Wolfpire.
8 Capítulo 8 — Visão Vampírica: Velhos Amigos
EU AINDA QUERIA ALGUMAS RESPOSTAS DE PAUL.
Queria que ele me dissesse o que realmente significava aquele cheiro e aqueles uivos na floresta. Eu ainda achava que não poderia ser nada de mais com alguns lobos nas florestas de Beacon Hills, aquilo era até comum de ter. Mas o olhar de Paul, de como ele soubesse exatamente o que era que estava na floresta me deixou intrigado, e eu queria respostas.
Contudo, todos nós ― incluindo Dave ― chegamos ao ponto em que Paul havia me encontrado e o cheiro fedorento de cachorro molhado estava impregnado ali. Vi que todos ali prenderam a respiração e não nenhum deles fez menção em soltar o ar ― uma coisa nova que eu não sabia: eu não precisava respirar. Se eu soubesse disso quando estava com Matt por perto, não precisaria ficar pensando em drená-lo.
De qualquer forma, Paul tomou a nossa frente e começou uma caminha, e, como previsto, todos o seguiram.
― Fiquem por perto ― disse ele em tom cauteloso.
Adrian, Jason e Joe foram os que ficaram atrás de Paul, seguidos de Alexia e Dave logo atrás deles três e eu atrás deles dois. Não era exatamente correto deixar alguém como eu por último, sendo que eu não era tão bom nesse assunto de vampiro como eles, mas eu não cheguei a questionar.
Com mais alguns minutos de caminhada, Paul parou de andar e todos nós paramos juntos. Ele tinha ficado uma estátua, não se mexia e, tampouco parecia que também respirava. Ele, por fim, começou a olhar para os lados a procura de alguma coisa...
― Viemos em paz ― disse ele erguendo as mãos para o alto; como se estivesse se rendendo.
Uivos surgiram pela floresta e começamos a ouvir passos se aproximando de nós em uma determinada velocidade quase igual a nossa quando virávamos um borrão, porém nós éramos mais rápidos do que aquilo, não éramos?
Eles apareceram em nosso campo de visão.
Derek Hale ― um cara alto e musculoso de cabelos pretos, e não era difícil de reconhecê-lo. Ele andava pelos arredores da escola. Ao lado de Derek, estava Scott McCall ― um garoto que parecia ter o mesmo tamanho de Kevin, cabelos pretos e parecia o que era mais “simpático” ali. Ali tinha outro homem de cabelos pretos que se parecia muito com Derek, seguido de um garoto de cabelos louros encaracolados do tamanho de Kevin, dois gêmeos idênticos e tão musculosos quanto Derek. E ao lado deles, estava o Kevin... meu irmão Kevin.
Eu passei por Dave, Alexia, Adrian, Joe, Jason e cheguei ao lado de Paul, encarando Kevin completamente incrédulo.
O que ele estava fazendo ali? O que ele queria ali? Kevin tinha que sair dali antes que tudo de ruim pudesse acontecer. Eu não saberia como poderia proteger ele e lutar contra aqueles caras se tivesse uma luta.
― Kevin? ― perguntei ainda incrédulo.
― Ernie? ― disse ele me encarando.
― O que diabos vocês está fazendo aqu...
Senti as mãos de Paul em meu ombro quando eu tentei ir até Kevin. Voltei-me para olhá-lo, mas Paul mexia a cabeça em forma de não. Eu queria argumentar, mas eu sabia que seria pior se eu argumentasse naquele momento.
Paul deu um passo à frente e Jason se pôs ao seu lado direito. Do outro lado, Derek e o cara que parecia muito com ele também deram um passo à frente.
― Já se faz muitos anos, Peter ― disse Paul.
― Digo o mesmo, Paul ― disse o cara que se parecia com Derek, o Peter.
Uma brisa sinistramente fria passou por nós, mas eu nem liguei. Eu não sentia tanto frio assim, uma vez que eu era um vampiro.
― Sabemos que um dos seus passou dos limites determinados ― disse Peter, me olhando com um sorriso irônico.
Sorri para ele da mesma forma.
― Sim e eu fui buscá-lo assim que percebi isso ― disse Paul formalmente. ― Desculpe por isso, Peter. Garanto que não irá se repetir.
― Certamente que não ― disse Peter.
― Assim como, também, peguei alguns dos seus tentando passar dos limites impostos ― disse Paul olhando para os gêmeos.
Os gêmeos pareceram não gostar daquilo, pois rosnaram para Paul e ele bufou.
― Também garanto que isso não irá se repetir ― afirmou Peter e sorriu para Paul.
Pelo canto do olho, vi Paul sorrir para ele também. Eles se adiantaram e ficaram frente a frente um do outro, encarando-se nos olhos. Olhei para o bando de Peter atrás dele e todos eles pareceram prontos para atacar e, quando olhei para o meu clã, eles estavam fazendo a mesma coisa, e Dave tinha suas mãos brilhando em um azul fluorescente. Bem bacana.
Mas quando pensamos que iríamos brigar, Paul e Peter sorriram um para o outro e, com um aperto de mão, se abraçaram e deram tapinhas em suas costas.
Só pode ser brincadeira, quis dizer.
― Como vai, grande amigo? ― perguntou Peter.
― Vou muito bem, obrigado ― disse Paul. ― E as novidades?
― Ah, o mesmo de sempre ― reclamou Peter. ― Nada de bom nessa vida longa e chata. E você?
― Nada de bom em 544 anos de vida ― disse Paul frustrado.
Eles deram risadas.
― Olá, Dave ― cumprimentou Peter educadamente.
― Olá, Peter ― disse Dave também educadamente.
Parte do meu grupo rosnou e do grupo deles uivaram; todos nós completamente raivosos. Peter e Paul olharam para nós e suspiraram.
― Está tudo bem... ― disse Paul para nós.
― Nada de perigo, eles são amigos ― disse Peter para o seu grupo e, então, se voltou para nós. ― Velhos amigos ― e sorriu.
Todos nós relaxamos.
Paul, Peter e Dave foram para uma árvore próxima para poderem conversar e disseram que era para todos nós nos misturarmos ― o que era totalmente difícil, pois o cheiro repugnante que vinha deles eram completamente repulsivo e nos fazia querer ficar longe.
Mas eu não podia ficar longe, certo? Afinal, meu irmão era um deles e eu teria que conviver com aquilo para o resto da vida. E eu tinha saber que história era aquela de meu irmão ser um lobisomem. Não tinha lógica! Kevin, lobisomem? Cara, ele nem gostava de carne direito, que dirá ser um lobisomem e caçar animais ― era o que lobisomens faziam, certo? Ah, que seja!
Fiz um gesto com a cabeça com Kevin indicando um local vazio ali e ele entendeu o que eu quis dizer: iríamos conversar.
Quando Kevin chegou perto de mim, eu prendi a respiração na mesma hora. O cheiro de cachorro molhado que vinha dele queimava meu nariz quando eu respirava. Era horrível não ter o olfato. Bem, não fazia diferença nenhuma respirar ou não respirar, sabe? Mas não era nada legal ficar sem um sentido.
― Como...? ― perguntou ele.
― Naquela maldita festa da casa do Luke ― falei resumindo toda a história. ― Como você virou um cachorro?
Ele soltou um rosnado pequeno completamente com raiva, mas foi ridiculamente fácil ignorar aquela forma de “ameaça” dele.
― Não me chame dessa maneira ― resmungou ele.
― Kevin, você fede ― disse eu.
― E você acha que cheira bem? ― ele levantou as sobrancelhas.
― Que cheiro eu tenho? ― franzi a testa.
― Uma mistura sinistra de perfumes e morte ― disse ele depois de uma fungada. ― Completamente fedorento. Dá vontade de vomitar.
― Digo a mesma coisa ― rebati. ― Como foi que virou isso?
― Também na festa do Luke ― disse ele.
Chacoalhei a cabeça em negativa.
― Cara, isso não pode estar acontecendo ― disse ele.
― O que faremos com o Matt? ― perguntei. ― Ele não pode saber de nós.
― E nem deve. Matt tem muita coisa para se preocupar, não podemos incomodá-lo com isso.
― Também acho que não e nem sei se ele acreditaria em nós. O problema é se ele tocar em meu braço ― falei mostrando o braço esquerdo.
Kevin pegou meu braço com os olhos arregalados e começou a passar os dedos por cada símbolo e letra que tinha em meu braço. Ele olhava aquilo com tanta intensidade que chegava a me dar certo medo.
― Como foi que conseguiu isso? ― perguntou ele.
― É uma espécie de feitiço de proteção ― disse eu. ― Dave quem fez.
― Mas Matt...
― Relaxa ― o interrompi. ― Dave me garantiu que ninguém poderá ver.
― Mas eu estou vendo.
― Você é uma criatura sobrenatural ― o lembrei. ― Dave comentou que qualquer criatura sobrenatural poderia ver. Todos do meu clã têm essas marcas.
― Seu clã? ― perguntou ele sorrindo de lado.
Bufei e ri.
― Você tem o seu grupo e eu tenho o meu ― rebati. ― Eu tenho o meu clã e você sua alcateia, não caçoe.
― Nem pensei nisso ― mentiu ele.
― Sei... ― semicerrei os olhos para ele.
Kevin e eu ficamos conversando por um determinado tempo.
Ele me contou que Derek era o seu Alfa e que o garoto Scott McCall era um Beta. Bem, ele não me explicou aquilo direito, porque ele tinha dito que não tinha entendido direito quando Derek havia lhe contado. Normal, quando se esperava de Kevin. Kevin tinha dito que era rápido e tinha um olfato tão forte que podia sentir cheiro e quilômetros de distância e sua rapidez era sensacional ― o que eu duvidava, pois eu achava que não tinha como um ser de quatro patas poderia vencer alguém com nós, vampiros, em uma corrida.
Eu lhe contei que Paul era o que havia me transformado e era o meu chefe. Éramos seis e, incluindo Dave, éramos sete; e que Paul tinha um comando sinistro sobre todo o clã, que quando ele dissesse para parar, tínhamos que parar. Falei que era bem rápido e que tinha uma força tão sinistra que tinha conseguido combater Joe ― ele não tinha acreditado nesse detalhe. Azar o dele.
Ele me perguntou como era Joe com Paul e eu não menti ao dizer que se davam tão bem quanto ele e Joe. Ele pareceu ficar triste, mas eu não podia fazer nada. Eu sabia que meu irmão e Joe eram grandes amigos, antes de Joe conhecer Paul. Mas parecia que agora eles realmente não poderiam ser amigos.
Quando olhei para a lua no céu e ela estava bem cheia e bem bonita, senti meu irmão começar a tremer e, quando perguntei o que era, ele disse que era para chamar Derek, e foi o que eu fiz.
Derek disse que seria a primeira lua cheia de meu irmão e que ele precisava sair dali, mas que era para todos de seu grupo ficassem ali ― incluindo Scott, os gêmeos e Peter. Eles não questionaram e Derek e meu irmão saíram de perto de nós, adentrando mais à floresta.
Mas aquilo não foi o pior de tudo.
Cinco minutos depois, apenas meu irmão voltou para onde estávamos e um som esquisito irrompeu na floresta escura.
― Onde está Derek? ― ouvi Peter perguntar ao meu irmão.
― Ele disse que ia seguir na direção do som e depois sumiu ― disse Kevin. ― Ele demorou e daí eu voltei. Ele sumiu.
Vi Peter ranger os dentes.
― Vem para cá ― disse Peter, puxando meu irmão para perto de nós.
E o som continuou.
Os lobos disseram que não foi nenhum deles e nós alegamos que não foi nada comparado aos nossos rosnados. Algo na atmosfera da floresta também mudou. A temperatura tinha caído de tal maneira, que fez meus pelos dos braços se arrepiarem e fez todos nós ficarmos juntos ― tanto vampiros quanto lobisomens.
Os lobos, agora, mostravam suas presas enormes e seus olhos mudaram de cor. Um par vermelho (Scott), um par amarelo (Isaac) e dois pares azuis (os gêmeos). Meus companheiros de clã e eu ficamos em posição de ataque. Paul, Peter (com olhos azuis) e Dave (com as mãos brilhando num verde fluorescente) apareceram perto de nós e também ficaram em posição de ataque.
― Que som é esse? ― perguntou um dos gêmeos.
― Nunca ouvi uma coisa dessas antes ― queixou-se Dave.
― Quietos! ― disse Paul e Peter juntos.
E o som parou. Segundos depois, os sons foram substituídos por sons totalmente agonizantes e fez todos nós tamparmos os ouvidos, menos Dave.
Eu fui o primeiro a cair no chão tampando os ouvidos. Seguido dos gêmeos, Isaac, McCall, meu irmão, Adrian, Alexia, Joe, Peter e Paul. Dave era o único que continuava de pé.
Ele fez um movimento com as mãos e um círculo ficou ao redor de nós, e o som agonizante parou. Consegui me levantar e vi Dave com as palmas das mãos voltadas para frente. Algumas ondas saiam de sua mão e iam direto para o circulo azulado, fazendo camadas.
― O que é isso? ― perguntei a ele quando consegui ficar perto dele.
― É um campo de força ― respondeu ele. ― O que é que esteja fazendo isso com vocês, eu consigo impedir. Mas com esforço. Essa magia é diferente da dos magos e dos feiticeiros. Não é um mago que está fazendo isso.
― O que está fazendo isso? ― perguntou Peter do outro lado de Dave.
― Não sei ― disse Dave. ― Seja lá o que for, está lutando comigo... não sei se posso aguentar por muito tempo...
― Por quanto tempo mais consegue aguentar? ― perguntou Paul.
― Só mais alguns minutos... ― ofegou Dave.
Paul e Peter se viraram para nós.
― Formem duplas ― disse Peter. ― Misturem-se e separem-se.
― Ernie, vá com seu irmão ― disse Paul e senti meu irmão pegar em minha mão. ― Alexia vá com Isaac. Jason fique com Scott. Joe com Ethan e Adrian com Aiden. Entendido?
Meu clã assentiu, mas os lobos não fizeram nada a não ser olhar para Peter.
― Façam o que ele disse ― disse Peter.
― Dave, quando eu disser três, você nos solta, combinado? ― perguntou Paul a Dave.
Dave assentiu.
― Um... ― disse Paul.
Meu irmão segurou em minha mão com mais força.
― Dois... ― continuou ele.
Todos dentro da bolha já estavam preparados. Eu não sabia exatamente para onde levaria meu irmão, mas para salvar a vida dele, eu correria para qualquer lugar.
― TRÊS! ― disse Paul.
O campo de força se irrompeu e, segurando na mão de meu irmão, corri, como um borrão, o mais rápido que eu pude para bem longe dali.
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