WolfHill
30 Capítulo 29 - Is Time To Fight
Notas iniciais
P.O.V Thalia
A brisa que batia em meus cabelos me dava uma sensação gostosa de conforto. Eu podia sentir o couro da sua jaqueta de aviador, que era quase engraçada. Naquele momento eu sabia que estava tudo em paz, que estávamos bem e que tudo estava seguro. Não tínhamos que nos preocupar com nada. Apenas nós dois e mais ninguém. Eu poderia me acostumar com aquilo.
—Está calor demais. -Eu ri e o olhei sobre o ombro. Seus cabelos estavam maiores do que eu me lembrava, seu rosto estava mais firme, e a barba que crescia lhe dava uma aparência mais velha.
—Você que quis vir de jaqueta para um passeio de barco, Nicholas. -Ele bufou. -E você sabe onde nós estamos.
—A ideia foi sua de vir para o Brasil. -Dei de ombros.
—Posso dar um jeito nisso. -Me levantei e o olhei. -Tira a jaqueta. -Ele abriu um sorriso malicioso e ficou em pé para retirar a peça. Assim que ele o fez eu o empurrei na água.
—Porra, Thalia! -O escutei reclamar depois que emergiu, enquanto eu ria da sua expressão. Retirei minha roupa e pulei na água. Enlacei o seu pescoço e o beijei.
—Está mais fresco?-Ela balançou a cabeça em negação.
—Faz dez anos que estamos juntos e você ainda é a mesma Thalia. -Eu ri e o beijei novamente.
—Feliz aniversário, Nicholas. -Ele riu.
—Meu aniversário é só amanhã.
—Não é todo dia que fazemos 19 anos, temos que comemorar.
—19? -Eu franzi o cenho. -Thalia, vou completar 29.
—Não, você faz 19. -Ele riu. -Nico, para de brincadeira!
—Está na hora de acordar, querida. -Ele me beijou. -Acordar, garotinha! -Aquela não era a voz do Nico. -Acorda, Thalia Grace!
Abri os olhos lentamente. Meu corpo inteiro doía e eu me sentia extremamente fraca, tão fraca que não conseguia me levantar. O calor da fogueira parecia estar cada vez mais próximo, mesmo que a mesma estivesse do outro lado da caverna, meu corpo inteiro estava molhado de suor, e eu mal conseguia respirar por conta da fumaça. Olhei em volta e arregalei os olhos, não era uma fogueira, era um círculo de fogo à minha volta.
Apoiei-me em meus joelhos e tentei entender o que estava acontecendo. Reia estava parada na frente de uma pedra, essa que tinham vários símbolos estranhos, e pela coloração, não duvidava muito que fosse sangue, e pelo tanto que eu estava dolorida, apostava que fosse o meu.
—Acordou, querida. -Ela me olhou sobre o ombro. -Não se preocupe. -Ela voltou a olhar para frente. -Você vai morrer primeiro.
P.O.V Nico
—Tem certeza que é esse o caminho? -Assenti. O Solace já estava me irritando, faziam quase dois dias que ele não saia do meu pé! E eu já estava considerando a ideia de jogá-lo do alto da montanha.
Desde que descobrimos onde a Thalia estava não paramos de andar. Seria muito mais rápido se todos nós corrêssemos, mas, infelizmente, alguns caçadores ainda tinham certa resistência com isso, eles não acreditavam que Zeus era um lobo, muito menos que era um traidor. Então, tudo o que nós pudemos fazer foi andar. Passamos um dia e meio andando, e ainda faltavam 9km até a montanha.
Não sabia se a pior parte era ter que andar, ou aguentar o Solace. Devo dizer que o cara cismou comigo.
Claro que, teve o lado bom de toda essa confusão. A matilha não recebia os seus outros integrantes há alguns anos, então, eu não posso negar que foi bom rever o Tyson, o Beckendorf, e a Silena. Descobrimos que o Charles e a Silena finalmente haviam se acertado e a Beauregard estava esperando o primeiro membro da próxima geração, ainda não sabiam se era menino ou menina, o que era estranho, já que a criança nasceria no próximo mês. Os dois estavam mais que felizes com a notícia, assim como todos nós estávamos.
Claro que era uma total loucura a Silena ter vindo para a "luta" com aquela barriga, afinal, o risco era em dobro. Mas não havia nada que a fizesse mudar de ideia, afinal, ela podia ser a mãe, mas o Charlie é o pai, e ela não deixaria ele lutar sozinho, e nada no mundo separaria aqueles dois.
O Tyson também tinha novidades. Depois de três anos viajando o mundo, ele voltou para casa com uma bela ruiva, segundo ele, os dois namoravam há pouco mais de um ano, era quase engraçada vê-los juntos, o Tyson era a pessoa mais estabanada que eu conhecia e a Ella parecia ser a mais certinha que eu poderia conhecer, o que os tornava um casal fofo.
Mas o motivo de eles terem voltado não foi apenas saudade, mas também, a necessidade. Além dos caçadores nós precisávamos de outro tipo de reforços. O Charles era quase tão forte e bruto quanto eu, ele enfrentava uma matilha sozinho com facilidade, quando ele estava em ação, era difícil controlá-lo.
A Silena era a mesma coisa. Ela podia ser gentil e carinhosa, mas quando sua magia entrava em ação, ela se transformava no pesadelo de muita gente, certa vez teve que usar um amuleto para controlar a magia. Ela era extremamente forte e determinada. Quando aqueles olhos azuis ficavam rosas, era difícil controlá-la.
O Tyson era tão forte quanto o Charles, e juntos os dois nos dariam uma ótima vantagem, afinal, ninguém contaria com a força que o grandalhão tinha. Aqueles três eram perfeitos juntos.
O Tyson nos contou que a Ella era uma Xamã, e segundo Atena, Xamãs como ela podiam invocar espíritos sobrenaturais antigos, tão antigos quanto a própria Reia, e tão poderosos quanto. Segundo o Tyson quando ele a conheceu, ele estava na Amazônia, os habitantes achavam que ela era um espírito maligno, e quando ele a encontrou, descobriu que um espírito estava a em sou corpo há tanto tempo que havia tomado controle, ele contatou algumas bruxas e elas ajudaram a Ella. Depois disso ele a ajudou a se recuperar e os dois se apaixonaram no processo.
—Hey. -Olhei para a Silena. -Seu estresse e preocupação estão afetando o meu bebê. -Acabei rindo. -Ele está chutando demais perto de você, devia relaxar.
—Não consigo. -Ela colocou a mão em meus ombros.
—Vai dar tudo certo, Nico. A Thalia é forte, ela vai ficar bem. Todos nós vamos ficar bem. -Assenti. -Estamos chegando.
—Como você sabe? -Era verdade, faltavam apenas 2km.
—Não duvide dos instintos de uma bruxa grávida. -Acabei rindo.
Depois de mais meia hora de caminhada nós estávamos no pé da montanha. Havia uma movimentação estranha no topo dela, provavelmente Reia estava aprontando algo, aquilo não estava me cheirando bem.
Os caçadores estavam retirando cordas e mais cordas das mochilas, só queria saber como eles iriam subir aquela montanha inteira. Vi um loiro se aproximar de mim e me entregar uma corda, se ele estava achando que eu iria carregá-lo, ele estava muito enganado.
—Hey, lobinho. -Rosnei. Odiava que me chamasse assim. Minha mãe era a única a me chamar daquela forma, mas eu tinha sete anos, e era de uma forma carinhosa, não da maneira que aquele idiota estava falando. -Boa sorte para subir, soube que a neve não é boa para os lobos.
—Muito menos para os caçadores. -Ele riu e retirou uma besta que estava em suas costas, amarrou a corda na ponta da flecha e mirou em mim antes de desviar e atirar para cima. Idiota.
—Simples. -Sorri e me aproximei da corda.
—Por isso os seus números estão diminuindo. -Puxei a corda cor força e senti a flecha soltar. -São todos idiotas.
—E vocês se acham mais fortes que nós.
—Eu sou mais forte que você. -Ele riu.
—Veremos, lobinho. -Ele começou a se afastar. -Pelo seu tamanho não duvido muito que passe de dois metros. -Chamar um lobo de pequeno era uma das piores ofensas para nós. -Estou certo.
—O lobinho aqui vai rasgar a sua garanta. -Tentei me aproximar dele, mas senti uma mão em meu peito.
—Chega! Octavian, vai ajudar os outros com as cordas.
—Mas...
—AGORA! -Ele a fuzilou com os olhos e saiu andando. -E você... -Ela me olhou. -Já pode se transformar.
Afastei-me dela e retirei a camisa, era mais fácil passar pela transformação sem camisa, na verdade sem roupa, mas nós nos acostumamos. Fechei os olhos e respirei fundo. Meus músculos retesaram e eu me agachei na medida que os pelos iriam crescendo. Quando estava de joelhos já era um lobo, maior do que eu era antes da Thalia chegar. Olhei-a sobre o ombro e vi um sorriso brotar em meio a expressão de espanto e surpresa.
—Nos vemos lá em cima. -Balancei a cabeça e me agachei ao seu lado. -O que foi? -Rocei minha cabeça em sua perna. -O que foi? -Apontei com a cabeça para a Annie que estava sobre o Percy. -Só pode estar brincando! -Sem que ela percebesse eu me coloquei atrás dela. -Não vou... -Dei uma cabeçada nela e a mesma caiu sobre as minhas costas. -Tudo bem! -Ela se ajeitou. -Eu vou cair. -Mordi a corda do chão e a entreguei. Esperei até ela amarrar a corda em mim e sentir-se segura. -Tudo bem, podemos ir. -A Reyna era mais leve do que parecia. Além dela eu carreguei o Solace, os dois não eram pesados, então foi moleza.
E mesmo que eles estivessem pesando, não me importaria, eu iria até o inferno e encararia o diabo pela Thalia. Subir aquela montanha não seria nada.
P.O.V Thalia
O círculo à minha volta diminuiu o fogo, senti alguém me levantar e me arrastar até Reia. Eu iria morrer. Ela murmurava algo em uma língua que eu não conseguia identificar. Seus olhos estavam tão vermelhos quanto seu vestido. Eu podia sentir o poder que emanava dela, era forte demais.
Fui jogada contra a parede e urrei, minhas costas pareciam estar em carne viva. Pela abertura da caverna eu podia ver que nevava, mas não era para nevar, não nevava em WolfHilll.
"Você irá matar Thalia Grace quanto o inferno se tornar frio e anjos caírem do céu."
Quando eu era pequena minha mãe dizia que os flocos de neve eram pequenos anjos que caíam do céu, ela nunca me disse o motivo deles caírem.
—Vai acabar logo queria. -Senti sua mão em meu pescoço, tentei afastá-la, mas ela parecia ser muito mais forte que eu. -Pronta para morrer Thalia? -Eu não conseguia respirar, mas com certeza não estava pronta para morrer.
—Eu vou acabar com você, sua Vaca! -Ela riu e ergueu o punhal, tentei puxar o seu braço e não consegui.
—Te vejo no inferno. -Uma flecha atravessou o ar e se fincou no braço de Reia, o que me fez cair no chão.
—Nós já estamos no inferno. -Olhei para o par de olhos castanhos que encarava Reia com pura fúria. -Você não devia ter sequestrado a minha namorada.
—E você não devia ter atirado na minha mulher. -Ouvi a voz de Cronos, ele provavelmente estava atrás de mim.
—E os dois deviam estar mortos. -Olhei para Poseidon. -As única pessoas que vão morrer hoje, são vocês dois. -Ouvi Cronos rosnar e então outra flecha rasgou o ar. É hora de lutar. É hora de sobreviver. É guerra.
Fale com o autor