Wolf's pack
1 A noite vermelha
Uma gota de chuva penetra pela parede de pedra escura das paredes, correndo por elas até uma trinca de ferro, marrom de tanta ferrugem. Dali, surge uma corrente tão grossa quanto o tronco de uma árvore e no fim dessa cadeia de elos cinzentos está o pescoço de um menino. Ele tremia de frio e possuía feridas por todo o corpo, principalmente nas costas, onde as marcas dos chicotes eram ainda mais fundas pelos constantes castigos. Seus olhos escarlates olhavam para o vazio, enquanto ele praguejava em silêncio, amaldiçoando todos de sua vila.
A frente dele, ouve-se um tilintar de chaves e a porta pesada de ferro e aberta por um guarda grande e musculoso que usava uma armadura cor de terra. Ele entra na masmorra e logo atrás está um homem baixinho com um elegante terno azulado e um chapéu estranho de mesma cor. Nesse momento, o garoto se encolheu num dos cantos da sala, mirando seus carcereiros com uma mistura de ódio e medo. — Olá, pequeno. Como está hoje? Pronto para falar alguma coisa? – Perguntou o homenzinho com um sorriso maligno. O menino se manteve calado, apenas com o mesmo olhar para ao dois. – É uma pena. Grind- ele se torna para o cavaleiro — , corte a comida e diminua a água pela metade. – Os dois homens se viram e voltam-se para a porta. — Quando eu sair daqui, eu mesmo vou matar você. – Uma voz rasgada e rouca sai do corpo imóvel, terminando ao som de rosnados canídeos. Os nobres se dirigem para dentro novamente, sem encontrar o menino na sala, mas um grande lobo cinzento de olhos rubros que rosnava com grande raiva. — Olha só. Então está bravo é? Bem, vamos fazer você se acalmar. Grind, faça as honras por favor. – O homem grande tira do cinto uma grande fita de couro fina como uma cobra e começa a faze-la cantar no ar, acertando vorazmente o lombo do animal que gania mais alto a cada chibatada. 5, 10, 20 delas. – Já chega. Eu me diverti o suficiente. Até amanha, Hank. – E a porta bate com um estrondo. O animal volta a ser humano e passa a mão pelas costas, contando quantas feridas novas para a sua coleção. Humanos, seres imundos! Tudo o que não compreendem capturam, torturam e destroem, mas ele não deixaria isso acontecer consigo mesmo, nem com sua irmã. Seus pais eram os líderes de uma comunidade de caçadores a várias gerações e eram conhecidos como o clã dos lobos. Eram muito amados e respeitados por todos, sendo gentis de uma maneira surpreendente, mas um dia, um homem baixo vestido de azul chegou e trouxe o caos. Lorde Wellis semeou a discórdia entre os moradores da vila, fazendo-os terem medo da família e, em três noites, ele desconstruiu toda a imagem dos governantes, formando um exercito contra eles. O pai de Hank, Joseph tentou resolver de uma maneira pacifica e acabou sendo morto na frente de sua esposa e filhos pelo Lorde. Gyna, por outro lado, protegeu seus filhos levando-os para dentro de casa e mandando-os correr para o bosque o mais rápido possível. Pouco depois, um uivo triste e dolorido de uma loba foi ouvido, seguido de várias gritos animados. Hank correu junto de Wylla, sua irmã, para dentro das árvores, apenas para encontrar mais revoltosos. O menino foi capturado e levado à fortaleza do Lorde Wellis, porém, Wylla conseguiu se esconder na raiz de um carvalho antigo. Durante 3 dias, Hank foi chibatado repetidamente devido a busca por mais clãs. Ele preferiria morrer a entregar os de sua espécie. A cada segundo dentro da cadeia, seu ódio ficava maior e esta noite ele usaria toda esta fúria acumulada para se vingar. Era noite de lua cheia. A iluminação prateada do astro recém nascido no céu banhava toda a masmorra, alimentando o corpo machucado de Hank com energia e força. A hora chegou. Com um simples movimento da mão, ele quebra as correntes que o prendem, produzindo um estrondo metálico que é ouvido pelo guarda. O serviçal abre a porta para investigar, mas acha um enorme lobo cinzento que rosna em sua direção. Assustado ele tenta correr e fechar a porta, mas ao virar as costas, um conjunto de dentes afiados abocanha seu pescoço por trás, esguichando sangue pela sala. O gosto dele deixa Hank excitado, querendo mais, mais sangue, porém um em especial. Correndo por um longo corredor de pedra subterrâneo, o lobo tenta sentir o cheiro de sua presa, voltando-se para uma escada que levava ao andar de cima. Dois guardas distraídos estão parados conversando sobre uma mulher de rosa e sua calcinha. Num bote, o animal rasga a garganta de um deles, deixando o outro aterrorizado. O militar corre e começa a gritar, mas não da mais que 5 passos, tendo o mesmo destino que seu colega. O cheiro está próximo. Sua vingança também. Voltando a forma humana, o garoto caminha por um corredor cheio de mobílias douradas e quadros do nobre que ele caçava. A frente de uma grande porta vermelha o cheiro era fortíssimo. Ele estava ali. Encarando a porta, Hank faz um pequeno esforço para abri-la com um rangido baixo. O garoto entra o aposento com a mandíbula e o peito cobertos de sangue. Seus olhos cheios de ódio miram a cama enorme no centro do quarto, cheia de forros e almofadas e, nesse ninho, o corpo adormecido de Wellis repousava roncando alto. ‘’Isso vai ser delicioso!’’. O garoto pensou.
Ele pega alguns lençóis e amarra as mão e as pernas do homem a cama com cuidado para não acordá-lo. Agora seria o seu momento. Tudo estava perfeito. Com sua unha do dedo indicador, Hank pressiona a bochecha do nobre, fazendo seu sangue aflorar de sua pele branca e o lorde acordar gritando de dor. O jovem começa a descer seu dedo em direção ao pescoço de sua presa, abrindo uma fenda escarlate na sua face. A felicidade do predador é representada com um enorme sorriso. -Como você escapou?! -Sabe, tem muitas coisas que você não sabe sobre nós. – Hank leva o indicador a boca, provando o delicioso sangue de seu inimigo e deixando ainda mais assustado. – A principal delas é que nunca esquecemos as coisas ruins que nos acontecem e, por isso, eu vou me divertir te matando bem de-va-gar-zi-nho. – Os olhos do jovem estavam sedentos pelo sofrimento desse homem. -Não! Por favor! E-eu sei onde está a sua irmã -Não, você não sabe.- O menino posiciona sua mão com garras sobre o peito de Wellis, apertando a sua carne com força.- Você só quer quer fazer eu poupar a sua vida mas, depois de 3 dias com pouquíssima comida e água, que quero ter algo para preencher meu estômago e hoje... – Hank começa a descer a sua mão vagarosamente abrindo 5 feridas profundas no corpo do nobre enquanto ele grita de dor. — ... eu quero o seu sangue! Durante 10 minutos, o lobo se divertiu fazendo sulcos no corpo do homem atado a cama, sempre levando os dedos aos lábios para deliciar-se do sangue vermelho. Quando os lençóis já estavam rubros, ele parou um pouco. – Eu já me diverti o bastante. Ta na hora de acabar com isso.O lorde olha para cima, cuspindo sangue e sentindo dores por todo o corpo, apenas para ver o grande lobo cinzento quando este abre seu peito e tira seu coração a dentadas, devorando-o logo em seguida. O último grito estridente é exalado e o nobre Wellis morre com uma terrível expressão de terror no rosto. Com os pelos manchados pelo sangue, Hank olha sua obra de arte. Ele conseguiu. Agora tinha que achar sua irmã. A janela do quarto dava para uma sacada cheia de cipós. Voltando a forma humana, o jovem desce pela parede, caindo na grama e ouvindo rebuliços dos guardas. Agora seu lorde estava morto. Correndo pelos campos, o lobo vai em direção à sua antiga vila, mas especificamente a árvore onde Wylla se escondera. Algumas horas depois, lá estava ele, de frente a sua antiga casa totalmente destruída. Conseguia lembrar do verão em que sua mãe o ensinara a localizar alguém pelo cheiro, há mais de 8 anos. Uma pequena lágrima rola pelo focimho de Hank ao visualizar essa lembrança e o uivo triste corta a noite iluminada pela lua. Agora ele tinha um dever a cumprir. ‘’Cadê você Wylla?’’
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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