Notas iniciais
Continuação da "saga" dos corações lupinos....

Dias e noites se passavam... Enquanto a primavera avançava... Coisa que naquelas terras não fazia muita diferença com relação ao clima... Pois no máximo os rios e lagos descongelavam, sua água esquentava um pouco e o céu tornava-se um pouco menos cinzento...

...Firmamento exibindo o tom azul em algumas partes durante o dia, e a lua majestosa quando esta estava cheia durante a noite... Mas o frio asgardiano pouco diminuía, independente da época do ano, uma fina camada de gelo permanecia...

Em uma dessas madrugadas de lua cheia ela observava o céu sozinha... Suspirava, pois no ano anterior naquela mesma época seu filhote estaria ali ao seu lado... Porque mesmo não importando que ele já tivesse uma idade avançada para um lupino, sempre se lembraria de Grayby como seu filhote...

Sentia tanto a falta dele! Tanto, tanto... Com ele estariam uivando alegremente para aquela lua tão bela! Mas sozinha, não tinha forças... Se quer para uivar em lamentos como anteriormente... Apenas pensava em seu querido e eterno filhote...

Semanas já haviam passado desde sua perda, e ela já tentava substituir sua insana e dilacerante tristeza por uma imensa saudade... Que apresar de não diminuir o vazio que sentia por dentro o brandava, fazendo-a se focar nas lembranças de Grayby ao invés da lembrança de sua morte...

Enquanto a gélida brisa noturna cortava o ar, e apenas a penumbra silenciosa atravessada pelo luar lhe fazia companhia, tudo o que ela sabia era o quanto queria poder abraçar seu Grayby de novo... Nem que fosse apenas mais uma vez! Sentir seu corpo quentinho e seu pelo novamente...

Mas sabia não ser mais possível... Então fechou os olhos e lembrou-se dele... De como era repousar a cabeça sobre seu pelo felpudo, como quem lhe recostasse sobre o ombro... O calor de seu pelo quando o tinha sentado ao seu lado... Tão diferente do que sentira ao recostar tristemente a cabeça sobre seu corpo no leito de morte...

...E ir sentindo ao poucos o calor da vida ir deixando-o... Sem nada poder fazer para impedir... Sem querer acreditar... E sem saber muito bem o que fazer, cobrindo-o de amor até o último instante como podia... Pesando em tentar trazê-lo de volta, e miseravelmente percebendo não poder...

Memórias patéticas... Um tanto mórbidas talvez... Mas que não conseguia evitar com que visitassem sua mente vez ou outra, trazendo consigo as lágrimas... As quais naquela noite ela espantava...

Retornando à lembrança de seu abraço quente... De sentí-lo rosnando... E do quanto de si daria por ter aquilo de novo! Ainda que fosse nos alvos sonhos da madrugada ao dormir...

Repentinamente os seus pensamentos foram interrompidos quando farejou nitidamente que não estava mais sozinha... A fria brisa noturna trazia um cheiro já conhecido... "Quem dera fosse o cheirinho de Grayby..." — ela pensou. Mas sabia bem que não era... Se tratava do odor de outro alguém...

Fenrir a observava escondido numa árvore bem próxima, cuja copa ainda exibia neve em alguns galhos... Ging como sempre o acompanhava, escondendo-se entre suas pernas após tê-lo guiado até ali... O rapaz, pondo parte da cabeça através do tronco, observava uma certa fêmea cinzenta... Uma loba...

Apesar de ele ter quase a certeza de ter visto a silhueta de uma mulher ali sentada de costas, no escuro... Apesar de o odor ainda ser o mesmo, agora o que via estando mais próximo era aquela mesma loba cinzenta, a que lhe fizera paralisar anteriormente...

§§§

Na manhã seguinte, já por volta da metade do dia quando os raios solares estavam um pouco mais fortes, Fenrir e Ging brincavam como dois filhotes próximos ao rio... Corriam tentando alcançar um ao outro por horas...

E seus momentos de distração acabaram por leva-los para dentro da água... Que estava por demais fria num primeiro instante, mas o sangue quente pela corrida e a sede terminaram por fazer Fenrir pular na água corrente ao lado de seu irmão peludo...

Ele sorria, quando notou estarem sendo observados e o sorriso se fechou... Suas narinas e Ging rosnando mantendo a guarda, mesmo de dentro da água, confirmaram sua certeza!

Olhando de relance através dos raios de sol o rapaz podia jurar que havia visto uma silhueta de mulher... Porém lá estava ela: a loba cinzenta novamente... Sentada na margem, observando-os quieta e atentamente...

Ela então abaixou a cabeça para beber um pouco da água pura e cristalina... Enquanto Fenrir se aproximou rapidamente da margem saindo da água, podia sentir nela o mesmo cosmo de antes...

Os sutis raios de sol tocavam-lhe a pele enquanto ele se esgueirava lentamente apoiando-se abaixado e com as mãos no chão, tal como um lobo sobre as patas... Ging havia parado de rosnar e espreitava por perto...

A lupina ainda lambia a superfície da água quando a mão pálida e trêmula encostou-lhe de leve a cabeça... Os olhos do lobo humano então encararam os olhos lupinos da fêmea... De uma expressividade que ele nunca vira nem sequer em Ging! E em instantes ela correu livre pelas estepes logo desaparecendo...

Notas finais
Grata de coração a quem está oficialmente acompanhando a fic^^espero não decepcionar... ...Um uivo a vc! E a quem mais estiver acompanhando "não-oficialmente" tbm.... Pretendo encerrar em breve!