. Nós não temos segredos, Ellie-Belly.

— Agora temos! Eu não falo nada do que o tio Aranha me disse! Nada, nada, nada!

A resolução dela fez a expressão de Wade desmoronar ainda mais. Ele encarou Peter como se seu mundo tivesse acabado.

— Você roubou minha filha. Agora ela te ama mais!

Sem se conter, Peter riu até lágrimas quase saírem de seus olhos. Ellie o acompanhava, porém Wade continuava inconsolável.

— Era só o que me faltava! Minha própria filha! E que roupa é essa, falando nisso?

— Tio Aranha comprou pra mim! Agora sou uma princesa!

— Mas você já tinha uma fantasia. A de Mini-Miss-Wolverine.

— E agora tenho duas! Sou a Mini-Miss-Princesa-Wolvereu!

Como que para comprovar suas palavras, ela correu pelo terraço chutando o ar. Deadpool voltou o olhar para Peter de novo.

— O que você fez?

— Relaxa, Deadpool. Nós só nos divertimos.

— Sem mim. Estou decepcionado. Vocês saem num dia em família e eu perco isso.

— Não foi-

— Agora só falta eu te pedir em casamento, Spidey. Você até já adotou minha filha.

Uma veia pulsava na testa de Peter. A cada aproximação de Wade, mais a veia saltava. Num ímpeto, com um chute bem forte, Wade foi jogado para fora do prédio. Ellie parou o que fazia para correr até a beirada e encarar o pai jogado no chão.

— EU TÔ BEM!

A menina olhou para Peter, que deu de ombros e disse:

— Melhores amigos fazem isso o tempo todo.

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Já passava da meia-noite quando Peter entrou pela janela. Caminhou pelo teto, sendo o mais silencioso possível, até parar perto do ninho cheio de chocolates que Ellie encontraria no dia seguinte. Desceu rápido e colocou o que comprara junto a eles.

— Mais um passo e eu atiro na sua cabeça.

O sussurro gelou sua alma. Merda.

— Deadpool, sou eu.

— Spidey?

— Uhum.

— O que você tá fazendo aqui?

Virou-se a tempo de vê-lo jogando a arma no sofá. Vestia apenas uma cueca samba-canção cheia de coelhinhos.

— Lindo pijama.

— Obrigado, eu sei que sou gostoso. O que veio fazer aqui?

— Trazer meu presente pra Ellie.

Os olhos azuis brilharam e ele deu um pulinho feliz.

— Deixa eu ver, deixa eu ver!

— Não. Só amanhã.

— Ah, mas eu quero ver!

— Não. Vou ficar aqui a noite toda se for preciso.

Deadpool armou um bico e cruzou os braços. Ainda era estranho para Peter perceber o quanto Wade se expunha. Andava sem máscara, deixava-o ficar perto da sua filha, lhe dissera seu nome. Não conseguia se imaginar fazendo o mesmo.

Não ainda, de qualquer jeito.

— Vai embora logo, Spidey.

— Pra você vir aqui mexer onde não foi chamado? De jeito nenhum. Anda, vai dormir.

— E te deixar sozinho na minha casa?

— O que você acha que eu faria?

— Ah, sei lá! Tem muita coisa legal aqui pra roubar.

As palavras dele fizeram Peter rir.

— Eu não sou você, sabe.

Deadpool revirou os olhos e, como quem não quer nada, tentou passar por Peter. Foi puxado de volta por uma teia.

— Sério isso?

— Você não vai ver.

— Mas é da minha filha!

— Exato. Ela tem que ser a primeira a ver.

Um muxoxo saiu dos lábios de Deadpool, ainda de braços cruzados.

— Você é cruel demais, Baby Boy.

— Não sou nada. Agora vai pro seu quarto.

Com um sorriso malicioso, Wade respondeu:

— Só vou se você for comigo.

— Ok.

Sem esperar por respostas, Peter saiu andando na direção que acreditava ser o quarto do outro. Deadpool o encarou com o queixo no chão, sem acreditar no que seus olhos viam.

— Sério, Baby Boy?

— Vai me deixar esperando?

Sem que mais nada precisasse ser dito, Deadpool correu atrás dele. Ainda bem que Ellie tinha o sono pesado, porque não foi muito silencioso ao passar pelo corredor.

— Eu nem acredito, Ba-

Sem nenhum aviso, Deadpool foi pendurado de cabeça para baixo. Ele piscou, confuso, encarando o Homem-Aranha.

— É agora que eu ganho o beijo-Aranha?

Um soco foi a resposta.

— Deixei suas catanas bem longe de você, então não vai conseguir sair daí até amanhã de manhã, quando a Ellie for buscar elas pra ti.

— O quê?

— Boa noite.

Como se isso encerrasse a conversa, Peter saiu do quarto e o deixou sozinho. Wade gostaria de dizer que se arrependia de ter se deixado enganar, porém estaria mentindo. No fundo, amava esses jogos mentais que o Homem-Aranha fazia.

— Se pelo menos não fosse capacho do tal do Parker…

Com um suspiro, pôs-se a tentar deslocar o quadril ou os ombros. Só precisava se soltar meio logo para ver o tal presente misterioso que ele deixara para Ellie.

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Peter comia um ovo feito pela tia May quando Deadpool apareceu. Ele trazia uma Hello Kitty de chocolate nas mãos. A bonequinha fazia uma pose de vitória, mas já estava sem as orelhas.

— Ellie me disse que o Coelhinho da Páscoa tá me perdoando por ter matado tanta gente.

— É mesmo?

— Foi isso que vocês dois foram fazer ontem?

Um dar de ombros e um sorriso foram a resposta de que Wade precisava. Sorriu também.

— Obrigado, Spidey.

— Você tá muito normal hoje.

— Bom, eu ainda tô com dor depois de colocar meu quadril e meus dois braços no lugar. Alguém me prendeu ontem de noite.

— Ela tava animada demais. Seria a pior coisa se você visse antes e estragasse a surpresa.

— As vozes concordam com você. Eu ainda te acho muito cruel.

Peter só sorriu e estendeu um pedaço de chocolate para Wade, que levantou a máscara e se acomodou ao seu lado.

— Você mostrou sua casa pra Ellie.

— Uhum.

— Quer mostrar pra mim também? Eu juro que a gente aproveita bem mais.

E uma das mãos de Deadpool foi parar na perna de Peter. Recebeu como resposta um soco que o derrubou do prédio, exatamente como no dia anterior.

— Quem sabe quando você parar de ser babaca, Deadpool!

— NÃO ME ARREPENDO DE NADA!

E Peter riu antes de saltar para longe.

Notas finais
Gente, essa fanfic foi tão fofa que nem parece minha, né? Eu sei!
Mas foi feita com muito amor ♥
É pra um desafio do @Team_Red, do socialspirit. Eu gostei do resultado, sei lá ♥
Peguei as imagens do quadrinho mesmo. Quem ainda não leu, procura no Mochileiro dos Quadrinhos e lê, porque é muito bromântico
AJDOIJASFOSADKASPDSA
Sério, amo esses dois. Tenho uma Spideypool (essa de verdade, com beijo e tudo) planejada. Quem sabe eu poste meio logo, né?
Obrigada pelo carinho :3

Bjs e teh + ^3^/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!